Digão Narrando
- Eu não sei como colocar minha cabeça no lugar. Desde quando o meu irmão está em coma, não tenho dormido direito, não como direito e emagreci pra c*****o. Não faço nada da minha vida, nunca mais nem dei um sorriso, um m*l humor do c*****o e uma tristeza que não tem fim. E o pior de tudo, não consigo mais ser o mesmo, a Caroline até tenta me trazer novamente tlg? Mas não consigo mano, é mais forte do que eu. O tempo que o VT está internado, é o tempo que eu não encosto na minha mulher, tem noção disso? Ela tenta, mas eu não tenho vontade. To vivendo no automático e quem tem me dado uma força é o Metralha, tem vindo sempre aqui no morro me dar uma assistência, e até mesmo o Urso. Mas eu não colocaria ninguém no lugar do Vitor, isso nunca.
- Sei que tá difícil pra ela também, porque nós é uma dupla. Mas nem a minha parte eu consigo fazer como homem da casa, não brinco com meu moleque e o pior de tudo, sei que ele sente falta. Nós contou pra ele com a mãe da Caroline que a mãe dele se foi, e a Cláudia tem sido a nossa rede de apoio. Dizem que mulheres fortes, criam filhos fortes e isso é a maior verdade, a minha sogra é f**a pra c*****o. Tem dado atenção pro meu menor e ajudando minha mulher em tudo.
- Vou todos os dias ver meu irmão e ver ele deitado na cama de um hospital, mexe comigo de uma forma que eu não sei explicar. A Caroline sempre vai comigo pra me dar uma força, até porque ainda fico sem graça em olhar para Luana nessa situação, grávida e sozinha, me sinto culpado pra c*****o.
- Estou aqui na boca, já fiz tudo o que tinha pra fazer. Apertei um baseado e comecei a fumar pensando que já está na hora de visitar ele, dessa vez vou sem ninguém, porque querendo ou não eu fico envergonhado de falar alguma parada com ele na frente dos outros. E eu preciso dar um papo nele, eu sei que ele vai me escutar, ele precisa reagir e a gente voltar a ter ele novamente. Todos os dias penso que a morte do Arafá foi muito pouco pro que ele causou, ele deveria ter sofrido mais, esse desgraçado.
- Levantei indo em direção a moto, não falo com ninguém na boca, somente o necessário, to fechadão mesmo. Sai indo em direção ao posto, cheguei lá e já entrei pra falar com o médico, quero que ele me esclareça tudo sobre o Vitor, que mande a real mesmo. Já se passaram três meses e nada, não quero que ele esteja mentindo pra gente. Ele estava em um corredor falando com alguém, me viu se aproximando e veio na minha direção.
Digão: Dr preciso que seja sincero e me diz quais são as chances do Vitor acordar. - Disse direto e com medo de tudo que ele possa falar.
Dr Daniel: Digão é o seguinte, a uns tempos atrás o caso dele era muito delicado, só que ele se recuperou. O corpo dele não entrou em coma, a gente que colocou. Só que esse coma já foi tirado, ele só precisa acordar e cada corpo reage de um jeito, alguns mais rápido e outros nem tanto, então é ter paciência. Os exames dele são ótimos e o quadro clínico dele também. Na tomografia craniana não deu nenhuma alteração encefálica ou algo que ele pudesse estar em um estado vegetativo. Ele só precisar voltar. - Falou me explicando toda situação.
Digão: Mas no caso dele o Senhor acha que está demorando? Não tem nada que a gente possa fazer? - Disse preocupado.
Dr Daniel: Como eu disse, cada corpo reage de uma forma, teve casos de pessoas acordarem de um coma induzido em dias e outros que demorou um ano, a medicina tem dessas coisas, não é uma matemática exata. O que vocês podem fazer é estimular ele a voltar, conversar e trazer memórias. No mais é só ter paciência, se apegar a sua fé e você pode ter total certeza que ele está sendo bem assistido por toda nossa equipe. - Falou me aconselhando.
Digão: Valeu Dr, deixou forte. Tmj mesmo. - Disse apertando a mão dele e indo pro quarto do meu irmão.
- Cheguei lá e bati na porta, a Luana mandou eu entrar.
Digão: Eai, tá tudo bem contigo cunhada?
Luana: Na medida do possível está sim. E você, como está?
Digão: Na mesma, pode me deixar trocar uma ideia com ele?
Luana: Claro, vou lá fora comer alguma coisa, quando você sair eu volto e para de se culpar por isso, você não está sendo justo consigo mesmo. - Falou com um olhar ameno e saiu do quarto.
- Me aproximei dele e passei a mão no cabelo bagunçando, ele sempre odiou isso hahahahah.