Henrico
- Embarco em dois dias - Avisei Matteo que se encontrava escorado sem pudor algum em minha cadeira, trabalhar com família tinha disso, tamanha liberdade.
- Irá visitar quantos lugares? - Me questionou ajeitando sua posição, o relógio antigo e muito bem preservado marcava 16:00, embora já tivesse resolvido os problema diários precisava ajustar algumas coisas antes da minha partida, ficaria 2 semanas em Nova Iorque e não me agradava de tal situação, amo minha Itália e pago para não ter que sair, mas atualmente abriria mais 3 franquias de bebidas no país, não poderia deixar nas mãos de terceiros coisas que somente o CEO poderia resolve.
O que não me agradava era o fato de deixar as coisas da máfia nas mãos de terceiros, por mais que meus homens e Matteo meu subchefe e consigliere fossem muito competentes no que faziam.
Ter uma dupla personalidade era isso, e foi assim que abri os horizontes dos Cosa Nostra, como primeiros mafiosos a ter uma organização descente desde o século XIX, com toda certeza meu reinado como Dom estava sendo um dos mais enriquecidos, com meus negócios legalmente apropriados para um mundo tão moderno, com toda certeza legalizar minhas empresas foi uma tacada de mestre, meu império ia de cigarros a produtos farmacêutico dando vantagem a fabricação de nossos narcotráfico, o esquema era simples cigarros, bebidas e drogas tudo feito legalmente, sem nenhuma suspeita, um grande CEO com uma grande responsabilidade.
Abastecendo milhares de boates por todo o mundo e cada vez mais trazendo "parceiros" para o nosso meio, desde juízes, políticos e grandes empresários, com tudo na maior paz e no sigilo, nossa fortuna e matrimônio apenas crescia, me trazendo um grande privilégio, sendo temido e respeitado, eu nasci para isso e meus faturamentos diziam o mesmo.
- Não muitos, apenas as boates de Joseph, a única da região que nos trás um grande rendimento, por mais que sua forma de gerenciar não me agrade, precisamos manter boas relações.- Após encher meu copo com mais uma dose de whisky royal salute, encarei meu primo novamente-
- Sabe que podemos acabar com isso não é? - Me questionou arqueando a sobrancelha, a verdade é que podíamos, mas isso causaria um reboliço, fazendo com que a maioria que vivia dessa forma ilegal se levantasse contra nós, ou melhor, iriam tentar.
Era uma guerra que no momento não estava disposto a entrar, coisas ilícitas uma hora ou outra caíam por si só, e infelizmente meu caro Joseph teria seu dia, não éramos amigos, mas mantínhamos uma boa relação, ele com suas prostitutas contrabandiadas e eu o fornecendo os meus produtos.
Minha empresa não trabalhava em hipótese alguma com mercadoria que qualquer boate poderia comprar, sendo assim todos meus clientes eram muito bem apropriados financeiramente, mas alguns eram gananciosos demais como Joseph, preferia ir para a parte ilegal quando se travava da prostituição, fazendo mulheres de reféns as trazendo de outros países, eu realmente não gostava, nem um pouco.
Mas sabia que seria uma guerra grande cortar relações, ele não era o único com negócio sujo dessa maneira, existiam milhares pelo mundo, o qual eu evitava frequentar nas minhas viagens, mas Joseph era muito influente em Nova Iorque, e não tinha como escapar, nessa viagem eu teria que ir ao seu encontro no seu lugar preferido.
As garotas eram uma mais belas que as outras, o que não me satisfazia era o fato de estarem contra sua própria vontade ali, não que eu fosse algum bom samaritano, aqui em Sicília eu tinha minha boate, mas minhas garotas trabalhavam porque queriam estar ali, e isso era o que mais me fazia odiar tal ato de enganação, a ambição fazia com que eles simplesmente enganasse garotas pelo bel prazer de não ter que pagar a elas pelo seus corpos vendidos.
- E começar uma guerra, não obrigado, eles caíram sozinhos, sempre caem.
- Como está seu noivado? - Me perguntou mudando de assunto, ele sabia o quanto isso me irritava, pessoas inocentes em mãos de perversos.
- Luna é uma boa garota, bem foi criada para isso não é?- Meu casamento seria daqui dois meses e meu ânimo estava de 0 a -0, não importava com quem iria me casar, de qualquer maneira não a amava, e não amaria.
Eram negócios, uma regra dentro da máfia, homens com cargos importantes só podiam casar com mulheres da máfia, não podíamos mesclar nossas relações, claro que haviam exceções e o resultado era uma exclusão, independente do cargo.
Como o amor nunca bateu a minha porta era tanto faz como tanto fez, seria um bom marido e creio que minha futura esposa foi criada para ser uma perfeita submissa, mulheres na máfia não tinham poder, ou direito de voz, eram feitas para ser moldada conforme o marido e as regras mandavam, e isso era bom me pouparia de fingir algo que não sentia, ela já casaria sabendo seu lugar e seu papel.
Não que eu fosse um bárbaro, mas gostava das regras como eram e fazia de tudo para mantê-la assim, em ordem, fidelidade não seria algo que eu teria com ela, minha vida s****l sempre foi muito agitada, eu gostava da diversidade de mulheres na minha cama, eu sou um homem de 32 anos, tenho minhas necessidades e com toda certeza uma única mulher não era o bastante para suprir o meu pudor em quatro paredes.
Ela já estava ciente disso, o que tornava mais fácil ainda um casamento com membros da organização, já nasciam sabendo seu lugar, meio arcaico eu sei, mas eram leis irrevogável.
A mulher por outro lado em caso de traição seu julgamento não era nada satisfatório, eram mortas, simples e reto, não havia meio termo, a honra de um homem mafioso reinava acima de tudo.
Parece assustador mas para quem nasceu neste meio é como uma simples rotina de trabalho ou de vida, algo a não ser questionado, minha futura esposa foi escolhida a dedo por mim, de uma das famílias mais velhas da máfia, filha de Salvatori um de meus capi, ele gerenciava a parte leste da Itália, uma boa família e um bom casamento.
A jovem completava seus 19 anos, a partir de 18 já podem casar, mas resolvi esperar, essa é a razão para não ter alguém perto da minha idade, logo que faziam 18 anos seus pais já lhes empurrava em casamento, de qualquer forma elas não tinham voz.
- É uma bela jovem, com todo respeito, é claro- Comentou debochado, Matteo era mais que um primo ou sub da máfia, era um irmão que eu não tive, minha mãe havia gerado um casal, trazendo a vida minha irmã Margarida com seus belos 9 anos, uma princesa, o fato que daqui uns anos estar escolhendo um casamento para ela me fazia por meros segundos ver o quanto nosso meio era machista e egocêntrico.
Mas eram regras, ou eram seguidas ou você poderia pegar suas malas e se esquecer da máfia, nunca mais teria o direito de voltar, e para meu pai isso era inadmissível, senhor Emanuel jamais aceitaria tal situação, a máfia era seu orgulho.
- É claro que é, será a primeira dama, precisa estar apta ao posto.
-Casamentos são bons, você verá, com o tempo conseguem construir sentimentos e fidelidade.- Comentou como se não traísse sua esposa, ao qual se casou fazia 2 anos, Matteo era um ano mais velho, e não quis esperar para aproveitar mais sua liberdade, como se fosse ele quem ficasse sem poder escolher até a roupa que usaria, fez um belo casamento, mas claramente não existia amor, não que eu conheça esses sentimentos por outra mulher que não seja minha mãe.
Mas meus pais se amam, cresci num ambiente amoroso, e a fidelidade de Emanuel era algo invejável, mas desconfiava mesmo assim se algum dia havia pulado a cerca, não que mamãe pudesse falar algo, era evidente o respeito que ambos tinham, meu pai jurava ser de uma mulher só, que ela bastava, claro, eu como filho admirava isso, afinal quem gostaria de ver a mãe sofrendo não é mesmo.
Eu seria incapaz de agir com tal ato, minha esposa não precisava esperar fidelidade, pois jamais teria, mesmo depois dos filhos, algumas coisas para homens como eu são irrelevantes e fidelidade ao matrimônio seria uma delas.