Hoje tem uma festa da fraternidade. Quentin me convidou, e como eu adoro festas, eu vou e quero ser a mais linda de todas. Por isso é que estou usando um vestido preto super sexy e um pouco curto. Esse vestido custou cinquenta mil dólares. Valeu a pena.
Termino de fazer a maquiagem e pego na minha bolsa clutch para sair de casa. Coloco meu celular, um mini estojo de maquiagem, algum dinheiro, batom e alguns pacotes de camisinhas.
Eu saio do meu quarto e desço os degraus. Para minha tristeza, encontro Francis na sala, e ele olha para mim de cima a baixo com desprezo. Eu também odeio ele.
— Onde você vai? — Ele pergunta.
— Não é da sua conta. — Eu vou até à porta e abro. — Eu não pergunto quando você vai fazer suas merdas, filho da p**a! — Eu fecho a porta e vou correndo encontrar o meu carro.
Francis vem correndo atrás de mim, mas eu acelero o carro e saio pelos grandes portões depois de quase atropelar ele. Se tivesse atropelado, seria um fim para uma parte dos meus problemas.
Eu começo a rir até que meu celular toca. É ele ligando. Se ele pensa que eu vou atender, está muito enganado. Eu não sou i****a.
Chego na festa depois de quarenta minutos e desço do carro. Alguns caras estão bebendo e fumando, alguns casais se beijando, outros transando dentro do carro. Posso ouvir a música há quilómetros de distância também. Isso sim é uma festa.
Eu entro e os homens olham para mim como se eu fosse um pedaço de bife. Sei muito bem que eles querem saber como é estar com alguém como eu. Todos querem ser como eu, exceto eu mesma.
Eu abraço Quentin assim que o vejo. — Oi! — Digo no seu ouvido por causa da música alta.
— Oi! — Ele sorri.
— Você está sozinha?
— Não. Kathleen está aqui! — Ele aponta para ela. Está usando um vestido azul que eu dei para ela de presente. — Ela está linda, não está?
— Está.
Eu procuro alguém na multidão e acho rapidamente. Cabelos loiros desarrumados, olhos azuis claros e sorriso que faz as garotas caírem aos seus pés. Scott Brayson.
Ele está com uma camiseta de mangas compridas azul, jeans pretas e botas. Eu não posso negar que ele é muito lindo. Talvez até mais do que qualquer homem que eu já vi. E eu já vi muitos, muitos homens.
Ele parece estar conversando com uma garota, mas ela o dispensa. Tenho a certeza que não tem sido fácil para ele. Principalmente depois de todos saberem de sua falsa doença.
Ele vai até seus amigos e bebe sua cerveja. Fico observando ele de longe enquanto conversa com Bratt e Sophie. Ele não parece muito feliz.
— Você não acha que está olhando para ele há demasiado tempo? — Quentin pergunta.
— O quê? — Olho para ele.
— Você está olhando para Scott há tempo demais. Você está arrependida, não é?
— Não. — Olho para ele novamente. Será que ele está arrependido de ter me ajudado naquele dia depois do que eu fiz?
— Então, você está com pena dele? É que nunca vi você olhando assim para ninguém. — Ele ri.
— Não estou com pena. Não é o que você está pensando. — Pego na bebida dele e bebo.
— Está bem. Se acontecer alguma coisa, você vai me contar.
— Eu vou. — Olho para Scott.
Agora ele está sorrindo, mas seu sorriso desaparece quando ele olha para mim. Seu olhar frio aparece e ele vem até mim em passos rápidos. Como se quisesse me bater.
— Olha quem está aqui! Se não é a rainha das putas! — Ele fico muito perto.
— Não fala assim dela. — Quentin tenta me defender.
— Porquê não? Agora nenhuma garota se aproxima de mim depois do que você inventou. Isso vai custar muito caro a você. — Ele cruza os braços. Ele é alto e forte. Estou mais concentrada nos seus braços fortes do que em outra coisa.
— Quentin, você pode nos deixar sozinhos? — Olho para o meu melhor amigo.
— Se ele fizer alguma coisa, grita. — Ele se afasta e vai falar com Kathleen.
— Você mereceu, Scott. Você deitou tinta no meu Ferrari. Meu lindo Ferrari ficou destruído por sua causa.
— Você começou. Você bateu na minha moto com o seu maldito carro. — Ele parece furioso.
— Não precisa ficar com tanta raiva de mim. Fiz um favor a você. Aquelas garotas que você pega são nojentas.
— Mais que você? Você vai se arrepender muito, Chloe! Não perde por esperar.
— Se você fizer algo terrível, meu bem, acredite que eu posso fazer algo pior. Muito pior. — Aperto seu rosto bonito com a minha mão. — Você devia ter medo de mim. Eu posso machucar você. — Dou um selinho nele.
— Ninguém me machuca. — Ele segura minhas mãos, então olha para meu vestido. Seus olhos percorrem todo o meu corpo e posso ver um brilho nos seus olhos.
— O que foi? Gostou do que viu? — Pergunto mordendo o lábio inferior.
— Bom, fique sabendo que graças a você, vou ficar um bom tempo sem sentir uma garota. Você devia resolver as coisas.
— Agora está dando em cima de mim? Você não tem vergonha? Não tem nenhum pouquinho de orgulho? — Coloco as mãos nos seus cabelos loiros.
— Eu sempre quis saber como é o seu gosto. — Ele lambe os lábios.
— É uma pena que você não vai poder descobrir. — Finjo uma cara triste.
— Você quer apostar? — Ele pergunta.
— Não. — Eu me afasto dele e vou dançar sozinha no meio da multidão. Ele olha para mim com um meio sorriso, e eu fico feliz por estar sendo observada por ele.
Rebolo a minha cintura e passo minhas mãos no meu corpo para provocá-lo. Seus olhos estão agora nas minhas pernas. Ele bebe a cerveja sem tirar os olhos de mim.
Estou com muita pena. Ele está louco para t*****r com alguém. Talvez tenha ido longe demais. Mas tenho certeza que ele merece.
Agora, seus olhos estão nos meus. Ele abre um pouco a sua boca perfeito e fica olhando como se eu o tivesse deixado hipnotizado. Normalmente, tenho esse efeito nos homens.
Scott deixa seu copo vazio numa mesa e se aproxima para começar a dançar também. Mas não muito perto de mim. Ele dança sem tirar os olhos de mim. Eu sei o que ele quer, mas não vou dar para ele.
— Eu nunca tinha reparado que você tem olhos verdes. — Ele se aproxima e sussurra no meu ouvido. — Sou louco por olhos verdes.
— Você diz isso para todas as garotas. Não sou i****a. — Eu digo.
— Eu sei que você não é i****a. Uma i****a não teria inventado aquela bomba sobre mim. — Ele coloca o nariz no meu pescoço. — Você cheira muito bem.
— Eu sei. Eu tenho um gosto impecável.
— Você está me devendo, Chloe! Eu posso desistir de me vingar de você. Só precisa me dar uma coisa.
— Meu bem, não vai acontecer! — Eu digo.
— Veremos. — Ele se afasta e vai buscar mais cerveja para ele.
Eu também aproveito para descansar e sento numa mesa. Kathleen olha para mim de longe como se não estivesse gostando do que estou fazendo. Não estou fazendo nada de mais.
Ela se aproxima de mim e senta na minha frente. — O que você está fazendo?
— Como assim o que estou fazendo? Eu estou me divertindo.
— Você está provocando Scott. Você disse que ele tem sífilis. — Ela endireita os óculos.
— Ah! Eu esqueci de contar para você. Eu menti. Agora nenhuma garota está atrás dele. Isso não é maravilhoso?
— Você mentiu? Ele não está doente? — Ela parece feliz agora.
— Não que eu saiba. — Tiro uma selfie com o meu celular.
— Podia ter me dito antes.
— Pensei que Quent contou. Sinto muito. Me perdoa? — Olho para ela.
Ela suspira. — Eu perdoo, mas simplesmente porque as garotas não querem mais saber dele.
— Não precisa agradecer. — Eu levanto quando percebo que Scott desapareceu.
— Aonde você vai? — Ela pergunta.
— Eu vou apanhar ar. — Digo e vou para o terraço.
Como eu tinha previsto, eu encontro Scott sentado no chão fumando. Ao seu lado, há uma garrafa de cerveja ainda cheia.
Eu sento ao seu lado e ele olha para mim. — Não acredito que esteja sujando seu vestido por minha causa.
— Me dá um cigarro? — Peço.
— Você já fumou alguma vez na sua vida? — Ele pergunta.
— Não! Posso aprender com você.
Ele coloca mais um cigarro na sua boca e acende com o isqueiro, depois coloca na minha boca. Eu tento fazer como ele, mas engasgo com a fumaça. E ele ri de mim.
— Você vai conseguir. — Ele diz, soltando a fumaça pelo nariz.
— Não hoje. — Ele jogo o cigarro no chão. — Você veio aqui só para fumar ou para pensar também? — Pergunto.
— O que você acha? — Ele sorri. Já tinha dito que ele tem um sorriso muito lindo?
— Não sei.
— Quer? — Ele me oferece a sua cerveja.
— Como eu vou saber se você não colocou nada aqui? — Pergunto.
— Você acha que eu coloquei algo na minha bebida, subi até aqui porque pensei que você viria atrás de mim e depois entregar essa cerveja a você? — Ele pergunta.
— Dá essa cerveja. — Eu recebo.
Amarro o meu cabelo num coque por causa do calor e bebo a minha cerveja. Scott fica olhando para mim. Olha para o meu pescoço, do mesmo jeito que um vampiro olharia para um pescoço.
— Porquê está me olhando assim? — Pergunto.
— Por sua causa, eu não vou t*****r durante algum tempo. Então, não fique assustada se eu olhar para você como se fosse um banquete.
— Eu gosto de ser observada. — Eu mostro minhas pernas para ele. — O que você acha de eu fazer uma tatuagem aqui? — Pergunto.
— Eu acho que sua pele perfeita não precisa de uma tatuagem. — Ele toca minhas pernas.
— Então, do que precisa? — Pergunto.
Ele ri e se afasta. — Eu sei qual é o seu plano. Você quer me provocar, mas não quer nada comigo. Não sou i****a.
— Na verdade, você é. E não sei porquê minha melhor amiga está apaixonada por você.
— A loirinha está apaixonada por mim? — Ele parece surpreso. — Eu não fazia ideia. Ela também deve pensar que eu estou doente. Todas as que estão apaixonadas por mim devem pensar isso.
— É, Kathleen não sabe. — Minto quando a Kathleen não saber da verdade, mas não sei porquê. Talvez porque ele está tão desesperado que iria atrás dela agora mesmo.
— Que pena! Pensei que teria jantar essa noite. — Ele ri. — Sinceramente, você é c***l, Chloe! Não acredito que tenha pensado até ali.
— Eu sou um génio. Tenho ideias brilhantes.
— Percebi. Só não entendo porquê Kathleen que é tão doce é sua amiga. Nem Quentin. Você obriga eles a estarem com você? — Ele pergunta.
— Claro que não. Quentin é como se fosse um irmão para mim. A gente cresceu juntos. Ele é a uni... — Eu paro. Quase que conto sobre a minha vida para ele. Não somos tão chegados assim.
— Ele é?
— Como um irmão. Já disse. — Dou mais um gole na cerveja.
— Eu entendo. Bratt também. E tem mais um que você não conhece. Quem sabe algum dia. — Ele sorri.
— Scott? — Eu chamo ele.
— Humm?
— Porquê você me ajudou naquela noite? — Pergunto. Não posso mais fingir que não sei que ele é o meu herói. A qualquer momento, eu tinha que vir atrás dele e falar sobre isso.
— Como você sabe que era eu? — Ele pergunta sorrindo.
Meu Deus! Esse homem sorri!
— Eu vi sua tatuagem. Reconheci quando aquela garota estava despindo você.
— Eu ajudei você porque eu não sou uma pessoa r**m. Eu não poderia deixar eles machucarem você. — Ele olha para mim. — Você preferia que não tivesse ajudado?
— Não sei. Depois de tudo o que eu fiz, você se arrepende? — Pergunto com a voz tremendo, não sei porquê. Acho que nunca conversei desse jeito com nenhum garoto além de Quentin.
— Claro que não! Você está viva. Além disso, se não tivesse ajudado você, não estaríamos jogando esse jogo divertido.
— Você está achando divertido? Isso é sério? Você é mais i****a do que pensei. — Recupero a minha postura de durona.
— Como você quiser. — Ele levanta e pisa a bituca de cigarro antes de me ajudar a levantar.
Ele sorri e vai embora. Me deixa completamente sozinha no terraço. Eu não sei o que pensar sobre isso. Estou sentindo uma coisa estranha. Espero que seja do cigarro.