Entrei na viatura e, poucos minutos depois, já estávamos na base aérea.
O rádio não parava de transmitir informações.
— Caminhão-tanque em chamas...
— Múltiplas vítimas...
— Equipes terrestres insuficientes...
Corri até o helicóptero.
Minha equipe já me esperava.
— Capitão, combustível completo. Equipamentos conferidos.
Assenti com a cabeça.
— Vamos salvar o máximo de vidas possível.
As hélices começaram a girar.
Em segundos, já estávamos no ar.
Lá de cima, era possível ver uma enorme coluna de fumaça n***a cortando o céu.
Quando nos aproximamos, meu estômago se apertou.
O cenário era de guerra.
O ônibus estava destruído.
O caminhão completamente tomado pelas chamas.
Carros espalhados pela pista.
Pessoas gritavam por socorro.
Outras choravam desesperadas ao lado dos familiares.
Pousei o helicóptero em uma área segura.
Assim que coloquei os pés no chão, comecei a coordenar o resgate.
— Vocês dois comigo!
— Isolem aquela área!
— Cuidado com o tanque! Qualquer faísca pode provocar outra explosão!
Corremos entre as ferragens.
Conseguimos retirar uma criança.
Depois uma mulher grávida.
Em seguida, um senhor preso pelo cinto de segurança.
O suor escorria pelo meu rosto.
A fumaça queimava meus olhos.
Mesmo assim, eu não parava.
Foi quando ouvi um choro.
Era baixo.
Fraco.
Segui o som até um carro completamente esmagado.
No banco de trás havia uma menina, de aproximadamente seis anos.
Ela estava presa.
Assustada.
Coberta de sangue.
Quando me viu, começou a chorar ainda mais.
— Moço... não deixa eu morrer...
Meu coração apertou.
Ajoelhei ao lado dela.
— Ei... olha para mim.
Ela obedeceu.
— Eu sou o Ryan.
E eu prometo que vou tirar você daqui.
Ela segurou minha mão com toda a força que ainda tinha.
— Promete?
Sorri, tentando esconder o medo.
— Promessa de bombeiro.
Enquanto minha equipe cortava as ferragens, ouvi alguém gritar atrás de mim.
— Capitão! O caminhão está cedendo!
Olhei rapidamente.
As chamas estavam se espalhando.
O tanque começava a deformar por causa da temperatura.
Não tínhamos muito tempo.
Respirei fundo.
Olhei novamente para aquela garotinha.
Ela lembrava tanto a minha Letícia que meu coração quase saiu do peito.
Naquele instante, só existia uma missão.
Tirá-la dali... custasse o que custasse.
As ferramentas finalmente romperam a última parte das ferragens.
— Mais um pouco! — gritei.
Um dos bombeiros conseguiu afastar a porta amassada.
Com todo o cuidado, deslizei meu corpo para dentro do carro.
A menina tremia de medo.
— Ei... acabou. Você está segura agora.
Ela começou a chorar ainda mais.
Soltei o cinto que a prendia e a peguei nos braços.
— Conseguimos!
Minha equipe abriu caminho enquanto eu corria para longe do veículo.
Assim que entreguei a menina aos paramédicos, uma explosão ensurdecedora tomou conta da rodovia.
BOOOOM!
A onda de impacto nos lançou ao chão.
Levantei rapidamente.
— Todo mundo bem?
Minha equipe respondeu que sim.
Respirei aliviado.
Mais vidas foram sendo retiradas dos veículos destruídos.
Depois de quase oito horas de operação, o incêndio foi controlado.
O último sobrevivente foi levado para a ambulância.
Olhei ao redor.
A rodovia estava em silêncio.
O cenário era devastador.
Mesmo cansado, agradeci a Deus por termos conseguido salvar tantas pessoas.
Voltamos para a base já no início da manhã.
Enquanto retirava os equipamentos, peguei o celular.
Sorri ao ver uma mensagem de Jennifer enviada durante a madrugada.
"Meu amor, as crianças sentiram sua falta no jantar. Volta logo. Nós te amamos. ❤️"
Meus olhos se encheram de lágrimas.
Sorri sozinho.
Respondi imediatamente.
"Também amo vocês. Estou indo para casa. Hoje ninguém me tira daí."
Entrei no carro.
No caminho, passei na padaria.
Comprei o pão preferido da Jennifer, alguns doces para as meninas e o cereal de chocolate que Diego adorava.
Também parei em uma floricultura.
Escolhi um buquê de lírios brancos.
Jennifer amava lírios.
Enquanto dirigia, imaginava o sorriso dela ao abrir a porta.
Ela sempre corria para me abraçar.
As crianças vinham logo atrás.
Era o melhor momento do meu dia.
Eu nem imaginava que, naquela manhã...
...minha vida estava prestes a mudar para sempre.
Assim que entrei em casa, fui recebido do jeito que eu mais gostava.
— Papai!
Os três correram na minha direção. Diego pulou no meu colo, Letícia me abraçou pela cintura e Clarisse já ria da empolgação dos irmãos.
Jennifer apareceu logo atrás, sorrindo daquele jeito que fazia qualquer cansaço desaparecer.
Olhei para todos eles e tive uma ideia.
— Que tal a gente passar o dia na praia?
As crianças gritaram ao mesmo tempo.
— Sério?
— Ebaaa!
— Eu quero entrar no mar!
Os três começaram a pular pela sala, comemorando como se tivessem ganhado o maior presente do mundo.
Jennifer apenas balançou a cabeça, rindo.
— Então vou arrumar as coisas.
Ela pegou as bolsas, começou a separar as toalhas, os protetores solares, as roupas de banho e alguns lanches para levar.
Aproximei-me devagar por trás dela, passei os braços ao redor de sua cintura e sussurrei em seu ouvido:
— Me dá dez minutinhos... rapidinho.
Ela sorriu.
— Ryan... as crianças estão acordadas.
Beijei seu pescoço.
— Vai ser bem rapidinho, meu amor.
Ela riu baixinho, segurou minha mão e me puxou para o nosso quarto.
Assim que entrou, trancou a porta.
No instante seguinte, eu a envolvi em meus braços e a beijei com toda a saudade que havia acumulado nos últimos dias.
Foi um beijo lento, cheio de carinho, como se o mundo lá fora deixasse de existir por alguns minutos.
Quando finalmente nossas respirações se acalmaram, ela encostou a testa na minha e sorriu.
— Eu estava com tanta saudade de você...
Acariciei seu rosto delicadamente.
— Eu sei, meu amor. Tenho trabalhado demais... mas isso vai mudar. Prometo. Quero passar mais tempo com vocês. Vocês são a minha prioridade.
Jennifer sorriu emocionada e passou a mão pelo meu rosto.
— Só de ter você aqui, já vale a pena.
Beijei sua testa.
— Eu amo você.
— Eu também amo você, Ryan.
Alguns minutos depois, saímos do quarto de mãos dadas.
As crianças já estavam prontas, usando suas roupas de banho, chinelos e bonés.
Diego segurava um baldinho de areia.
Letícia carregava uma boia colorida.
Clarisse ria dos irmãos enquanto colocava os óculos de sol.
Olhei para aquela cena e meu coração se encheu de paz.
— Minha família é linda... — murmurei.
Jennifer entrelaçou seus dedos aos meus.
— Somos muito felizes.
Sorri para ela.
— E sempre vamos ser.
Entramos no carro entre risadas, músicas e brincadeiras.
Sem imaginar que aquele passeio, que deveria ser apenas mais um dia feliz em família... seria o começo da dor que mudaria nossas vidas para sempre.