Caveira narrando Eu respiro fundo, tentando segurar a minha raiva no meu peito. Se eu deixar ela subir… eu faço merda. E hoje não é dia pra isso. Hoje eu preciso de cabeça fria, firme, no lugar. Que saída eu tinha? Nenhuma. O cuzão do Juninho engravidou a minha irmã. Minha irmã, p***a. A única pessoa que sempre segurou minha mão quando o mundo tentou me quebrar. Eu não podia deixar meu sobrinho nascer sem pai, não aqui no morro, onde qualquer vacilo vira brecha pros inimigos. Mas também não ia fingir que tava tudo certo. Não ia dar tapinha nas costas dele. No primeiro vacilo do Juninho… eu passo ele. E amizade nenhuma segura isso. Aqui em cima, respeito vale mais que laço de sangue. E se não tiver respeito… sobra bala. Da cozinha vem o cheiro do refogado fritando no azeite. Lisandra

