O segredo começou a pedir espaço sem pressa. Não como urgência, não como medo de ser descoberto, mas como necessidade de respirar além das paredes da casa. Isadora percebeu isso numa manhã em que se vestia devagar demais diante do espelho. O corpo tinha um ritmo novo — não lento, apenas mais atento. Cada gesto parecia carregado de intenção, como se algo dentro dela estivesse aprendendo a ocupar o mundo. Não era vontade de contar para todos. Era vontade de não carregar sozinha. O sinal interno Ela desceu para a cozinha e encontrou Henrique lendo distraído, os óculos tortos no rosto, o café já frio. — Eu estou pensando em algo — disse, sentando-se à frente dele. Henrique levantou o olhar imediatamente. — Pensar bom ou pensar pesado? — Pensar honesto — ela respondeu. Ele fechou

