Caverna

2238 Words
Pov Camila " É um mundo cheio de pessoas incríveis para conhecer, lugares para visitar e histórias esperando para serem vividas" - Você está caidinha por ela - falou Dinah enquanto arrumava minha mochila - Acho que sim - falei olhando pra ela - E você e Ally só estão indo porque Lauren falou que as amigas dela queriam ir e bom não vou deixar vocês duas sem suas paqueras - falei, Dinah sorriu largo. - Obrigada Camila de verdade, já estava com saudades da minha morena - Dinah falou, revirei os olhos. - Vamos mostrar a caverna dos Tlingits pras meninas e por um milagre está sol, o destino quer isso - falou Ally se levantando da cama. Apesar do sol lá fora ainda estava frio mas isso não iria atrapalhar nossa dia, olhei as mensagens no meu celular e a Lauren estava esperando a gente na frente do café, talvez eu esteja fodida porque sorri ao ver a mensagem. Eu encontrei com a Lauren todos os dias desta semana, ela se sentia confortável em me falar sobre o dia dela, as músicas e sobre como andava o tratamento novo que ela tinha começado, ela estava melhor, bem melhor na verdade. E eu me sentia tão bem ao lado dela e os beijos, eu amava eles e eles estavam cada vez melhores e mais frequentes. - Vamos as meninas já estão esperando a gente - falei. Seguimos para o café andando mesmo, era sábado de manhã poucas pessoas na rua, encontramos as meninas em pé conversando animadamente. - Parece que acertamos no que vestir - falou Vero. Elas estavam de calça jeans, tênis e blusa de frio, Lauren estava com sua touca na cabeça, ela amava essa touca e o seu violão nas costas, elas estavam simples como a gente, até pareciam que sempre foram de Sitka. - Acertaram e estão lindas - falou Dinah olhando pra Normani. - Namorem - falou Vero fazendo todas rirem, ela era engraçada, eu gostava da Vero, ela era completamente sem filtros, muito parecida com o humor da Dinah. Normani revirou os olhos. - Vamos, quero aproveitar o dia - falei. Começamos a andar pelas ruas de Sitka até chegarmos perto da floresta em uma trilha, Lauren estava sempre ao meu lado. - Pra onde vamos? - perguntou Lauren. As meninas estavam mais na frente conversando não sei o que, eu e Lauren ficamos mais atrás. - Vamos até uma caverna da reserva dos Tlingits, lá é muito bonito e tranquilo, acho que vai te ajudar a compor e relaxar - falei, ela sorriu. - Então esse passeio é por minha causa? - perguntou, sorri. - Quando fiz o convite sim, queria que você visse um lugar bonito aqui em Sitka, um lugar que tenha história e um lugar bom pra você compor - falei, Lauren sorriu de lado. - Obrigada por tudo que você faz por mim - falou. - Não estou fazendo nada - falei. - Muito pelo contrário, você está fazendo tudo - disse. Eu não sei o que isso significava mas no momento eu estava gostando disso, seguimos pela trilha entrando na mata. - Vocês sabem aonde a gente esta indo certo? - perguntou Normani, enquanto andávamos pela mata verde e fria. - Claro que sabemos - disse Ally. - Só fiquem todas juntas podem aparecer ursos - falou Dinah, todas meninas pararam de andar. - Como é? - perguntou Vero assustada. - Não se preocupem - falou Dinah e tirou de dentro da bolsa uma arma uma pistola calibre 45 prateada. - Que merda - falou Lauren ao meu lado me fazendo rir. - Vocês andam armadas? - perguntou Vero encarando a Dinah. - Todo mundo aqui tem, era pra gente trazer uma escopeta mas a gente não vai muito longe e normalmente usamos a arma pra espantar os ursos e não para mata-los - falei. - Você também está com uma arma? - perguntou Lauren, abri minha bolsa e mostrei minha arma uma como a da Dinah só que preta. - Meu pai não deixaria eu entrar na floresta sem uma - falei, Lauren acabou sorrindo. - Temos que comprar uma - falou Lauren olhando séria pra Normani que pegou o celular. - Não tem área aqui - falou Vero, Normani suspirou. - O seu pedido vai ter que esperar Lauren - falou Normani, Lauren sorriu. - Tá tudo bem Normani não precisa ser eficiente o tempo todo, você está de folga então relaxa e aproveita esse ar fresco que temos - falou Lauren. Normani guardou o celular e continuamos nossa caminhada por mais 20 minutos, desviando de alguns galhos, árvores caídas e pedras, até que chegamos perto do rio. - Tudo aqui é tão verde e lindo - falou Vero. - O ar daqui é tão puro - falou Lauren. - Olha? - disse Normani apontando pra uma árvore que tinha uma gravura esculpida. Era a gravura de um índio, as meninas passaram os dedos, por entre as linhas, era muito bonito. - Somos proibidos de cortar qualquer árvore que tenha gravura, pinturas ou algo do tipo, faz parte da nossa história - falei. - Isso é fascinante - falou Vero, observando as gravuras de perto e tirando algumas fotos, ela era fotógrafa e pra onde ai levava sua câmera. Sorri de lado vendo a Lauren observar tudo sorrindo. Continuamos nossa caminhada por mais alguns minutos até chegarmos na caverna. - Nossa - Lauren falou ao meu lado. Na nossa frente estava uma grande entrada, o rio se perdia dentro da caverna a nossa frente. Tinha algumas pinturas nas rochas da entrada e também no teto. - Isso é incrível - disse Vero tirando fotos. - Esse lugar é tão lindo - dessa vez quem falou foi Normani. Começamos a caminhar pra dentro da caverna, lá dentro não era muito escuro pois no teto tinha algumas aberturas isso possibilitava ver a caverna por inteiro. Ela era grande mas tinha uma parede ao fundo dando final a caverna histórica. As meninas olhavam as paredes atentas a tudo que viam, tinha gravuras, pinturas feitas a mão, segui bem atrás da Lauren, ela passava as mãos pelas pinturas maravilhada com tudo que via. - Eu vi algumas no museu mas aqui é mais impressionante - ela falou baixinho - Saber que isso está aqui a mais de 7 mil anos, da uma sensação de calma e ao mesmo tempo da vontade de pedir desculpas por tudo que fizemos com eles - ela disse e me olhou - Você tem alguma descendência com os Tlingits? - perguntou. - Meu bisavô por parte de pai era um Tlingit, ele nasceu em uma tribo mas viveu a maior parte da vida na cidade - falei, ela assentiu. - Então você tem descendência, a história da sua descendia está aqui - falou. - 90% da população tem algum tipo de ligação com os Tlingits, fico grata por isso - falei pra Lauren sorrindo. Continuamos vendo a caverna até o final, Vero tirou algumas fotos nossa e fez alguns vídeos. Quando vimos tudo nos sentamos na margem do rio em algumas pedras na frete da caverna. - Vamos pescar com as mãos - falou Dinah animada vendo algumas trutas no fundo do rio. - Como é isso? - perguntou Lauren animada. - Você coloca as mãos na água de forma calma, se aproxima devagar e faz tipo uma concha na parte da frente do pescoço pra truta não nadar pra frente, segura firme atrás e tira da água - falei olhando pra ela que parecia feliz naquele momento. - Quero fazer essa p***a aí - disse Vero ficando em pé e já olhando pra água atrás de uma truta. - Quem vai limpar? - perguntei olhando pra Dinah e Ally, Dinah tirou um canivete da bolsa - Você já estava planejando isso? - perguntei ela sorriu. - Queria impressionar a morena - falou Dinah piscando pra Normani que ao meu ver ficou com vergonha, Dinah tinha esse poder. - Mostra como se fez - disse Lauren ficando em pé me ajudando a levanta. Tirei o tênis do pé pra não molhar ficando descalça, a água estava gelada pra c*****o. - Se você perder o primeiro eu vou passar m*l de rir - falou Ally, revirei os olhos atenta na água. - Imagina a filha do Alejandro Cabello perder uma truta, a cidade inteira vai saber disso - falou Dinah. - Calem a boca - falei sem olhar pra elas. Realmente meu pai era um dos grandes pescadores da cidade e tinha me ensinado tudo que eu sabia sobre mar, floresta e barcos. Se eu perder um peixe seria um vexame. Vi uma truta de tamanho médio perto da margem bem paradinha, me aproximei bem devagar pisando levemente na água, ergui as mangas do meu casaco coloquei minhas mãos na água gelada bem devagar. De forma lenta coloquei minhas mãos ao redor da truta que estava paradinha no lugar, de uma única vez e de forma rápida fiz uma concha com a mão direita passando no pescoço da truta e outra perto do r**o e tirei rapidamente o peixe da água. O peixe tentava sair do meu bote mas eu segurei ele com firmeza, sob aplausos e gritos. - Isso foi incrível - falou Lauren animada sorri pra ela. - Obrigada - falei levando o peixe até uma pedra passando o canivete da Dinah no pescoço da truta de forma rápida pra ela não ficar sofrendo. - Olha a reputação Cabello vai ficar intacta - disse Dinah. Vero tinha gravado tudo, Lauren tentou também, ela perdeu quatro trutas na quinta tentativa ela conseguiu pegar e ficou extremamente feliz, as outras meninas tentaram, quando Vero conseguiu pegar uma truta começou gritar feito louca jogando o coitado do peixe na margem do rio, ele se debateu tentando voltar pra água mas Ally pegou. As meninas ajudaram a gente a pegar algumas madeiras pra fazermos uma fogueira e usamos alguns galhos de árvore para fazer espetinho de peixe, Dinah limpou os 3. - Vocês fazem sempre isso? - perguntou Normani enquanto esperávamos os peixes ficarem prontos. - As vezes, fazíamos mais na época da escola com alguns amigos mas todos estão longe daqui - falou Ally. - Deve ter sido muito f**a crescer aqui - falou Normani. - Eu amo Sitka, é um local de paz - falei. - Realmente é - falou Lauren, olhando para pequena correnteza do rio. Depois que os peixes ficaram prontos comemos e estava muito bom, Lauren estava com um brilho bonito no olhar, as meninas estavam em uma conversa paralela sobre algum assunto de peixe também. - Vamos dar uma volta? - perguntou Lauren ficando em pé, sorri pegando a mão dela que estava estendia pra mim. Começamos a caminhar pela floresta até chegarmos perto de duas pedras ao lado da trilha e nos sentamos, Lauren tirou do bolso do seu casaco um potinho branco sem nenhuma descrição, ela me olhou seus olhos verdinhos pela claridade estavam mais lidos do que nunca. - Essas duas semanas tem sido as melhores que eu tive em anos - ela começou a falar - Nunca pensei que iria conhecer essa cidade, aprender coisas novas, compor, pescar com as mãos, conhecer pessoas novas, te conhecer - falou. - Isso é bom - falei. - Eu ainda tenho medo de cair, de machucar as pessoas, mas estou seguindo seu concelho, vivendo no hoje, o amanhã fica pro amanhã - ela falou e olhou pro potinho na sua mão - Com isso estou me sentindo melhor mas eu tenho medo - falou. - Do que? Do remédio? - perguntei ela suspirou guardando no bolso novamente. - Tenho medo de gostar e não conseguir parar - disse, segurei sua mão que estava suada, ela estava nervosa. - Ele não vicia Lauren - falei. - Eu sei mas tenho medo de me agarrar a essas coisas de novo, eu ainda tenho algumas crises mas elas estão bem mais fracas com isso, não quero me acostumar, quero me curar - falou, assenti e toquei a bochecha dela. - O medo é até bom nessas circunstâncias, como eu disse você tem que viver um dia de cada vez. Você não vai se viciar nisso. Você vai tomar por 4 semanas e seu tratamento vai se encerrar. Depois você vai ter que lutar contra seu vício sem ele. O bom é que as crises de abstinência não vão mais te assombrar - falei. Ela pensou por um tempo e depois sorriu tocando meu rosto. - Você não existe - falou, eu sorri. - Existo e estou bem aqui - falei. Ela encarou meus lábios, as pontas dos seus dedos passaram por minha bochecha e depois pelos meus lábios fazendo o contorno deles. Fechei os olhos quando senti seus lábios nos meus, suspirei passando minhas mãos pelo seu pescoço aprofundando nosso beijo. Sempre que eu a beijava parecia que o mundo fazia sentido e tudo ao meu redor desaparecia, só existia nós. Nossas línguas se buscavam com mais avidez e vontade, eu sentia as mãos da Lauren em minha cintura me apertando com mais força, meu corpo estava esquentando mas nós precisávamos de ar. Terminamos o beijo com um logo selinho, ficamos um tempo com nossas testas grudadas. Quando abri meus olhos encontrei duas esmeraldas verdes me encarando e um sorriso torto. Talvez eu esteja me apaixonando por ela, estou muito fodida.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD