AngelFalls – Nebraska – 1851
É noite, Eloisa e Marta andam pelas ruas de AngelFalls com os braços cruzados, como se fossem uma dama e um cavalheiro andando lado a lado, as amigas conversam e riem sobre um assunto qualquer enquanto seguem na direção da praça central. As moças parecem estar felizes com algo, talvez um acontecimento futuro estivesse lhes animando, Eloisa traja um vestido lilás médio que desce até os joelhos, seus cabelos loiros ondulados se despejam sob seus ombros e em seus pés um par de tamancos pretos de salto médio grosso; Marta está com seu cabelo no penteado Updo, traja uma blusa branca sem mangas, uma saia longa azul claro que desce até seus joelhos e em sua cintura um cinto largo combinando com o restante da roupa.
- Hora vamos Marta, vai ser divertido. – Diz Eloisa sorrindo, as garotas param ao verem um carro vindo pela estrada em sua frente, esperando que o mesmo atravesse a rua para que possam passar.
- Pode ser, mas não sei se ele vai gostar de mim... – Diz Marta quase perdendo o sorriso, o carro atravessa a rua, as garotas dão um passo fora da calçada e recomeçam seu trajeto, alguns metros a frente está a praça iluminada pela luz dos postes vintage na cor preto e cinza.
- Nunca vai saber se não tentar. Aliás, acho que você e Jacques dariam um belo casal! – Diz Eloisa ao segurar firme a mão de sua amiga, as garotas sentam-se nos bancos ao redor da fonte circular.
- É verdade. – Diz Marta ao fitar a fonte, apreciando o barulho relaxante da água que flui para o circulo interno da fonte, Marta pisca ao notar algo. – Escuta Eloisa! – Fala apertando os olhos, Eloisa sem entender apenas segue sua amiga, prestando atenção no barulho da água correndo na fonte.
- Só ouço a água correndo e caindo! – Diz Eloisa ao se inclinar para frente, tentando ter uma visão mais clara da fonte.
- Exato, perceba, conseguimos ouvir a água correndo e caindo, mas, parece que nunca chega ao fundo! – Diz Marta ao se virar para sua amiga ainda inclinada no banco, Eloisa refaz sua postura e encara Marta com o semblante confuso.
- Acha que aquele buraco não tem fundo? – Indaga ao olhar Marta no fundo dos olhos, a mesma assente positivo com um movimento de cabeça. – Se bem que, se parar para prestar atenção, realmente não dá pra ouvir a água colidir com o fundo do buraco... – Diz Eloisa antes de se levantar e andar em direção a fonte, Marta levada pela curiosidade apenas segue sua amiga sem dizer uma palavra se quer. As garotas ficam sob a ponta dos pés, tentando ver a profundidade do buraco no meio da fonte, mas sem sucesso, se o quisessem fazer teriam que entrar na fonte e olhar de perto; Marta olha para Eloisa que dá um sorriso malicioso, deixando claro que está tentada a ter uma resposta para sua especulação.
- Eloisa, acho que não devíamos... – Diz com hesitação, apesar de estar tão curiosa quanto sua amiga.
- De fato, hoje não devemos, você tem um encontro com Jacques e eu vou ver o Tom, mas, em outro momento viremos aqui tirar nossa dúvida! – Diz ao pôr as mãos para trás, falando com empolgação, como se fosse uma garotinha levada, Marta sorri das brincadeiras de sua amiga.
- Boa noite meninas! – Diz Thomas ao se aproximar, acompanhado de Jacques, ambos trajados com elegância e sensualidade. Marta e Eloisa viram-se para os rapazes e sorriem, contentes por eles terem aceitado o convite para vê-las.
- Boa noite meu amor! – Diz Eloisa indo na direção de Thomas que a observa com deslumbre nos olhos. – Vamos dar uma volta para que esses dois possam se conhecer! – Completa ao pôr seu braço ao redor do braço do rapaz, beijando a bochecha do mesmo em seguida.
- Divirtam-se! – Diz Marta de perto da fonte, trocando olhares interessados com Jacques, o rapaz parecia estar se sentindo atraído pela bela moça de pele morena.
- Vocês também! – Diz Eloisa e Thomas enquanto andam para longe dali.
- Você está linda! – Diz Jacques ao dar alguns passos a direção da morena, ela sorri timidamente com o comentário gentil do rapaz.
- Você também está! – Retruca fazendo com que Jacques sorria de lado, seu charme faz a morena estremecer, Jacques é um homem lindo e tem um corpo de tirar o folego.
- Quer tomar um café? Assim podemos nos conhecer melhor! – Diz Jacques ao oferecer seu braço para a moça que sorri contente, aceitando o convite. O casal anda pela praça, indo rumo a cafeteria do outro lado da rua. - Me fale sobre você, com o que trabalha? – Diz o rapaz enquanto andam.
- Sou jornalista, eu e minha amiga Eloisa. Estamos trabalhando em um artigo sobre um acontecimento recente aqui em AngelFalls. – Diz ao se aproximar com seu companheiro de uma mesa marrom com duas cadeiras em frente à cafeteria, o casal senta-se nas cadeiras enquanto uma garçonete se aproxima com um cardápio em mãos.
- Olha que legal, em que acontecimento vocês estão Trabalhando? - Indaga o rapaz, seu olhar emana curiosidade e fascinação, Marta é de fato um bom partido, linda, respeitável, dedicada ao seu trabalho e claramente uma mulher de intelecto.
- Boa noite, o que vão querer? - Pergunta a garçonete ao chegar na mesa do casal.
- Traga duas xícaras médias de café com leite por favor! - Diz Jacques ao voltar seu olhar para a garçonete que assente positivamente com a cabeça ao receber o pedido do rapaz, retirando-se dali em seguida para buscar o que fora solicitado.
- Estamos escrevendo um artigo sobre um esquartejamento horrível que aconteceu em uma das ruas que está ligada a essa praça. O caso foi horrível, simplesmente brutal! - Diz a morena fazendo expressões de agonia ao proferir cada palavra, Jaques tenta acompanhar a linha de raciocínio da morena, no entanto, está fascinado com sua beleza e acaba deixando passar o fato de que o assunto em pauta ali era delicado e revoltante.
- Eu fiquei sabendo! - Diz o rapaz fazendo uma pausa em seguida. - Ouvi dizer que um jovem rapaz quase da minha idade foi encontrado esquartejado, disseram que estava quase irreconhecível, dilaceraram o pobre dos pés à cabeça! - Completa espremendo as sobrancelhas, conseguindo enfim acompanhar o assunto.
Algumas horas se passam, o casal começa a andar pelas ruas ainda conversando sobre diversos temas, de mãos dadas e sorrindo contentes por estarem um com o outro. Jaques e Marta dobram a esquina de uma rua m*l iluminada, seguindo pela mesma com passos lentos enquanto continuam sua conversa fascinante, em certo ponto Jacques para de andar e espreme os olhos tentando ver o que seria a coisa jogada no chão há dez metros à sua frente.
- O que é aquilo? - Indaga a morena apertando o braço de Jaques, deixando claro estar com medo.
- Eu não sei, fiquei aqui! - Diz o rapaz ao se soltar do braço da moça e andar a passos rápidos e cautelosos até a coisa jogada no chão, ao se aproximar Jacques percebe que se trata de um corpo, parecia estar desfigurado e esquartejado. - Meu Deus... - Balbucia ao pôr as mãos na cabeça de forma desesperada.
- Jaques, o que houve? O que é isso no chão? - Pergunta a morena quase brandando, com receio da resposta que teria, mesmo apavorada Marta dá passos rápidos na direção do rapaz para tentar entender o que ele havia visto, ao chegar no mesmo arregala suas orbes confusa e sem entender o que estava vendo ali no chão.
O corpo esquartejado e jogado ali na calçada de paralelepípedos, ensanguentado e quase desfigurado, não era de ninguém menos que o próprio Jacques. – Jacques, o que é isso? Como pode ser você? - Completa perguntando desesperadamente sem entender o que estava havendo, Jacques continua em silencio e apenas fita seu próprio corpo dilacerado e mutilado no chão, em choque por presenciar um fenômeno tão estranho e brutal, neste momento o rapaz se pergunta se o artigo que Marta estava escrevendo era sobre si.
- Marta, você está vendo? - Pergunta com insanidade pura em sua voz, o rapaz está completamente desorientado, à beira da loucura, se perguntando se estaria morto esse tempo todo e como não tinha percebido antes; a mente de Jacques dá milhares de voltas ao se perguntar como isso era possível. Antes que Marta possa responder à pergunta que o rapaz fizera, o mesmo começa a gritar desesperadamente ao cair de joelhos no chão com as mãos na cabeça, sua voz soa como se tivesse alguma doença mental, gritando de forma doentia e desesperada.
- O que está havendo Jacques? - Indaga quase gritando ao se aproximar do rapaz para tentar ajudá-lo, simultaneamente um grupo de pessoas que vem andando pela rua se aproxima para ajudar, uma aurora boreal surge de repente, iluminando os céus com tons de verde, azul e dourado; misteriosamente o grupo de pessoas cai no chão inconscientes, Marta se afasta de Jacques gritando desesperadamente sem entender o que estava acontecendo, um outro grupo de pessoas se aproxima por trás da garota. O grupo de pessoas usa capas pretas que cobrem todo o corpo e o rosto, nas costas de cada um dos integrantes desse grupo o número 7 está costurado com linhas que parecem ser feitas de ouro, o grupo pega Marta e Jacques e os leva de volta para a praça, arrastando os contra suas vontades, uma vez na mesma um dos integrantes do grupo saca uma faca cerimonial enquanto os outros integrantes arrastam Jacques para perto da fonte.
O m****o com a faca segura Jacques pelo cabelo, puxando sua cabeça para trás, em seguida o homem encapuzado passa a lâmina no pescoço do garoto e inclina seu corpo para a frente, fazendo com que seu sangue se misture a água da fonte.
- NÃO.... – Grita Marta desesperadamente, seu amor estava sendo estrangulado em sua frente, seu sangue sendo retirado como se fosse um porco no abatedouro. Quando o sangue de Jaques termina de escorrer para a fonte, o homem encapuzado enfia a faca no peito do rapaz e arrancar seu coração, em seguida Jacques é jogado dentro do buraco interno da fonte. – Porque estão fazendo isso.... – Balbucia Marta entre as lágrimas, desesperada e com o corpo tremendo de medo, o homem encapuzado com a faca se aproxima da garota e corta-lhe a garganta com um golpe rápido e certeiro, Marta começa a agonizar enquanto o sangue escorre por seu corpo, a morena tenta tapar o corte com as mãos, mas é tarde demais para isso.
O grupo arrasta Marta até a fonte e inclina o corpo da garota sobre a mesma para que seu sangue se misture com a água, a aurora boreal brilha no céu, c***l e impiedosa diante da situação que estava acontecendo abaixo de si. Quando o sangue de Marta para de escorrer seu corpo também é jogado no buraco interno da fonte, as pessoas em toda a cidade estavam caídas inconscientes no chão, todas sob o efeito estranho da aurora boreal.
O grupo se reúne formando um círculo, em seguida o encapuzado com uma faca recolhe os dois corações do chão e os leva até o grupo, um outro m****o do grupo revela uma grande taça de prata adornada com ouro, os corações são postos ali dentro, em seguida a taça é colocada no chão em frente a fonte. Os membros daquele grupo encapuzado formam uma fila ficando lado a lado, todos de frente para a fonte, como se estivessem esperando algo sair do buraco para receber os dois corações, a aurora boreal some do céu e um brilho branco começa a surgir de dentro do buraco, aumentando sua intensidade mais e mais a cada segundo, os membros do grupo começam a titubear e então caem no chão inconscientes, o brilho da fonte aumenta e consome toda a cidade com sua luz branca.