A biblioteca sempre foi o lugar onde eu me escondia do mundo. Onde eu conseguia respirar, pensar, organizar o caos aqui dentro. Mas agora... até ela estava contaminada. Por ele. Pelo olhar dele. Pela lembrança da última vez em que nos sentamos lado a lado e ele disse, com todas as letras, que estava esperando. E o pior: ele realmente estava. Não com pressa. Não com pressão. Mas com presença. E isso mexia comigo mais do que qualquer outra coisa. Naquela tarde, encontrei Cael exatamente onde eu sabia que ele estaria: na última fileira da ala dos clássicos de direito, entre as estantes silenciosas e a janela com vista para o jardim. Ele usava uma blusa cinza clara, simples, o cabelo bagunçado de um jeito distraído. Quando me viu, não sorriu. Só abriu espaço ao lado. Sentei. Abri meu

