ACE A voz da minha sogra, doce e animada, parecia uma música de fundo nos meus ouvidos enquanto ela se sentava novamente à mesa, cheia de empolgação. — Estou pensando em fazer uma viagem com o Eduardo quando ele se aposentar de vez. Talvez Espanha… ou quem sabe Grécia? — disse ela, os olhos brilhando de expectativa. — Ele nunca teve tempo para essas coisas. Sempre foi trabalho, trabalho, trabalho… Assenti, educado, com um pequeno sorriso de falso interesse. A verdade é que minha atenção estava em outra direção. De soslaio, vi Luna ainda atordoada, com os olhos fixos no prato como se ele tivesse acabado de se transformar em uma equação de física quântica. Ela levou os dedos devagar até os lábios, sem perceber, como se ainda sentisse os meus ali. E, de fato, devia estar sentindo. Não re

