Capítulo 17

1080 Words

Capítulo — Narrado por Vitinho (Na boca, contando dinheiro) O barulho do morro nunca some de verdade. Ele só muda de tom. De madrugada é motor de moto, gargalhada solta, som vazando de casa em casa. De dia é martelo, criança correndo, rádio ligado, gente gritando de janela em janela. Na boca, o som é outro. Mais baixo. Mais contido. O som do dinheiro sendo contado, da conversa curta, do olhar atento. Eu tava sentado atrás da mesa, costas apoiadas na parede, dinheiro espalhado na minha frente. Notas separadas por valor, tudo organizado do meu jeito. Sempre fui assim. Controle. Ordem. Se eu perco isso, perco tudo. Pegava as notas, contava uma por uma, empilhava, conferia de novo. Não confiava só nos números. Confiava no olho, no tato, no peso do dinheiro na mão. Aprendi cedo que confiar

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