Capítulo 1: Queda gloriosa

3742 Words
Nebraska – Ano de 1506 Ao sul de Nebraska se encontram três cidades de porte médio, separadas e ligadas por 200km de estrada de terra, vistas de cima formam um triângulo perfeito. A cidade de Gálatas está celebrando a temporada de chuvas que acaba de começar trazendo fartura e fertilidade a suas plantações; a cidade de Sussurro empoeirado está se preparando para o que chamam de hibernação, que acontece quando todos os agricultores suspendem suas atividades até que o período de chuvas passe, isso porque suas plantações só dão frutos na temporada ensolarada; Poente, a última cidade, mas não menos importante, segue com suas atividades, adaptando-se a temporada de chuvas. Na estrada entre as cidades Gálatas e Sussurro empoeirado estão dois homens vestidos com típicos trajes de vaqueiro, Abelardo e Aluísio, ambos aparentando ter entre sessenta e setenta anos de idade. Os homens estão sentados na frente de uma carroça coberta, a estrutura é sustentada por vigas de madeira no formato de arcos, com uma lona branca por cima, sendo puxada por dois cavalos de pelagem marrom escuro. - Vamo perder meia tonelada de trigo se num tiver jeito de lidar com as pragas lá no campo! – Diz Aluísio ao coçar sua barba branca que acaba de começar a crescer, o velho homem possui traços fortes marcados pelo tempo e pela idade. O mesmo está usando um chapéu montana, o típico chapéu de vaqueiro, seus trajes são feitos de couro e linho, em seus pés repousa um par de botas de couro tingidas de preto. - Num é!? – Responde Abelardo sem tirar os olhos da estrada, seus cavalos trotando a passos rápidos, porém, sem correr de fato. Abelardo possui maxilar arredondado, olhos de cor bege, usa do mesmo estilo das vestes de Aluísio, em seu pescoço descansa um lenço vermelho e em sua boca um galho de trigo seco. – O clima anda esquisito por demais, desde que a chuvarada começou num dá mais pra viver como antes... – Completa com certa frustração no tom de sua voz, a paisagem ao seu redor é deslumbrante, um grande vale aberto preenchido por elevações de terra semicobertas de grama rasteira, com animais e plantas típicas do velho Oeste. - Tomara que dessa vez o véio Fletcher tenha aquele veneno que nois procurou dá outra vez! – Diz Aluísio fitando o horizonte coberto de nuvens cinzas, a chuva está vindo para mais uma vez atrasar os dois homens de progredirem em suas vidas. - Oia o céu Aluísio, vai chover nestante homi. Mermo que o Fletcher tenha o veneno nois num vai poder voltar pra casa hoje! Diacho... – Esbraveja o homem ao açoitar o cabresto para que os cavalos acelerem o passo, um trovão se pronuncia no céu nublado, o barulho ensurdecedor se espalha pelo céu, diminuindo conforme o faz; Os homens continuam sua jornada por mais uma hora e meia até chegarem à cidade de Sussurro Empoeirado, pessoas e animais transitam de um lado para o outro com pressa, se preparando para deixarem as ruas por causa da chuva. Abelardo guia a carroça até parar em frente a um estabelecimento com uma grande placa na parte da frente do telhado, os homens descem da carroça e amarram os cavalos em uma coluna de madeira ali perto, adentram o local a passos lentos e se aproximam do balcão do outro lado do cômodo. Atrás do balcão se encontra um homem de cabelos médios e grisalhos, pele morena e de aparência relaxada, em seu rosto um óculo redondo, em sua cabeça um chapéu amarelado parecido com o de Abelardo. - Bom dia senhores! – Diz o homem enquanto limpa o balcão com um pano branco. - Fletcher meu bom homi, me diga que dessa vez tu guardou um frasco do veneno pra nois... – Diz Aluísio ao tirar seu chapéu. - Guardei duas, senhor Aluísio. Mas o preço tá um pouco salgado, tem muito vaqueiro procurando esse veneno, é a única coisa que tá combatendo a praga das plantações aqui na região! – Diz ao parar de limpar o balcão e jogar o pano sob seu ombro direito. - Diz quanto custa que nois dá um jeito! Num tamo vendendo nada que os bicho não deixa, tem três meses que a muié reclama que tá faltando dinheiro lá em casa, nois tem que vender ou vamo passar fome... – Diz Aluízio ao coçar a testa em preocupação, Fletcher se afasta do balcão e se abaixa, alguns segundos depois o homem se ergue com dois frascos grandes de vidro em suas mãos. - Como eu disse, a procura por esse veneno tá muito grande, o preço tá alto. Três moedas de ouro cada! – Diz finalmente. - Diacho! – Retruca Abelardo ao pôr as mãos na cintura. – Aluízio quanto tu tens aí? – Pergunta ao seu companheiro de viagem enquanto fita o chão de madeira, Aluízio põe uma de suas mãos no bolso de sua calça á procura de suas moedas. - Tenho duas moedas de ouro e uma de prata! – Diz ao retirar as mãos do bolso e contar as moedas em sua mão. – E tu? – Completa ao voltar seus orbes para Abelardo. - Só tenho uma de ouro! – Afirma sem conferir os bolsos. – Se nois juntar, vamo poder levar um frasco! Nois pode dividir o veneno e usar só um campo pra plantar! – Retruca ao coçar a testa. - É o jeito homi! Vamo levar um senhor Fletcher! – Afirma Aluízio ao voltar sua atenção ao dono do estabelecimento, o mesmo estende um frasco na direção dos vaqueiros, as moedas são postas sob o balcão, um relâmpago ofusca a luz das velas ao iluminar o cômodo. - Bora caçar abrigo que a danada chegou! - Diz Abelardo ao pegar a garrafa e acenar com sua cabeça para Fletcher em despedida. - Até breve senhores! – Diz Fletcher ao acenar de volta, Aluízio e Abelardo saem do estabelecimento e pegam a carroça, seguem pela longa e vazia rua por onde se estende uma estrada de terra, os homens marcham até um estabelecimento que parece ser uma pensão para viajantes com uma placa onde está escrito “acomodações”. - Uma moeda de prata por noite e sem direito a refeição! É mole?! – Diz Aluízio com suas expressões emanando cansaço. - Vamo ter que voltar pra casa homi, num dá pra gastar o único dinheiro que tem! – Declara Abelardo ao pegar as cordas do cabestro das mãos de seu companheiro de viagem. - Pior que tu tens razão homi! – Concorda ao suspirar em cansaço. Uma vez que ambos concordaram, dão início a jornada de volta, deixando a cidade de Sussurrando Empoeirado para trás. 200km dali, na cidade de Poente, uma perseguição a cavalo acontece, um grupo de ladrões de gado tenta a todo custo despistar o xerife e seus homens, tiros são disparados conforme os grupos se afastam da cidade, indo na direção dos cânions que ficam entre Poente e Gálatas. - Os desgraçados querem nos passar para trás! – Brada um dos homens ao aproximar seu cavalo do cavalo do xerife. - Nem com a moléstia! – Declara o xerife ao atiçar seu cavalo para correr mais rápido, o mesmo obedece sem rodeios, aumentando a velocidade de forma considerável. – Comigo homens! – Ordena quase gritando para ser ouvido em meio ao vento, o homem usa roupas em azul escuro, um sobretudo de couro tingido de preto e um chapéu montana da mesma cor, aparenta ter por volta de sessenta anos de idade, sua face é marcada pelo tempo com expressões sérias e rígidas, seus olhos e cabelos são da cor castanho escuro. - Atlas RevenCraft, você nunca irá nos pegar! – Grita um dos bandidos ao olhar para trás por cima do ombro, seu cavalo em disparada levanta poeira, o xerife cerra os olhos e saca sua arma. - Homens, ao meu sinal! – Diz o xerife Atlas com sua pistola apontada para as costas do homem que acabar de lhe desafiar, os companheiros do xerife sacam suas armas e miram nos bandidos á sua frente, prontos para acatarem as ordens do seu superior, um relâmpago ilumina o céu por alguns segundos, o xerife puxa o gatilho e acerta em cheio as costas de seu alvo, derrubando lhe no chão. - Êh! – Brada um dos bandidos ao atiçar seu cavalo, após Atlas dar o sinal, seus companheiros abrem fogo contra os bandidos que caem de seus cavalos. A cavalgada para quando todos os malfeitores estão aos prantos no chão, com balas de ferro puro cravadas em suas costas, Atlas desce de seu cavalo e anda até o homem que lhe desafiara, o mesmo está caído no chão gemendo de dor. - Ao que parece eu peguei vocês! – Diz o xerife com seriedade em sua voz ao fitar o bandido que sorri enquanto sangue escorre por seu maxilar coberto pela barba. - Tem certeza xerife? – Indaga ao apertar um de seus olhos, seu ferimento sangra ainda mais. - Merda! – Esbraveja Atlas ao se virar para seus homens. – Cuidem desses aqui! – Ordena ao caminhar a passos rápidos até seu cavalo. - Mas senhor... – Questiona um dos homens. - Esses aqui eram só distração! Outro grupo está roubando o gado agora mesmo! Jacques, venha comigo! – Diz de uma só vez antes de atiçar seu cavalo em direção a estrada por onde veio, Jacques monta em seu cavalo branco e segue Atlas de perto. Os dois homens cavalgam por volta de vinte minutos até atravessarem Poente e chegarem à fazenda do velho Everaldo, ambos descem de seus cavalos, sacam suas armas e correrem até o curral atrás da grande casa. - Mas que... – Esbraveja Atlas ao apoiar a pistola entre seus olhos, apontando-a para cima. -Demorou por demais xerife! - Diz uma mulher de pele clara, queixo quadrado, olhos verdes e cabelos loiros. A mesma está com os braços cruzados em frente ao bando de malfeitores sentados no chão, todos desacordados e amarrados de costas uma para outro; ao lado da loira estão duas outras mulheres, uma de pele morena e cabelo raspado e a outra de pele clara e cabelo médio loiro. - Dessa vez foi sorte Srtª Eloisa... – Diz Atlas ao pôr sua pistola de volta na bainha. - Chame como quiser! Mas já que estão aqui, podem levá-los á prisão! – Diz Eloisa de forma autoritária enquanto anda na direção dos dois homens, acompanhada de perto por suas parceiras. - Elas são rápidas, parecem abutres atrás de carniça! – Comenta Jacques enquanto olha as curvas das mulheres indo embora. - É porquê são! Malditas mercenárias... – Esbraveja enquanto anda até o grupo desacordado, a luz do sol se dispersa por entre as folhas e galhos de uma árvore ao lado dos malfeitores, o clima está abrindo aos poucos, Atlas e Jacques pegam os malfeitores, voltam para Poente e se direcionam ao gabinete do xerife. - Ponha-os no xilindró! – Ordena o homem de preto ao olhar para um de seus subordinados sentado atrás de uma escrivaninha marrom escuro. - Sim senhor! – Diz o homem ao se levantar e dar a volta na escrivaninha. – Aliás, senhor, a Srtª Gertrudes está aguardando em vossa sala. – Completa ao pegar a corda que prende os bandidos das mãos do xerife que apenas passa pelo seu auxiliar sem dizer nada sobre o que acabara de ouvir, adentra sua sala e deslumbra-se ao ver Gertrudes sentada em uma cadeira próxima a sua mesa. - Ao que devo a honra Srtª Gertrudes!? - Diz de forma cortês ao fechar a porta atrás de si. Gertrudes usa um vestido longo na cor verde musgo, decorado com babados de tricô feitos a mão, de pele cor de pêssego, olhos azuis, longos cabelos ondulados e alaranjados derramando-se sob seus ombros e decote. - Senhor RevenCraft, venho a mando de meu pai, o barão vermelho. Há uma proposta para o senhor, tem interesse? – Diz a mulher de forma direta e autoritária ao se levantar e abrir seu leque verde, abanando-se com o mesmo. - Uma proposta a mando do barão vermelho, seria uma honra, minha senhora! – Diz ao relaxar suas expressões e tirar seu chapéu, Atlas dá um passo a frente, olhando Gertrudes no fundo dos olhos. – E o que seria? – Completa ao se aproximar o suficiente para estar quase colado com a mulher. - Isso só meu pai vai lhe dizer senhor RevenCraft! Apenas lhe trago o convite de ir a nossa fazenda está noite. – Diz quase sussurrando ao pôr seus lábios perto da orelha do xerife, ao terminar de se pronunciar Gertrudes olha o homem de forma provocante e depois passa pelo mesmo, saindo da sala. ... - Eu num disse que o clima tá estranho por demais! – Diz Abelardo olhando o céu cheio de nuvens brancas e límpidas, como se a chuva nunca tivesse ameaçado cair. - É! Nois teria gasto moedas atoa homi, voltar pra casa foi a melhor coisa a se fazer! – Retruca Aluísio ao olhar para seu parceiro, os homens marcham com sua carroça até chegarem em uma pequena região de quenions, a estrada que estão trilhando adentra pela floresta de quenions; uma área fechada e perigosa, bandidos costumam usar essa região para fazerem armadilhas e roubarem viajantes como Aluízio e Abelardo. – Melhor manter o olho aberto homi, esse lugar é perigoso por demais! – Diz ao olhar ao redor com cautela. - E eu num sei!? – Retruca Abelardo em tom de preocupação, a situação em suas fazendas ficaria ainda pior se um assalto acontecesse ali, a marcha continua por volta de vinte metros dentro dos quenions, o silêncio predomina no ar, até as aves parecem ter se calado em meio a tensão. – É melhor nois retornar e dar a volta nos quenions Aluízio, sinto que algo r**m tá pra acontecer! – Completa ao puxar a corda dos cavalos para que dessem a volta e fizessem retorno, o som de tiros vindos de toda parte fazem os dois homens enrijecerem seus músculos, o temor de Aluízio se provou verdadeiro, bandidos estavam à espreita. - Olha só o que temos aqui! – Diz um homem nu da cintura pra cima, carregando em seu peitoral somente dois cintos vindos dos ombros e dando a volta em seu tórax pela parte lateral de sua barriga, ambos os cintos se cruzando no formato de um X e estão carregados com munição de pistola; o homem de pele caucasiana usa uma calça de couro tingida de vermelho escuro e um par de botas pretas de cano longo, em cada uma de suas mãos fortes há uma pistola, seus olhos verdes emanando malícia, seus cabelos médios de cor preta descem até seu maxilar forte e definido, sua barba e bigode estão simetricamente bem feitos; o homem está parado em frente a carroça dos vaqueiros, apontando-lhes suas pistolas carregadas. - Merda! – Esbraveja Aluísio quase sussurrando, o homem e seu companheiro estão com as mãos levantadas em rendição, ainda sentados na fronte da carroça. - Desçam da carroça! – Diz o bandido ao sorrir de lado, Aluízio e Abelardo sem opções obedecem ao mesmo, se afastando da carroça após descerem. O bandido sobe na carroça, guarda uma das pistolas e depois encara os homens que acabara de assaltar. – Não é pessoal senhores. Aliás, sou Everaldo Philmonts! – Completa com um sorriso vitorioso, atiçando os cavalos a saírem correndo em seguida, em poucos minutos Everaldo some por entre as grandes elevações de terra que formam os quenions. - DESGRAÇA... - Grita Aluísio em meio a raiva, pondo as mãos sob a cabeça como se estivesse desesperado, e de fato está; o pouco que conseguiram, inclusive o frasco com veneno foram levados pelo bandido. - Acalme-se homem... – Diz Abelardo pondo a mão no ombro de seu amigo, tentando lhe confortar. - Deixe de prosa homi... – Rebate Aluísio ao afastar-se da mão de seu companheiro. – Até o veneno o disgramado levou! O que vamos fazer agora?! – Completa quase gritando de raiva. - Venha Aluísio! – Diz Abelardo ao caminhar em direção a estrada por onde vieram com a carroça, Aluísio olha seu companheiro com expressões confusas, se perguntando o que dera em sua cabeça para ficar tão calmo em meio a uma situação dessas. - Aonde você vai? – Questiona ainda sem entender, pondo as mãos na cintura. - Apenas venha comigo e você entenderá! – Afirma sem olhar para trás e sem parar de andar, Aluísio já cansado de tanto drama apenas segue seu companheiro sem dizer mais nada, os homens refazem o caminho que trilharam a pouco, andando por uns trinta minutos até retornarem à entrada dos quenions; Abelardo caminha até a beirada da estrada, onde jaz um pano marrom enrolado em algo, o homem se abaixa e pega o mesmo, desenrola e revela seu conteúdo, é o frasco com veneno. Abelardo se vira e encara Aluísio que suspira em alivio ao fechar os olhos. - Tu jogaste o frasco fora miséria?! – Diz com um leve sorriso nos lábios e suas mãos apoiadas na cintura. - Passei o dia sentindo que algo r**m iria acontecer homi, sabia que devia fazer, então fiz! – Afirma ao enrolar o frasco novamente. – Só que agora nois vai ter que andar por quase cinquenta quilômetros... – Completa suspirando frustrado. - Isso é o de menos homi, vamo embora! – Diz Aluísio ao começar a andar novamente em direção aos quenions, Abelardo segue o homem com o frasco enrolado debaixo do braço, imaginando a longa caminhada até chegarem em casa. .... O sol se põe aos poucos no horizonte árido, Atlas está em seu quarto terminando de se arrumar para ir ao encontro do barão vermelho, o cômodo é iluminado por um candeeiro e uma vela, batidas na porta chamam a atenção de Atlas que se direciona para abrir a mesma. - Boa noite xerife! – Diz Jacques do outro lado da porta, o rapaz está vestindo uma roupa formal elegante. – Onde o senhor quer que eu vá? – Diz ao entrar no quarto de Atlas. - Quero que me acompanhe a um jantar, na cidade de Gálatas. – Diz ajeitando sua gravata borboleta de cor preta, seus trajes também são formais e muito requintados. – Na fazenda do barão vermelho! – Completa ao se virar para o rapaz. * Do outro lado de Poente, sentadas no topo de um penhasco a beira de uma fogueira estão Eloisa e suas duas companheiras de mais cedo, estão conversando e rindo enquanto comem a carne dos animais que caçaram pela planície durante o dia, no céu a noite jaz revelando milhares de estrelas. - Olhem garotas! – Diz uma das mulheres ao apontar para uma das estelas no céu, a mesma destaca-se das outras por ter o brilho mais intenso e o tamanho mais grande que podem ver. - Que diabos... – Sussurra Eloisa ao se levantar lentamente, a estrela começa a aumentar de tamanho aos poucos, seu brilho se intensifica iluminando toda a cidade de Poente como se o dia tivesse nascido mais uma vez, tudo está completamente branco por causa do forte brilho do astro. * Na cidade de Gálatas, Abelardo e Aluísio param em frente ao portão de suas fazendas, abismados com o brilho incomum que está engolindo a noite e iluminando toda a Gálatas. - Aluísio! – Grita uma mulher correndo pela estrada rumo ao portão da fazenda. - Deus do céu... – Sussurra Abelardo sem tirar os olhos do céu brilhante. * Em Sussurro Empoeirado, o velho Fletcher e uma multidão de curiosos estão ocupando as ruas, olhando para cima, abismados com o fenômeno, tudo na cidade está branco por causa da luz. - O que tá havendo? – Diz Fletcher ao olhar ao seu redor, o chão da cidade começa a tremer fazendo com que todos comecem a gritar de medo e desespero. * - Jacques... o que isso?! – Brada Atlas tentando ficar de pé em meio ao tremor de terra, seu quarto agora está iluminado pela luz branca que entra pela janela. - Eu não sei! – Diz o garoto ao tatear os moveis até chegar na janela e se deparar com uma gigantesca bola de luz branca no céu. – XERIFE, OLHE! – Grita ao apontar pela janela, Atlas se aproxima tentando não cair, aos poucos uma ventania começa a soprar sob a cidade. - Senhor.... tenha misericórdia! – Brada Atlas ao arregalar seus orbes. * - Papai... – Grita Gertrudes, correndo pelos campos da fazenda de seu pai, desesperada com o brilho no céu, a mulher cai com o tremor de terra e a ventania, suas vestes são açoitadas com força, deixando-a praticamente nua. Por todos os lados, nas três cidades, multidões correm de um lado a outro implorando por ajuda divina, sem entenderem o que está acontecendo, o vento e o tremor de terram parecem estar arrebatando as três cidades com força e violência, a bola de luz no céu aumenta cada vez mais. * - Garotas, fiquemos juntas... – Diz Eloisa quase gritando em meio a ventania, os cavalos das mulheres relincham em medo pelo evento abismal. Fora do planeta, uma gigantesca esfera de luz se aproxima com uma velocidade impressionante e fora do comum, adentra a atmosfera e colide com a terra bem no centro do triangulo entre as três cidades. De cima, as três estradas parecem se iluminar com a colisão, um enorme clarão de luz seguido de um barulho ensurdecedor toma conta das três cidades, todos gritam enquanto são engolidos pela luz branca. Toda a Nebraska fica branca com a luz da esfera, no triângulo das três cidades uma explosão gigantesca se propaga, consumindo tudo ao seu redor. Árvores, montanhas e rios são completamente apagados da face da terra, a enorme cortina de fumaça causada pela explosão cobre o céu ainda entorpecido pela luz da esfera; o forte vento açoita tudo com brutalidade, arrancando a carne dos ossos de qualquer coisa viva num raio de milhares de quilômetros. Do espaço é possível ver o tamanho do estrago causado pelo impacto, uma onda de energia se propaga do local da colisão na forma de uma esfera azulada, seguida de poeira e fogo, os oceanos são empurrados junto com as montanhas, como se fossem feitos de isopor...
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