AngelFalls – Nebraska – 1851
- Ponha lá nos fundos, perto do saco de batatas! – Diz o senhor Abelardo sem olhar para o entregador.
- Certo! – responde o rapaz ao passar por Abelardo e dar a volta no edifício, o mesmo aparenta ter por volta de dezenove anos de idade, tem olhos verdes, corpo definido, traja um uniforme azul e um boné cinza.
- As coisas estão indo bem esse mês não!? – Diz um outro homem que acabara de se aproximar.
- Sim senhor RevenCraft, esse mês quitarei a dívida que tenho com o senhor, pode ter certeza! – Retruca ao fitar o homem nos olhos, Atlas RevenCraft apenas o olha com seriedade sem dizer uma palavra se quer, retirando-se do local em seguida. – Sujeitinho irritante... – Sussurra Abelardo enquanto volta a preencher o formulário que está em suas mãos, apoiado em uma paleta de madeira.
- tudo pronto senhor Abelardo! – Diz o rapaz ao retornar dos fundos do edifício. – Tudo ajeitado no lugar! – Completa ao acenar com a cabeça, despedindo-se do homem que retribui fazendo o mesmo aceno de cabeça que o rapaz.
- Bom dia Senhor Abelardo! – Diz a formosa Gertrudes ao se aproximar com sua bolsa pendurada no antebraço direito. Trajando um lindo vestido amarelo feito de seda, decorado com rendas na bainha e tricô no decote e nas mangas curtas.
- Srtª Gertrudes, é um imenso gosto tê-la aqui logo pela manhã! – Diz o homem ao pôr as mãos para trás de forma cortês. – Venha senhorita, entremos. – Completa ao abrir caminho para a mulher que passa pelo mesmo com um sorriso caloroso em seu rosto.
Do outro lado da cidade, em um beco estreito, uma briga de rua entre quatro rapazes acontece. Em duplas os garotos trocam socos e chutes com violência, xingando uns aos outros da forma mais baixa possível.
- Que merda Jhoe! – Diz um dos garotos quando é jogado no chão ao ser atingido por um soco de seu adversário. O rapaz possui cabelos cacheados em castanho claro, olhos verdes, corpo definido, aparenta ter em torno de dezessete anos de idade; está trajando uma calça moletom cinza, sapatos de cano longo, camisa de manga longa preta e um colete jeans aberto.
- c*****o, desse jeito vamos perder o tornei mano! – Diz Jhoe ao dar a mão ao garoto que acabara de derrubar, o mesmo aceita o convite e segura forte em sua mão. – Você tem que ser mais rápido brother! – Completa ao puxar o garoto com força, trazendo-o para perto de si; Jhoe está usando uma regata laranja degradê, uma calça de malha preta e um par de tênis azuis, em seu pescoço há um colar semelhante a uma corrente.
- Ae maricas, já estão namorando de novo!? – Diz Jacques ao se aproximar com os braços abertos, mexendo o corpo com ginga na tentativa de deixar a vista sua masculinidade. O mesmo vem se aproximando junto a seu parceiro Daerus, Jacques está sem camisa, descalço e com um short amarelo folgado marcando sua cueca box preta. Daerus traja uma calça de malha branca, uma camisa azul escuro de magas médias e um boné preto virado para trás. Assim como seus amigos, Daerus tem um corpo másculo e bem definido.
- Thomas, se você não melhorar seus reflexos até amanhã vamos perder aquela p***a pow! – Diz Daerus ao pôr as mãos nos bolsos de sua calça, posando de macho alfa, do grupo Daerus é o mais alto e possui a maior estatura física.
- Eu sei mano... – Diz Thomas ao balançar a cabeça em frustração. – Estou dando o meu melhor véi! – Completa ao olhar seus parceiros com certo receio.
- Que boiolagem do c*****o véi... – Diz Jacques fazendo seus parceiros gargalharem com o comentário de Thomas.
Por Eloisa.
O dia m*l começou e já estou uma pilha de nervos, Thomas saiu para trocar socos com seus amigos mais uma vez, odeio quando ele faz isso. Sento-me no banco da praça admirando a fonte no centro da mesma; a fonte possui o formato de um círculo e no centro da mesma há um outro círculo, um buraco para onde a água flui, o círculo de fora forma um tipo de auréola por ser preenchido com a água que corre para o círculo de dentro por tubos de tamanho médio.
- Eloisa, desculpe a demora! – Diz Marta Edwards ao se aproximar do local onde estou sentada, tirando-me de meus pensamentos. Marta traja um vestido rosa que desce até seus joelhos, em sua cintura uma fita larga na cor lilás, seus cabelos pretos exibindo o perfeito penteado Weave, sua linda pele morena reluzindo sob a luz do sol e com uma bolsa Chanel marrom claro em seu braço.
- Não tem problema Marta! – Digo ao me levantar e lhe dar um abraço bem apertado. – como vão as coisas? – Pergunto ao afastar nossos corpos.
- Vão bem! – Responde com um sorriso caloroso no rosto. – E você, como está? – Pergunta com cara de quem já sabe a resposta, antes de me chamar eu tenho certeza de que Marta notou minhas expressões irritadas, sou uma pessoa transparente, não consigo esconder certas emoções.
- Irritada, pra variar... – Digo ao baixar o olhar. – Thomas foi ver os amigos novamente, fico preocupada quando ele se junta com aquele bando de trogloditas! – Digo ao me sentar novamente, Marta faz o mesmo, me olhando com reocupação.
- Não se preocupe tanto minha amiga, ele é homem, não se machuca fácil! – Diz me olhando com ternura, sei que está tentado me confortar, Marta é uma boa amiga.
- Você tem razão! Homens e seus músculos idiotas... – Digo ao fechar os olhos por um instante e sorrir da minha preocupação exagerada. – Mudando para o que interessa, como vai o artigo em que estamos trabalhando? Só ontem eu peguei o depoimento de três testemunhas! – Digo, me esquecendo completamente do assunto trivial que estávamos falando.
- Olhe... – Diz ao voltar sua atenção para sua bolsa, pegando alguns papeis de dentro da mesma. – Falta bem pouco, principalmente com os depoimentos que você coletou. – Completa ao me entregar cinco folhas de papel oficio, folheio cada uma me atentando a cada detalhe, o design está realmente impecável, não tenho dúvidas de que Marta é uma jornalista talentosa.
- Como de costume você fez um excelente trabalho Marta, eu não esperava menos de você! Digo ao fitá-la com orgulho e admiração.
***
Do outro lado da cidade o senhor Aluísio estaciona seu ônibus no ponto para pegar mais passageiros, três pessoas entram no ônibus e lhe cumprimentam de forma calorosa, Aluízio fecha a porta do ônibus e da partida no mesmo, seguindo rua abaixo. O veículo continua seu trajeto por mais cinco quilômetros até parar em outro ponto, em um bairro simples da cidade, suas portas são abertas para dois homens que aparentam ter por volta de dezenove e vinte anos de idade.
- Bom dia. - Diz Aluísio cumprimentando os rapazes de forma calorosa com um sorriso no rosto, os mesmos apenas acenam com a cabeça em retribuição a gentileza de Aluízio; após os rapazes se acomodarem nos bancos do ônibus Aluízio dá partida e segue viagem, o transporte continua seu trajeto por mais uma hora de relógio; em certo ponto, os dois rapazes que subiram há pouco sacam dois revólveres cada um e anunciam assalto, as pessoas começam a entrar em pânico, indefesas e sem poderem fazer nada. Aluízio tenta manter sua concentração na estrada, mas não consegue evitar sentir o sangue ferve, vendo que os rapazes estão se aproveitando das pessoas, o homem aperta o volante do ônibus com força, indignado sem poder fazer nada além de prestar atenção no manuseio do veículo.
- Passem tudo seus idiotas! - Diz um dos rapazes com fúria emanando de sua voz, apontando o seu revólver para as pessoas que em meio ao medo e desespero apenas catam seus pertences e colocam na sacola que o outro rapaz está segurando, alguns tentam resistir ao assalto, no entanto, são intimidados pelos homens armados.
- O que vocês pensam que estão fazendo!? - Diz Aluísio de seu assento sem tirar os olhos da estrada, os dois bandidos apenas ignoram os comentários furiosos do motorista e continuam seu assalto. Aluísio revoltado começa a fazer ziguezague na estrada, na tentativa de derrubar os bandidos para que alguém pegue suas armas e impeça o assalto; os dois homens titubeiam em meio ao veículo, balançando de um lado para o outro, porém, sem largar suas armas.
- Aí ô velho! É melhor manter esse ônibus em linha reta se não estouro seus miolos! - Diz um dos homens apontando sua arma em direção ao assento de Aluísio que o observa pelo retrovisor, suor escorre pela face do motorista, o mesmo percebe que não há nada que possa fazer no momento além de focar na estrada. Os assaltantes continuam catando todos os pertences de valor de todos os passageiros do ônibus e mesmo que alguns queiram fazer algo para impedi-los, não o podem; depois de quase meia hora Aluízio é obrigado a parar o ônibus em uma rua vazia para que os assaltantes possam fugir, se não o fizesse seria morto ali mesmo, sem escolha o motorista apenas obedece abrindo a porta e deixando que os assaltantes saíam impune.
- Todo mundo está bem? - Pergunta Aluísio ao se levantar do seu assento e olhar para as pessoas no ônibus, todos olham para o motorista e confirmam estarem bem com acenos de cabeça. Aluísio retorna ao seu assento e da partida no ônibus; duas horas depois de entregar cada passageiro no ponto exigido, o homem se direciona ao terminal, deixa seu ônibus na garagem e se prepara para chamar um táxi e ir para casa.
Uma hora e meia depois Aluísio se encontra em seu quarto, se perguntando como iria cobrir o prejuízo daquele dia, além de levarem os pertences de todos os passageiros, os assaltantes ainda levaram todo o dinheiro arrecadado durante o seu dia de trabalho, Aluísio terá que cobrir do seu próprio bolso cada centavo levado pelos assaltantes.
***
Já é noite quando Atlas chega em seu casarão, trajando um conjunto sofisticado de terno o homem desfila pelos corredores de sua grande casa em busca de algo, seu semblante parece preocupado e ansioso, algo está lhe incomodando, algo que está procurando há bastante tempo, mas que não está conseguindo encontrar, algo realmente importante; Atlas sobe as escadas para o primeiro andar a passos rápidos, suor escorre pela lateral de seu rosto, o homem exibe um semblante sério e preocupado.
- Mas que diabos.... – Diz ao procurar dentro das gavetas de uma cômoda ali no canto do corredor, revirando papéis e objetos dentro da mesma sem encontrar o que realmente está procurando.
- O que houve?! Parece estar preocupado com alguma coisa - Diz uma mulher de cabelos castanhos que acabara de entrar, vinda de um dos quartos no corredor.
- Os papéis de gerenciamento da minha fortuna, não os estou encontrando, por acaso você os viu? - Pergunta rapidamente sem fazer intervalos, a mulher apenas acena negativamente com a cabeça, tal ato causa frustração em Atlas, fazendo com que seu semblante fique ainda mais preocupado.
- Não se lembra onde os colocou da última vez? pergunta a mulher tentando ajudar.
- Eu podia jurar que os tinha deixado na gaveta em meu escritório, mas fui procurar hoje pela manhã e não os encontrei! - retruca sem parar de mexer na gaveta, de costas para a mulher que lhe olha com preocupação.
- Acalme-se querido, vá tomar um banho, eu vou procurá-los para você! Se eu não encontrar irei ao seu escritório e ajeitarei as suas coisas, talvez deva estar lá, você só não os viu! - Declara a mulher tocando no ombro de seu marido, Atlas se acalma com o toque, volta-se para a mulher e só então suas expressões relaxam.
- Muito obrigado querida, eu não sei o que eu faria se não fosse você. Minha querida Eleonor! - Diz o homem ao suspirar aliviado, a tensão em seu corpo pareceu diminuir.
- Muito bem, eu vou procura-los, agora vá, logo irei colocar o jantar! - Completa dando-lhe um beijo na bochecha, Atlas retribui pegando-a pela cintura e depositando um beijo quente em seus lábios, em seguida direciona-se a um quarto no fim do corredor, sendo este seus aposentos. Atlas tira toda sua roupa, pega uma toalha limpa e se direciona ao banheiro da suíte, o homem entra debaixo do chuveiro e o liga sentindo a água quente escorrer por seu corpo, havia sido um longo e trabalhoso dia, pensa ele.