Capítulo 123

1598 Words

Caveira narrando Não há som mais agourento no meu mundo do que o chiado estridente do rádio. Na favela, o silêncio significa vigilância, e o barulho é sempre o da Merda. Quando o meu rádio começou a chiar do nada, cortando o silêncio da minha sala como navalha rasgando pele, eu sabia. No mesmo segundo em que o chiado ecoou, aquele frio subiu pela minha espinha. Frio de merda vindo aí. Não dava pra errar. Eu conhecia esse presságio melhor do que conheço minhas próprias cicatrizes. — c*****o… — murmurei, me levantando. Corvo, que estava encostado no braço do sofá, ergueu a sobrancelha. Juninho já veio andando do corredor, ajeitando a camiseta como se tivesse pressentido também. A gente saiu da minha casa com passos duros, direção direto pra barreira. Sem perder tempo, sem respiração sob

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