O primeiro acesso ao site
A chuva caia do lado de fora, o clima frio que vinha em conjunto com as gotas de água fazia com que ela ficasse um pouco sonolenta. O clima estava perfeito para simplesmente não fazer nada ou talvez quem sabe ver um bom filme na Netflix junto de uma enorme seleção de comida, sendo um enorme e generoso balde de pipoca ou uma pizza na melhor pizzaria da cidade sem faltar - obviamente - uma panela de brigadeiro para os filmes mais melosos ou seriados mais fofos que visse na Tv por assinatura, assim poderia se considerar uma amante de clichês e de certa forma era mesmo.
Porém, mesmo que desejasse muito fazer aquilo e esquecer da existência das outras pessoas na terra para se isolar com diversos filmes e seriados românticos naquele dia em questão resolvia mudar um pouco sua rotina, fazia algum tempo em que Elisa estava abrindo e fechando várias e várias vezes o mesmo site de relacionamento - algo que ela sempre tirou sarro - estava abrindo e fechando várias e várias vezes o mesmo site, lendo aquele anúncio ridículo no centro vez ou outra acabava deixando escapar um riso nervoso dos lábios, sentia se ridícula por estar fazendo aquilo uma vez que era sempre a primeira pessoa que achava ridículo usar algo do gênero e agora estava se submetendo a isso. Só talvez a loucura tenha finalmente chegado, só isso explicaria o fato de estar rindo sozinha enquanto olhava a tela do computador, mordiscando os lábios quando um grito queria sair da garganta.
Aquilo era certamente o cúmulo do ridículo, sempre zombou de pessoas que recorriam a sites de relacionamento ou tinham algum relacionamento na internet e agora estava ali, parada com um cobertor sobre as pernas e o notebook em cima delas, o corpo vestindo um pijama de ursinho cor de rosa - por sinal seu favorito - os cabelos presos em um r**o de cavalo folgado deixando que alguns fios saíssem daquele aperto, dando um ar "desajeitado" ao visual de Elisa. Continuava com o mesmo padrão, abrindo e fechando a página na web que foi indicada por duas de suas melhores amigas: Emma Davis, Victoria Gomes
De acordo com ambas, o site tinha um funcionamento bem simples e prático tanto que até mesmo pessoas de mais idade já o acessaram e ironicamente já tinham encontrado alguém por meio desse site de namoro online que estava sendo a nova sensação entre pessoas de sexo masculino como também - obviamente - do feminino.
Dentro dele você poderia escolher qual rapaz ou moça gostaria de alugar como namorado por um período de tempo, e a espécie de relacionamento que desejasse ter com a pessoa escolhida. Existia de todo tipo de pedido, por exemplo, algumas pessoas pagavam os meninos(a) do site para ter alguém para conversar e quem sabe consequentemente matar um pouco da carência até que dava certo já outras vezes era preciso mais de uma vez essa contratação, já que o assunto não era algo que parecia ter fim.
Elisa Green estava certa que desejava viver um romance - assim como toda mulher alguma vez na vida deseja - queria todos aqueles clichês que viu e leu em filmes do gênero, queria se sentir amada assim como queria amar alguém, queria sentir suas mãos tremerem e o coração disparar quando visse a pessoa. Queria sorrir sem motivo quando se lembrasse de momentos íntimos que passou ao lado do parceiro, queria imaginar o futuro ao lado dele mesmo sem a certeza de ter um. Tudo aquilo era emocionante ao mesmo tempo em que dava medo, sentia um arrepio percorrer a espinha cada vez que lia as informações do site.
Sem a ajuda de terceiros infelizmente Elisa não levava muito jeito nesse campo romântico, teve uma onda gigantesca de encontros ruins e relacionamentos ruins que seus dedos não seriam o bastante para contar quantos teve ao certo. Por um período realmente muito longo de tempo ficou desacreditada no amor - são consequências de quando você acaba sendo vitima de encontros ruins - chegou até mesmo a pensar se por acaso havia irritado alguém e agora estava pagando as consequências desse ato, algo que a fazia chorar e as vezes gritar por dentro, pois, não era normal que alguém pudesse ter tantos encontros e relacionamentos ruins como ela teve.
A maioria dos seres humanos - palavra forte demais para se referir a esse grupo - que teve o grande desprazer de encontrar, eram machistas demais, não aceitavam que ela trabalhasse e tivesse sua liberdade como mulher no século vinte e um, na verdade não gostavam nem mesmo que a Green fosse alguém “pensante” que tivesse opinião sobre tudo, de acordo com esses homens ela deveria ser o tipo de mulher submissa que não questiona nada e apenas abaixa a cabeça sem dizer um A ou protestar sobre isso para o parceiro, algo que claramente gerou uma grande revolta em Elisa, mandando os tomar no meio do cu e nunca mais perdeu um segundo precioso de sua vida se encontrando com seres desse gênero.
Queria alguém que a respeitasse, principalmente que a tratasse como igual e não um ser inferior. Era feminista, defendia os direitos das mulheres com unhas e dentes uma vez que em seus pensamentos mulheres podem fazer tudo o que homens fazem e até mesmo melhor.
Só queria que alguém entendesse que ela não era inferior nem superior, ela era igual ao companheiro em alguns sentidos.
No começo eram príncipes e depois de alguns dias se transformavam, ela não tinha paciência para aquilo e nem mais saco para aguentar joguinhos psicológicos de dupla personalidade e segundo sua mãe também estava ficando sem idade para ficar só de namorico por aí com caras aleatórios que conhecia por suas amigas ou no trabalho, já também estava na hora de encontrar alguém e ter filhos para quem sabe conceder uma vontade antiga de Emily, sua mãe de ser ser avó.
Já os demais, pareciam robôs - sem exagero - com falas ensaiadas e isso de certa forma chegava a ser cômico caso não fosse assim tão trágico e a minoria fazia coisas nojentas demais para se considerar ético, não que fosse totalmente limpa já que até mesmo Elisa soltava as vezes um cometia deslizes em publico, só que fazer aquilo constantemente sendo seguido por uma série de outras ações nojentas era algo desagradável e a ruiva sempre aconselhava gentilmente a todos para procurarem urgentemente um médico de forma educada ou pelo menos tentava fazer isso.
Sem sombra de duvidas estava cercada de azar, e internamente desejava que aquela maré de má sorte acabasse o mais rápido o possível uma vez que não aguentava mais e jurava que se aquilo durasse mais um pouco ou só mais um dia ela iria parar direto no hospício.
Estava com a aba do site aberto - mais uma vez - quando o celular ali ao lado começava a tocar, expondo a foto de Victoria Gomes na tela também uma de suas melhores amigas, sendo a loira sua amiga mais antiga.
A ruiva por sua vez não demorou em agarrar o aparelho eletrônico sabendo que se caso não fizesse isso a loira do outro lado da linha não iria parar de ligar até que enfim fosse atendida - saber desse fato a fez rir baixo e mover a cabeça para os lados em uma lenta negativa - ao mesmo tempo em que deslizava um dos dedos até o ícone de um pequeno telefone verde para que então a ligação fosse realizada.
— E você fez? — questionou a Gomes, não deixando nem um mínimo espaço para que sua amiga tivesse a chance de mudar de assunto, pois, se fizesse sabia que aquela conversa não teria de forma alguma o rumo desejado. Queria praticidade, por isso não mediu esforços em fazer tal pergunta e ir direto ao assunto. Na verdade, era dessa maneira com tudo o que colocava suas mãos menos na própria vida pessoal que não levava muito jeito para ir direto ao assunto.
Um fato sobre a loira que Elisa detestava: impaciência. E sua curiosidade contribuía um pouco para o riso que se formava nos lábios da ruiva para no fim ser transformado em um sorriso de ponta a ponta em seu rosto.
Moveu sua cabeça para os lados, em uma lenta negativa. — Eu não sei. — Confessou, sua voz era calma e estava até então bem paciente sendo que qualquer palavra errada poderia causar a terceira guerra mundial bem ali e agora. Obvio que desejava mudar sua vida, ainda assim sentia se um tanto medrosa quando o assunto era internet visto que aquele site poderia ser uma organização criminosa que a levaria para trabalhar em outro país e nunca mais iria ver a cor do lençol da sua cama.
Esses pensamentos foram todos gerados por documentários que via quando não achava nada interessante no catálogo de filmes, com uma pequena influencia também das falas de suas tias e mãe para nunca falar com estranhos na internet.
— Amorzinho da minha vida plena e bonita, não era você que queria um pouco de romance igual aqueles de filmes então qual é a dificuldade Lisa? — Retrucou a loira, fazendo uma breve pausa entre uma fala e outra, colocou uma das mãos na cintura. — Você tem a chance de ter um romance, um sem qualquer cara babaca que você conheça.
Mordeu os lábios com força, contra aquilo não tinha como argumentar e se por acaso tentasse fazer sabia bem que iria perder na argumentação. Sabia que a amiga tinha completa razão. — Vic, eu…
Antes mesmo que a fala terminasse a Gomes acabou por ser mais rápida em retrucar. Sabia que se deixasse só um pouquinho de espaço Elisa arranjaria uma desculpa para não fazer e essa não era a ideia. Queria ver a amiga feliz e para isso teria que ser só um pouquinho chata e controladora, o que de certa forma era comum. — Se permita Lis, se permita uma vez sentir mesmo que temporariamente. — Suspirou fundo fechando seus olhos e massageando suas têmporas. — É simples, você escolhe um ao seu gosto, escolhe um dos diversos pacotes do site e fim. Você vai ter um príncipe encantado por um preço barato e por tempo limitado, é simplesmente perfeito.
Revirou os olhos ao ouvir aquilo, estava pensando nos prós e contras de contratar um serviço como aquele, era uma mania que carregava desde a infância e não conseguia perder de maneira alguma as vezes uma maldição e as vezes salvava sua vida.
Enquanto isso, a mão abaixava pouco a pouco a tela tendo a ajuda do mouse. — Do jeito que você fala, parece que estou contratando um garoto de programa ou comprando sapatos ou até mesmo algo bem pior que isso. Eu me sinto suja fazendo isso Vic.
A loira gargalhou alto ao ouvir aquilo, ajeitou-se melhor na cadeira perto de sua cama. Passou os dedos com cuidado nos fios dourados até suspirar fundo mais uma vez e por fim dizer.
— Então escolha um deles meu bem, e de preferência o que tiver o p*u grande para você sentar com gosto em um gostoso. E pare de revirar os olhos quando eu digo alguma coisa.
Teve que rir com o que ouvia, só Victoria mesmo para melhorar seu humor quando não queria expressar nada. Agradecia todos os dias por ter amigas como ela.
Moveu a cabeça para os lados fazendo uma negativa lenta. Algo que não poderia negar - nem que desejasse - a amiga a conhecia muito bem, a ponto de conhecer os costumes e manias bobas, como revirar os olhos por exemplo.
— O quê você acha de ruivos? — perguntou, desviando daquele assunto pelo menos temporariamente já que não queria ouvir um sermão daqueles.
Estava analisando uma das diversas fotos do site, entrou em alguns perfil's e o primeiro era de um rapaz ruivo com olhos castanhos, possuidor de poucas tatuagens, alguns piercings na região da orelha e o sorriso que ele exibia na foto certamente arrancava suspiros de qualquer garota, assim como também - provavelmente - era capaz de fazer outra parte do corpo feminino sorrir ou quem sabe partes da roupa da jovem sumir se ele se esforçasse o mínimo.
— São sexys. — Admitiu a outra ao mesmo tempo em que terminava de calçar os sapatos e se analisava nos espelho em frente a cama. O vestido escuro destacava os olhos e os traços delicados da mulher, e o batom de tom escuro nos lábios dizia que ela não estava para brincadeira naquele dia, a maquiagem leve serviam para realçar um pouco seus olhos.
Nunca se vestiu para agradar ninguém que não fosse ela mesma, seu namorado poderia até não apoiar o look e nunca se importou com esse fato mesmo com outros(a) a chamando de insensível. Nunca se vestiu para agradar ninguém que não fosse a si mesmo e não seria agora que começaria. Ela era namorada dele e não o brinquedinho que ele poderia pegar e brincar a hora e como bem entendesse.
Com aquele modelito, se sentia sexy e isso - sua opinião - bastava. — Mesmo que a grande maioria tenha uma tendência assustadora à canalhice, próximo
.
Riu ao ouvir o comentário, fazia alguns anos que Victoria e Miguel se relacionavam e pelo menos olhando de fora o relacionamento ia muito bem.
— Isso foi alguma indireta muito direta, Gomes? — retrucou Elisa, nem em sonhos perderia a oportunidade de zoar com a cara da amiga com o namorado, que ironicamente tinha igualmente a cabeleira cor de fogo.
Do outro lado da linha ouviu a loira bufar e isso foi motivo o suficiente para fazer seu riso de antes surgir novamente, só que dessa vez um pouco mais alto afim de provocar mais ainda a amiga de longa data.
E mesmo que o cara fosse um completo babaca, ter uma noite quente ao lado dele talvez não seria lá uma má ideia - visto que não transava há muito mais muito tempo mesmo, talvez estava até mesmo criando teias de aranha no meio das pernas - só tinha um pequeno problema nesse plano quase infalível, veja bem, todas as vezes que fez sexo com alguém ela sempre acabava do mesmo jeito: manhosa demais, como um bichinho querendo carinho e atenção do dono isso aos olhos de alguns não era uma coisa r**m, porém no ponto de vista de Elisa era já que sempre que isso acontecia acabava machucada de um jeito não muito bonito, no lado sentimental é claro uma vez que a grande maioria não correspondia a isso da forma que ela esperasse que eles agissem.
Suas amigas diziam que ela tinha o costume de se apegar muito fácil e bom, de certa forma não estavam realmente erradas. Quando gostava da pessoa Elisa demonstrava de formas diferentes.
Sempre acabava sendo a menininha carente que precisava de atenção, a pessoa que esperava uma ligação no dia seguinte até pelo menos jurar que não iria ligar mais para o sexo masculino, contudo voltava sempre atrás da palavra rendendo se ao seu lado romântico.
Algo que era totalmente frustrante e mexia um pouco com a autoestima já que por causa disso Elisa por algum tempo começou a pensar que o problema fosse ela. Felizmente isso durou pouco tempo, depois de alguns dias sozinha a mulher viu que não tinha nada de errado consigo mesma.
Quem poderia culpa lá por ser uma romântica incorrigível?
— Não estamos aqui para falar de mim, e sim de você meu anjo iluminado. Vamos, o próximo é?
— Andrew, tem cabelo castanho e o tamanho dele realmente não é algo importante, a maioria é mais alta que eu, ele também tem algumas tatuagens pelo corpo, pratica esportes regularmente, adora cachorros e trabalha em um pet shop no tempo livre. Gosta de fazer tudo ao ar livre, literalmente tudo até mesmo tem uma cabana do lado de fora da casa para dormir ao ar livre pela noite, de acordo com ele é a melhor experiência que alguém pode ter na vida é ficar fora de casa. — Respirou fundo antes de continuar a falar, dando uma bela olhada para a foto antes de prosseguir ele era bonito isso não negaria, porém não era o tipo que ela sairia. — Em resumo, um amante da natureza.
Diferente da outra vez Victoria demorou um pouco para dizer alguma coisa, na verdade demorou tanto tempo que Elisa chegou mesmo a achar que a ligação tinha caído visto que a amiga não ficava calada nem por um único segundo em uma conversa.
Afastou um pouco o celular do rosto, vendo que ainda estava em linha com a amiga a Green franziu de leve o cenho, ficando confusa.
— Vic? — Chamou pela outra, ao mesmo tempo em que verificava os demais perfils no site se perguntando mentalmente se todos aqueles garotos saíram por acaso do filme da Barbie, visualmente todos pareciam perfeitos verdadeiros bonecos Ken.
— Ãh? É mesmo o cara dos cães, ao menos que você goste de cães esse não é uma boa ideia. — Falou a Gomes, distraindo-se com uma mensagem que tinha recebido no celular, mais uma vez Miguel tinha desmarcado um jantar o motivo? Trabalho. Mesmo sem ele, ela sairia para curtir uma boa comida levando a melhor companhia possível, a sua.
— Eu gosto de cachorros. — Respondeu a ruiva mais do que depressa, realmente gostava de animais, entretanto não se via fazendo esportes uma vez que o único esporte que se via praticando era o do levantamento de garfo.
Victoria riu de maneira abafada ao ouvir aquilo, balançando a cabeça para os lados. — Cachorros são bonitinhos, só que você prestou atenção em tudo querida? Ele praticamente vive do lado de fora da casa, e sejamos sinceras você não é do tipo que pratica esportes meu anjo e muito menos é uma amante da natureza, logos vocês não dariam certo juntos.
Odiava o fato da amiga a conhecer tão bem. Também, era sua amiga mais antiga em comparação às demais que conheceu ao longo da vida, e assim como a amiga Elisa Green também a conhecia muito bem tanto que preferiu deixar seu comentário guardado sobre a falta de ânimo na voz da amiga, Victoria não gostava muito de falar sobre as coisas que a incomodavam isso era algo que a loira carregava desde a infância. Suspirou se dando por vencida.
— Tá, não para o cara dos cães. — Anunciou, contra aqueles argumentos não tinha como ganhar.
— Tá comigo, tá com Deus, bebê. — Rebateu a loira, aproveitando o curto espaço de tempo para dar uma voltinha na frente do espelho avaliando se tinha esquecido de algo naquele look.
— Não sinto tanta firmeza nessas palavras. — Disse a ruiva, mordiscando de leve os lábios inferiores.
Os dedos de uma das mãos movimentavam a tela até o fim da página, o que era ou não engraçado em sites assim, que sempre existia alguém que usava foto de outra pessoa e internamente torcia para não ser verdade nesse site, ficaria realmente frustrada caso fosse.
Era como andar no escuro, não sabia para qual direção ir e tinha medo de dar o próximo passo e quem sabe cair em uma enrascada.
— Passa logo pro próximo. — Pediu a loira, despertando a amiga de um grande temporário.
— Thomas Walter. — Disse o nome do rapaz em voz alta, o tom era calmo já que analisava a expressão séria que ele possuía na foto.
Os olhos escuros, os traços do rosto com os cabelos negros fizeram Elisa querer por alguns poucos minutos para mais tarde.
Pigarreou, quebrando o silêncio que ousava em se instalar entre as duas. — Faz fotografia como hobbie, gosta de ler e muito. Atualmente ele trabalha em uma loja de discos antigos, não é muito fã de programas românticos, todavia não dispensa cozinhar para a parceira caso for necessário.
— Uhurm. — Murmurou Victoria após ouvir todo aquele mini relato.
Ficou quieta durante alguns instantes, apenas para verificar se tinha posto tudo na bolsa e na reserva que ela esconderia muito bem caso aquela noite fosse agitada demais.
— Você tem que ficar com esse Lis. Deve ser um gato e ainda por cima, sabe cozinhar. — Disse a loira, ouvindo um riso nervoso do outro lado da linha. Diferente da amiga, Elisa se preocupava com algumas coisas, a primeira era que: ele poderia até ser bonito, porém era o seu completo oposto. — Comida grátis e de bônus um deus grego, quer coisa melhor?
Colocou a mão sobre o rosto ao ouvir aquilo, movimentando a cabeça em uma negativa lenta. — Você pensa com a cabeça de cima ou a que tem na barriga?
Parou com o que fazia no segundo em que aquilo passou por seus ouvidos. — Ué, vai me dizer que você não gostou da ideia de ter alguém cozinhando para você? — Rebateu a Gomes, um pouco descrente nas palavras da amiga.
— Isso não é uma boa ideia Vic, talvez, seja melhor eu…
Bufou ao ouvir tal coisa, estava cansada daquelas desculpas esfarrapadas que a amiga dava toda vez que tentava fazer algo de novo.
Sabia que sua amiga era o completo oposto de si, entretanto estava realmente cansada daquele comportamento de Elisa desde seu último relacionamento, ela só vivia em casa e no trabalho. Somente isso é nada mais que isso.
— Lis, pelo amor de Zeus. — Falou a loira, tentando inutilmente manter a calma o que era inútil uma vez que não era conhecida por ter muita paciência.
— Vai rebolar a raba mulher, sai desse sofá criatura, vai curtir a mulher maravilhosa que você é.
— Não é mais fácil eu me prostituir? — Rebateu franzindo um pouco o cenho.
— Se você quiser vai receber mais que no restaurante, isso eu te garanto. — Falou logo após ouvir o que foi dito.
Revirou os olhos com as palavras ditas e para não acabar alongando aquela discussão, Elisa optava por mudar de assunto.
— Vou ficar com ele. — Anunciou a ruiva.
— Ótima escolha e de nada. — Falou logo após ouvir o anúncio. Elisa por outro lado, riu baixo.
Aquilo poderia certamente ser uma fraude, tinha grandes chances de ser apenas uma propaganda enganosa, porém sempre preferiu o conforto do que a adrenalina.
Agora era uma daquelas poucas chances que tinha para se arriscar em algo novo, um desconhecido e que se dane teria o dinheiro de todo jeito no próximo mês e uma boa história para contar um dia. Antes de bloquear a tela novamente, despediu-se de Victoria recusando o convite de uma noitada, também aproveitou para acrescentar que faria o restante sozinha.
Fez um plano de dois anos, o relacionamento que teria seria namoro e até teve o direito de escolher as coisas que queria ou não fazer com Thomas, escolheu o pacote clichê e talvez ouvisse alguma reclamação por isso mais tarde, porém era o que desejava.
Todos os clichês de um relacionamento e se existisse a possibilidade de existir algo a mais ela gostaria que acontecesse naturalmente e não por estar escrito em um contrato.
Escolheu o local para se encontrar com o moreno, marcando o encontro para o fim da semana.Estava feito, Thomas Walter era agora oficialmente seu “namorado” e agora ela tinha algo para fazer em uma sexta feira e não era comer loucamente sorvete ou chocolate e se acabar no catálogo da Netflix.
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O nervosismo era algo evidente, suas mãos tremiam e o coração batia cada vez mais rápido à medida que as horas passavam. Só tinha sentido isso assim quando estava prestes a pegar o diploma do ensino médio e quando perdeu a virgindade com o garoto que gostava e também o maior babaca da história.
Quando pegava alguma coisa, por exemplo, acabava deixando cair no chão. Simplesmente não conseguia parar quieta, ela se sentia totalmente ansiosa com aquilo queria descobrir se ali encontraria uma farsa ou não. Também lá no fundo torcia para não ser, quem sabe só agora tivesse um pouquinho de sorte no quesito romance e seu príncipe encantado finalmente apareceu, depois de algumas parcelas do cartão… Bom isso não é importante agora.
Para escolher uma roupa, Elisa demorou uma hora e meia tendo algumas mensagens do w******p incluídas neste período de tempo para os sapatos, cabelo, maquiagem acabou tendo a mesma porção de horas.
No fim a mulher vestia um vestido preto, com um decote V discreto na região do b***o - ainda assim não deixava de ser chamativo aos olhos de muitos - o tecido ia até os joelhos destacando-se na parte inferior por ser bem soltinho.
Nos pés, optava por saltos medianos também de cor preta e os cabelos preferiu deixá-los soltos com as pontas encaracoladas.
No rosto optou por algo básico, um delineador nos olhos para destacar, com uma sombra escura junto de um batom rosa claro apenas para tirar um pouco a palidez dos lábios.
Antes de sair do apartamento deu uma última olhada no espelho, conferindo se estava tudo certo.
Suspirou de alívio no minuto seguinte e imediatamente agarrou a bolsa e correu para o lado de fora quando seus olhos bateram no relógio da cozinha, estava atrasada, muito atrasada e internamente torcia para que Thomas não fosse uma pessoa que ligasse para atrasos.
Fechou a porta e correu para as escadas, infelizmente naquele momento teria que abandonar seu espírito sedentário.
— É só um encontro, é só um encontro, é só um encontro, não tem nada com o que se preocupar, tudo vai dar certo. — Falou em voz alta, tentando inutilmente se acalmar.
Os dedos pressionaram com força a bolsa contra o corpo enquanto descia os degraus com cuidado o bastante para não quebrar o salto do sapato.
Obviamente que já tinha ido em alguns encontros às cegas, a grande maioria organizados por seus pais algo que de certa forma acabou gerando uma situação cômica visto que Elisa sempre dispensava o rapaz de forma sutil e depois tinha uma longa conversa com Joe e Monica Green.
Já eram quase dez da noite e tinha marcado de se encontrar às oito com Thomas, em outras palavras ela estava completamente atrasada, só esperava que ele não tivesse ido embora, isso seria embaraçoso.
Arrumou um pouco o casaco antes de sair do prédio e por sorte tinha marcado em um lugar bem movimentado, então se por acaso o homem fosse um daqueles abusadores que via nos jornais na TV poderia facilmente sair correndo no meio da multidão e gritar feito uma louca e se por acaso, Thomas não fosse nada disso, bem a noite poderia ou não ser algo divertido para ambos. A noite não estava tão fria e nem tão quente, o que era um benefício à Elisa visto que algumas partes do seu corpo estavam descobertas. Como por exemplo, as pernas e infelizmente não acabou sendo totalmente imune a brisa gelada que circulava por ali causando pequenos arrepios na pele.
O restaurante que combinou não era muito longe, por isso não era necessário pegar um táxi ou um uber. Realizou uma pequena caminhada até o local e já conseguia ouvir o som de risadas e o som da música ecoando pelas paredes.
O local tinha dois andares com paredes escuras e mesmo de noite quem passava pelo local conseguia ver os poucos detalhes em cinza claro lembrando algo mais vintage do que contemporâneo. Já do lado de dentro, as paredes eram pintadas em vinho sem detalhes nestas, uma vez que elas carregavam lembranças queridas do dono do local, todas registradas em fotografias.
Assim que adentravam o local os visitantes já davam de cara com a responsável pelas reservas, no lado oeste mesas em formas de círculos estavam distribuídas pelo espaço e na parte leste do ambiente um bar - com música ao fundo - para que os que ainda não tinham uma mesa aguardassem sua vez.
Ao colocar seus pés dentro do restaurante italiano, não conseguiu conter o sorriso ao sentir o cheiro da comida invadindo suas narinas assim como o som de risadas e das conversas altas que circulavam por ali.
Mesmo com o local agradável, seu foco agora era outro,, assim como a curiosidade morando dentro de si os olhos vagavam pelo local querendo saber se foi ou não enganada.
Será que ainda era possível pedir o dinheiro de volta?Pensou, mordiscando de leve os lábios inferiores.
Estava se sentindo um pouco tensa, seu coração batia cada vez mais forte à medida que andava em direção ao bar - a solução mais razoável era que Thomas estava ali, uma vez que não viu ninguém parecido com ele na parte oeste - e todo o nervosismo que tinha sentido mais uma vez estava presente, fazendo suas pernas ficarem bambas e a respiração oscilante.
Era apenas um encontro, não era?Não tinha nada demais naquilo, só iriam jantar.
Assim como o restante do local o bar era pouco iluminado, característico ao clima atual frio. Olhava por todo o local, procurando por seu acompanhante e quando não o achou suspirou fundo foi uma bobagem ter vindo aqui, Victoria e Emma certamente ouviriam poucas e boas quando voltasse para casa.
Quando começou a fazer o caminho para a direção contrária percebeu os comentários lascivos e os olhos sedutores que os homens mais velhos lançavam em sua direção. Por impulso acabou cobrindo o corpo com o casaco, assim como deixou os braços cruzados sobre o peito.
Foi uma completa perda de tempo vir a esse encontro, pensou a mulher ruiva.
— Para alguém que marca um encontro, você ao menos deveria tentar chegar na hora marcada. — Disse um dos homens que estava um pouco afastado do lugar em que a mulher se encontrava, misturado com a multidão ela não tinha reparado muito bem, na pouca luz o moreno levantou o copo molhando um pouco com álcool.