2 O preço de um amor proibido

1208 Words
Capítulo 2 Gabi Narrando Acordei com o peito apertado, como se o destino estivesse prestes a virar uma esquina. Fazia alguns dias que minha mãe tinha me contado que ia viajar a trabalho e perguntou se eu poderia ficar na casa de alguma amiga. — Tem sim, mãe. Vou pra casa da Mika — respondi, tentando parecer tranquila. Assim que cheguei lá, contei tudo pra ela. Mika arregalou os olhos e logo chamou as outras. Fizemos a famosa noite das melhores amigas. Entre risadas, pipoca e fofocas, eu finalmente contei o que estava me deixando com o coração acelerado. — Gabi, você é doida! — disse a Vick, rindo. — Por que não pegou o número dele? — Ah, Vick... se for pra acontecer, vai acontecer, né? — respondi, dando uma gargalhada. Foram dias leves, dias que eu não queria que acabassem. Mas o tempo não espera — e o destino também não. No fundo, eu só pensava nele. Aquele cara do shopping. Disse que voltaria em um ano. E eu… fiquei esperando. Três meses depois, minha mãe apareceu toda animada. — Gabi, conheci um rapaz. Me apaixonei à primeira vista — disse com um brilho nos olhos. — Só que ele é um pouquinho mais novo que eu… Revirei os olhos, mas tentei ser compreensiva. — Mãe, vai com calma, tá? Não se apega tanto. — Você precisa conhecer ele! — insistiu. Suspirei. — Mãe, não me leva a m*l, mas... não quero conhecer ele agora. Quem sabe mais pra frente, tá? Ela ficou chateada, eu percebi. Mas preferi ser sincera. Minha mãe sempre foi assim: quando começa a namorar, já quer apresentar e — pior — às vezes o cara já aparece morando com a gente. O tempo passou. Um ano. Eu já estava no segundo ano do colegial, entre provas e saídas com as meninas. Minha mãe voltou da viagem radiante, falando sem parar sobre o namorado. Eu sempre arranjava desculpas para não conhecer o cara, até que um dia ela perdeu a paciência: — Gabi, vai fazer dois anos que estou com ele e você ainda não conhece! — Mãe, o importante é que você esteja feliz. — E estou! E você vai conhecer ele no domingo, sem desculpas. Tentei argumentar, mas ela foi firme. E assim, a semana passou rápido demais. No domingo, acordei com o coração apertado. Uma angústia sem explicação. Liguei pras meninas. — Amiga, se você não tá bem, não vai — disse Mika. — Será que o namorado da sua mãe é alguém que você conhece? — perguntou Vick, rindo. — Ruiva, não viaja! — cortou Pri. — Isso é coisa da cabeça dela. Mas… e se não fosse? Chegou a hora. Entrei no carro com minha mãe. — Mãe, vai indo, eu só vou no banheiro, já te encontro — falei quando chegamos. Ela foi. Eu tentei me recompor. Só que, quando voltei e me virei para sentar… meu mundo parou. Era ele. O mesmo sorriso. O mesmo olhar. O homem do shopping. Meu coração disparou. Eu quis sair correndo, sumir dali. — Oi — ele disse, nervoso. — Oi… — respondi, quase sem voz. Ele tentou sorrir, mas parecia tão perdido quanto eu. Minha mãe, animada, sem imaginar nada, disparou: — Ainda bem que deu certo nosso encontro! Finalmente vai conhecer minha filha, amor. Senti meu rosto gelar. Ele tentava puxar conversa, mas eu m*l conseguia responder. Queria fugir, gritar, qualquer coisa… menos fingir que estava tudo bem. O jantar acabou. Mas o pior ainda estava por vir. Cheguei em casa e chorei tanto que minha cabeça latejava. Quando minha mãe bateu na porta, enxuguei o rosto rapidamente. — Filha, tá tudo bem? — Estou… só com dor de cabeça, mãe. — Mentira. Ela se sentou ao meu lado. — Ele vai se mudar pra cá, sabia? Acho que ele é o homem certo pra mim. Olhei pra ela, tentando não desabar. — Mãe, tem certeza que ama ele mesmo? — Tenho. Estou feliz. Quero tentar de novo. Assenti em silêncio. — Amanhã vou pra casa da Ruiva, tá? Passar uns dias. — Tá bom, mas juízo, hein? — disse ela, sorrindo. Sorri de volta. Mas por dentro… eu sabia que aquela história estava longe de terminar. E algo me dizia que aquele reencontro não tinha sido obra do acaso. Isaac Narrando Moro no Rio há pouco tempo. Tenho 29 anos, sou advogado e, até então, vivia dizendo que estava “solteiro por enquanto” — esperando encontrar alguém que me fizesse acreditar de novo no amor. Meu trabalho me faz viajar muito. Às vezes, nem sei onde vou dormir no dia seguinte. Mas, em meio a essa correria, encontrei ela. Lembro como se fosse ontem. Eu estava no shopping, pegando um suco, quando uma morena linda esbarrou em mim. O suco derramou, ela ficou toda sem graça, pedindo desculpas. — Eu pago outro pra você! — insistiu. — Imagina, deixa pra lá — respondi, rindo. Mas ela não aceitou um “não”. Foi até o balcão e pediu outro. A atendente perguntou meu nome. — Isaac — respondi. — Prazer, Isaac — ela disse, com aquele sorriso que, sem saber, ia me perseguir por muito tempo. Descobri que o nome dela era Gabi quando uma amiga gritou de longe: — GABIIIIIII! E foi assim que guardei o nome dela. Passei semanas pensando naquela garota. Voltei ao shopping várias vezes, torcendo pra cruzar com ela de novo. E um dia, o destino me ajudou. Ela apareceu, tão linda quanto eu lembrava. — Oi — disse, tímida. — Oi — respondi, disfarçando a surpresa. Conversamos, tomamos um suco juntos, e naquele dia percebi que ela tinha algo diferente. Puro, leve. Algo que eu não via há muito tempo. Mas eu precisava viajar. — Vou ficar um ano fora, Gabi — falei. — Se o destino quiser, a gente se encontra de novo. Ela sorriu. — Se for pra ser, vai ser. E partimos, cada um pro seu lado. Um ano depois, conheci Kássia. Uma mulher madura, elegante, encantadora. O tipo de pessoa que chega e muda o ambiente. Nos envolvemos, e eu a pedi em namoro. Ela me contou que tinha uma filha, mas esperava que isso não fosse um problema. — Não é — garanti. — Se você é feliz, é o que importa. O tempo passou, e ela insistia pra eu conhecer a filha. Sempre adiava, e eu nunca entendia o porquê. Até que, dois anos depois, chegou o dia. Eu estava nervoso. Quando ela levantou para buscar a filha, senti o coração disparar sem motivo. Coloquei a mão no rosto, tentando me acalmar. Então ouvi a voz dela. — Mãe, desculpa a demora… Levantei o olhar e… congelei. Era ela. A morena do shopping. A Gabi. Fingi não reconhecer, mas meu coração quase saiu pela boca. Ela me olhou com os olhos marejados, e eu percebi o mesmo espanto no rosto dela. Aquele jantar foi o mais longo da minha vida. Quando voltei pra casa, me sentei no sofá e fiquei olhando pro nada. Agora, a menina que eu desejei estava se tornando… minha enteada. E o pior? O sentimento não tinha ido embora. E eu não sabia o que fazer com ele.
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