Capítulo 6: Fuja da luz

3185 Words
Marta enfim descobrira do que e de onde tem que fugir, mas para isso precisaria primeiro sobreviver aquela luz, Marta precisa evitar que suas memórias fossem apagadas e sua realidade modificada mais uma vez, só assim chegaria ao fundo desse mistério. A luz consome metade da cidade em poucos instantes, aumentando cada vez mais, cobrindo o horizonte, deixando-o branco; Marta e seu cavalo cavalgam rapidamente em direção ao lado oposto da luz, desaparecendo em poucos minutos por entre as casas. ... Marta e seu cavalo continuam a galopar rapidamente, o cansaço começa a tomar conta, ainda faltam 5 km para que consigam sair de Gálatas, a luz da vela já tomou a cidade quase toda, faltando bem pouco para alcançar a mulher e seu cavalo, parar de correr não é uma opção; a morena sente seu estômago gelar e seu peito apertar, sua garganta seca quando a mesma percebe que a luz branca está a poucos metros das patas de seu cavalo, Marta olha por cima do ombro e ver a luz se aproximando com velocidade, se não dessem um jeito em poucos minutos seriam engolidos pela mesma. - Droga, não vamos conseguir! - Esbraveja furiosa com a situação inevitável, sabendo que as chances de conseguirem fugir da luz são quase zero. - Maldito seja! Desgraçado! Covarde! Mostre-se! Brada ao gritar furiosamente, atiçando mais uma vez o cabresto de seu cavalo, desta vez a velocidade não aumenta. – Essa não Moura, você deve estar exausto! – Completa ao voltar sua atenção a seu cavalo, percebendo que seu aliado de quatro patas está chegando ao ápice do cansaço, agora à luz está a poucos centímetros das patas do mesmo, o esquecimento e a insanidade são inevitáveis. Moura percebendo que precisa fazer algo para ajudar sua amazona, ainda correndo, ergue suas patas traseiras, levantando seu traseiro e empurrando Marta para frente, lançando-a a quase dez metros em sua frente. A mulher cai bolando no chão ao levantar poeira conforme o faz, sem conseguir fazer seu corpo parar. – MOURA! – Grita para seu cavalo ao perceber que o mesmo acabara de se sacrificar para que pudesse encontrar uma saída desse lugar insano, os olhos de Marta se enchem de lágrimas, seu peito aperta e sua consciência clama, por mais triste e dolorosa que a situação seja, se não se apressar em sair dali será devorada pela luz e o sacrifício de seu amigo terá sido em vão. Sem perder mais um minuto sequer a morena se levanta e começa a correr na direção oposta à luz que se aproxima rapidamente, o alto barulho começa a parecer um bip ensurdecedor, aumentando cada vez mais conforme a luz se aproxima e se expande pela cidade, tudo está completamente branco e tomado pela luz feroz que a tudo devora, refazendo memórias e moldando realidades ao seu bel desejo e vontade. Marta sente suas pernas tremerem em meio ao cansaço, nunca tivera que correr tanto assim na vida, mas se não o fizer voltará a ficar dormente em uma nova ilusão, vivendo conforme a vontade de seja lá o que for a coisa que habita nessa luz. A morena cerra os dentes ao pensar em tal possibilidade, jamais se permitiria ser dominada novamente, sua vontade não seria tirada, suas memórias não seriam apagadas e sua realidade não seria mais modificada. Marta continua correndo com passos rápidos e longos, sentindo o músculo de suas coxas arderem em meio à corrida desesperada e forçada, a luz a segue de perto, junto com seu bip ensurdecedor; Marta não conseguiria correr por muito mais tempo e sabia disso, mesmo que Moura tivesse se sacrificado, mesmo que a morena tivesse despertado da ilusão, não havia como competir com essa luz. Ao sair de Gálatas a mulher encontraria 200 km de estrada de terra, levaria quase um dia para fazer esse trajeto a cavalo, seria impossível fazê-lo a pé, Marta aperta aos punhos enquanto corre rapidamente para fugir da luz, uma figura estranha surge no horizonte vindo em sua direção, é uma grande massa de quase quatro metros de altura na cor azul escuro, está levantando poeira e vindo velozmente. - O que é isso?! - Indaga a morena sem parar de correr ou se quer diminuir o ritmo, Marta corre por mais uns cinco metros até perceber que a figura se trata de um carro conversível, o mesmo faz uma curva e então freia, parando de lado para a morena com sua porta aberta, convidando-a para entrar. Marta esboça um sorriso de alívio em seu rosto ao ver quem está dirigindo o carro, é Eloísa, a mesma está trajando um vestido preto colado de tamanho médio, seus cabelos loiros estão amarrados no formato de um r**o de cavalo. - Marta, rápido! - Brada a loira apertando a buzina freneticamente, atrás de Marta há apenas uma imensidão branca se movendo, caçando-a ferozmente como se fosse sua presa, a morena continua correndo e então dá um salto e caí dentro do carro, Eloísa sem pensar duas vezes dá partida no mesmo e zarpa dali com velocidade, em poucos minutos as mulheres estão há quase 2 km de distância da luz, Marta suspira aliviada ao perceber que agora teria uma chance. - O que está fazendo aqui? não que eu esteja reclamando. - Diz a morena ao passar a mão em seus cabelos raspados, fitando Eloísa com alívio e um pouco de estranhamento em seu olhar, a respiração de Marta está ofegante e pesada pelo esforço que fizera até aqui, seu copo está coberto de suor. - Vim para abrir os seus olhos, minha querida amiga! – Retruca Eloísa com um sorriso duvidoso em sua face, a mulher está se comportando de maneira estranha, Marta põe sua mão na porta do carro ao perceber que talvez não tivesse sido uma boa ideia aceitar a carona de Eloísa; a loira começa a sorrir para o horizonte de maneira doentia, Marta percebe então que deveria tem reparado no fato de que não fazia sentido um carro moderno aparecer no meio de uma cidade tão antiga quanto Gálatas, mas agora é tarde demais, a morena já havia sido pega na armadilha, a mesma fecha os olhos sentindo seu estômago gelar, havia baixado a guarda por causa do cansaço e agora não tinha para onde correr. - Do que você está falando Eloísa!? Porque está agindo tão estranho assim? - Questiona mesmo sabendo qual seria a resposta, Eloísa está sendo controlada pela mesma coisa que controla aquela luz e aquele barulho ensurdecedor, ambos agora estão abafados pelo fato de que ambas as mulheres estão dentro do carro fechado. - Porque tentas fugir do vosso destino? Não consegues entender que ele só quer o nosso bem? - Retruca a loira ignorando completamente as perguntas de Marta, a mulher parece estar fora de si; Eloísa pisa fundo no acelerador e aperta o volante com toda a sua força, do lado de fora o carro produz uma grande cortina de poeira que cobre parte da estrada de terra, seguindo em direção a cidade de Poente, Marta se segura no banco em que está sentada, com o pressentimento de que algo r**m está para acontecer. - Ele quem? Eloísa, do que você está falando?! - Indaga a morena com seu semblante desesperado sem entender as palavras da loira ao seu lado, levada pelo desespero Marta agarra o volante tentando tomar o controle do carro para si, o veículo começa a fazer zigue e zague na estrada de terra, levantando ainda mais poeira. - Você precisa confiar em mim Martha Edwards! Eu vi! Eu sei! - Continua Eloísa ao balbuciar coisas sem sentido, coisas que Marta não consegue compreender. A morena não desiste e segura o volante fortemente empurrando sua amiga com seu ombro, Eloísa nem sequer pisca, apenas fita a estrada no horizonte como uma louca. - Eloísa o que está acontecendo? Para esse carro agora! - Ordena a morena desesperada sem largar o volante, Eloísa pisa fundo no freio e joga o volante para o lado, o carro vira de lado e começa a deslizar pela estrada de terra. Marta e Eloísa são sacudidas de um lado para o outro dentro do veículo, o carro enfim para depois de avançar cinco metros deslizando pela estrada, Marta olha pela janela e vê a imensidão branca se aproximando cada vez mais rápido, o barulho de bip parece ter aumentado mais desde a última vez que olhara. – Mas que merda Eloísa, desse jeito aquela coisa vai nos alcançar! - Esbraveja, emanando raiva a cada suspiro que dá, Eloísa continua parada, fitando o horizonte com um sorriso diabólico em sua face, seus olhos parecem não ter alma, apenas observando e desejando ser completamente consumida. Marta pula do veículo após dar um chute na porta, fazendo com que a mesma voe para longe, a morena desce do carro e começa a correr em direção a Poente, deixando sua amiga dentro do carro. Droga, essa não é a Heloísa! Pensa a morena enquanto correr rapidamente, atrás de si a imensidão branca avança conseguindo finalmente engolir o carro junto com Eloísa, o barulho de bip se transforma em algo parecido com uma frequência ensurdecedora, aumentando junto com a luz, ficando cada vez mais e mais forte. Marta sente os músculos de suas pernas se contraírem em meio a dor de tanta correria, a morena olha para trás por cima do ombro e arregala seus orbes com o que vê, a imensidão branca está empurrando o carro em sua direção, como se não quisesse consumir o mesmo; Eloísa está sendo jogada de um lado para o outro dentro do carro enquanto o mesmo é empurrado bruscamente na direção de Marta. - INFERNO! – Grita a mulher em meio ao ódio, vendo que a coisa dentro da luz está brincando consigo, tentando matá-la atropelada pelo carro de Eloísa; mesmo sem aguentar correr Marta acelera o passo, voltando sua atenção para o horizonte, percebendo então que a estrada ainda é muito longa, faltando quase 190 km para chegar em Poente. – Não vou conseguir! – Diz de forma desesperada para si mesma enquanto continua correndo, o barulho do carro sendo rebocado em sua direção faz com que seu estômago começa a gelar, sua garganta fica seca pela sede e cansaço de ter corrido tanto. - Ah... – Geme ao parar de correr e se apoiar com as mãos nos joelhos, respirando ofegante e cansada, seu rosto completamente molhado de suor, atrás de si a imensidão branca continua avançando, rebocando o carro com toda a força e brutalidade. – Filho... da puta... Na próxima eu pego você! – Diz entre arfadas de cansaço, Inflando o peito na tentativa de respirar melhor, poucos segundos depois a imensidão branca consegue enfim alcançar Marta. O carro com Eloísa dentro atropela a morena, amassando seu corpo completamente, quebrando cada um de seus ossos, tudo fica branco e então, o barulho cessa... *** - Ué, o que foi esse clarão de luz branca?! – Diz Jacques ao se afastar da janela, o rapaz exibe expressões confusas em seu rosto ao passar a mão no queixo, tentando entender o que acabara de ver. - Provavelmente foi só um relâmpago! Vamos Jacques, estamos atrasados! - Diz Atlas ao pegar seu chapéu Montana na cor preto, colocando-o em sua cabeça, Jaques dá de ombros sem entender o que vira, desistindo de pelo menos tentar, acompanhando seu parceiro em seguida. Os rapazes saem do edifício e seguem rumo ao estábulo para pegar seus cavalos, depois partem em cavalgada rumo a Gálatas, os cavalos de Jacques e Atlas correm a toda velocidade pela estrada de terra, saindo rapidamente de poente, em poucos minutos os homens estão há quase 10 km da cidade onde estavam, na velocidade em que estão cavalgando logo chegarão ao seu destino. Quase duas horas e meia de cavalgada se passam, os homens se aproximam da entrada de Gálatas ao marcharem sem diminuir o ritmo, faltava pouco para as dez horas da noite, Atlas não queria se atrasar e deixar o barão esperando. Enquanto entram na cidade o homem se pergunta o que o barão vermelho poderia querer consigo, que assunto poderia ser tão urgente ao ponto de lhe chamar tão tarde em um dia aleatório. Atlas pisca, saindo de seus pensamentos ao perceber que chegaram em frente à mansão do Barão Vermelho, o homem desce de seu cavalo acompanhado por Jacques e juntos adentram o local, direcionando-se para a grande sala de festividades. - Atlas RevenCraft e seu companheiro, sejam bem-vindos as minhas terras! – Diz um homem barrigudo de cabelos e barba grisalhos, sentado em uma grande poltrona verde do outro lado do cômodo. O homem aparenta ter por volta de setenta e cinco anos de idade, seus traços são gastos pelo tempo e pela velhice; o mesmo possuí olhos azuis, abaixo de seus olhos caem olheiras carnudas e feias, dando lhe um aspecto assustador. - Barão, ao que devo a honra de ter sido chamado em vossa casa? - Retruca Atlas de forma cortês ao tirar seu chapéu, Jacques permanece em silêncio atrás do xerife e apenas observa a situação que se segue. O rapaz nota que há um longo corredor a sua esquerda, o mesmo se estende por quase vinte metros, preenchido com quadros por quase todas as paredes, de ambos os lados portas e vasos com plantas e flores. - Existe uma proposta que quero lhe fazer, algo que poderá alavancar o nosso patrimônio e dar-lhe uma vida financeiramente melhor! - Declara o velho segurando sua grande barriga com o peito inflado, seu ego está no limite, o velho homem está fazendo aquilo que acha ter nascido para fazer, exercer poder sobre os outros. - Conte-me mais! - Diz Atlas com curiosidade em sua voz, aparentemente interessado na proposta do barão, ao lado do xerife o rapaz jaz fisicamente, porém, sua mente está focada em outro lugar, Jacques fita o corredor com certa estranheza, algo ali está lhe chamando a atenção. - Venha, conversemos em meu escritório! - Fala o barão ao se levantar com dificuldade da poltrona, sua idade avançada e seu peso acima da média mostrando-se ser um grande obstáculo em sua rotina. - Chamarei um criado para levar o rapazinho aí para se divertir um pouco enquanto conversamos! – Diz o velho dando uma gargalhada maliciosa em seguida, deixando bem claro a sua segunda intenção, ao ouvir isso Jacques dá um passo para trás, hesitante e temeroso pelo que possivelmente estaria por vir. Atlas e o barão vermelho se dirigem a uma porta do lado direito do cômodo ao mesmo tempo em que um homem de pele morena, cabelo raspado, trajando uma roupa de serviçal se aproxima de Jacques. - Por aqui rapaz! - Diz o moreno ao estender o braço em convite para Jacques, ainda hesitante o rapaz titubeia ao aceitar o convite, mas no fim acaba cedendo, ambos seguem pelo corredor que Jacques estava fitando segundos atrás, andando pelo mesmo com passos lentos, curioso o rapaz olha para ambos os lados admirando os itens e a decoração do corredor; Jacques pisca confuso, algo abstrato sem forma ou sentido acabara de chegar em sua mente, como se fosse uma memória distorcida, o rapaz sente que está ali em sua mente, mas não sabe o que é. Enquanto andam pelo corredor Jacques sente seu peito apertar, uma gota de suor frio escorre pela lateral de sua face, o rapaz sente seu estômago gelar e então, nítida como dia a memória vem. Jacques arregala suas orbes ao enfim acessar a memória que até então estava borrada e incompreensível, o rapaz se lembra vividamente do beco m*l iluminado daquela noite, lembra-se de estar na companhia de Marta, lembra-se de Eloísa e seu amigo Thomas, mas acima de tudo, se lembra de ter visto a si mesmo dilacerado no chão daquele beco. O rapaz sente como se tivesse levado um soco no estômago, mais e mais suor escorre por sua face, Jacques sente suas mãos frias; O rapaz se pergunta como é possível estar ali mesmo depois de ter visto a si mesmo morto, esquartejado e mutilado no chão, e mais importante, como é possível que a época e o mundo ao seu redor tenham mudado tão bruscamente num piscar de olhos!? - Com licença. - Diz Jacques ao tocar no ombro do serviçal que estava a lhe guiar até uma porta no fim do corredor, o moreno se vira e encara o rapaz, seus olhos estão sérios e o fitam profundamente. - Não estou me sentindo bem, será que eu poderia usar o seu banheiro? - Completa ao pôr uma de suas mãos no estômago, ponto ênfase no que acabara de dizer, esforçando-se para manter a farsa. - Aguente só mais um pouco, rapaz. Já estamos chegando, não irá se arrepender! – Diz o moreno um segundo antes de se virar e continuar andando em direção à porta a alguns metros do outro lado do corredor, Jacques vê que não tem opção e apenas segue o moreno sem dizer mais nada. O serviçal abre a porta para Jacques e fica parado em frente à mesma, Dando passagem para que o rapaz entre, Jacques a essa altura já não contesta mais e apenas adentra o cômodo, sentindo-se nervoso, com suas mãos frias e trêmulas. Ao entrar no cômodo o rapaz percebe que o mesmo está completamente iluminado por várias velas vermelhas, no centro há uma grande cama redonda com três mulheres e três homens completamente despidos em cima da mesma, gemidos se espalham pelo cômodo, Jacques já nem se lembra porque estava tão hesitante. – Não seja tímido lindinho... – Diz o serviçal ao apalpar Jacques por trás, massageando suas costas, o garoto suspira de prazer ao sentir seu m****o ficar rígido, deixando claro que queria f***r com todas aquelas mulheres e homens. – Venha meu rapaz, não resista, vamos ter um pouco de prazer essa noite! – Completa o moreno fazendo Jacques ficar com a boca cheia de água, a situação é pura tentação para um jovem rapaz com os hormônios a flor da pele, não havia como resistir. Num piscar de olhos todos ali já estão se tocando, se penetrando e gemendo loucamente. Jacques está no centro da orgia, sendo masturbado, chupado, penetrado e beijado pelas pessoas ao seu redor; sem pudor, apenas sexo e luxúria. O rapaz geme em meio aos beijos, abrindo seus olhos para olhar ao redor, sentindo que devia fugir ao invés de se entregar, com o canto do olho Jacques percebe que as velas começam a brilhar na cor branca, um barulho de bip surge de cada vela no cômodo, ficando alto e ensurdecedor conforme o brilho aumenta; o rapaz se remexe entre as pessoas que lhe prendem num casulo de prazer, tentando fugir ao mesmo tempo em que sente o êxtase se espalhar por cada canto do seu corpo, é inútil continuar tentando. O rapaz apenas aceita seu destino e para de se debater, apenas observando a luz e o barulho aumentarem ao ponto de consumirem todo o cômodo, tudo fica branco, o barulho cessa e um silêncio ensurdecedor domina.
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