O mundo sempre percebe antes de saber. Isadora aprendeu isso naquele período — não por palavras diretas, mas por olhares que demoravam um segundo a mais, por perguntas que vinham disfarçadas de cuidado. Nada tinha sido dito. Mas algo já estava sendo notado. Ela percebeu primeiro no ateliê. A colega que costumava comentar sobre cores e prazos agora observava seus gestos com atenção diferente. O jeito como Isadora sentava com mais cuidado. A pausa frequente para beber água. O silêncio que antes era concentração e agora parecia proteção. — Você está bem? — perguntou a colega, com suavidade exagerada. Isadora sorriu. — Estou — respondeu. — Só mais atenta. Não era mentira. Era apenas incompleto. O radar externo Henrique sentiu do outro lado. No trabalho, alguém comentou que ele

