A volta da rainha

4217 Words
DEMETRIA Os olhos de Demetria se abriram contemplando o imponente e belo homem e o cenário a sua volta absorvendo tudo tentando não surtar. A barraca se erguia gigantesca, uma tenda ficada ao chão com estacas grandiosas em pontos estratégicos que eram a sustentação. Era aconchegante, havia uma cama improvisada, uma costura mais aconchegante como uma colcha e então um cobertor por cima, uma mesa cheia de mapas e soldados de madeira, velas queimavam dentro do que pareciam lamparinas e um cheiro irritantemente amadeirado e ligeiramente úmido invadiu suas narinas. Era realmente o melhor presente de aniversário de todos! Tudo ainda parecia novidade como uma criança que completa um parque de diversões pela primeira vez sem se dar conta dos perigos dos brinquedos. Pela saída da barraca do acampamento de guerra podia avistar o céu cinza, os flocos de neve caindo, ouvir o sons dos ventos uivantes e o branco do chão. Olhou para trás vendo o espelho gigantesco por onde havia saído ao maior estilo Alice no país do espelho, ornado em mogno com detalhes encrustados de dragão e então o vidro dourado dele cujo reflexo era ligeiramente distorcido. Finalmente, sentiu o frio penetrá-la como pequenas agulhas gélidas através da malha da camisa de manga comprida surrada que usava e soltou ar pela boca vendo sair fumaça de seu hálito. Seu olhar repousou no homem de cabelo invejável que ia até as costas como um véu, na deslumbrante túnica vermelha de linho que parecia pesada e preparada para o frio com detalhes de dragões em dourado. Ele era muito mais alto do que ela e até mesmo que Kalahan, se sentia-se baixinha perto de Kalahan, sentiu-se um diminuta perto de seu noivo. Iker se aproximou dela encarando-a seriamente. ― E então? Qual a sua impressão sobre seu noivo? ― Exigiu Iker. ― Nossa, seu cabelo é realmente magnífico. ― Começou ela. Andou ao redor dele como se olhasse um vestido numa vitrine. Incapaz de se conter tocou as madeixas do homem. ― Uau! Tão macio. ― Parou na frente dele, perdida. ― Seu rosto é tão perfeito. Esse nariz é tão afilado, essas sobrancelhas.... Você realmente existe? ― Tocou-o na bochecha com os a ponta dos dedos sentindo calor, apesar dele parecer esculpido de tão perfeito e olhou sorrindo como uma criança para Kalahan. ― Esse cara é tipo.... surreal. Nossa! Manteve-se quieto a estudando, a moça apenas o apreciava boquiaberta, porém, era como uma criança e não como uma mulher contemplaria um homem. ― Realmente, majestade. Ele é uma coisa de outro mundo. — Kalahan brincou com ela. Demetria apenas curvou os lábios ligeiramente em acordo. Kalahan sorriu deles, recebendo o olhar matador do príncipe, tapou a boca com a mão, continuando a rir achando ligeiramente engraçada a interação dos dois apesar de seu coração sentir ligeiras pontadas. O draconiano segurou o pulso dela, fazendo a manga da camisa dela deslizar ligeiramente e ele viu as cicatrizes no braço da menina. ―Você é mais atrevida que uma meretriz e definitivamente não tem a postura de uma rainha! ― Iker soltou frustrado por ter captado tudo isso de uma vez naquela primeira impressão. Jogou o pulso que agarrou para longe enojado. ― Me diga agora, contemplaria qualquer homem que não é seu futuro marido assim só por que ele é bonito e nunca viu nada igual? ― Raiou com ela. Seus olhos pairaram nas vestimentas dela a sobrancelha escura se arqueou e o canto dos lábios se repuxou. ― Sir Kalahan, ensine-a que não é prudente elogiar outro homem na frente de seu noivo, muito menos apreciar um que ainda não é seu marido dessa forma e leve sua rainha para Lady Cecily deixá-la mais apresentável ao povo. Diga para que ela coloque uma coroa na cabeça de sua monarca, um vestido digno e a faça pelo Dragão parecer mais feminina. ― Kalahan apenas meneou a cabeça vagamente em acordo. ― E quanto a você, majestade.... Você é uma mulher, não uma maldita criança. Comporte-se como tal. ― Me chame de Sarah ou Demetria, sem majestade, alteza. ― Pediu-o Demetria irritada pela ofensa anterior. ― Acaso não gostou do meu presente pelo dia do seu nome? Por que não está o usando? ― Iker exigiu uma resposta. Os olhos escuros dela se encontraram com os cinzentos dele numa sinergia opressora e fechou a mão em punho. ― Que presente....? ― Vociferou ela. ― Eu não recebi nada de você.... ― Ah, é.... Isso seria culpa minha. ― Kalahan se pronunciou e sorriu constrangido, tirou a caixa de madeira do bolso e entregou-a a Iker fingindo ter esquecido apesar de não ter a entregue a ela propositalmente. ― Agora que está de frente a sua noiva, entregue! ―Incentivou-o cavaleiro satisfeito estendendo a caixinha de madeira com um sorriso vitorioso. ― Eu já entreguei o meu e a desejei felicidades pelo dia do nome dela. ― Se gabou. ― Não faz diferença. ― Murmurou Iker, recebendo o presente de volta e o estendendo a ela. ― Tome isso logo e use para que saibam que será minha princesa e a tratem como tal. Enquanto não temos seu reino de volta, espero que esse título seja o suficiente a você. ― Qual é a sua? Acha que pode falar assim comigo e mandar em mim? — Teimou, Demetria. Kalahan fez uma ligeira careta e ele trocou um olhar com ela como se dissesse “tecnicamente ele pode”. Demetria revirou os olhos escuros o fuzilando que ele só a tivesse avisado agora, se não teria sido mais respeitosa desde o início. ― Que caixa linda.... Nossa. Se só ela é tão elegante e bela, imagine o que tem dentro dela! ― A moça foi irônica, acabou recebendo finalmente a caixa. Os olhos cinzas de Iker foram ao colar no pescoço dela atentando-se pela primeira vez e seus olhos se arregalaram, só então notou que a pedra no dedo dele brilhava também. ―O rubi do sangue real! Onde o conseguiu? Quem o deu a você? Demetria olhou de imediato para Kalahan acusadora sem dar muita importância e estar ciente da sentença de morte que assinou para o rapaz e, então abriu a caixinha de madeira vendo um broche bonito com um dragão dourado. A má vontade da pessoa que a deu o presente, entretanto, não a comoveu como aconteceu com o de Kalahan no encontro deles. Agradeceu num murmúrio saído a contragosto. Iker lançou ao loiro um olhar matador e interrogativo. ― A mãe dela me deu a joia antes de falecer. Ia me ajudar a achá-la no outro mundo. E bem, ajudou. ― Explicou-se Kalahan rápido para o príncipe. Depois da explicação, os olhos de Iker foram ao pescoço pálido dela destacado pelo rubi em forma de coração que brilhava furiosamente, num movimento rápido, passou os braços ao redor do pescoço dela e desfez o feche, tirando-o. Entregou-o na mão dela, fechando-a e escondendo o brilho. ― Eu preciso que por agora não o use, majestade. — Solicitou o príncipe. ― Por que? Era da minha mãe e é a única coisa que tenho dela. ― Protestou contrariada. ― Acha justo me pedir para tirar? ― Se teimar comigo e continuar a usar a maldita joia eu terei que te matar, entendeu?! ― Foi propositalmente assustador. Vendo o temor dela, respirou profundamente. ― Use-o quando eu conquistar Fenit para você. ― Os olhos cinzas dele encontraram os dela, ainda frios porém menos ameaçadores. ― Assim qualquer um que questionar seu poder se calará. ― Como assim? ― Foi ingênua. Iker sorriu de lado grato pela ignorância dela. Kalahan se arrepiou inteiro, transtornado. Sabia que quando Iker o fazia havia sempre algo grande por trás. ― O sangue da Fênix que deu o nome a sua pátria é o que estava brilhando em seu pescoço. ― Informou-a o príncipe sussurrando no ouvido dela, perigoso. E como se não bastasse te reconhece como rainha não só de sua pátria mas de toda Tretagon! Acrescentou Iker mentalmente. ― Está no domínio do Dragão agora. ― Ah, entendo. Desculpe. — Ela foi educada. Avaliou-a e voltou o olhar aos olhos curiosos de sua noiva. ― Nosso casamento deve acontecer logo. Para que possa me tocar livremente como quer, se me acha tão bonito deve estar inquieta para me ter.... ― A insinuação de Iker era realmente para envergonhá-la e fazê-la se sentir constrangida. ― Alteza, suas palavras ofendem a minha rainha! Como ousa? ― Kalahan questionou-o incrédulo. ― Você mesmo não viu o quanto sua rainha me quer, sir Kalahan? ― Indagou-o Iker traiçoeiro. ― É como uma c****a no cio. ― Especificou c***l. Kalahan levou a mão a espada na bainha atrás de suas costas. Sentiu a mão pequena dela em seu ombro e tirou a mão esquerda da empunhadura da espada contemplando a pequena garota que apenas sorria e o dava ligeiros tapinhas no ombro. ― Deixe-o falar asneiras sozinho, Kalahan. ― Aconselhou Demetria sem se alterar. Confrontou seu noivo. ― Do que adiante ser lindo desse jeito e ser tão cheio de si? ― Indagou-o e o deixou sem ação. ― Talvez devesse se casar com aquele espelho do tanto que se ama, Narciso. Kalahan segurou uma gargalhada que queria muito vir à tona. Apesar de estar surpreso com aquelas palavras já que estava acostumado com damas mais recatadas e não ter entendido a referência, ela ainda não perdia a compostura mesmo falando coisas tão audaciosas. A moça começou a ir para fora da tenda de Iker já de costas aos outros dois, ela parou insegura e perguntou hesitante: ― Você vem, Kalahan? ― Aonde quer que vá estarei convosco, majestade. Meus pais não poderiam ter escolhido melhor. Demetria cogitou aliviada. Ela virou-se novamente a eles, sorriu emotiva quando Kalahan veio para o seu lado sempre protetoramente. ― Ele é meu amigo! ― Se gabou ela. Kalahan tremeu incerto pelo toque dela em seu ombro e pelo jeito que ela repetia amigo com tanta certeza e felicidade. ― O vejo como alguém querido mesmo não o conhecendo tão bem, sinto que temos uma história. Queria que ele fosse o meu noivo e não você que só me destratou desde que cheguei aqui e me entregou esse maldito broche como se eu fosse uma propriedade. ― Jogou o broche de volta para Iker que não o aparou apesar de seus reflexos serem rápidos. ― Vamos casar, alteza. Mas nem por um minuto ache que pode marcar território, eu sou uma pessoa e não um objeto. ― Cuidado com o que fala. ― Aconselhou Iker pegando o broche do chão e o apertando em sua mão. Sua maldita, isso era da minha falecida mãe! Como ousa? ― Você sozinha não é nada e não será rainha de nada! Então desça desse seu maldito pedestal. ― O quão caridoso de sua parte é me ajudar nessa causa tão nobre. É tocante! No mundo em que cresci temos algo que se chama história e Nicolau Maquiavel. Para gente como você, os fins justificam os meios, não é? Não me tome por tola só porque pareci deslumbrada pela sua beleza podre a princípio. Eu sei que o que quer é o poder que a posição como meu marido te dará. ― Disparou ela feroz. Iker perdeu a paciência e sacou a espada. ―Eu cansei dessa desobediência. ― Afirmou o príncipe. Olhou para ela perto de Kalahan. ― Devo matar seu amigo para saber com quem está lidando? ― Respirou fundo com os olhos vidrados nos dela. ― Te colocar no seu lugar. Se ele morrer não terá ninguém que te apoie.... Antes que ele atingisse Kalahan, Demetria tomou a frente do loiro protetoramente segurando a espada com a mão como consequência veio o corte certeiro da lâmina mesmo que superficialmente, sangue começou a escorrer e os olhos escuros dela fervilhavam como chamas que fizeram Iker ficar ligeiramente atordoado tanto por feri-la tanto por aquela coragem reveladora de caráter. Aquele tipo de pessoa, era o tipo que nasceu para ser seguida. O sangue dela desceu pela espada. A moça tremeu sentindo algo queimar a sua alma sabendo que aquela coisa era a certa a se fazer. ― Não ouse tocar em Kalahan ou conhecerá minha fúria. ― Eu sou o fogo e a destruição, pequenina. Nada pode me parar. ― E eu sou aquela que sobrevive ao fogo do dragão e renasço mais forte! ― A voz dela trazia uma certeza inabalável. Kalahan se arrepiou inteiro com essa fala. Iker manteve a compostura apesar das palavras dela serem fortes. ― Você não tem um exército e não tem nada aqui! Veio por uma promessa de casamento e ainda acha que pode me menosprezar, menininha? ― Confrontou-a o príncipe com sua altura. ― Talvez eu deva te dar ao meu dragão e deixar que ele faça churrasco público de você. ― Você ama o poder. Precisa de mim viva para ter Fenit. ― Falou Demetria sem temê-lo. Demetria saboreou aquele abraço divino e a coragem que a preencheu. ― Toque sequer um fio de cabelo de Kalahan e você conhecerá quem é a fênix que nos rege. ― Minha rainha, a sua mão... —A voz de Kalahan era de horror puro. ― Não ouse se mover, Kalahan.... A função de um monarca é proteger aqueles que confiam nele. ― Especificou ela com a voz antes doce tomando tons severos sem perder a candura. ― Se eu não fizer nem isso como posso exigir algo de você? ― É uma garotinha que acha que está destinada a algo grande. ― Revidou o príncipe cruelmente causando um ligeiro corte no pescoço dela. ― Não tem ideia do que faz aqui e nem de como governar. Você depende de mim. Submeta-se a mim, maldita! ― Eu estou aqui porque devo estar aqui. ― Confrontou-o ela. Pegou a lâmina da espada com suas duas mãos, machucando-as mais e a tomou dele com uma força que não era sua e a girou segurando a empunhadura apontando-a a Iker ameaçadora sujando os trajes dele com sangue dela que escorria pela lâmina. ― Você fere e mata, mentindo a si mesmo de que é necessário.... ― Começou enojada captando a atenção dele. ― Olhe nos meus olhos... ― Ele o fez a contragosto como um imã sendo tragado pela escuridão e então pelo fogo. ― Eu vejo você! ― Sorriu ela vitoriosa, vidrada nele e tendo visões das vítimas dele pedindo clemência enquanto o dragão que ele montava cuspia fogo. ― Mente para si mesmo numa limpeza de suas vestes e corpo dizendo que é digno, porém apenas esconde a podridão da sua alma, Iker Digory Dragomir. ― Majestade, pare! ― Kalahan interviu, se desesperou ao ver a aliança deles por um fio. ― Não coloque em risco seu casamento e a conquista de Fenit por um reles servo. ― Implorou-a o loiro se ajoelhando. ― Ouça seu querido amigo que é o único sensato de vocês dois. Você precisa de mim para ter poder. ― Iker lembrou-a. Saindo de sua severidade, Demetria analisou Kalahan com misericórdia. ― Não ouse nunca se menosprezar ou ditar seu valor. Seu berço não foi de ouro, mas a humildade o reveste da maior riqueza que um homem pode ter. Tem minha admiração. ― Soltou ela sincera. Pegou a espada de Iker e bateu levemente no ombros e na cabeça de Kalahan numa ritualística que viu em filmes. ― Erga-se sir Kalahan, o meu cavaleiro.... ― Pediu-o ela imponente. ― Acho que temos que fazer isso oficialmente para ter mais impacto, não é? ― Se é o seu desejo, minha rainha.... ― Kalahan deixou escapar comovido. Kalahan apenas observou a mão nela na sua enquanto se erguia do chão novamente. ― Meu desejo é tê-lo ao meu lado enquanto viver.... Posso pedir isso de você? ― Quis saber Demetria. ―Você pode pedir o que desejar de mim. ― Enfatizou Kalahan emotivo por ela ter o protegido. ― Mas por favor não se fira agora que sou seu cavaleiro. Me sentirei inútil. ― Realmente se merecem! ― Murmurou o príncipe saindo do seu estado perturbado pelas palavras cortantes e certeiras dela e tomando a espada pesada da mão da garota. ―Isso é meu. Demetria só se deu conta do quão pesada a espada era agora. Seus braços doíam, pareciam moídos. Os cortes finalmente começaram a arder e sua mão parecia aberta em pontos perigosos. ―Saia e espere sua monarca lá fora. Eu preciso falar com ela! ― Ordenou-o Iker, puxando Demetria para longe de Kalahan. O cavaleiro recebendo um olhar de aprovação de sua rainha saiu mesmo que contrariado. ― Você realmente é uma coisa não é, criança teimosa? Arriscando-se assim por um reles servo que m*l conhece. ― Caçoou Iker, rasgou sua túnica na manga e acabou amarrando habilmente as tiras nas mãos feridas dela estacando o sangramento, Demetria manteve-se quieta observando-o sem palavras pelo cuidado dele agora. Iker colocou o broche do dragão na camisa dela, determinado, respirou fundo e depois desse momento acabou sussurrando no ouvido dela segurando-a pelo queixo. ― Agora suma da minha frente, insolente, antes que eu mude de ideia e te dê de jantar ao meu dragão! Se depois de casarmos manterá o garoto como amante isso é problema seu. ― Que tipo de ser humano acha que eu sou? É obvio que se eu me casar com você serei fiel! ― Garantiu-o ela no mesmo tom a contragosto. ― Eu não me importo com quem partilhará sua cama. Eu dormirei também com quantas eu quiser. Só o que eu preciso de você é um filho e um trono. ― Iker simplesmente perdia o controle quando se tratava dela. Eles se encararam ofegantes tentando ler algo nos olhos um do outro onde só o que havia era ódio mútuo. ―Eu.... Maldito.... Não trairei você fisicamente com ninguém! ― Continuou ela furiosa. ― Mas no meu coração não posso mandar inclusive com vossa alteza me tratando assim. Um ligeiro curvar de lábios dele sumiu tão rápido quanto começou. ― Faça como queira, pirralha. Apenas saiba que você para mim não passa de uma oportunidade e uma conveniência. Iker confrontou as orbes negras raras e que jamais havia visto antes. Eram olhos exóticos e profundos. Passavam tantas emoções ao contrário dos dele. Você surpreendentemente tem o olhar de uma rainha, quem diria. ― Tão asqueroso seu discurso.... O casamento é algo sagrado. ― Insistiu ela. ― O nosso é um mero contrato.... ― É algo perante Deus de onde eu venho! Uma aliança com ele e conosco. Que serei sua e você será meu pelo resto de nossas vidas. ― Demetria até então nem sabia que pensava isso. ― Ah, então esse alvoroço todo é por que no fim você realmente quer ser minha? ― Chateou-a Iker arqueando a sobrancelha. A menina corou fortemente. Demetria recuou a mão que tinha levantado com o intuito de estapeá-lo. ―Vai pro inferno, i****a! Depois do grito ela saiu da barraca de Iker, vendo os soldados que ao verem o broche a reverenciaram, andou dez passos encontrando-se com Kalahan que a esperava recostado contra um carvalho escuro e sem folhas. Os flocos de neve se contrastaram contra o preto de sua camisa. Já dentro da barraca, o príncipe olhou a lâmina da espada vendo o sangue de Demetria nela com a sobrancelha arqueada. Olhou para a túnica ensanguentada dele, enojado, tirou-a, indo até uma bacia com água tentando limpar-se do sangue. Uma sacerdotisa poderosa. Ela é minha igual. Eu sinto o poder fervilhar nela. A luz que emana dela me cega. A mulher de cabelos ruivos que se assemelhavam a fogo, recebeu a acompanhante de Kalahan surpresa analisando a jovem. O broche então a fez compreender quem era a visitante de trajes esquisitos a sua frente. Arqueou a sobrancelha a Kalahan.... ― Não tente entender, Lady Cecily. Vossa alteza apenas pediu para que a deixasse mais apresentável. ― O loiro expressou a ordem de Iker. ― Claro, uma princesa.... ― Sorriu a ruiva apesar de sua voz conter uma pitada de amargura. ― Venha comigo, criança. Demetria quis perguntar porque todos a chamavam de criança, mas apenas relevou e caminhou com a bela mulher até uma tenda. ... GAIA A idade tenra não a poupou quando aquele cerco de homens a acusando de estar invocando poderes antigos começou a torturá-la chamando-a de serpente da noite. Gaia, era bastarda de Rar, o rei de Ratifar apesar de ser legitimada junto as outras dez irmãs nascidas fora do casamento oficial. Todas eram princesas, apesar de só seu irmão Ariel ter direito ao trono por ser homem. Neve caia. Fechou os olhos, o medo que sentia fez o chão estremecer de novo abrindo nas coberturas de gelo rachaduras demonstrando o marrom do interior terra. Estava amarrada esperando para ser decapitada. A temiam porque há muito tempo não se ouvia falar em sacerdotes e sacerdotisas. A lenda acabou depois que a fênix pereceu e o reinado de Serper foi desfeito. E Magda a traidora que fez um pacto para ser imortal, lançou seu último encantamento antes de ser exposta ao sol e feita cinzas, amaldiçoando a filha do rei de Fenit. Mesmo assim, aquela noite, outra lua de sangue surgiu. Para os estudiosos dos fenômenos do céu, a história estava recomeçando e logo, num descontrole de briga entre irmãs, surgiu a jovem apresentando manifestações de poderes antigos, poderes extintos e esquecidos há muito que fez Ratifar inteira estremecer por um lapso de raiva. ―Mate-a Wereck! O sangue dela cessará o despertar.... ― Ordenou Vladmir, um dos conselheiros do rei. O jovem cavaleiro que foi defensor da menina por vários anos, apiedou-se ao vê-la com os intensos olhos âmbar arregalados de temor. Ele ergueu a espada observando-a atentamente, trêmulo por ter de ser ele a dar o golpe fatal que separaria o corpo da cabeça. Antes que pensasse no que fazia, ele desferiu-a contra o mandante do assassinato já que o pai de Gaia não teve coragem o suficiente de assistir a morte da própria filha e deixou apenas eles dois para fazerem o serviço sujo na surdina. Soltou as amarras de Gaia sem raciocinar que também estava assinando sua própria sentença de morte. Pegou a espada e num corte certeiro cortou o longo cabelo acastanhado da menina fazendo os fios caírem ao redor deles. ― Fuja! ― Aconselhou-a. ― Para onde irei? Eu.... ― A menina tentava entendê-lo. ― Escute, a partir de hoje seu nome é Gade. ― Explicou-a e estudou-a com redobrada atenção. ― Ainda é bastante jovem, consegue se passar por menino. Você não é um monstro muito menos uma serpente da noite. O seu poder de controlar a terra é algo benéfico, mas eles não entendem! Meu avô me falou sobre isso, Há séculos atrás havia sacerdotes que aconselhavam os reis em toda Tretagon. Havia um sacerdote de Ratifar, que fazia o mesmo que você. ― Revelou-a. ― A era de escuridão se aproxima novamente e por isso você despertou. Para na hora certa se unir aos seus e lutar contra o senhor da escuridão. A rainha amaldiçoada de alguma forma deve ter sobrevivido e a profecia não foi desfeita.... A lenda diz que ela o libertará e eles reinarão juntos. Mas há alguém.... Alguém que possui o rubi da fênix e foi escolhido para lutar contra as trevas. O sangue da fênix no cristal brilhará quando o verdadeiro rei ou rainha encontrar. ― Repetiu o que seu avó o havia dito. ― O que eu devo fazer, sir Wereck? ― Você deve procurar o escolhido pela fênix e ofertá-lo seus poderes em troca de proteção, alteza. Ele ou ela aceitará você, pois te reconhecerá como uma igual. Vocês poderão sentir um ao outro à medida que despertam. Não só você, mas agora que se iniciou novamente todos os reinos terão poderes manifestos. ― Venha comigo, por favor! ― Pediu-a moça, trêmula, observando ao cadáver de Vladmir o servo mais fiel de seu pai no chão, temeu pela vida de Wereck. ― Se ficar aqui sofrerá a fúria de meu pai. ― Alertou-o. ― Eu.... eu sou apenas uma criança, ainda nem sangrei, não conseguirei sobreviver sozinha. ― Eu devo enfrentar a consequência de meus atos, Gaia. A moça negou com a cabeça. ― Outro dia, não hoje. ― Foi sábia. ― Siga-me e viva mais um dia para lutar e ser útil na batalha cujo seu avô o alertou. Vale mais vivo do que morto. ―Eu.... ―Wereck ficou tentando porque sentiu medo de arcar com as consequências de seus atos. ― Meu avô também me ensinou sobre honra.... ― A honra que resultará na sua morte? ― Argumentou ela sagaz. ― Você foi honrado em não me matar.... Acha que essa foi uma decisão r**m? ― Eu fui contra as ordens do meu rei.... ― Por algo que seu avô te ensinou. ― Rebateu ela. ― Você tem que vir comigo, sir Wereck. Como pretende que eu esteja viva até encontrarmos o rei escolhido pela fênix? O rapaz moreno assentiu com a cabeça. ― Eu irei com vossa alteza até que possa se defender sozinha. Então quando o momento chegar, a deixarei e virei arcar com minha punição. ― Sim.... Agora vamos!
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