Acordei com o lado da cama vazio. Não foi o silêncio que me alertou — Dante sempre se levantava antes do sol. Foi o frio no lençol. E o cheiro ausente: ele não usara colônia ao sair. Isso só acontecia quando algo estava errado. Desci descalça, o robe apertado contra o peito. A casa, que ontem ria com Sofia correndo pelo corredor, hoje parecia congelada. Na cozinha, Corvo estava de costas para mim, o cotovelo apoiado na bancada, o rádio preso ao ouvido. Sua mão repousava sobre a arma. — O que houve? — perguntei. Ele virou-se devagar. Sem sorriso. Sem “mana”. Só olhos escuros e cansados. — O cara que você deixou entrar ontem... o ex-homem de Moretti. Enforcou-se na cela. Mas antes disso, escreveu algo na parede com o próprio sangue. Meu estômago afundou. — O quê? — Clínica Isabella

