Do nada ela chegou no meu ouvido e disse: -Tenho uma surpresa pra ti. Só que vais ter de esperar até escurecer. Olhei para ela com um olhar inquisitivo e, como resposta, recebi uma piscadela com um ar de pretensa inocência. Mesmo depois de tantos anos juntos, ainda tínhamos aquela mesma cumplicidade de quando nos conhecemos, há muito tempo atrás. Ela permaneceu calada por alguns instantes, me encarando. Depois, levantou-se do sofá e voltou para o quarto, com os cabelos ainda molhados e o caminhar confiante que lhe era característico. Seus passos m*l podiam ser ouvidos no piso de carvalho, mesmo em meio ao silêncio típico dos fins de tarde. Aproximava-se o fim de mais um dia de calor na região serrana, o septuagésimo quarto, pelas minhas contas. Desde que voltamos da Itália,

