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Mistério e Suspense na Mansão Cavendish

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Blurb

Elizabeth é uma orfã de 16 anos que recebe uma notícia inusitada: é a única herdeira de uma mansão no Amapá. Junto com seu amigo Fisto, que esconde um segredo, ela vai tomar posse da herança e lá ela se envolverá em uma série de fatos estranhos e suspense psicológico onde ela descobrirá estar envolvida em uma gigantesca trama que inclui cobiça humana, sobrenatural e mistério.

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Capítulo 1
- Senhoras e Senhores. Bom dia, diz uma voz masculina.      Era manhã na região de Calçoene, cidadezinha do Amapá. Todos estavam reunidos na mansão Cavendish, um pouco afastada da cidade, um grande casarão antigo, estilo século 19, que lembrava a arquitetura de sedes de grandes fazendas antigas. Uma grande porta que leva a um grande salão e, no meio, uma grande escada que dá em um grande corredor no segundo andar que leva, à direita e à esquerda, aos quartos. Do lado direto de quem entra na porta principal estava a porta da cozinha. Por fora, uma pintura de cor escura, dava um ar mais velho ao casarão. Na frente da grande porta uma grande escada que levava para fora. Em cima dessa escada um telhado, que cobria metade da escada, com uma grande janela central, a janela do segundo andar do casarão, onde ficavam mais quartos. Um pouco mais à frente do casarão uma estrada de terra. Poucas árvores na frente, mas dos dois lados muitas, indicando que ali estava a floresta. Para chegar às escadas principais uma trilha, feita de pedras de basalto. - Senhoras e Senhores, atenção.      Quem diz essa frase, e também a outra, é o advogado Adolfo Perez que representa o dono da mansão. O dono é Henry Cavendish, um senhor inglês que acabou de falecer aos 86 anos. Ele havia chegado ao Brasil nos anos 60 e feito fortuna com criação de gado e búfalo, mas na sua velhice, seus negócios começaram a piorar e a única coisa de valor que restou foi a sua mansão, sede de sua fazenda e também o grande terreno envolta. - A leitura do testamento ocorrerá nesse momento.      O advogado Adolfo Perez abre a pasta. Ele está em frente a uma grande mesa redonda, onde se encontra o mordomo da mansão, Álvaro Lopes e algumas poucas pessoas, domésticas, jardineiros e peões que trabalhavam esporadicamente na fazenda, sem vínculos mais fortes com ela. Henry era solitário, tinha tido uma filha, de nome Elizabeth Cavendish Stanton, mas esta faleceu de doença quando era criança o que o entristeceu muito. Sozinho, na velhice, não tinha ninguém. Estrangeiro, era afastado de possíveis parentes que moravam na Inglaterra e, com os quais, não tinha contato. Foi o próprio Henry quem redigiu seu testamento, organizado por seu mordomo. - Começarei a leitura, diz o advogado Adolfo Perez. - Eu, Henry Cavendish, no pleno exercício de minhas faculdades mentais, deixo todos os meus bens a....      Nesse meio tempo o mordomo Álvaro Lopes sorri, pois acredita que será o beneficiário da herança. - a.... Elizabeth Cavendish Stanton.       O mordomo estranha e protesta: - Está errado. Elizabeth Cavendish era a filha dele e faleceu a décadas. Absurdo. Esse testamento está errado.      O advogado Adolfo Perez declara: - Sinto muito, mas está certo. É esse o nome.      O mordomo retruca: - Mas esse nome é da filha dele. Ela faleceu, portanto n******e herdar nada. Esse testamento não tem validade.     O advogado continua a leitura e declara: - Espera. Há um número aqui, um número de CPF. Esse número, diz o testamento, corresponde ao número de CPF da herdeira dos meus bens. É a ela que deve ir tudo o que deixei. - Mas quem é essa? Pergunta o mordomo. - Não sei, mas cabe a mim descobrir, pois essa é a herdeira dos bens do falecido Henry Cavendish, diz o advogado. E é o que farei, descobrirei quem ela é realmente. - Elizabeth, acorda. Já são 6 da manhã. - Só mais um pouco. - Não, não dá. Temos que começar o trabalho.       Quem tentava acordar Elizabeth era uma amiga, no orfanato Frei Galvão, na grande São Paulo, dirigido pelas freiras carmelitas. Era um grande orfanato, quase da extensão de um quarteirão. Cada interna tinha uma cama, mas o quarto era grande e coletivo. Várias camas enfileiradas, como carteiras de um colégio. Cada moça tinha, além da cama, roupas próprias, simples, normalmente vestidos. Não tinham armários individuais, mas poderiam colocar suas roupas em malas perto da cada cama. Estavam em camas coletivas. Do lado do grande quarto havia um refeitório coletivo onde as internas tomavam café, almoçavam e jantavam. Eram mesas grandes, também enfileiradas, com cadeiras para cada uma. Mais ao fundo ficava a lavanderia. Com grandes máquinas de lavar onde algumas internas trabalhavam. Era uma grande sala, onde também havia tábuas de passar para as internas passarem roupas. Elizabeth trabalhava nesse lugar. Havia também, em outra sala, muitas máquinas de costura, usadas por outras internas para trabalho. O orfanato oferecia esses serviços para comunidades de fora. As internas trabalhavam, ganhavam um salário que poderiam gastar para si, mas não com luxos, já que as carmelitas faziam voto de pobreza. Havia uma capela onde as internas rezavam e, na outra metade do orfanato um grande pátio, que se parecia com uma praça pequena, onde elas podiam ficar. Circundando o orfanato, havia um grande muro cinza. Comandando tudo estava a madre superiora do convento. Seu nome era Georgina Freitas. Tinha por volta de 50 anos. Era rígida e as internas pouco sabiam de sua biografia, embora algumas acreditassem que ela também tinha sido abandonada quando criança, mas muitas gostavam dela. Era a mãe que muitas nunca tiveram. Rígida, mas justa. - Está bem, já vou.      Elizabeth vai ao banheiro lavar o rosto. Uma moça baixa, cabelos pretos, longos, pele morena, nos seus 16 anos. Usava um grande vestido que cobria seu corpo. Não tinha calça. O orfanato, muito rígido, proibida seu uso pelas internas. Estava lá desde bebezinha, abandonada em uma igreja próxima, em um bairro paulistano. Criada pelo orfanato não tinha ninguém. Não recebia visitas, mas podia sair, embora para poucos lugares, normalmente não muito longe. Elizabeth saiba pouco do mundo externo. Havia lido alguns livros e revistas comprados de fora. Não tinha televisão, mas com seu salário comprou um celular, mas não tinha w******p, nem f*******:, algo p******o no orfanato, de regras rígidas. - É hora Elizabeth, disse a madre superiora que a viu saindo do banheiro. - Eu sei, eu sei, já vou.   Elizabeth foi à capela do orfanato, iniciar as orações diárias junto com as outras internas. Logo após foram ao refeitório coletivo, um grande g***o de mesas grandes onde várias meninas se reuniam para o café. - Sabia que o Fisto foi pego tentando entrar aqui? Disse uma das moças à Elizabeth. - Como é? - É isso aí, as irmãs pegaram ele tentando entrar pelo muro e ele disse que ele estava lá para te ver. - Ah que d***a, esse cara vai me dar problemas ainda, retruca Elizabeth. A madre superiora chega onde ela está. - Elizabeth, depois do café venha a minha sala, quero falar contigo. - Ah, essa não, retruca ela.      Após o café, que consistia em uma refeição simples, de pão, algumas frutas e café também, Elizabeth foi à sala da madre. Era uma sala pequena, com uma mesa de escritório, e um cadeira no meio. Atrás uma janela que dava para o pátio. Havia também outras cadeiras menores, mais no canto, três ao todo e também um armário do lado direito de quem entra e armário de arquivos, de aço, do lado esquerdo. - Elizabeth, você sabia que um rapaz foi pego em cima do muro do orfanato, observando aqui dentro e que ele declarou que queria te ver? - Me disseram madre. - Elizabeth, você tem 16 anos. É jovem, muitas aqui estudam para serem freiras, mas você não. Você é livre para sair quando quiser, mas não podemos admitir que amizades suas de fora, namorado que seja, entrem aqui dentro. - Ele não é namorado meu. Eu o conheci quando saí. Fui a um bar comum, queria experimentar algo novo, bebi muito.... - Você bebeu? O que? Espantou-se a madre. - Foi bobagem minha, cerveja, queria provar, mas passei m*l, realmente não tenho jeito para bebida. Aí esse Fisto, que estuda para ser enfermeiro, me ajudou e me pediu o meu celular, eu dei o número, e ficamos conversando. Eu disse que eu morava nesse orfanato. Acho que só quis me ver. - Está bem Elizabeth, eu vou relevar, mas que não se repita, converse com ele, para que ele não volte aqui, disse a madre. - Está certo, farei isso sim.      Elizabeth saiu da sala e foi direto a lavanderia onde era o trabalho. O orfanato se sustentava com doações, mas também com trabalhos internos. Havia uma lavanderia onde muitas das internas lavavam roupas para pessoas de fora. Elizabeth lavava e passava. - E aí, o que houve lá, pergunta a moça que havia, no refeitório, lhe dado a notícia. - Nada, só uma bronca simples, continuemos.      Enquanto trabalhava a madre superiora chama Elizabeth para a sua sala. - O que será agora? Preocupa-se Elizabeth.      Ao chegar na sala e madre lhe diz: - Elizabeth chegou uma correspondência para você. - Estranho, diz ela, de quem? - Está anônimo, quer abrir?      Assustada Elizabeth tenta sentir a carta, depois a abre. É uma certidão de nascimento e um cartão de CPF. Tanto a madre quando Elizabeth se surpreendem. - Elizabeth, você tem documentos, você os adquiriu? Pergunta a madre. - Não, nunca pensei em tal coisa. - Aqui é um orfanato, diz a madre. Demos o nome Elizabeth a você, mas nunca te registramos pois acreditamos que só quem te adotasse é que deveria lhe dar seus documentos, só os pais legais podem fazer tal coisa. - Eu sei, mas deixa eu ver. Elizabeth Cavendish Stanton. Que nome doido é esse? Pergunta Elizabeth assustada      A madre pega a certidão de nascimento. - Aqui consta que você nasceu em Calçoene, cidade do Amapá. - Só pode ser brincadeira, diz Elizabeth. - Brincadeira não é, o seu registro é válido. Por ele você tem 16 anos, exatamente a idade que eu achava que você tinha, pois foi achada praticamente recém-nascida aqui, diz a madre. - Pode ser um erro, deve ser outra Elizabeth aqui. O orfanato não é tão pequeno, por que seria logo eu? - Por que você é a única interna que lhe demos esse nome, não lhe demos sobrenome, mas o nome Elizabeth é só seu. Tem até o nome do seu pai aqui, Henry Cavendish. Esse nome não me é estranho. Mãe desconhecida. Interessante: normalmente é o contrário. Normalmente que é o desconhecido é o pai. Está aqui os seus documentos, guarde-os.      Elizabeth pega os documentos e vai a seu quarto. À noite, depois do serviço feito, ela vai a sua cama e examina de novo o que recebeu. - Elizabeth Cavendish Stanton, só pode ser piada, diz ela.      Ela estava guardando os documentos que recebeu em sua mala quando o celular tocou. Elizabeth atende. - Alô - Alô, diz do outro lado. Sou eu, Fisto. - Fisto, você me colocou em uma roubada hoje sabia? - Desculpe, eu só queria te ver, saber como estava. Você passou m*l aquele dia. - Estou bem, obrigada. Mas, por favor, não faça mais o que fez. - É que não deixam visitas entrarem, que não sejam parentes, o que é estranho, se é um orfanato, como parentes vão visitar, afinal, órfãos não tem parentes, diz Fisto. - Eu sei, eu sei. Eu acho que eles tem essa regra aqui é para ninguém visitar realmente. - Além do mais, você sabe o que eu sou, diz para a madre aí que não tem perigo a gente fazer nada de diferente, afinal, você sabe que eu sou....      Elizabeth interrompe. - Eu sei o que você é, Fisto. Não precisa repetir. - Está bem, está bem, só queria tirar alguma possível controvérsia que tenha ficado aí contigo. - Tudo bem, mas aqui é um orfanato dirigido por freiras, ainda que você seja o que você é pega m*l. Elas vão ficar achando que você é algum rolo meu, é complicado para mim, aqui eles são rígidos. - Eu entendo, depois falamos então, um grande beijo. - Um beijo. - Elizabeth, uma visita para você, diz a madre superiora do orfanato.      Elizabeth estava na lavandeira, em seu trabalho. - Visita? Quem? Perguntou espantada olhando para as colegas, que também estavam admiradas. - Vai lá e veja quem é, disse uma das colegas.      Elizabeth foi andando de lado com a madre. - Nunca recebo visitas, quem é? Vocês nunca deixam. O Fisto tentou me visitar e foi barrado. É mulher? - Não, é homem, diz a madre. - Mas porque então me permitem receber essa visita? Homem, não conheço nenhum só o Fisto e não é ele, é? - Creio que não, diz a madre. - Mas por que então? - Por que, diz a madre, o nome de quem ele quis conversar era Elizabeth Cavendish Santon, o seu novo nome. - Talvez ele possa decifrar esse mistério, diz Elizabeth. - Exatamente Elizabeth, por isso permiti a visita. Será em minha sala.      Elizabeth e a madre entram. Quem estava na cadeira da sala, de costas, esperando era o advogado Adolfo Perez. Ele se levanta e vê as duas entrando. - Você é Elizabeth Cavendish Stanton? Pergunta o advogado, logo olhando para Elizabeth. - Acho que sou eu sim, pelo menos desde ontem, diz ela, apertando a mão do advogado. - Bom eu vou direto ao assunto, diz o advogado.      A madre se senta em sua cadeira, enquanto Elizabeth puxa uma outra que estava em um canto e fica no canto direito da mesa, enquanto o advogado Adolfo Perez volta a sentar na cadeira. - Elizabeth, você é a única herdeira de Henry Cavendish, um nobre inglês que morava na cidade de Calçoene, no Amapá, estado que fica ao norte do Brasil, nas cercanias da Floresta Amazônica.      Elizabeth, espantada, declara: - Só pode ser piada, eu nem sei onde fica isso. Nem sei quem é esse Henry.      O advogado tira alguns papéis da pasta. - Está tudo aqui. Todos os bens do falecido pertencem a Elizabeth Cavendish Stanton. O testamento foi lido e registrado em cartório.      A madre pega o testamento e começa a lê-lo. Elizabeth, ainda espantada, declara: - Ele é meu pai? - Não sabemos, diz o advogado. Henry perdeu uma filha há muito tempo, na Inglaterra, mas no testamento consta um número de CPF do Brasil, um registro, que indica que a herdeira é a detentora desse número de CPF. Mas não sabíamos onde essa detentora, essa Elizabeth estava. Descobrimos que Henry Cavendish era um grande doador dessa instituição.     A madre para de ler o testamento e declara: - Claro, o nome não me era estranho. Henry Cavendish, sim.     A madre abre sua gaveta, pega uns arquivos e, procurando um pouco, acha, recibos de doações feitas por Henry Cavendish ao orfanato. - Era um grande homem, diz a madre. Sua ajuda fez com que pudéssemos alimentar muitas dessas meninas, grande parte abandonadas quando crianças pelas famílias.     O advogado vira-se para Elizabeth e diz: - Você tem algum documento que prove que você é Elizabeth, algum CPF. - Sim, diz ela. Recebi em carta, ontem ainda, vou pegar.     Ela vai a sua cama, mexe em uma mala debaixo da cama onde guarda as suas coisas e acha o envelope com a certidão de nascimento e o CPF. E volta.     Enquanto Elizabeth está fora, a madre pergunta ao advogado: - É possível que Elizabeth seja a única herdeira de Henry Cavendish? Estranho, poderia ela ser filha dele, mas não faz sentido. Ela tem 16 anos e Henry perdeu sua filha na Inglaterra, antes de vir ao Brasil. Há registros de doações dele com mais de 20 anos. n******e ser ela. - Talvez, mas só vendo os documentos. É uma pista, só tenho esse número de CPF que está aí no testamento. Henry deixou claro que era a Elizabeth desse CPF que herdaria tudo, diz o advogado.     Elizabeth chega na sala da madre e dá o CPF ao advogado. - Sem dúvida. Está aqui. Os números batem, vejam só.     O advogado mostra o número digitado, bem como o CPF junto, para mostrar tanto a madre quanto a Elizabeth a igualdade. - É Elizabeth, é você sim. - Não acredito, finalmente achei meu pai e ele morre, diz Elizabeth.     A madre fica pensativa. - Bom, então meu trabalho está feito, diz o advogado. Elizabeth, você agora tem uma casa, uma fazenda, para falar a verdade. Você deve ir ao Amapá tomar posse de tudo. - Mas como? Diz Elizabeth. Vou para lá como? - Ela n******e, diz a madre. Tem apenas 16 anos, n******e sair daqui assim. - Mas tem que sair, acompanhada de alguém mais velho claro. Pode ser eu, diz o advogado, posso ser o seu representante. Elizabeth, você pode viajar para o Amapá? - Mas assim? Declarou a madre. Ela n******e ir sozinha. - A senhora poderia acompanhá-la, ou algumas das freiras, diz o advogado. - Eu não posso, nenhuma das freiras aqui pode, diz a madre.      Elizabeth declara: - Talvez alguém possa, eu conheço alguém que pode, esperem.      Elizabeth foi a seu quarto, pegou o celular e ligou para Fisto. - Alô, diz uma voz do outro lado da linha. - Alô, Fisto? Sou eu Elizabeth. Você não vai acreditar. Herdei uma fortuna. - Como é? Declarou Fisto. - Isso que você ouviu, nem eu acredito, mas acho que encontrei meu pai, ele faleceu e me deixou uma fazenda no Amapá. Ele era um nobre inglês. - Que loucura é essa? Que nobre inglês é esse? Você, filha de inglês, de pele morena? Isso é golpe, cuidado, diz Fisto. - Não, não é, um advogado está aqui no orfanato, com todos os documentos, o testamento, tudo, a madre viu e confirmou. Queria que você fosse comigo, preciso de alguém mais velho, qual sua idade? - Tenho 25, mas ir com você, no Amapá? - Você está trabalhando? - Não, no meu estado de saúde é difícil trabalhar. - Estado? Que estado, o que você tem Fisto? - Um dia te direi, mas, eu quero ir, nada tenho a perder, não estou trabalhando. - Perfeito, vamos comigo. Vou lá falar que achei alguém, até mais, depois eu te ligo.      Elizabeth volta à sala da madre e diz: - Eu posso ir, tem um amigo que vai comigo, mais velho que eu. - Ela pode ir, madre? Pergunta o advogado. - Ela pode sair de vez em quando, só poderia sair em definitivo se arranjasse uma família, mas como os documentos mostram ela tem um pai que faleceu e uma herança a receber. Se ela vai com alguém de confiança, não impedirei. - Ótimo, Elizabeth, você deve ir a Calçoene, cidade do litoral do Amapá, chegando lá, você me liga, aqui o meu cartão, estarei na cidade, diz o advogado. Se quiser posso te emprestar agora algum dinheiro para a viagem e para despesas pessoais na cidade. Já recebi um bom honorário do falecido Henry. - Eu aceito, diz Elizabeth.      O advogado lhe dá exatos 3000 reais. - Nossa, é muito, diz Elizabeth. - Não há pressa, diz o advogado. Eu irei agora, estou de carro, mas você pode ir depois. - Certo, diz a madre. - Então, foi um prazer, diz o advogado Adolfo Perez, cumprimentando tanto Elizabeth quanto a madre. - Espero você lá.      O advogado sai. - Então minha filha, tem certeza, é muito longe, é outro lugar, diz a madre. - Eu tenho madre, você sabe que não posso ficar muito aqui. Quando eu fizer 18 anos tenho que sair. Ninguém vai me adotar com essa idade. Não tenho profissão e agora, bem ou m*l, tenho um pai, pena que falecido. - Que Deus e Maria te protejam minha filha, diz a madre levantando-se e abraçando Elizabeth, que retribui o abraço. - Vamos, cadê o Fisto, o taxi está chegando, diz Elizabeth. - Vão de que? Pergunta a madre para Elizabeth. - Ônibus, é mais demorado, mas é mais barato.      Era de manhã, friozinho, sol morno. A madre e Elizabeth estão fora do orfanato. A madre com seu hábito de freira e Elizabeth com outra roupa. Um vestido preto, longo, indo um pouco acima da canela. Um g***o de internas chega perto de Elizabeth. - Fizemos uma vaquinha e te damos esse dinheiro para te ajudar mais lá. - Obrigada gente. - Quando for rica não esquece da gente aqui, disse uma das moças. - Nem se eu quisesse esqueceria de vocês, mas não sei o que encontrarei, essa herança talvez seja só uma ilusão, mas se for real chamo vocês para me visitarem.      A madre chama Elizabeth para longe das moças e diz: - Liga para esse Fisto e diz para ele esperar lá na esquina, não quero que você entre no táxi com ele aqui. Não quero as noviças pensando coisas. - Não temos nada, além disso o Fisto é... - Não interessa. É assim que eu d****o, diz a madre. - Está bem.      Elizabeth pega o celular e liga para Fisto. - Alô. - Oi Fisto, sou eu. Está chegando? - Sim. - Fique na esquina, o povo aqui não quer ver você entrar no táxi comigo. - Dispensa o táxi e vai na esquina você, responde Fisto. - Não vai mais, por que? - Vou sim, é que consegui um carro, vamos nele. - Acha melhor? - Sim, lá tudo é distante, vamos precisar, você nem comprou as passagens de ônibus ainda, ia comprar no guichê, lá na hora, não precisa mais. - Certo.      Elizabeth vira-se para a turma e diz: - Gente já vou, o táxi me pegará na esquina. - Certo, minha filha, diz a madre. Sentiremos saudades. - Ok gente, valeu por tudo.      Elizabeth se afasta com sua mala de rodinhas, levando até a esquina enquanto as internas e a madre lhe dão tchau com as mãos e entram. Na esquina ela vê um carro preto se aproximar e estacionar perto. - É você? Pergunta Elizabeth. - Sim, sou eu, diz Fisto. O que acha? Lindo não? - Onde arrumou? - Roubei.      Elizabeth ri, enquanto abre a porta de trás e tenta, com dificuldade, colocar sua mala. - Vai ajudar não? Diz ela. - Vou, com a força da mente. - Engraçado.      Elizabeth consegue, fecha a porta, abre a da frente e entra. - Carro grande. - Sim, é do meu pai. - Você nunca me falou dele. - Não conversamos muito, ele me deu esse carro, talvez devido à minha condição. - Que condição, desemprego? - Você saberá, um dia conto. - Está bem, vamos? - Vamos sim, consegui um mapa e agora é pé na estrada.      O carro anda, atravessa a cidade interiorana que fica em São Paulo e entra na rodovia, rumo ao Amapá, rumo ao desconhecido.      A viagem continuava sem percalços. Fisto e Elizabeth observavam a estrada, falavam de suas vidas. Já tinham saído do Estado de São Paulo, passaram pelo Triângulo Mineiro, atravessaram Goiás, chegando ao Pará, quando... - Estou passando m*l, Elizabeth, vou parar um pouco.     Fisto para o carro bruscamente, quase deixando o carro no meio da estrada, abre a porta, atravessa a estrada e vai a uma moita próxima. - Fisto, volta aqui, você deixou o carro no meio da estrada.    Elizabeth nota que Fisto vomita. Ele volta ao carro rápido para tirá-lo dali. - Que foi Fisto, que houve? - Nada. - Como nada, chama isso de nada, você comeu algo estragado? - Não, são efeitos do coquetel de remédios que tomo. - Remédios, para que?      Fisto fica assustado, notando que falou algo que não devia. - Um dia te conto. - Você está muito misterioso, viu? - Daqui a pouco será noite, não precisamos parar, podemos viajar de madrugada, afirma Fisto. - Está bem.      A viagem prossegue noite adentro. Elizabeth começa a adormecer, mas Fisto fica bem ligado preocupado com sua situação.      O outro dia chega, um calor grande. - Será que chegamos hoje? Pergunta Elizabeth. - Acho que sim, diz Fisto. - Já? - É claro que já, você dormiu a noite inteira e grande parte da manhã. - Quantas horas? - Já são quase 11, estamos chegando em Belém. - Nunca viajei tão longe, diz Elizabeth. Para falar a verdade eu m*l saía do orfanato. - Imagino, deve ser uma grande mudança para você. - Nem imagina, diz Elizabeth (olhando para fora do carro com ar preocupado).      Ao chegarem em Belém Elizabeth e Fisto param para almoçar em um restaurante de beira de estrada, junto a um posto de gasolina. Após um abastecimento os dois entram. - Restaurante até bonito esse, diz Elizabeth.      Era um típico restaurante pequeno, self service, onde as pessoas pegavam pratos e passavam nas gôndolas enchendo-os com o que quisessem comer. - Caro ou barato? Perguntou Elizabeth. - Não sei, quem paga é você, disse Fisto. Nem vejo. - Notei, diz Elizabeth (já que ela pagava tudo, inclusive o abastecimento do carro).      Enquanto almoçavam, Fisto retrucou: - Estranho aquele advogado ter te dado tanto dinheiro, quanto ele ganhou de honorários? - Deve ser muito, diz Elizabeth, para me dar 3000 reais assim. - Não sei, diz Fisto. - Almas boas existem, diz Elizabeth. - Verdade, diz Fisto, mas sendo eu quem sou, aprendi que o mundo pode ser perigoso.      Ao almoçarem, Elizabeth e Fisto entram no carro. - Temos que ir, diz Fisto. Temos que chegar no Amapá, ainda é longe.      E assim vão, enfrentando dessa vez estradas de terra, estradas ruins, mas admirando a paisagem amazônica. Grandes rios, florestas e, seu grande calor.      Finalmente, no final da tarde, chegam a Calçoene. - Vou ligar para o advogado, diz Elizabeth, pegando o celular. - Alô, diz o outro lado da linha. - Alô, sou eu, Elizabeth, chegamos na cidade. - Ótimo, diz o advogado Adolfo Perez, me encontrem na praça central da cidade, se não souberem onde é, vão perguntando, aqui é cidade pequena, será fácil.      No entanto os dois chegam fácil à praça central. Típica cidade pequena, Calçoene é fácil de andar. Ao chegarem o advogado Adolfo Perez estava na praça. - Fizeram boa viagem? Perguntou ele. - Sim, tirando o Fisto aqui que passou meio m*l no caminho, sim, diz Elizabeth.

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