O apartamento ainda tinha o cheiro de perfume e desejo.
Lençóis amarrotados, taças de vinho esquecidas e uma atmosfera densa — como se o ar ainda estivesse carregado de tudo o que aconteceu ali.
Isadora acordou primeiro.
Ficou alguns segundos observando Henrique dormir, com o braço ainda sobre o travesseiro onde Maya tinha deitado horas antes.
A lembrança da noite anterior atravessou sua mente como uma faísca: os sussurros, os toques, a entrega.
Foi intenso, libertador... e assustador.
Ela se levantou devagar, vestindo a camisa dele.
Sentia-se poderosa, desejada — mas também estranhamente vulnerável.
A linha entre prazer e perigo parecia mais fina do que nunca.
Quando Henrique acordou, procurou Maya com o olhar.
— Ela foi embora cedo — disse Isadora, evitando encará-lo.
Ele assentiu em silêncio, mas havia algo diferente no modo como respirava.
Um resquício de algo que nem ele sabia nomear.
🌹 Ecos na Mente
Os dias seguintes pareciam normais, mas não eram.
Henrique voltava ao trabalho, Isadora fingia distração, e os dois evitavam falar sobre o que aconteceu.
Até que as mensagens começaram.
Maya: “Pensei em vocês hoje.”
Maya: “Não consigo parar de lembrar do que senti.”
Maya: “Quando a gente se vê de novo?”
Isadora riu das primeiras, achando natural.
Mas logo percebeu que as mensagens vinham todos os dias.
E não eram mais para o perfil de casal.
Eram para o número pessoal de Henrique.
Ela viu o nome dela na tela do celular — “Maya 🌙” — e o sangue gelou.
— Por que ela tem seu número? — perguntou, firme.
Henrique travou.
— Eu... devo ter deixado escapar.
— Escapou ou quis que escapasse?
O tom dela não era de raiva, era de medo.
Medo do que eles tinham despertado.
⚠️ Quando o Desejo Se Mistura ao Medo
À noite, enquanto tomava banho, Isadora ouviu o celular vibrar novamente.
Pegou o aparelho de Henrique, o coração acelerando sem controle.
Maya: “Queria sentir seu cheiro de novo.”
Maya: “Ela não precisa saber.”
A última frase foi um golpe.
Isadora encostou o celular na pia e respirou fundo.
O espelho embaçado refletia uma versão dela que nem reconhecia — uma mulher que misturava desejo, raiva e ciúmes em igual medida.
Henrique entrou no banheiro sem saber o que o esperava.
Ela se virou, nua, molhada, os olhos cheios de fúria e fogo.
— Você abriu a porta pra ela, Henrique. Agora fecha.
Ele tentou tocá-la, mas ela recuou.
— Não encosta em mim com o mesmo corpo que ela sonha.
A tensão era cortante. Mas também havia algo perigoso ali — algo que os atraía ainda mais.
Henrique se aproximou, a respiração pesada.
— Eu posso te provar que é só você.
O beijo veio antes que as palavras terminassem.
Era uma mistura de culpa e necessidade, raiva e desejo.
Os corpos se chocaram contra o azulejo frio, o som da água misturando-se aos sussurros e à urgência de quem precisava apagar um erro com prazer.
Mas o erro não se apaga.
Ele marca.
💌 O Retorno de Maya
No dia seguinte, Isadora acordou com uma notificação em seu próprio celular.
Uma mensagem desconhecida.
Sem nome, sem foto.
“Oi, Isa. A gente precisa conversar.”
O coração dela disparou.
Ela sabia quem era — e o medo voltou, mais forte.
A obsessão de Maya tinha atravessado os limites digitais.
Isadora olhou para Henrique, dormindo ao lado, e sentiu algo quebrar dentro de si.
O que começou como um jogo, agora era uma ameaça.
E, no fundo, uma parte dela sabia que ainda não queria parar.
Porque o perigo, às vezes, é o que mais nos faz sentir vivos.