A ligação chegou numa tarde comum, daquelas em que nada parece prestes a mudar. Isadora estava no ateliê quando o telefone vibrou. Olhou o visor e sentiu o corpo enrijecer antes mesmo de atender. Era um número que não via havia meses. — Isadora… — a voz do outro lado veio baixa, cansada. — Sou eu. Ela reconheceu na hora. Uma pessoa da família. Alguém que carregava histórias antigas, silêncios longos e afetos difíceis. — Aconteceu alguma coisa? — perguntou, já se preparando. Houve uma pausa do outro lado. — A mamãe não está bem. Isadora fechou os olhos. O chão pareceu se afastar por um instante. O impacto Não era a notícia em si. Era tudo o que vinha junto. Voltar para a cidade de onde saiu. Rever pessoas que a conheciam antes da queda — e antes da reconstrução. Enfrentar

