MARIANNA THOMÁZ
O beijo dele era diferente de tudo o que eu conhecia.
Não era só o toque dos lábios, era o cuidado nas mãos que seguravam meu rosto, o jeito como ele respeitava cada pausa, cada suspiro meu.
Gabriel parecia dançar no mesmo compasso que meu coração, ou talvez meu coração é que tivesse decidido acompanhá-lo.
Quando o beijo terminou, ele encostou a testa na minha e respirou fundo. Senti seu hálito quente, a pele dele tão próxima, e pela primeira vez em muito tempo, eu me permiti ficar ali, no silêncio, sem precisar fugir.
— Está tudo bem? — ele perguntou, com os olhos presos nos meus.
— Está... — sussurrei. — Eu só... estou tentando lembrar como é viver isso.
Ele sorriu de leve e deslizou o polegar pela minha bochecha.
— A gente pode começar devagar, do seu jeito, do seu tempo.
Aquela frase, dita com tanta simplicidade, me desmontou, não sabia que precisava tanto ouvir isso.
Tantos anos em um relacionamento onde tudo era obrigação, peso, culpa, onde meu corpo não era meu, minha vontade era um detalhe, agora, pela primeira vez, alguém me oferecia liberdade.
Gabriel se levantou e estendeu a mão novamente. Ele fazia isso com frequência, me convidar ao invés de me puxar, aquilo era tão diferente que parecia surreal.
— Vem, quero te mostrar uma coisa.
Me guiou até uma pequena varanda de vidro, onde havia um tapete grande, almofadas e uma manta dobrada.
A cidade lá embaixo era um mar de luzes,
sentamos lado a lado, ele pegou a manta e cobriu nossas pernas.
— Gosto de vir aqui à noite. — falou, encarando o horizonte. — Me lembra que o mundo é enorme, e que nossos problemas nem sempre são tão grandes quanto parecem.
Assenti, me permitindo encostar no ombro dele.
— Às vezes, parece que o mundo encolheu. — confessei. — Nos últimos anos, minha vida foi só uma casa, um casamento falido e uma sensação constante de que eu estava presa.
— E agora?
— Agora... parece que eu abri uma janela. Você... parece essa janela.
Ele me olhou, surpreso, e depois riu, um riso leve, bonito, que me aqueceu por dentro.
— Que bom que você está olhando pra fora então, prometo que tem um céu imenso esperando por você.
Nos calamos por alguns minutos. Eu observava as luzes, sentia o calor dele ao meu lado, e percebia algo crescer dentro de mim.
Não era só desejo, era algo mais profundo. Era curiosidade, era esperança, era medo também claro, mas um medo diferente, o tipo que vem quando estamos diante de algo bom demais, e não sabemos se merecemos.
Ele voltou a me beijar, dessa vez mais firme, com mais intensidade, eu respondi, meus dedos se perderam na nuca dele, minha respiração se acelerou.
Senti o mundo girar ao contrário por alguns instantes, eleme deitou sobre as almofadas, mas com calma, com cuidado, seus olhos buscavam os meus o tempo todo.
— Me avisa quando quiser parar. — ele disse, num sussurro, com a boca colada na minha pele.
Fechei os olhos, o toque dele era quente, e minha pele parecia responder antes de mim, eu queria aquilo.
Queria me redescobrir, queria ser mulher de novo, não só ex-esposa, não só alguém que sobreviveu a um casamento infeliz, mas uma parte de mim ainda resistia.
— Espera. — pedi, tocando o braço dele.
Ele parou na hora. Me encarou com preocupação, mas sem julgamento.
— Eu quero, Gabriel. Só... ainda não consigo.
— Marianna... — ele sussurrou, se afastando um pouco para me olhar melhor. — Você não me deve nada. Eu estou aqui porque quero você, não o que você pode me dar.
Essa frase. Meu Deus.
Sentei devagar, ajeitando a manta sobre as pernas, sentindo o coração bater como um tambor.
Com uma coragem que nunca tive, me permito sentir, me permitir fazer uma loucura, encosto meu rosto no de Gabriel, beijo seu pescoço, sentindo sua pele se arrepiar com meu toque, um gemido rouco escapou de seus lábios.
— Quero você também… — sussurro com os lábios colados ao pescoço dele, o gemido se Gabriel foi mais alto, suas mãos apertaram um pouco mais minha cintura.
Me puxando mais contra seu corpo, agora sinto toda sua ereção roçar na minha b***a, eu devia ficar com medo, eu devia sair daqui, mas… Aquilo só me deixava mais excitada, eu estava sendo desejada, ele não escondia isso, e eu queria, eu queria mais.
Gabriel levou sua mão até a minha coxa, desliza até meu joelho, e sobe ela lentamente, levando meu vestido junto, de modo que fazia minha pele queimar.
Essa sensação era tão nova para mim, que fico até envergonhada em como.meu corpo reage a esse rapaz.
— Você é tão linda Marianna…
Gabriel beija a minha boca de forma tão intensa que acabou gemendo, a quantos anos não gemo com um simples beijo, aliás nem me lembro se já fiz isso, só sei que estou pegando fogo, de uma forma intensa.
— Desculpa senão corresponder as suas expectativas Gabriel, não faço isso a anos, não desta forma intensa.
Confesso, ele sorri levando sua mão até minha nuca, ele beija a minha boca.
— Não precisa se desculpar por nada, estamos juntos nessa, não quero te decepcionar, não sou tão experiente como está pensando. — ele fala passando a língua pelo contorno dos meus lábios.
Isso não parecia verdade, suas mãos formes, seus beijos ardentes, me faziam crer que ele tem muita experiência, e ainda mais com essa aparência,sss esse corpo, deve ter garotas com a metade da minha idade aos seus pés. Tenho total certeza.
Gabriel se levanta comigo nos braços, e me leva até o quarto, era incrivelmente arrumado, e cheiroso, sou deitada na cama, seu olhar encontra o meu.
— Se quiser parar a qualquer momento, pode me dizer, eu vou parar, quero você, quero demais, mas quero que esteja confortável a todo momento.
— Não quero me sentir confortável Gabriel, quero você, do jeito que me quiser.
Sou ousada como.nunca fui na minha vida, o sorriso de Gabriel, não sei dizer se me assusta, me deixa apreensiva, só sei dizer que estou excitada e preciso dele.