O Que Fica

1196 Words

Choveu na manhã do enterro. Não era uma tempestade. Era uma chuva fina, silenciosa, como se o céu soubesse que gritos não eram bem-vindos ali. O cemitério ficava nos arredores da cidade, longe dos prédios de vidro e das ruas movimentadas. Nenhum jornalista. Nenhum curioso. Só nós quatro, o Corvo, e um padre que Dante conhecera nos velhos tempos. O caixão era simples. Madeira escura, sem ornamentos. Dentro, as cinzas de Isabella Vane — guardadas por anos, escondidas até mesmo de Sofia, até que a menina estivesse pronta para ouvir a verdade. — Ela merecia isto — disse Dante, a voz baixa, quase perdida na chuva. — Um adeus honesto. Sem máscaras. Sofia segurava minha mão com força. Tinha dez anos agora, os olhos já não tão vazios, mas ainda carregados com o peso de quem viu demais cedo dem

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