7 o preço de um amor proibido

1320 Words
Capítulo 7 Gabi Narrando Olho meu reflexo no espelho e respiro fundo. Passei quase uma hora me arrumando — maquiagem leve, cabelo solto, um perfume suave. Já são quatro da tarde e, sinceramente, preciso distrair minha cabeça. — Mãe, não sabia que o Isaac vinha pra cá hoje... — falo, tentando parecer casual. — E, como de costume, as meninas vêm a cada quinze dias, então... será que elas podem vir hoje? Achei que ela fosse negar, mas, pra minha surpresa, ela sorri. — Vai ser divertido ter elas aqui, filha. Aproveito a brecha: — E o Heitor também vai vir, tá? A gente vai ficar na rua jogando vôlei, conversando... nada demais. Por dentro, agradeço por ela ter aceitado sem desconfiar de nada. Mais tarde, por volta das seis, ligo pra Mika: — Vem pra cá, mulher! Chama a Vick e a Pri também. O Heitor vai vir, a gente pede pizza e se diverte um pouco. Dou uma risadinha. — Ah, e ele vai estar aqui, viu? Se preparem pra conhecer o famoso “namorado da minha mãe”. Até mais tarde, beijo! Quando volto pra sala, Isaac já está lá, sentado e sorrindo. — E o colégio, Gabi? Tá indo bem? — ele pergunta. — Semana de provas... e logo tenho que decidir a faculdade — respondi, me sentando no sofá. — Já sabe o que quer? — Intérprete de Libras. — Sorrio. — Sei o básico, mas quero fazer curso e depois faculdade. Até lá, quero estar trabalhando e... quem sabe... alugando um apartamento com as meninas. Minha mãe ouve e ri: — Que ótimo, filha. Só vou ficar chateada porque você vai querer se mudar, mas sei que preciso deixar você crescer. — Isso, mãe. Mas não vou sumir, prometo. Ela me encara por um momento, com aquele olhar curioso que só mãe tem. — Posso te fazer uma pergunta? — Claro, mãe. — Quando cheguei hoje, te vi cantando aquela música... Tá pensando em alguém em especial? Congelo. Pensa rápido, Gabi. — Ah, não, mãe. Eu só liguei o rádio e estava tocando. Pode ficar tranquila, sua filha não quer se apaixonar nem tão cedo. — Rio, nervosa. — Quero trabalhar, estudar, ter minhas coisas. Se não aparecer ninguém, tudo bem. (Ufa... será que ela acreditou?) Flashback — Gabi Dois anos antes O sol batia forte no parque, e eu tentava esconder o nervosismo. Isaac me olhou com aquele sorriso torto e disse: — Quando eu voltar, quero te ver de novo. Promete que vai esperar? Eu ri, sem saber se ele estava brincando. — Um ano é muito tempo, Isaac. — Mas você é muito pra esquecer. Ele me beijou. E naquele momento, eu acreditei em tudo. Isaac Narrando Ver todos sorrindo me faz relaxar. Principalmente ela. Gabi tem esse jeito leve... e isso me desmonta por dentro. Sou louco? Talvez. Mas quanto mais tento negar, percebo o quanto ela me afeta. E o pior: o que vou fazer com a mãe dela? Não quero decepcioná-la, mas a cada olhar da Gabi, tudo em mim se confunde. Mais tarde, quando todos se despedem, ofereço carona. Gabi não parece gostar muito da ideia, mas a mãe dela insiste: — Vai com ele, filha. Eu fico e arrumo a casa. Gabi revira os olhos, mas aceita. Durante o caminho, o Heitor se despede com um beijo na bochecha dela e aproveita para pedir o número da Mika. Ela ri e passa. O clima fica leve... até demais. Depois de deixar as meninas, fico só com a Gabi no carro. Silêncio. O tipo de silêncio que grita. Decido parar perto do colégio. — Gabi, preciso conversar com você. Ela cruza os braços. — O que você quer comigo, Isaac? Eu não tenho nada pra falar com você. — Se eu não falar, você não vai me ouvir, né? — respiro fundo. — Então me escuta, por favor. Ela desvia o olhar, impaciente. — Fala logo. — Eu quero pedir desculpas. — Por quê? — ela ironiza. — Por namorar minha mãe ou por mentir dizendo que gostava de mim? Sinto o golpe, mas não desvio o olhar. — Eu não sabia que ela era sua mãe. Nunca imaginei. Quando te conheci, falei que ia viajar e voltaria em um ano... e voltei. Mas não sabia que ia me envolver com ela. Ela ri, sem humor. — Então você quer que eu entenda? — Quero que saiba que... gosto da sua mãe, sim. Mas você não sai da minha cabeça. Eu tentei, Gabi. Eu juro que tentei. As palavras dele me atingem em cheio, e tudo dentro de mim quer gritar. — Não tem que pedir desculpa. Eu estou com raiva, estou magoada, mas, acima de tudo... — minha voz falha — eu amo minha mãe. Sempre foi eu e ela contra o mundo. Sinto as lágrimas querendo cair. — Doeu ver vocês se beijando hoje. Foi como uma facada. Mas vou tirar você de mim, Isaac. Vou arrancar. Porque não quero dividir meu amor. Ele segura meu braço. — Você não vai me esquecer, Gabi. Quando o amor é de verdade, não acaba assim. Dou uma risada amarga. — Amor? Você ama ela e diz que me ama também? Isso não existe. Ou é uma... ou é a outra. — Eu... — ele tenta falar, mas eu o interrompo: — Eu vou abrir mão. Minha mãe merece ser feliz. Então, a partir de agora, esquece o dia em que me conheceu. Eu sou apenas a filha da sua namorada. As palavras saem cortando minha própria alma. Ele me encara por um instante e, antes que eu perceba, me encosta no carro. O olhar dele é um pedido e um erro ao mesmo tempo. — Isaac, não faz isso — sussurro. — Eu não posso. Mas ele se aproxima. E me beija. Por um segundo, o mundo para. Meu coração grita pra corresponder... mas minha consciência berra mais alto. Empurro ele com força, dou um tapa no rosto dele. — Nunca mais! — grito, tremendo. — Enquanto você estiver com ela, eu não sou nada sua! Saio andando, furiosa, confusa, despedaçada. Ele tenta insistir: — Eu te levo pra casa. — Eu sei o caminho! — respondo, firme. O celular toca. É minha mãe. Coloco no viva-voz. — Oi, mãe, estou a caminho. O pneu do carro do Isaac furou. — Espera ele arrumar, filha. — Não dá, mãe. Estou cansada, foi um dia longo. Já estou chegando. — Encerro a ligação e encaro ele. — Pronto, agora pode ir. Kássia Fiquei observando os dois desde o início da noite. Gabi tentava parecer tranquila, mas seus olhos não mentem. E Isaac... ele olhava pra ela como quem carrega um segredo. Quando ela saiu com ele, senti um aperto no peito. Não sei explicar. Mãe sente. Mais tarde, fui até a sala e vi o celular dela vibrar. A tela acendeu com uma mensagem. Não li. Mas vi o nome. Isaac. Gabi Narrando Depois que saí do carro, chorei tudo o que tinha pra chorar. E prometi: vou ser forte. Ele ama ela. Eu preciso aceitar. Chego em casa com o rosto inchado. — Nossa, filha, demorou — minha mãe diz. — Fiquei preocupada. — Estou bem, mãe. Só andei devagar. Ela sorri. — Amanhã vou ver o meu amor. O sobrinho dele vai lá, e ele pediu pra eu passar a tarde com eles. Meu estômago revira, mas sorrio mesmo assim. — Que bom, mãe. Eu vou sair com as meninas amanhã. Vai ser um dia longo. Boa noite. Vou pro quarto, fecho a porta e encosto as costas nela. Respiro fundo. Mas antes de deitar, olho pro celular. Uma notificação acende na tela. “Gabi, me perdoa. A gente precisa conversar. É sério.” — Isaac. Meu coração dispara. Apago a mensagem sem ler o resto. Mas, no fundo... eu sei. Aquilo ainda não acabou.
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