Eu saio da Universidade completamente tonta. Me sinto esquisita, principalmente agora que acabo de descobrir que Scott me ajudou naquela noite.
Será que ele sabe?
Deve achar que eu sou uma ingrata. Mas eu sou mesmo. Talvez se ele não tivesse me salvado seria melhor para toda a gente. Ele, Mia e muitos outros estariam livres de mim.
Entro no meu carro e dirijo até uma pizzaria para comer. Não me importo se vou comer sozinha. Quentin já está em casa e Kathleen deve estar em qualquer lugar chato.
Eu paro na pizzaria e entro. Vejo Grant conversando com um loiro muito lindo. Não sei porquê, mas eu tenho um fraquinho por loiros. É por isso que fui atrás de Bratt, mas Sophie conseguiu ficar com ele. Eu já previa uma coisa dessas. Sophie parece ser uma lutadora.
Eu sento e sou atendida por uma garota de cabelos ruivos. Eu me lembro dela quando olho para seus olhos azuis. Temos aula de matemática juntas.
Faço o meu pedido e depois ela vai para a mesa de Grant. Ele diz algumas coisas e ela parece corada. Acho que gosta dele.
Eu levanto e vou até ele. Sento ao lado do Grant e beijo ele antes de olhar para a garota e dizer:
— Pode trazer meu pedido aqui, pobretona. — Apoio a cabeça nos ombros de Grant.
Ela fica com os olhos marejados e se afasta da nossa mesa. Grant olha para mim um pouco admirado, mas sorrindo.
— Você é impressionante! — Ele diz.
— Eu sei. — Olho para o loiro. — Não vai me apresentar o seu amigo? — Me inclino para baixo para que tenha uma visão excelente do meu decote.
— Depois de você estragar a moto do meu melhor amigo? Acho que não.
— Você está sendo mauzinho. — Olho para o loiro. — Eu sou...
— Eu sei quem você é. Não gosto de vadias, obrigado. Gosto mais de garotas inteligentes e reservadas. — Ele responde.
— Não sabe o que perde! — Digo.
A garota traz os nossos pedidos e eu pego na pizza, jogo para cima de mim e agarro suas mãos para parecer que ela quer me machucar.
— SOCORRO! — Eu grito.
— O que você está fazendo? — Ela se afasta.
Um homem caminha até à gente e olha para mim. Infelizmente, sujei minha linda blusa preta e minha calça bege. Mas vai valer a pena.
— O que está acontecendo aqui? — O homem, que eu acho que é o gerente, pergunta.
— Sua empregada me agrediu simplesmente porque eu estou namorando o garoto que ela gosta. — Digo. — Olha o que ela fez!
— É mentira! Eu... não fiz isso. Pergunte para eles! — Ela aponta para Grant e seu amigo.
— Minha namorada está dizendo a verdade.
— Isso é um ultraje. Não posso comer num lugar em que os empregados não conseguem ser profissionais. Sabe quem eu sou? Eu sou Chloe Rogers! Meu pai é um dos homens mais ricos desse maldito país. Eu vou processar vocês!
— Não, senhorita Rogers, não se incomode. Vamos tratar desse assunto. Eu prometo que esse incidente não volta a acontecer. — Ele leva a i****a com ele.
Vejo quando ele olha para ela e diz algumas coisas. A garota começa a chorar e implora, quase que ajoelha, mas o homem não deixa. Fico com um pouquinho de pena. Só um pouquinho mesmo.
A garota desaparece, e o homem vem até nós. — Senhorita, pode pedir qualquer coisa. É por conta da casa.
— Não se preocupe que eu vou pagar. Meu pai não é demasiado rico para eu comer de graça. — Digo. — Quero uma pizza de frango e suco de ananás.
— Sim, senhorita. — Ele se afasta, e eu rio.
— Eu pensei que as pessoas estavam brincando quando diziam que você não presta. Me lembre de nunca fazer nada contra você. — Grant ri.
— Não se preocupe. Eu lembro. — Pego no guardanapo e limpo a minha roupa.
Agora preciso pensar no que fazer com Scott.
Eu não acredito que Scott é o homem que me salvou. Sinceramente, eu não esperava. Ele não parece ser esse tipo de pessoa. Scott é um i*****l, um safado, egoísta, sem escrúpulos e i****a. Alguma coisa está errada.
Eu fico no meu quarto pensando no que fazer. Ele pode ter me ajudado, mas também jogou Coca-Cola por cima de mim e tinta no meu Ferrari. Não posso deixar ele sair impune.
Mas o vídeo que eu tenho não é suficiente para eu me vingar dele. Tenho que fazer alguma coisa. Algo grandioso. Só não sei o quê.
Eu ligo para Quentin, que atende no segundo toque. — Chlo!
— Oi, Quent! Como você está? — Pergunto.
— Oh não! O que você quer? — Ele reconhece a voz que uso quando preciso da sua ajuda.
— Eu quero informações sobre Scott. Você pode conseguir para mim, por favor?
— Você não acha que está indo longe demais? É melhor você desistir dessa brincadeira agora.
— Claro que não. Eu não vou desistir dessa brincadeira. Preciso me vingar do Scott.
— E depois ele vai se vingar de você, e você dele, quando isso vai parar?
— Quando eu disser. — Respondo.
— Desculpa, mas não vai dar. Você se encontrou com Brian hoje? — Ele pergunta.
— Não consegui. Eu cancelei depois de descobrir que Scott salvou a minha vida.
— Espera! O quê? Scott ajudou você naquela noite? — Ele pergunta sem acreditar.
— Exatamente.
— E você quer continuar com a vingança? Você é mesmo ingrata!
— Obrigada. Você recebeu o resultado dos meus exames de sangue? — Pergunto.
Sempre que faço esses exames, eu mando para ele. Prefiro que ele veja, porque posso não ser capaz.
— Eu vi. — Ele pára. — Chloe, você está doente!
Meu coração sai do lugar. — Quentin, por favor, fala que é brincadeira.
— Brincadeira. — Ele ri. — Está tudo certo. Você tem muita sorte. Devia parar de t*****r com qualquer um. Um dia pode dar positivo.
— Eu sei. — Olho para minhas mãos. E é nesse exato momento que uma ideia brilhante vem na minha cabeça. — Eu tive uma ideia excelente! — Digo.
— É incrível como você muda de assunto. A gente estava falando sobre algo importante, Chloe. Eu não quero que você pegue a Aids ou qualquer uma outra. — Ele responde. — É mais fácil do que se imagina.
— Vamos mudar de assunto? Eu sei como me vingar do maldito Scott. — Digo.
— Como? — Ele pergunta.
Eu explico para ele o meu plano. Quentin, como sempre, acha que é um plano muito c***l e muito exagerado. Eu acho que o plano é perfeito. Ele não vai conseguir fazer melhor.
Eu paro o meu carro no estacionamento. Vejo Scott chegando também. Ele está com um casaco de couro, calças jeans e botas. Ele tira o capacete assim que eu desço e assobia.
— Que carro lindo. O que aconteceu com o outro? — Pergunta.
— Cala a boca, pedaço de merda! — Eu fecho a porta do meu carro.
— A v********a está zangada? Não se preocupe, demônio, posso te ajudar.
— Porquê você não vai f***r suas vadias? Aproveite enquanto pode. — Eu começo a rir enquanto caminho. Ele parece confuso.
Encontro Kathleen no corredor falando com duas garotas. Eu sorrio para ela e aproveito para começar com o meu plano.
— Kathleen querida, eu tenho novidades para você. — Beijo a sua testa. — Oi, vadias! — Digo para as garotas.
— O que você quer falar? — A gente se afasta delas, mas não o suficiente para que elas possam ouvir.
— Eu quero falar sobre o Scott. — Olho para as meninas que parecem estar atentas. Eu sei muito bem que há muitas garotas que querem ficar com aquele lixo.
— O que tem o Scott?
— Ele tem sífilis. Você sabe o que significa? Ele anda por aí contaminando as garotas. Isso é péssimo! — Digo. — Não diga a ninguém que eu contei para você.
— Está bem. — Ela parece um pouco triste. — Eu não devia estar supreendida.
— Bom, tenha uma boa aula.
Eu continuo o meu caminho. Em breve, a notícia vai se espalhar, e nenhuma garota vai querer t*****r com ele. Ele vai ficar com a fama de doente e não vai poder fazer nada pior do que isso para mim.
Como você é c***l, Chloe!
Eu vou para a sala de aulas. Brian vem ter comigo assim que eu entro. Eu procuro Mia com os meus olhos, e ela está olhando para a gente cheia de ciúmes e dor. Parece um cachorro molhado.
— A gente se vê hoje? — Ele coloca a mão na minha cintura.
— É impressão minha ou você está demasiado carente? — Pergunto.
— Digamos que eu quero saber como é Chloe Rogers de verdade.
— Ele sorri.
Eu beijo ele, mas mantenho os olhos abertos para olhar para Mia. Ela está fervendo de raiva. Coitada da garota. Ela precisa desistir.
Eu me afasto um pouco para morder seu lábio inferior. — Você gostou? — Pergunto.
— Bastante. — Ele sorri encantado.
Eu me afasto dele e vou até Mia, que se prepara para levantar. Olho para suas roupas e sua mochila velha. Seguro o seu braço para que não tenha para onde ir.
— Onde você vai? — Pergunto. — Você não pode matar aula. Precisa estudar para manter a bolsa de estudo, lembra?
— Me deixa em paz!
— Porquê mesmo eu faria isso? — Pergunto.
— Porquê eu não suporto você! — Ela responde.
— Eu também não suporto você. — Digo. — Você é uma mancha aqui. Você é como se fosse lixo. Tenho muita pena de você.
Eu pego sua mochila e abro para deitar tudo no chão. Apanho um caderno e r***o as folhas, seus apontamentos. Ela olha para mim com raiva, mas não faz nada além de chorar.
— Seu demônio! — Ela diz.
— Obrigada! — Eu termino e vou sentar no meu lugar.
No refeitório, enquanto eu como com os meus amigos, vejo a mesma garota loira que tinha visto com Scott ontem. Ela é bonita e os caras estão fazendo o que ela quer. Ela está roubando o meu lugar.
Eu vou tirar isso dela. Em breve todos da Universidade vão pensar que Scott tem sífilis e ele vai ficar meses sem sexo. Coitadinho. Vou fazer o mesmo com essa garota.
— O que foi agora, Chloe? — Kathleen pergunta.
— Você já não aprontou demais só hoje? — Quentin pergunta.
Eu quero brincar. Isso está sendo bastante divertido.
— Não! — Levanto e vou até ela. Os homens que estão com ela olham para mim quando me aproximo. Ela também e não parece gostar de me ver.
— Oi!
— O que você quer, Chloe? — Ela pergunta.
— Todo mundo me conhece. Eu não conheço você, mas sei que estava se pegando com Scott ontem. — Digo e pego no celular para mostrar para eles.
— E o que tem? — Ela cruza os braços.
— Você não está sabendo que ele tem sífilis? Sífilis latente? — Pergunto fingindo estar chocada. — Eu acho que você devia começar com o tratamento depois de t*****r com ele.
Ela parece estar em pânico. Os caras que estavam com ela levantam e vão embora. Ela também levanta da mesa e sai correndo chorando. Tenho vontade de fazer mais maldades.
Eu volto no meu lugar e bebo meu suco como se nada tivesse acontecido. Meus amigos apenas olham para mim. As pessoas perguntam como eu consigo dormir à noite?
Bom, eu choro até adormecer. E no dia seguinte, fico com bastante disposição para machucar alguém.
Depois das aulas, eu saio sozinha. Quentin ficou na biblioteca estudando, e Kathleen foi correndo cuidar do seu irmão mais novo. Então, vou sozinha para casa.
Quando estou prestes a entrar no meu carro, alguém segura o meu braço. Eu não preciso virar para saber quem é. Percebo pelo cheiro de cigarro.
— Estou muito puto com você, Chloe Rogers! — Ele me obriga a virar para ele. — Eu sei que foi você.
— Eu sinto muito. — Toco seu ombro. — Não deve ser fácil para você. Você está doente...
— Cala a boca! Eu vou me vingar!
— Porquê? Porque mais nenhuma garota vai querer t*****r com você, depois de saberem que você tem sífilis? — Eu rio. — Eu só ajudei elas a se prevenirem. Mas você vai ficar semanas ou meses sem sexo.
— Você vai se arrepender! — Ele aperta meu braço.
— Aí! Está me machucando! — Eu digo. — Me solte, seu i*****l.
— Você está gostando dessa brincadeira, não é? — Ele se aproxima mais. — Está bem. Prepare suas armas para essa guerra. Ainda não está decidido quem ganhou.
— Eu já ganhei! — Digo e ele me larga. Eu sorrio e entro no meu carro me sentindo vitoriosa. Ele não imagina que já não pode vencer.