Capítulo 3 – Quando o Passado Bate à Porta

649 Words
O som da campainha quebrou o silêncio da manhã. Henrique ainda se vestia para o trabalho quando Isadora, descalça e de camisola, foi até a porta. Ela esperava uma entrega. Mas quando abriu... o mundo parou por um segundo. Era Maya. Em pé no corredor, cabelo solto, olhar firme — e um sorriso que misturava inocência e atrevimento. — Oi, Isa — disse, com uma calma desconcertante. — Precisamos conversar. O coração de Isadora bateu forte. Parte de si quis fechar a porta. A outra parte... queria entender. Henrique apareceu logo atrás, paralisando quando a viu. — Maya... o que está fazendo aqui? Ela inclinou a cabeça. — Só vim me despedir. * As Palavras Queimadas Os três ficaram na sala. A tensão era quase visível — densa, elétrica. Maya olhava para Isadora como quem desafia, e para Henrique como quem deseja. — Eu só queria dizer — começou Maya — que eu nunca quis atrapalhar vocês. — Então por que está aqui? — Isadora cortou, fria. — Porque às vezes a gente precisa olhar no olho de quem fez a gente sentir algo real. Henrique respirou fundo. — Maya, o que aconteceu foi um erro. Ela sorriu. — Erro? É isso que você chama de algo que te fez tremer daquele jeito? O silêncio que seguiu foi sufocante. Isadora apertou os dedos, tentando não demonstrar o abalo. Maya se levantou devagar, aproximando-se de Henrique. — Eu não vim pra implorar. Só pra lembrar o que ficou entre nós. Ela estendeu a mão e encostou levemente no peito dele. Henrique recuou, mas tarde demais — o toque já tinha despertado algo. * O Desejo Que Não Morre Isadora assistia à cena sem conseguir se mover. Parte dela odiava aquilo. Parte... se lembrava de como tudo começou. A química, a ousadia, a liberdade. O que eles viveram com Maya tinha despertado algo nos dois que nunca mais conseguiram reproduzir sozinhos. E quando Maya olhou para ela — aquele olhar intenso, profundo, quase hipnótico — Isadora sentiu um arrepio. Um convite. Um perigo. — Eu sinto falta dos dois — confessou Maya, num sussurro. — Do que a gente era. Henrique fechou os olhos. — A gente precisa seguir em frente. — Então por que ainda sonha comigo? — ela provocou, quase encostando os lábios no ouvido dele. Isadora deu um passo à frente, o sangue fervendo. — Chega, Maya. Isso acabou. — Pra você, talvez — respondeu, com um sorriso triste. — Mas nem tudo que acaba morre. Maya caminhou até a porta. Antes de sair, olhou para trás. — Cuidado, Isa. Às vezes, o perigo não é o que entra... é o que vocês despertam um no outro. E foi embora, deixando o perfume e o caos. * Depois do Impacto O apartamento parecia pequeno demais depois disso. Henrique andava em círculos, inquieto. Isadora o observava em silêncio, com o peito apertado. — Você ainda sente algo por ela? — perguntou, finalmente. Ele negou, rápido demais. — Não. Eu sinto vergonha. — Vergonha... ou falta? Ele a encarou, e por um instante, ela viu nos olhos dele a verdade que ele tentava esconder. Não era amor por Maya. Era o vício do perigo. E o pior: Isadora sentia o mesmo. Ela se aproximou, lenta, provocante. — Se é de perigo que você sente falta... talvez eu possa te lembrar como é queima-lo de perto. Henrique segurou o rosto dela. O beijo veio com força, raiva, culpa. Mas quando ele encostou os lábios, ela fechou os olhos — e, por um instante, viu o rosto de Maya em sua mente. Mensagem Final Horas depois, Isadora pegou o celular. Uma nova mensagem anônima piscava na tela: “Vocês ainda me sentem, não sentem?” — M 🌙 O arrepio percorreu sua espinha. E ela entendeu: A brincadeira ainda não tinha terminado. Ela só estava começando a ficar perigosa de verdade.
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