O sangue de Dante ainda manchava meu casaco quando desci para o arsenal. Lá em cima, as sirenes da equipe médica uivavam, mas eu só ouvia o silêncio dentro da minha cabeça. Um silêncio frio. Focado. Corvo estava na bancada, carregando pentes com movimentos rápidos, precisos. Não disse “sinto muito”. Em nosso mundo, luto é para depois. Agora, era hora de agir. — O Conselho está reunido no L’Eclat — disse ele, sem olhar. — Acham que você está no hospital. Estão brindando. Acreditam que Moretti vai devolver Sofia assim que você entregar as rotas marítimas. — Eles acham que sou moeda de troca — respondi, vestindo o colete. A dor nas costelas, do tiro semanas atrás, latejou. Usei-a como âncora. — Esqueceram que fui eu quem limpou a sujeira que eles criaram. — Se você matar um deles, não há

