O tempo passou sem avisar. Não houve data marcada, nem virada simbólica. A vida simplesmente aconteceu — e, quando perceberam, já estavam vivendo dentro dela. As manhãs começaram a se parecer. E isso não era tédio. Isadora acordava primeiro na maioria dos dias. Preparava café enquanto Henrique ainda dormia, espalhado na cama, o rosto tranquilo de quem finalmente descansava. Às vezes ela o observava por alguns segundos a mais, como se quisesse guardar aquele instante. — Você me encara assim e depois diz que não está pensando em nada — ele comentou certa manhã, abrindo um olho. — Porque não estou — ela respondeu, sorrindo. — Estou sentindo. Ele estendeu o braço, puxando-a para perto. — Então sente aqui. A felicidade que não grita Os dias eram simples. Trabalho, compromissos, pe

