O colar reconhece a rainha

4688 Words
ALEXANDER (Meses antes da guerra entre Fenit e Dragomir, Vale dos nômades localizado em Fenit.) Anna mantinha-se inquieta ao lado da filha Hinata depois de ter pelo bem estar da filha confirmado o plano da falecida rainha Kiera ao belo homem. Alexander ainda tinha uma expressão jovial e era estonteante apesar dos quarenta dias de seu nome deixarem algumas suaves marcas de expressão em seu rosto imponente junto aos olhos escuros. Ambas que estavam com ele tinham longos cabelos dourados encaracolados e olhos cor de esmeralda como era herança da família. Apesar da mais velha possuir também junto aos encaracolados fios dourados outros brancos brincando no topo de sua cabeça. Os destroços do portal ainda estavam em evidência assustando-as enquanto abraçavam uma a outra temendo pela fúria descomunal que presenciaram do rei delas. Outrora, passava uma espécie de rede de energia azul por duas rochas gigantescas, que se assemelhavam a colunas, posicionadas lado a lado e com cerca de doze pés de afastamento uma da outra, criando assim uma espécie de entrada. Aquele lugar era conhecido como vale dos nômades. E, prisioneiros sem um delito grave do reino de Fenit tinham a oportunidade de recomeçar em outro mundo que era desconhecido aos cidadãos dos oito reinos em seu conjunto chamados de Tretagon. Bem, para Alexander sua sobrinha era uma prisioneira sem um grave delito, porém, com a conspiração de trazê-la de volta tinha que fazer algo a respeito. Quando Alexander tomou a irmã mais velha de Kalahan como concubina, ele realmente tinha um plano até começar a sentir algo por ela que era totalmente diferente da posse por Kiera. Seu propósito em tê-la perto, inicialmente, era fazer o fedelho que admirava e tinha quase como um filho tornar-se realmente parte da sua família. Hinata também até perceber seus sentimentos fortes por ela era útil a ele por ter visões, saber mexer com runas e de sobra ser a melhor advinha de Tretagon. Mas quem diria que o garoto que tanto prezava tinha lealdade a um rei morto e planejava trazer sua sobrinha de volta para reivindicar o trono que conquistou a muito custo. O sentimento de traição o invadiu como uma facada, afinal, havia criado a Kalahan basicamente, se orgulhado a medida que ele se tornava um homem por cada conquista dele. Apesar da pouca idade, o daria até o posto de general de seu exército. Riu furioso contemplando o portal destruído, satisfeito. Antes que pensasse no que fazia, foi até Hinata. Seu coração agitado por pensamentos sombrios se acalmou pela mera presença dela. ― Deve ter sido difícil escolher trair sua família. ― Alex foi empático, uma rara faceta sua. ― Mas agora eu espero que tenha consciência de que eu e o nosso bebê somos sua família. ― Alexander estava persuasivo. ― Vocês são minha família. ―Hinata foi determinada pela primeira vez, porém, não por estar sendo influenciada por ele. ― Farei tudo para protegê-los. Por isso te contei algo que presenciei quando ainda era uma criança. Se ela voltasse, tudo seria ameaçado. Os olhos escuros encontraram os verdes dela com carinho, sorrindo amavelmente colocando mechas soltas do cabelo macio para trás das orelhas dela. Ele notou algo que só a tornou mais linda perante de seus olhos. Alexander apenas tocou no rosto da moça acanhada e beijou-a na bochecha fazendo-as ganharam ainda mais cor. Perdeu-se contemplando-a incrédulo que tivesse uma mulher como ela a seu lado. Contudo, o medo de perder tudo o que conquistou se fez presente como um antigo fantasma o rondando. A feição doce dele contemplando-a se tornou assustadora quando seus devaneios o causaram medo. ― Avise ao seu irmão traidor que se eu o encontrar eu vou matá-lo, hm.... ― Sussurrou homicida no ouvido dela somente e a sentiu estremecer em pânico, querendo se afastar dele, contudo, a abraçou a impedindo de fugir de si. ― Não ouse me temer. Você é a única que não pode fazer isso. ― Proibiu-a. Vendo o medo nos olhos dela, e as lágrimas, sentindo-a tremer, ele se acalmou para não a assustar ainda mais. ― Darei a ele um dia ou dois de vantagem por respeito a você. ― Tranquilizou-a abraçando-a fortemente como se fosse um porto seguro ― Caso o veja por minhas costas dê a ele essa mensagem por mim: “o portal foi fechado. Então não há como buscar a usurpadora. O filho que sua irmã carrega no ventre será meu herdeiro. Diga a ele que se ele se importa tanto com a família deve deixar as coisas como estão e apenas sair de Fenit.” A menina pegou a mão calejada de Alexander pelas guerras que ele lutou, com a suave dela, grata pela benevolência dele, a beijou e o fez uma reverência obediente. A mãe dela que os olhava com ligeira angústia e desgosto a seguiu por etiqueta e apenas se retirou daquele local enojada, refazendo seu rumo até o palácio. O coração de Anna, na realidade, estava em Kalahan e torcia por ele. Alexander era ligeiramente mais alto que a moça. O homem estava com o queixo repousado na cabeça dela e chamou-a carinhosamente: ― Hinata... ― Majestade... ― Eu enlouqueceria se essa fosse uma traição vinda de você. ― Avisou-a perigoso com ela em seus braços e a mão na cintura dela possessivamente indo até o saliente volume na barriga da moça acariciando-a. ― Eu não aguentaria.... ― Desabafou. ― Meu rei, você sabe, meu coração, corpo e alma são seus. ― Consolou-o em sua paranoia, amável. ― Eu não quero mais ninguém. ― Foi doce como sempre o era, apesar de firme. ― Estarei com você em tudo. Alexander parou o abraço, buscando o rosto dela, desesperado, sentiu a sinceridade dos olhos verdes e inocentes, relaxando. Olhos verdes que eram tão tímidos que o faziam sentir-se inquieto sempre que trocavam olhares mais intensos e luxuriosos, o polegar passou pelos lábios carnudos dela e ele ofegou um pouco afetado pelo desejo tendo-a constrangida desviando a vista da dele como resposta. Fofa. Constatou. De novo outro pensamento sombrio. Como um demônio que gostava de o torturar, "já pensou se ela soubesse que foi você que matou o pai dela e de Kalahan? Que o sangue de Caleb Devart está em suas mãos?" Essa verdade deixaria guardada para si mesmo. ― Então, você também será a única para mim. O harém, não o visitarei mais. Perante a Fênix, você irá se tornar minha rainha e a de todos de Fenit. ― Me deixa contente que não se deitará com outras. Mas meu rei, eu não estou fazendo isso porque quero ser rainha, eu só.... quero ficar com você. ― Os olhos dela se encheram de lágrimas e escondeu o rosto no peito dele. ― Acha que eu fiz isso por que quero poder? Eu traí meu amado irmão por você. Eu não quero uma recompensa por isso. ― Mas eu te quero reinando ao meu lado enquanto eu viver. ―Alex insistiu porque não a entendia. ― Apenas minha. ― Mas eu já sou apenas sua, meu rei. ―A voz tilintante e doce era uma melodia linda como as das fadas mesmo que o contrariando numa decisão que ele já havia tomado. ―Eu não quero ser rainha! Nosso filho, eu só quero que o oficialize para que ele não seja tratado como você era por seu pai. Prometa para mim, que não tratará nosso filho como seu pai tratou você. Mesmo que ame a outra um dia e a torne sua rainha, por favor, não abandone nosso bebê e o esqueça. Um sorriso melancólico o preencheu porque com aquelas palavras ela o acertou em cheio. ― Eu prometo a você que nosso filho será o rei! ― Confortou-a com os olhos cheios de lágrimas e emotivo. ― Apesar da mãe dele se recusar a ser rainha, no meu coração ela é uma. As palavras dela sempre se comprovavam por ações. Propostas de casamento eram feitas a todo instante a ela por cavalheiros, príncipes de outros reinos, até mesmo reis bem mais jovens e bonitos que ele que iam até Fenit falar com a melhor advinha de Tretagon. No entanto, Hinata, nunca aceitou nenhum deles e preferiu ficar em seu harém. E agora ela havia entregado o plano do irmão. Havia negado a coroa. E só o pediu que desse um tratamento que ele nunca teve ao filho dele caso se apaixonasse por outra. Agitado pelo altruísmo dela, ele abraçou-a mais forte com medo de que se a soltasse ela partisse. ― Me dê um tempo para superar o meu luto e esquecerei minha obsessão por Kiera. ― Garantiu-a beijando-a na testa. ― O posto de rainha não será ocupada por ninguém porque ele é seu enquanto eu for rei. Porque meu coração já é seu. Ela meneou a cabeça contente por aquelas palavras. ― O seu coração, meu rei. Eu o quero inteiro, só para mim. ― Confessou, desesperada e sendo gananciosa pela primeira vez. Os olhos dela estavam cheios de lágrimas. ― Eu queria me casar com você, porém, isso vem com um título que pesaria sempre que eu usasse a coroa. ― A voz estava embargada enquanto o explicava. ― Porém, o seu coração eu o posso aceitar junto a sua promessa ao nosso filho. ― Eu o amarei com todas as minhas forças. ― Confessou intenso, selando os lábios nos dela. ― Ele terá tudo de mim! ... KALAHAN (Fronteira de Dragomir Momento atual) Kalahan tentava desvendar a expressão de Iker Digory Dragomir esperando o momento mais propício para começar o assunto que por vinte e cinco dias do seu nome o deixava ansioso. A seriedade de seu “amigo” era sempre esperada de certa forma, contudo, não conjunta daquela expressão calculista e então suspiros um atrás do outro enquanto ele massageava as têmporas numa privilegiada imagem de perfil que o fez invejá-lo pela aparência impecável e ao mesmo tempo elegante comparando-se com ele. Estavam dentro duma das barracas erguidas no acampamento de guerra. Era como se o draconiano para o loiro que o analisava estivesse calculando todas as estratégias movendo por cima do mapa os soldados de madeira em todas as direções possíveis de um ataque de Fenit a Dragomir. Algo o incomodou o suficiente para não se controlar e soltar um preocupado: ― Você dormiu, alteza? ―Sondou-o Kalahan ligeiramente temoroso de estar atrapalhando uma possível linha de raciocínio. ― Disse que o maldito era um estrategista nato. Foi essa a resposta que obteve e o príncipe voltou a sua introspecção fechando a mão em punho. Os olhos cinzas ainda mais frios e cortantes que o de costume o causando ligeiro medo. ― Minha monarca.... ― Começou o cavaleiro e coçou a nuca. ― É hoje o dia de buscá-la! ― Soltou por fim num desabafo andando de um lado a outro da cabana e irritando a Iker pelo som de seus passos. ― Use o espelho que está ali.... ― Apontou para um canto então e Kalahan notou um gigantesco algo coberto com um pano cuidadosamente. ― e busque a garota! ― Ordenou Iker quase dizendo me deixe em paz. Moveu de novos os soldados de madeira com os vale da sobrancelhas franzido. Deixando evidente o anel de metal com formato de um dragão a Kalahan, que notou pela primeira vez que tinha o mesmo rubi no pingente do colar que a rainha Kiera o deu antes de morrer para ajudá-lo a encontrar Demetria no outro mundo. E para que presenteasse a filha dela. ― Alteza? Iker impacientemente se virou para ele esperando que falasse. ― Considerando que ela é sua noiva, não deveria ir....? Claro que eu prometi a mãe dela, mas seria mais interessante se vossa alteza fosse buscá-la, não é? Afinal, é o noivo dela. Tenho certeza que ela ficará feliz em vê-lo mais do que a um reles servo. Iker apenas arqueou a sobrancelha repreensivo porém ponderou por um bom tempo. ―Não irei. ― Informou por fim, resoluto. Kalahan revirou os olhos e o amaldiçoou mentalmente. Quer dizer, abriria mão de encontrar a pessoa que sempre esperou pelo i****a e ele parecia mais frio do que as montanhas do inverno eterno quando se referia a mulher que seria a noiva dele. ― Porém, hoje é o decimo oitavo dia do nome dela, não é? ― Exigiu confirmação continuando porém focado no estudo de estratégias. Kalahan moveu a cabeça num sim um tanto sem palavras que ele soubesse. Assistiu Iker pegar uma caixa pequena e delicada de madeira de cima da mesa, olhá-la com atenção, era a caixa que sempre estava com ele onde quer que fossem e então a jogar. Kalahan a aparou no ar, desesperado, e fitando ao outro realmente chateado por tal descuido de algo que outrora ele parecia estimar muito, apesar de sua língua coçar não o questionou. ― Entregue isso a ela quando a encontrar. ― Pediu Iker somente e ainda sem olhá-lo. ― Fale para ela usá-lo e deixá-lo sempre a vista. Quando sua rainha pisar aqui, todos saberão que ela está sobre a proteção do estandarte do dragão e será minha princesa. ― Iker apenas passou a mão pelo longo cabelo e crispou os lábios levemente. ― Certo, alteza. Somos gratos pela ajuda e por honrar o compromisso. O príncipe dragão repuxou os lábios novamente sob o olhar atento de seu cavaleiro. ― Agradeça ao meu pai e não a mim. ― Sussurrou Iker. ― Minha rainha com certeza apreciará o presente. ― Sorriu feliz. ― Eu também comprei algo para ela no mercado, sabe? É bem mais simples, contudo, espero que ela goste e saiba o quanto estou feliz pela volta dela. ― Desabafou, Kalahan incapaz de conter as batidas desenfreadas do coração. ― Estou tão nervoso em conhecê-la. Será que é intimidante? Gentil? Como será que ela é? Deve ser linda, os olhos escuros de quando ela era bebê eram tão adoráveis. ― Conversava consigo mesmo. ― Ela era a coisa mais fofa do mundo pelo que eu lembro. Iker tirou os olhos do mapa e confrontou Kalahan. ― Vá buscar minha noiva! ... SARAH (Salém, 31 de outubro, 2018.) Quando Kalahan atravessou o espelho, ele tirou o pingente em forma de coração de dentro da camisa bufante que usava tentando se lembrar de todas as recomendações para não fazer nada de errado. Sua espada estava presa no suporte nas costas onde estava a bainha enquanto caminhava intimidado pelo novo lugar cujo inverno passava longe. O sol estava indo embora e a noite chegava apesar de ter saído de Dragomir de manhã. O espelho existente em Dragomir que o príncipe sempre carregava para onde quer que fosse, dava para um arco de arvores numa floresta. Em seu último encontro com Hinata, Kalahan soube da destruição do portal do vale dos nômades, da traição da irmã e do filho que Hinata carregava de Alexander. Recordou nesse exato instante em que havia cruzado as fronteiras dos mundos o pedido dela para que deixasse as coisas como estavam e apenas fosse embora e esquecesse da promessa que fez a falecida rainha Kiera. Com seu senso de honra ele a ignorou e estava fazendo exatamente o que tinha certeza que seu pai faria agora. Kiera precavida como era, contou-o do espelho mágico do reino de Dragomir, um presente de Luther ao rei Damien e também um portal que levava a outro mundo. Soltou um suspiro cheio de expectativa. Tirou o colar do pescoço, murmurou um simples e inseguro “siga o sangue da realeza e me revele a localização da verdadeira rainha” fazendo o colar flutuar no ar e o pingente apontar para a direção que deveria seguir. Até agora o rapaz não havia encontrado nada que o deixasse surpreso em relação ao novo mundo além da estação do ano, já que só o que havia explorado era uma floresta. Na sua volta para o convento Sarah escutou miados longos e que soavam sôfregos na floresta. Viu o gatinho preto que estava sangrando na cabeça e o coração de Sarah se apiedou quase que de imediato. Seguiu-o atordoada e com lágrimas nos olhos. O cabelo caia liso sobre os olhos agora numa franja do corte tigela, as roupas folgadas. Era dia das bruxas e o seu aniversário, idiotas supersticiosos sempre faziam isso com gatos pretos nessa data. Esgueirou-se pela floresta apesar de saber que já estava tarde. ― Dane-se as freiras. ― Falou calma para ninguém em especial. Queria tirar um tempo só para si também. Arrependida de sua fala porém, pescou ao simplório celular do bolso da frente da calça jeans que não fazia nada além de ligar e enviar mensagens mandou um torpedo avisando que ia se atrasar para o jantar a abadessa. Arqueou a bonita sobrancelha que valorizava o rosto infantil, satisfeita. Então, guardou o aparelho no bolso novamente e saiu andando. ― Gatinho, gatinho,― Chamou-o amável e tirou da bolsa uma caixinha de primeiros socorros que levava para a escola por ter sempre que cuidar de seus próprios machucados e uma barra de chocolate a abrindo com intuito de atrair o animalzinho. ― Prometo que não vou machucar você. Só quero cuidar de você e.... O gato sumiu como mágica diante dos olhos dela, como uma personificação, um truque de ilusão, ficou sem entender. Antes que ela continuasse, seus olhos escuros se encontraram com os verdes intensos do rapaz de roupas esquisitas. Rapidamente, apesar de ligeiramente agitada, ela julgou que ele fosse apenas um cosplay. E ia ignorá-lo, até notar gelando inteira o colar que flutuava começando a brilhar furiosamente vindo em direção a ela. Kalahan com o coração batendo rápido contemplou-a e se curvou ficando de joelhos e levando a mão ao coração. ― Minha rainha.... ― Soltou aliviado. ― Eu estava com tanto medo de....de não encontrar você. Sarah arqueou a sobrancelha ligeiramente sem ação. Afinal, o que se fazia quando alguém o dobro do seu tamanho do nada te chamava de rainha e tinha um colar literalmente flutuando a sua frente e se acendendo? Olhou ao redor para ver se havia mais alguém perto dela. ― Enlouqueceu? ― O dialeto dela mudou de inglês para fenitense sem que se desse conta que o rapaz falava outra língua e se adaptando inconscientemente. O colar flutuando foi até ela que o capturou assustada com a mão, virando a mão para seu rosto e abrindo-a vendo o pingente de coração aumentar o brilho. Encarou ao objeto com ligeiro fascínio sentindo de alguma forma que a pertencia. ― Use-o, era de vossa mãe. ― Garantiu o loiro. ― Esperei tanto para conhecê-la.... Você é tão linda quanto eu me lembrava. ― Acrescentou quase enfeitiçado, levantou-se quando notou que ela não parecia entender o que acontecia. ― Mas considerando que quando te vi pela última vez era uma bebê, eu.... ― Ele coçou a nuca. ― Nossa.... Que mulher linda se tornou! ― Percebendo seu atrevimento, Kalahan engoliu em seco contendo sua vontade de tocá-la e abraçá-la. Ela era seu único elo com o passado e com Fenit agora. O último pedido de seu pai a ele. ― Você está me assustando, sabe.... Parece um esquisitão daqueles nerds que.... Enfim, não se aproxima ou irei gritar. Eu tenho certeza que não te conheço. ― Seu nome é Demetria Alexandra Fenit, majestade. Hoje é o décimo oitavo dia do seu nome. Eu vim te levar de volta para o que é seu! ― Tentou ele vacilante. ― A rainha Kiera disse que você não se lembraria, contudo, os sonhos deveriam ter ajudado a entender ao menos um pouco, para eu não parecer um louco quando a encontrasse. Por favor, acredite em mim! Os olhos de Demetria encontraram os verdes dele, abertos ao máximo. ―Eu.... eu.... ― Hesitou. ― Tenho sonhos é verdade. Com outro mundo e alguém me chamando de Demetria, mas...Isso é muita loucura para eu simplesmente acreditar assim. Convença-me. ― Sabe bem lá no fundo que não pertence aqui e que falo a verdade, minha rainha.... Não há como eu convencê-la. Por favor, sonde o seu coração e.... Ela apenas confirmou com a cabeça satisfeita com a resposta honesta dele e sorriu um tanto atordoada passando os dedos trêmulos pelo curto cabelo. Sarah sempre sabia quando alguém mentia ou não, era quase uma maldição. ― Apenas não me chame de rainha, tá legal? ― Pediu trêmula e apertando o colar na mão mais forte apesar de manter Kalahan distante com o braço livre estendido ao máximo como se o pedisse espaço. ― Uma versão do Thor me encarando e me chamando de rainha é assustador. Sou rainha de quê? Asgard? ―Thor? Asgard? ― Questionou-a genuinamente confuso. ―É mesmo.... Se veio de outro mundo suponho que não saiba quem ele é e nada sobre mitologia nórdica ou sobre a Marvel. ― Murmurou ela mais para si achando certa graça pelo jeito que ele movia a cabeça em acordo genuinamente confuso e ela gargalhou lindamente negando com a cabeça apesar de saber que o momento não era oportuno. Kalahan definitivamente gostou do jeito suave e humilde que ela falava. E com certeza apreciou as gargalhadas melodiosas. ― Desculpe, é uma piada interna. É que você é todo forte e o seu cabelo é loiro.... ― Seus elogios me desconcertam, majestade. ― O rapaz disse corando fortemente. ― Minha rainha, isso vai parecer estranho, mas tenho permissão para te dar algo? ― Questionou-a contendo-se para não ir até ela. ― Feliz dia do seu nome a propósito. Eu a comprei algo, é simples se comparado a sua nobreza, mas.... ― Um presente? ― Indagou-o curiosa, contente e muito surpresa. ―Eu.... nunca.... recebi um. Eu nunca pensei que alguém se alegraria por eu ter nascido. ― Confessou fracamente e com os olhos brilhantes. ―Eu me alegrei desde o instante que ouvi os sinos de Fenit ressoarem duas vezes quando nasceu. Era um dia de neve, um dia frio e triste, mas meu coração de alguma forma se aqueceu. ― Revelou-a. Demetria sabia que ele falava a verdade. De dentro do bolso da calça ele tirou um embrulho desajeitado feito com papiro e amarrado de qualquer jeito com um barbante tingindo com corante de vermelho. Estendeu-o a ela, inseguro, e ao mesmo tempo a lançando um belo sorriso apesar de hesitante. ― Posso me aproximar de vossa majestade? ― Quis saber novamente, cuidadoso. ― Claro que pode! Precisa nem pedir. ― Disse Demetria realmente contente. ― Muito menos quando você me conheceu quando eu era apenas uma bebê. ― Falou ela reconfortante e amável apesar de um tanto sem graça. O coração de Kalahan bateu forte que a defesa dela estivesse baixa agora o que indicava muita confiança. Deixou o presente simples nas mãos dela voltando ao seu lugar inicial por respeito a sua monarca. Ansiosa, a moça abriu o pacote e deu um sorriso que fez o coração do rapaz bater rápido. Sarah apreciou a presilha de cabelo em forma de uma fênix de prata com pedrinhas em vermelho que só comprovava sua certeza. Os olhos dela se encheram de lágrimas e elas transbordaram por suas destacadas maçãs do rosto. ―É tão lindo e delicado. Muito obrigada. Será meu maior tesouro. ― Ela o contemplou com um gigantesco sorriso que faz valer apenas todo o seu salário como cavaleiro gasto ali. ― Eu adorei. Ah.... eu.... É só que.... eu queria tanto.... eu não posso usá-lo agora, por que o meu cabelo, ele.... ― Lamentou, angustiada. ― Bem, acho que você compreende. Mas guardarei para usar no instante em que ele crescer de novo. ― Levou o presente ao coração. ― Estou tão feliz hoje. E isso é graças a você. Melhor aniversário de todos. ― Seu cabelo assim a deixa extremamente bela e diferente das moças de nosso reino, majestade. Se me permite o elogio. ― Você só me lisonjeia assim porque sou sua rainha! ― Soltou Sarah desgostosa. ―Não. ― Confessou o homem e limpou a garganta, atordoado. ― Com todo o respeito, é realmente uma das mulheres mais bonitas que já vi, majestade. Parece uma fada, mas ao mesmo tempo é ainda mais pequenina que uma, tão delicada e frágil. Já vi muitas beldades. Seu cabelo sendo longo ou não, continua a mais bela de todas para mim e muito graciosa. Seus olhos são escuros, eles são raros em toda Tretagon, pertence a linhagem da fênix especificamente. Só isso já te torna bem linda. Ele ficou ainda mais vermelho do que quando ela o elogiou e ela também. Os dois se observaram timidamente. ―O reino de onde eu venho eu sou mesmo uma rainha nele? ― Inqueriu apertando o colar e a presilha em sua mão com força. Acreditava nele. Olhou para o céu momentaneamente. As visões que me deu finalmente fizeram sentido. ― Sim, mas seu tio usurpou o trono e matou seu pai. ― Relatou sombrio, não sabia como continuar e surpreso sentiu a mão dela em seu ombro o incentivando. ― Alexander a baniu para esse mundo, reivindicou o trono e se casou com sua mãe, que faleceu a nove luas cheias atrás. Vossa mãe real pediu que no momento certo eu viesse buscá-la, este é o momento de sua maioridade. Vossa majestade se casará com o príncipe de Dragomir e então junto a ele reivindicará o seu trono. A parte de se casar foi a que mais a deixou desesperada. ― Como assim me casarei? ― Majestade, eu sei que tudo isso soa muito confuso... ― O rapaz coçou a nuca e mordeu o lábio inferior ansioso. ― E.... bem, é. Mas eu preciso que volte comigo agora! Estamos em guerra. Seu noivo precisa de você, a autoridade dele ficará mais forte depois do casamento. ― Um noivo que nem veio buscar por mim? ― Perguntou Demetria sarcástica e com a sobrancelha arqueada. "Bem, eu disse ao i****a que vossa majestade ficaria ofendida, contudo, ele não quis me ouvir. " Kalahan pensou amargurado. ― Sobre isso, eu peço que o compreenda.... Ele estava estudando estratégias de guerra. Como o príncipe herdeiro ele tem que.... O desespero do bonito moço em explicar aquela ausência a causou ligeiro desconforto. Mesmo chateada que tivesse um noivo que nem se deu ao trabalho de ir vê-la, ela relevou. ― Eu estou apenas brincando com você. ― Tranquilizou-o, com a expressão outrora zangada tornando-se amável. ― Qual é o seu nome? Quero dizer, como devo chamá-lo? ― Sou Kalahan, majestade. Seu servo. E se vossa majestade me aceitar futuramente seu cavaleiro. ― Servo não, que tal amigo? Pode ser? ― Se é o que vossa majestade deseja. ― Ótimo, então você é meu amigo, Kalahan. Obrigada por ser tão honrado e cumprir a promessa a minha mãe, por essa razão você terá minha gratidão eterna. ― Ficou na ponta dos pés e tocou-o no rosto gentilmente como a rainha Kiera fez uma vez quando ele era criança e então se afastou procurando algo como um portal. ― Então, vamos? ― Simples assim? ― Achou que teria que me convencer mais? Um passo de fé, meu amigo. Me leve de volta para casa. Acredite ou não, de certa forma eu acho que sempre esperei por você. Passaram juntos pelo arco de árvores e então pelo espelho de mãos dadas. Demetria estava com os dedos entrelaçados juntos dos de Kalahan fortemente, usando o colar foi da falecida mãe dela em seu pescoço e de olhos fechados e um ligeiro sorriso fazendo os dois cantos dos lábios se curvarem, ansiosa. Os olhos de Iker a contemplaram e ele apenas a estudou. Kalahan estava com uma sensação de dever cumprido e notando o olhar do príncipe sobre as mãos deles juntos soltou a mão dela de imediato. ― Pode abrir os olhos agora, majestade. Esse é o reino de seu noivo. Ela manteve-se de olhos fechados porém, porque sabia que quando os abrisse tudo mudaria. ― Me diga, meu noivo é bonito, Kalahan? A voz diferente ecoou a fazendo estremecer de temor: ― Por que não abre os olhos e vê por si mesma?
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD