Capítulo quatro - Festa de fraternidade

2213 Words
Hoje tem uma festa da fraternidade. Quentin me convidou, e como eu adoro festas, eu vou e quero ser a mais linda de todas. Por isso é que estou usando um vestido preto super sexy e um pouco curto. Esse vestido custou cinquenta mil dólares. Valeu a pena. Termino de fazer a maquiagem e pego na minha bolsa clutch para sair de casa. Coloco meu celular, um mini estojo de maquiagem, algum dinheiro, batom e alguns pacotes de camisinhas. Eu saio do meu quarto e desço os degraus. Para minha tristeza, encontro Francis na sala, e ele olha para mim de cima a baixo com desprezo. Eu também odeio ele. — Onde você vai? — Ele pergunta. — Não é da sua conta. — Eu vou até à porta e abro. — Eu não pergunto quando você vai fazer suas merdas, filho da p**a! — Eu fecho a porta e vou correndo encontrar o meu carro. Francis vem correndo atrás de mim, mas eu acelero o carro e saio pelos grandes portões depois de quase atropelar ele. Se tivesse atropelado, seria um fim para uma parte dos meus problemas. Eu começo a rir até que meu celular toca. É ele ligando. Se ele pensa que eu vou atender, está muito enganado. Eu não sou i****a. Chego na festa depois de quarenta minutos e desço do carro. Alguns caras estão bebendo e fumando, alguns casais se beijando, outros transando dentro do carro. Posso ouvir a música há quilómetros de distância também. Isso sim é uma festa. Eu entro e os homens olham para mim como se eu fosse um pedaço de bife. Sei muito bem que eles querem saber como é estar com alguém como eu. Todos querem ser como eu, exceto eu mesma. Eu abraço Quentin assim que o vejo. — Oi! — Digo no seu ouvido por causa da música alta. — Oi! — Ele sorri. — Você está sozinha? — Não. Kathleen está aqui! — Ele aponta para ela. Está usando um vestido azul que eu dei para ela de presente. — Ela está linda, não está? — Está. Eu procuro alguém na multidão e acho rapidamente. Cabelos loiros desarrumados, olhos azuis claros e sorriso que faz as garotas caírem aos seus pés. Scott Brayson. Ele está com uma camiseta de mangas compridas azul, jeans pretas e botas. Eu não posso negar que ele é muito lindo. Talvez até mais do que qualquer homem que eu já vi. E eu já vi muitos, muitos homens. Ele parece estar conversando com uma garota, mas ela o dispensa. Tenho a certeza que não tem sido fácil para ele. Principalmente depois de todos saberem de sua falsa doença. Ele vai até seus amigos e bebe sua cerveja. Fico observando ele de longe enquanto conversa com Bratt e Sophie. Ele não parece muito feliz. — Você não acha que está olhando para ele há demasiado tempo? — Quentin pergunta. — O quê? — Olho para ele. — Você está olhando para Scott há tempo demais. Você está arrependida, não é? — Não. — Olho para ele novamente. Será que ele está arrependido de ter me ajudado naquele dia depois do que eu fiz? — Então, você está com pena dele? É que nunca vi você olhando assim para ninguém. — Ele ri. — Não estou com pena. Não é o que você está pensando. — Pego na bebida dele e bebo. — Está bem. Se acontecer alguma coisa, você vai me contar. — Eu vou. — Olho para Scott. Agora ele está sorrindo, mas seu sorriso desaparece quando ele olha para mim. Seu olhar frio aparece e ele vem até mim em passos rápidos. Como se quisesse me bater. — Olha quem está aqui! Se não é a rainha das putas! — Ele fico muito perto. — Não fala assim dela. — Quentin tenta me defender. — Porquê não? Agora nenhuma garota se aproxima de mim depois do que você inventou. Isso vai custar muito caro a você. — Ele cruza os braços. Ele é alto e forte. Estou mais concentrada nos seus braços fortes do que em outra coisa. — Quentin, você pode nos deixar sozinhos? — Olho para o meu melhor amigo. — Se ele fizer alguma coisa, grita. — Ele se afasta e vai falar com Kathleen. — Você mereceu, Scott. Você deitou tinta no meu Ferrari. Meu lindo Ferrari ficou destruído por sua causa. — Você começou. Você bateu na minha moto com o seu maldito carro. — Ele parece furioso. — Não precisa ficar com tanta raiva de mim. Fiz um favor a você. Aquelas garotas que você pega são nojentas. — Mais que você? Você vai se arrepender muito, Chloe! Não perde por esperar. — Se você fizer algo terrível, meu bem, acredite que eu posso fazer algo pior. Muito pior. — Aperto seu rosto bonito com a minha mão. — Você devia ter medo de mim. Eu posso machucar você. — Dou um selinho nele. — Ninguém me machuca. — Ele segura minhas mãos, então olha para meu vestido. Seus olhos percorrem todo o meu corpo e posso ver um brilho nos seus olhos. — O que foi? Gostou do que viu? — Pergunto mordendo o lábio inferior. — Bom, fique sabendo que graças a você, vou ficar um bom tempo sem sentir uma garota. Você devia resolver as coisas. — Agora está dando em cima de mim? Você não tem vergonha? Não tem nenhum pouquinho de orgulho? — Coloco as mãos nos seus cabelos loiros. — Eu sempre quis saber como é o seu gosto. — Ele lambe os lábios. — É uma pena que você não vai poder descobrir. — Finjo uma cara triste. — Você quer apostar? — Ele pergunta. — Não. — Eu me afasto dele e vou dançar sozinha no meio da multidão. Ele olha para mim com um meio sorriso, e eu fico feliz por estar sendo observada por ele. Rebolo a minha cintura e passo minhas mãos no meu corpo para provocá-lo. Seus olhos estão agora nas minhas pernas. Ele bebe a cerveja sem tirar os olhos de mim. Estou com muita pena. Ele está louco para t*****r com alguém. Talvez tenha ido longe demais. Mas tenho certeza que ele merece. Agora, seus olhos estão nos meus. Ele abre um pouco a sua boca perfeito e fica olhando como se eu o tivesse deixado hipnotizado. Normalmente, tenho esse efeito nos homens. Scott deixa seu copo vazio numa mesa e se aproxima para começar a dançar também. Mas não muito perto de mim. Ele dança sem tirar os olhos de mim. Eu sei o que ele quer, mas não vou dar para ele. — Eu nunca tinha reparado que você tem olhos verdes. — Ele se aproxima e sussurra no meu ouvido. — Sou louco por olhos verdes. — Você diz isso para todas as garotas. Não sou i****a. — Eu digo. — Eu sei que você não é i****a. Uma i****a não teria inventado aquela bomba sobre mim. — Ele coloca o nariz no meu pescoço. — Você cheira muito bem. — Eu sei. Eu tenho um gosto impecável. — Você está me devendo, Chloe! Eu posso desistir de me vingar de você. Só precisa me dar uma coisa. — Meu bem, não vai acontecer! — Eu digo. — Veremos. — Ele se afasta e vai buscar mais cerveja para ele. Eu também aproveito para descansar e sento numa mesa. Kathleen olha para mim de longe como se não estivesse gostando do que estou fazendo. Não estou fazendo nada de mais. Ela se aproxima de mim e senta na minha frente. — O que você está fazendo? — Como assim o que estou fazendo? Eu estou me divertindo. — Você está provocando Scott. Você disse que ele tem sífilis. — Ela endireita os óculos. — Ah! Eu esqueci de contar para você. Eu menti. Agora nenhuma garota está atrás dele. Isso não é maravilhoso? — Você mentiu? Ele não está doente? — Ela parece feliz agora. — Não que eu saiba. — Tiro uma selfie com o meu celular. — Podia ter me dito antes. — Pensei que Quent contou. Sinto muito. Me perdoa? — Olho para ela. Ela suspira. — Eu perdoo, mas simplesmente porque as garotas não querem mais saber dele. — Não precisa agradecer. — Eu levanto quando percebo que Scott desapareceu. — Aonde você vai? — Ela pergunta. — Eu vou apanhar ar. — Digo e vou para o terraço. Como eu tinha previsto, eu encontro Scott sentado no chão fumando. Ao seu lado, há uma garrafa de cerveja ainda cheia. Eu sento ao seu lado e ele olha para mim. — Não acredito que esteja sujando seu vestido por minha causa. — Me dá um cigarro? — Peço. — Você já fumou alguma vez na sua vida? — Ele pergunta. — Não! Posso aprender com você. Ele coloca mais um cigarro na sua boca e acende com o isqueiro, depois coloca na minha boca. Eu tento fazer como ele, mas engasgo com a fumaça. E ele ri de mim. — Você vai conseguir. — Ele diz, soltando a fumaça pelo nariz. — Não hoje. — Ele jogo o cigarro no chão. — Você veio aqui só para fumar ou para pensar também? — Pergunto. — O que você acha? — Ele sorri. Já tinha dito que ele tem um sorriso muito lindo? — Não sei. — Quer? — Ele me oferece a sua cerveja. — Como eu vou saber se você não colocou nada aqui? — Pergunto. — Você acha que eu coloquei algo na minha bebida, subi até aqui porque pensei que você viria atrás de mim e depois entregar essa cerveja a você? — Ele pergunta. — Dá essa cerveja. — Eu recebo. Amarro o meu cabelo num coque por causa do calor e bebo a minha cerveja. Scott fica olhando para mim. Olha para o meu pescoço, do mesmo jeito que um vampiro olharia para um pescoço. — Porquê está me olhando assim? — Pergunto. — Por sua causa, eu não vou t*****r durante algum tempo. Então, não fique assustada se eu olhar para você como se fosse um banquete. — Eu gosto de ser observada. — Eu mostro minhas pernas para ele. — O que você acha de eu fazer uma tatuagem aqui? — Pergunto. — Eu acho que sua pele perfeita não precisa de uma tatuagem. — Ele toca minhas pernas. — Então, do que precisa? — Pergunto. Ele ri e se afasta. — Eu sei qual é o seu plano. Você quer me provocar, mas não quer nada comigo. Não sou i****a. — Na verdade, você é. E não sei porquê minha melhor amiga está apaixonada por você. — A loirinha está apaixonada por mim? — Ele parece surpreso. — Eu não fazia ideia. Ela também deve pensar que eu estou doente. Todas as que estão apaixonadas por mim devem pensar isso. — É, Kathleen não sabe. — Minto quando a Kathleen não saber da verdade, mas não sei porquê. Talvez porque ele está tão desesperado que iria atrás dela agora mesmo. — Que pena! Pensei que teria jantar essa noite. — Ele ri. — Sinceramente, você é c***l, Chloe! Não acredito que tenha pensado até ali. — Eu sou um génio. Tenho ideias brilhantes. — Percebi. Só não entendo porquê Kathleen que é tão doce é sua amiga. Nem Quentin. Você obriga eles a estarem com você? — Ele pergunta. — Claro que não. Quentin é como se fosse um irmão para mim. A gente cresceu juntos. Ele é a uni... — Eu paro. Quase que conto sobre a minha vida para ele. Não somos tão chegados assim. — Ele é? — Como um irmão. Já disse. — Dou mais um gole na cerveja. — Eu entendo. Bratt também. E tem mais um que você não conhece. Quem sabe algum dia. — Ele sorri. — Scott? — Eu chamo ele. — Humm? — Porquê você me ajudou naquela noite? — Pergunto. Não posso mais fingir que não sei que ele é o meu herói. A qualquer momento, eu tinha que vir atrás dele e falar sobre isso. — Como você sabe que era eu? — Ele pergunta sorrindo. Meu Deus! Esse homem sorri! — Eu vi sua tatuagem. Reconheci quando aquela garota estava despindo você. — Eu ajudei você porque eu não sou uma pessoa r**m. Eu não poderia deixar eles machucarem você. — Ele olha para mim. — Você preferia que não tivesse ajudado? — Não sei. Depois de tudo o que eu fiz, você se arrepende? — Pergunto com a voz tremendo, não sei porquê. Acho que nunca conversei desse jeito com nenhum garoto além de Quentin. — Claro que não! Você está viva. Além disso, se não tivesse ajudado você, não estaríamos jogando esse jogo divertido. — Você está achando divertido? Isso é sério? Você é mais i****a do que pensei. — Recupero a minha postura de durona. — Como você quiser. — Ele levanta e pisa a bituca de cigarro antes de me ajudar a levantar. Ele sorri e vai embora. Me deixa completamente sozinha no terraço. Eu não sei o que pensar sobre isso. Estou sentindo uma coisa estranha. Espero que seja do cigarro.
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