"Vegas é o playground do pecado, mas nada ali era tão letal quanto Luccas Ashford. Eu jurava ser o mestre do controle, o homem que nunca dobrava. Mas, em dez minutos, ele reduziu minha heterossexualidade a cinzas. O banquete estava servido, e eu estava faminto como nunca estive na vida."
— Enzo Romano
Vegas à noite é um labirinto de promessas pecaminosas, desenhado para fazer homens esquecerem seus nomes e seus princípios.
Nenhuma daquelas luzes de neon, no entanto, era tão perigosa quanto o que estava prestes a explodir na suíte VIP da Empire Nights.
O ar-condicionado trabalhava no máximo, mas eu sentia meu corpo queimar em uma febre que nenhuma medicina poderia curar.
O uísque caro já não era mais o responsável pela minha desorientação; era a consciência absoluta de Luccas Ashford.
Ele estava ali, a poucos metros, e o universo parecia ter conspirado para que o resto do mundo simplesmente evaporasse.
Chris e Victoria estavam mergulhados em seu próprio casulo, ignorando a tensão que eletrizava o ar ao redor.
Alex tinha desaparecido com uma herdeira qualquer, deixando o campo livre para o que eu mais temia — e desejava.
O barulho da boate chegava até nós apenas como uma vibração abafada no chão, um batimento cardíaco mecânico e distante.
O silêncio entre mim e Luccas era denso, carregado de uma eletricidade estática que fazia cada poro do meu corpo gritar.
Eu estava parado na varanda privativa, observando o salão, tentando recuperar o oxigênio que ele me roubava.
Ouvi o deslizar suave da porta de vidro.
Não precisei me virar para saber que meu destino acabara de entrar.
O perfume cítrico e fresco dele cortou o cheiro de álcool e tabaco como uma lâmina de gelo afiada no meio do deserto.
— Fugindo de novo, Chef? — a voz dele veio baixa, rouca, encostando na minha nuca sem precisar de um toque físico.
Fechei os olhos por um segundo, sentindo o impacto daquela provocação vibrar direto na base da minha espinha.
— Eu não fujo, Luccas. Eu apenas escolho quais batalhas valem o meu sangue — respondi, virando-me com lentidão.
Ele tinha tirado o paletó. A camisa branca estava com os botões abertos, revelando a linha impecável da sua clavícula.
A pele pálida dele parecia brilhar sob as luzes da Empire, um contraste obsceno com a escuridão que eu sempre carreguei.
Ele parecia vulnerável, mas havia uma audácia no seu olhar que me dizia que ele sabia exatamente o que estava despertando.
Era um cervo que decidira, por vontade própria, desafiar o lobo no coração da floresta escura e silenciosa.
— E que batalha é essa? — ele perguntou, dando um passo à frente. O espaço entre nós encurtou drasticamente.
Eu conseguia ver o tremor leve nos seus lábios e a batida frenética na base do seu pescoço. Ele estava aterrorizado.
— A batalha para não decepcionar o meu irmão se eu fizer o que estou pensando agora — disparei, a voz rouca.
Meu tom era ácido, uma defesa desesperada para mascarar o desejo primitivo que pulsava em cada uma das minhas veias.
Luccas soltou um riso anasalado, mas seus olhos continuavam fixos nos meus, famintos e perigosamente abertos.
— Chris não é meu dono. E eu cansei de ter medo do que as pessoas pensam — ele desafiou, a voz ganhando força.
— Principalmente do que meus pais pensam. Eu já perdi tudo, Enzo. Não tenho mais nada a temer.
Ele deu mais um passo. Agora, eu conseguia sentir o calor irradiando do seu peito, invadindo o meu espaço pessoal.
Minha mente gritava que eu era hétero, que aquilo era uma loucura sem volta, que eu tinha uma reputação a zelar.
Mas o meu corpo estava traindo cada uma das minhas convicções, cada década de certezas construídas com gelo e aço.
Meus olhos desceram para a boca dele, entreaberta, convidativa, pedindo para ser silenciada por algo mais forte que palavras.
— Você não tem ideia do que está tentando despertar, garoto — sussurrei, sentindo o autocontrole escorregar.
— Eu não sou um homem gentil, Luccas. Eu não sei brincar de romance, nem de mãos dadas sob a luz do luar.
— Na minha cozinha e na minha cama, eu exijo controle total. Eu não aceito nada menos que a entrega absoluta.
— Então me controle — Luccas rebateu, sustentando meu olhar com uma coragem que foi o prego final no meu caixão.
Aquilo foi o fim da minha resistência.
O ponto de ebulição onde a água transborda e o fogo consome a estrutura.
Avancei como um predador, prendendo-o contra a grade de metal da varanda.
O som do metal ecoou no silêncio.
Minhas mãos, calejadas por anos de facas e chamas, encontraram a maciez absurda do pescoço dele, apertando com firmeza.
A pele de Luccas era seda pura sob meus dedos rudes, e o som que ele soltou incendiou o que restava da minha sanidade.
Foi um suspiro quebrado, algo entre um gemido de alívio e um soluço de pura descoberta. Ele queria ser dominado.
— Você nunca foi tocado assim, não é? — perguntei, colando meu rosto ao dele até nossas respirações se tornarem uma só.
— Nunca — ele confessou, os olhos fechando-se enquanto eu inclinava sua cabeça para trás, expondo a garganta.
— Eu estive esperando... sem saber pelo quê. Até ver você. Até sentir o peso do seu olhar sobre mim.
Eu não o beijei de imediato. Um Chef sabe que a antecipação é o ingrediente mais potente de qualquer banquete.
Desci meu nariz pela lateral do pescoço dele, inalando o cheiro de juventude, sentindo seu pulso martelar sob meus lábios.
Luccas arqueou o corpo contra o meu, as mãos agarrando meus ombros com uma força desesperada, buscando apoio.
Minha mão desceu pelas suas costas, sentindo a estrutura firme sob a camisa fina, descendo até a curva da cintura.
O contraste entre a minha brutalidade e a delicadeza dele era inebriante, um vinho caro que eu queria beber até cair.
Eu era uma massa de músculos e cicatrizes, e ele era pura luz, entregue ali, à mercê dos meus instintos mais sombrios.
— Enzo... por favor — ele implorou, a voz falhando, as pernas vacilando enquanto eu pressionava meu corpo contra o dele.
Finalmente capturei seus lábios.
Não foi um beijo; foi uma invasão.
Foi o encontro de dois famintos em uma terra devastada.
Luccas tinha gosto de mel, inocência e pecado.
Eu o devorei com a agressividade de quem queria apagar o passado.
A língua dele encontrou a minha de forma desajeitada, mas ele aprendeu com uma rapidez que me assustou.
Ele era uma esponja, absorvendo cada movimento meu, devolvendo o beijo com uma urgência que dizia que ele era meu.
Senti as mãos dele subirem para o meu cabelo, puxando-me para mais perto, querendo eliminar qualquer milímetro de ar.
Empurrei minha perna entre as dele, sentindo a reação rígida de Luccas através do tecido fino das calças.
Ele soltou um gemido agudo contra a minha boca, um som de pura descoberta erótica que fez o meu sangue ferver.
A sensação de ter aquele homem, aquela beleza que eu considerava proibida, sob o meu comando, era a droga mais forte de Vegas.
— Isso é só o começo, Luccas — murmurei contra seus lábios inchados, minha mão descendo para o volume entre as pernas dele.
Senti o calor e a pressão que emanavam dali, a prova física de que eu o tinha arruinado tanto quanto ele me arruinara.
— Se eu continuar, não vai haver volta. Não haverá "apenas amigos" amanhã. Você entende o preço disso?
Ele abriu os olhos, azuis e nublados por uma luxúria que ele nunca soube que possuía.
Vi ali uma entrega suicida.
— Eu não quero voltar, Enzo. Eu quero que você me mostre tudo o que eu perdi enquanto estava escondido.
— Quero sentir cada centímetro de você. Quero que você me marque de um jeito que ninguém consiga apagar.
Aquelas palavras foram o gatilho final.
A heterossexualidade que eu defendi por anos ruiu como um castelo de cartas.
Eu o queria. Queria possuí-lo, ouvi-lo gritar meu nome, ver até onde aquela luz que ele carregava poderia brilhar sob o meu toque.
Naquela noite, sob o céu elétrico de Nevada, o Chef Romano descobriu que havia receitas que não podiam ser seguidas.
O ingrediente mais perigoso de todos não era o ódio ou a vingança, mas uma atração que desafiava a própria lógica da vida.
Enquanto eu o guiava para dentro da suíte, trancando a porta com um estalo definitivo, o mundo lá fora deixou de existir.
Empurrei-o contra os lençóis de seda n***a, observando o contraste da sua pele clara contra a escuridão da cama.
Luccas Ashford era o prato principal, o desafio definitivo, e eu passaria a noite inteira descobrindo cada um dos seus segredos.
Eu não sabia o que o amanhã traria, nem como olharia para o Chris, mas naquele momento, a única verdade era a pele dele.
Vegas poderia ficar com seus cassinos e suas luzes; eu já tinha ganhado o prêmio mais valioso e perigoso da noite.
— Você é meu agora, Luccas. E eu não costumo compartilhar o que é meu — sussurrei, subindo sobre ele.
A farsa do homem intocável tinha acabado.
O banquete do desejo estava apenas começando, e eu estava pronto para devorar cada pedaço.
Preparei-me para mostrar a ele que a dor e o prazer caminham na mesma linha tênue quando se trata de Enzo Romano.
E ele, com os olhos fixos nos meus, parecia pronto para queimar no meu inferno.