Capítulo 2 – Ecos do Prazer

618 Words
O apartamento ainda tinha o cheiro de perfume e desejo. Lençóis amarrotados, taças de vinho esquecidas e uma atmosfera densa — como se o ar ainda estivesse carregado de tudo o que aconteceu ali. Isadora acordou primeiro. Ficou alguns segundos observando Henrique dormir, com o braço ainda sobre o travesseiro onde Maya tinha deitado horas antes. A lembrança da noite anterior atravessou sua mente como uma faísca: os sussurros, os toques, a entrega. Foi intenso, libertador... e assustador. Ela se levantou devagar, vestindo a camisa dele. Sentia-se poderosa, desejada — mas também estranhamente vulnerável. A linha entre prazer e perigo parecia mais fina do que nunca. Quando Henrique acordou, procurou Maya com o olhar. — Ela foi embora cedo — disse Isadora, evitando encará-lo. Ele assentiu em silêncio, mas havia algo diferente no modo como respirava. Um resquício de algo que nem ele sabia nomear. 🌹 Ecos na Mente Os dias seguintes pareciam normais, mas não eram. Henrique voltava ao trabalho, Isadora fingia distração, e os dois evitavam falar sobre o que aconteceu. Até que as mensagens começaram. Maya: “Pensei em vocês hoje.” Maya: “Não consigo parar de lembrar do que senti.” Maya: “Quando a gente se vê de novo?” Isadora riu das primeiras, achando natural. Mas logo percebeu que as mensagens vinham todos os dias. E não eram mais para o perfil de casal. Eram para o número pessoal de Henrique. Ela viu o nome dela na tela do celular — “Maya 🌙” — e o sangue gelou. — Por que ela tem seu número? — perguntou, firme. Henrique travou. — Eu... devo ter deixado escapar. — Escapou ou quis que escapasse? O tom dela não era de raiva, era de medo. Medo do que eles tinham despertado. ⚠️ Quando o Desejo Se Mistura ao Medo À noite, enquanto tomava banho, Isadora ouviu o celular vibrar novamente. Pegou o aparelho de Henrique, o coração acelerando sem controle. Maya: “Queria sentir seu cheiro de novo.” Maya: “Ela não precisa saber.” A última frase foi um golpe. Isadora encostou o celular na pia e respirou fundo. O espelho embaçado refletia uma versão dela que nem reconhecia — uma mulher que misturava desejo, raiva e ciúmes em igual medida. Henrique entrou no banheiro sem saber o que o esperava. Ela se virou, nua, molhada, os olhos cheios de fúria e fogo. — Você abriu a porta pra ela, Henrique. Agora fecha. Ele tentou tocá-la, mas ela recuou. — Não encosta em mim com o mesmo corpo que ela sonha. A tensão era cortante. Mas também havia algo perigoso ali — algo que os atraía ainda mais. Henrique se aproximou, a respiração pesada. — Eu posso te provar que é só você. O beijo veio antes que as palavras terminassem. Era uma mistura de culpa e necessidade, raiva e desejo. Os corpos se chocaram contra o azulejo frio, o som da água misturando-se aos sussurros e à urgência de quem precisava apagar um erro com prazer. Mas o erro não se apaga. Ele marca. 💌 O Retorno de Maya No dia seguinte, Isadora acordou com uma notificação em seu próprio celular. Uma mensagem desconhecida. Sem nome, sem foto. “Oi, Isa. A gente precisa conversar.” O coração dela disparou. Ela sabia quem era — e o medo voltou, mais forte. A obsessão de Maya tinha atravessado os limites digitais. Isadora olhou para Henrique, dormindo ao lado, e sentiu algo quebrar dentro de si. O que começou como um jogo, agora era uma ameaça. E, no fundo, uma parte dela sabia que ainda não queria parar. Porque o perigo, às vezes, é o que mais nos faz sentir vivos.
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