"Tentei apagar o rastro de um homem com o toque de mil mulheres, mas descobri que o vício de Luccas já corre em minhas veias. O prazer foi mecânico, o clímax foi vazio. O Chef conquistador de Manhattan está morrendo, e o homem que ama um sobrevivente pede passagem. A blindagem caiu."
— Enzo Romano
Entre o prazer do hábito e o vício da alma, eu descobri que alguns toques não podem mais ser apagados por outros.
Saí do apartamento de Luccas tarde da noite, sentindo o peso da clandestinidade esmagar meus ombros.
Estamos dando muita bandeira e eu quero evitar nos expor, principalmente agora com as hienas Ashford farejando sangue.
Não contei a ele sobre a visita de Bella e Margaret; sua ansiedade já está no limite e eu não quis ser o carrasco da sua paz.
Eu também ando tenso, mas minha preocupação tem uma conotação diferente, um egoísmo que me corrói.
Me preocupo com a minha reputação. Com o império que levei décadas para erguer entre fogões e colunas sociais.
O que vão pensar se descobrirem que o Chef conquistador de Manhattan está envolvido romanticamente com um homem?
E um homem bem mais jovem, irmão da mulher do meu melhor amigo. O escândalo seria o meu fim.
— Você está muito quieto hoje, Chef — Marco comenta enquanto finaliza um Risoto al Nero di Seppia.
— O salão está lotado e você não deu um grito sequer desde que o serviço começou — ele completa, curioso.
Toda a equipe na cozinha dá risadas. Eles estão acostumados com o meu chicote verbal, não com esse silêncio.
— Estão sentindo falta dos gritos? — pergunto com meu tom ácido de praxe, recuperando a máscara por um segundo.
— Então tratem de trabalhar. Não pretendo perder as estrelas Michelin que conquistei por causa de moleza de vocês.
Todos voltam ao ritmo frenético. E eu? Permaneço cozinhando os motivos pelos quais não posso assumir a verdade.
Talvez eu nunca consiga fazer isso publicamente. Tudo o que acontece com Luccas tem tirado o meu sono de forma brutal.
Sei que uma decisão terá que ser tomada em breve: assumir esse caos ou abrir mão do que me faz sentir vivo.
Meu celular toca no bolso da dólmã e vejo o nome de Alex na tela. O playboy da tecnologia sempre aparece na hora errada.
— Fala, Alex. O que tem para hoje? — pergunto, tentando soar como o velho Enzo, o solteiro invicto.
— Por onde você anda? Precisamos relaxar, cara — Alex sugere com uma risada. — Vamos àquela casa de massagem?
Aceito na hora. Os "três corações blindados" sempre tiveram esse escape, embora Christopher agora esteja rendido por Victória.
A "L’Extase" é um santuário de luz fraca, incenso caro e discrição absoluta para a elite de Nova York.
O ambiente é projetado para que homens como nós esqueçam quem são fora daquelas paredes forradas de seda.
Alex e eu fomos conduzidos a uma suíte master privativa. Quatro mulheres deslumbrantes nos aguardavam ali.
— Sem pressa hoje, meninas — Alex diz, já se despindo. — O Chef aqui está mais tenso que corda de violino.
Eu me despi e deitei, sentindo o óleo morno de sândalo ser derramado sobre minhas costas por mãos experientes.
Normalmente, eu já estaria e******o. O toque feminino sempre foi meu porto seguro, minha zona de conforto absoluta.
Mas, enquanto ela pressionava meus ombros, minha mente me traía. Eu buscava um fantasma que não estava lá.
Eu não conseguia parar de comparar. A pele dela era macia, mas eu sentia falta da textura firme e máscula de Luccas.
O perfume dela era doce demais, enjoativo perto do cheiro cítrico e natural que emana da pele do garoto.
— Você está muito rígido, Sr. Romano — a mulher sussurrou no meu ouvido. — Deixe-me cuidar de você de verdade.
Ela deslizou para a frente, sentando-se entre minhas pernas enquanto a outra assistente trabalhava em meus pés.
O toque era expert, provocante e intencional, desenhado para quebrar qualquer resistência masculina.
Alex, na maca ao lado, já soltava gemidos baixos de satisfação. Ele estava entregue ao prazer carnal sem amarras.
Eu fechei os olhos. Tentei me forçar a sentir o desejo habitual. A massagista usou a boca no meu pescoço.
Suas mãos desceram para a minha virilha, envolvendo meu m****o com uma habilidade técnica impecável.
— Gosta disso, Chef? — ela perguntou, a voz carregada de uma sensualidade treinada para o lucro.
Ela continuou a descida, e quando sua boca me envolveu, senti o espasmo de prazer físico. O corpo responde, é mecânico.
Mas a conexão não existia. Era como comer um prato tecnicamente perfeito, mas sem um grama de tempero ou alma.
Faltava a urgência, o atrevimento e a entrega que só Luccas me dava em cada encontro clandestino.
Enquanto elas me estimulavam, eu via a imagem de Luccas de joelhos no meu tapete, entregue ao meu domínio.
Via seus olhos transbordando de uma adoração real que nenhuma profissional de luxo jamais teria por mim.
O contraste era brutal e doloroso. Com aquelas mulheres, eu era apenas um cliente pagando por um serviço.
Com Luccas, eu era um homem sendo despido de todas as minhas máscaras e de toda a minha arrogância.
— Merda — resmunguei baixo, sentindo o prazer subir, mas o coração continuar frio como gelo de nitrogênio.
— Algum problema, senhor? — ela parou por um segundo, olhando-me com olhos que não diziam nada à minha alma.
— Continue — ordenei, voltando ao meu papel de dominador. Eu precisava chegar ao fim disso. Precisava ser o Enzo de antes.
A sessão escalou. As duas mulheres focaram em mim, usando mãos e bocas em um balé de erotismo coordenado.
Elas se revezavam, chupando meu p*u e massageando-o com a precisão de quem conhece cada terminação nervosa.
Eu atingi o clímax sob o toque delas, mas não houve o grito de libertação. Foi apenas uma descarga física vazia.
Foi um alívio biológico seguido por um vácuo que pesou mais do que qualquer responsabilidade no restaurante.
Alex se levantou pouco depois, parecendo renovado. Ele se vestia com um sorriso, alheio ao meu conflito interno.
— Cara, eu precisava disso — ele comentou. — Nada como um toque feminino para colocar a cabeça no lugar, não é?
Eu balancei a cabeça positivamente, mas menti com os olhos. Minha cabeça nunca esteve tão fora do lugar como agora.
— Com certeza, Alex. Nada como o habitual — respondi, vestindo meu terno caro enquanto o óleo impregnava minha pele.
Saímos do local e a brisa fria de Manhattan me atingiu. Alex se despediu com a leveza de quem não tem segredos.
Entrei no meu carro e fiquei parado, olhando para o volante. O prazer com elas tinha sido fácil e seguro.
Mas era o prazer com Luccas que me fazia sentir que o sangue ainda corria quente em minhas veias.
A blindagem estava rachada. Tentei usar a massagem como um antídoto, mas o veneno de Luccas já dominava meu sistema.
Liguei o motor, mas não fui para o meu loft. Dirigi sem rumo, pensando na hipocrisia das Ashford e na minha própria.
A massagem me deu prazer técnico, mas Luccas me deu paz. E a paz é um luxo que eu não posso mais pagar.
Eu precisava decidir. O Chef conquistador estava morrendo, e o homem que amava um sobrevivente pedia passagem.
Parei o carro em frente ao prédio de Luccas. Eu não ia subir, não queria acordá-lo. Só queria estar perto do meu vício.
Olhei no retrovisor e vi um Enzo que eu m*l reconhecia. O banquete da vingança ainda estava no fogo, mas eu era o ingrediente.
Será que eu teria força para assumir esse amor proibido? Ou voltaria para a facilidade das noites vazias com Alex?
A resposta estava no silêncio da noite de Nova York, mas eu ainda não estava pronto para aceitar o meu destino.
Tudo agora teria o gosto, o cheiro e o peso de um Ashford. E eu estava afundando cada vez mais fundo.
Liguei o carro novamente. Amanhã o Aurora abriria as portas, e o Chef precisaria estar no comando absoluto.
Mesmo que o seu coração estivesse à deriva em um oceano de sentimentos que ele jurou jamais sentir.