Pov Lauren
" Não faz sentindo se você não sentir"
Eu a beijei, sim eu beijei a Camila e p***a eu já tinha beijado muitas bocas mas nenhuma foi como a dela, parecia que tinha sido feita espacialmente para mim. Quando entrei no meu quarto me olhei no espelho e eu tinha um sorriso i****a no rosto e um brilho no olhar que a muito tempo eu não via em mim mesma.
Me sentei na cama e peguei meu caderno de composições, eu queria escrever sobre isso, eu queria sentir novamente, e eu finalmente estava. Olhei pela janela e vi um raio cortar o céu e a chuva cair lá fora, isso não me incomodava, no momento até gosto.
No dia seguinte pela manhã eu sentia os efeitos da falta do remédio voltar ao meu corpo, uma pequena dor de cabeça estava presente mas eu não deixaria isso acabar com meu humor, ele estava ótimo.
- Que cara é essa? - perguntou Normani enquanto tomávamos nosso café na cozinha.
- Qual? - perguntei, ela revirou os olhos.
- Essa cara, tem um brilho diferente em você - falou Vero, sorri para o meu suco e encarei as duas sem tirar o sorriso do rosto.
- Fiquei com a Camila - falei, eu tive que tampar os ouvidos por causa do grito que a Vero deu, olhei pra ela assustada - Mas que p***a foi essa? - perguntei fazendo ela rir.
- p**a merda, ela deve beijar bem pra te deixar com essa cara de i****a - falou ela, revirei os olhos, o melhor que ela beijava mesmo.
- Pior que sim - falei, elas deram sorrisos maliciosos.
- Quando vai ver ela novamente? - perguntou Normani.
- Hoje - falei, Vero revirou os olhos.
- Vai sufocar a menina assim - falou, será que vou?
- Você acha? - perguntei séria e isso fez ela rir de mim - O que? - perguntei.
- p***a Lauren, você conhece a menina tem 1 semana e já está preocupada se está ou não sufocando ela - falou Normani respondendo o que eu tinha perguntado pra Vero.
- Você está realmente caidinha por ela em - disse Vero, dei de ombros.
- Só estou me distraindo, estamos aqui pra isso não é? - perguntei.
- Só toma cuidado pra essa brincadeira não virar paixão em - falou Normani.
- Não vai, eu não sou mais assim - falei, Vero mordeu a maçã que ela tinha na mão.
- Vamos ver - Vero disse se encostando na cadeira, dei de ombros.
- Você tomou algum remédio? - perguntou Normani agora com a voz mais séria.
Estiquei minha pra mão pra elas verem, estava um pouco trêmula porém ainda era bem pouco.
- Jogou fora? - perguntou Vero.
- Não, mas se vou fazer isso de novo, não quero me senti como da outra vez, parecia que eu estava morrendo, quero fazer certo - falei olhando pra elas - Então, Normani pode falar com meu médico o melhor método para fazermos isso? - perguntei e vi um sorriso surgir no rosto das duas.
- Ok, vou entrar em contato com seu médico imediatamente - falou se levantando da mesa.
- Espera, termina de comer - falei, ela sorriu.
- Já acabei - falou e pegou seu celular digitando rápido e saiu da mesa colocando o celular no ouvido.
- Eu fico impressionada como ela consegue controlar tudo tão rápido- falou Vero olhando Normani conversando no celular.
- Desde nova nunca entendi. Só sei que ela é boa nisso. - falei e mordi minha torrada.
Depois de tomar café falei com minha mãe, não contei que eu tinha voltado a tomar remédio, não queria deixar ela preocupada, Normani vai cuida de achar um melhor tratamento com meu médico e vai ficar tudo bem.
Passado
" - Você vai ficar muito tempo lá? - perguntou Lucy me observando fazer as malas no meu quarto em Los Angeles.
- Não sei mas pode ser bom - falei sem olhar pra ela.
- p***a Lauren, você vai pra uma cidade no fim do mundo, fria e sem nada pra fazer, como isso pode ser bom? - me questionou, dei de ombros.
- Eu preciso de um tempo Lucy, eu quase morri, eu preciso voltar a sentir - falei, ela ergueu uma sobrancelha.
- O que você quer sentir? - perguntou, suspirei.
- Tudo, no momento eu não estou sentindo nada, os remédios são uma tentativa falha de querer sentir, eu estou perdendo - falei.
Ela tirou um potinho do bolso e colocou na cama.
- Quando você precisar - falou, balancei a cabeça.
- Não quero - falei ficando de costas e guardando minhas coisas.
- Vai continuar ai, você vai precisar - disse e ficou de pé parando na minha frente.
- Não conta pra ninguém por favor - falei, ela sorriu e me abraçou.
- Eu prometo - falou e olhou nos meus olhos - Boa sorte, qualquer coisa é só ligar que eu apareço - falou.
Ela me beijou e eu retribui. Quando ela saiu do quarto acabei pegando o remédio o guardando na bolsa, eu não queria tomar porém se eu ficasse muito r**m eu faria, li relatos de pessoas que ficaram muito m*l depois de parar bruscamente de tomar os remédios."
Presente
Acordei assustada, me sentei na cama tentando respirar fundo algumas vezes
eu já sentia a falta dos remédios de forma mais presente, minha cabeça estava doendo bastante, sentia minha mão mais trêmula e uma pequena falta de ar.
Olhei o relógio na cabeceira da cama marcava 14h. Falei pras meninas que eu iria almoçar no café onde Camila trabalhava, as meninas me lançaram piadinhas mas eu não estava ligando. Falaram que lá tinha o melhor salmão da região e eu também queria ver a Camila.
Antes de ir para o café Normani me chamou para falar o que o médico tinha dito, tinha um remédio que se chama CBD. CBD é uma abreviação da palavra Canabidiol que é uma das mais de 400 substâncias químicas canabinoides encontradas na Cannabis sativa a tão famosa maconha.
Ele não apresenta qualquer risco à saúde, já que não exerce os efeitos psicoativos de um outro canabinoide, como o THC por exemplo. O CBD pode gerar sensações de calma, inibindo a absorção de anandamida, um endocanabinoide que ajuda a manter a homeostase. É também indicado no alívio de sintomas como dor, inflamações, depressão e ansiedade.
Ele não causa dependência o que é ótimo, é facilmente encontrado na forma de óleo, ele podia me ajudar a lidar com minha ansiedade e abstinência, quando eu estivesse melhor eu poderia deixar de consumir.
Depois de falar com o médico que cuidou de mim no hospital ela se convenceu que o cbd poderia me ajudar mais do que me fazer m*l. Ela falou não sei com quem e o remédio em cápsulas estaria aqui amanhã cedo, ela tinha os contatos dela.
- Obrigada- falei, ela me deu um pequeno sorriso.
- Mas o médico falou que pode não dá certo, não é certeza. Ainda não tem estudos suficientes pra dizer se ele ajuda realmente o seu caso ou não - ela falou dei de ombros.
- Alguma esperança é melhor do que nenhuma esperança - falei, ela assentiu.
Normani se levou do sofá e me abraçou apertado.
- Eu te amo - falou, abri um largo sorriso e senti as lágrimas nos meus olhos.
- Eu também te amo - falei, Normani era mais do que minha empresária, mais do que uma amiga, ela era minha família.
Fui até o café me sentei no fundo no lugar de sempre, hoje estava mais cheio, deve ser o horário. Dinah me viu acenou com um sorriso no rosto e foi pra parte interna. Não demorou muito e eu a vi, Camila linda em seu avental, com os cabelos amarrados, ela se aproximou sorrindo.
- Oi, o que deseja? - perguntou com um caderninho na mão, sorri de lado.
- Você - falei, vi seu rosto ficar vermelho ela sorriu meio sem jeito, ela ficou tão fofa - Mas agora pode ser o prato da casa - falei, ela anotou no caderno.
- Já voltou - disse e saiu.
Observei ela entrar na parte reservada do restaurante, eu achava ela tão linda, inteligente, sonhadora, cheia de vida, não tinha medo de falar o que pensa quando está falando comigo, além de tudo isso ela me trás paz.
Camila voltou rapidamente com meu pedido, ela não pode ficar me dando atenção porque tinha muitas mesas pra atender. E eu também não podia ficar exigindo essas coisas pra ela já que ela está no horário de trabalho.
Realmente era o melhor salmão que eu poderia comer na vida, Camila falou que a mãe da Ally que faz, parece que tudo que essa mulher faz sai perfeito, eu já comi nos melhores restaurantes do mundo e nada chegava perto disso. Depois que comi, chamei Camila e paguei pelo almoço, antes de sair falei que estaria esperando ela no mesmo lugar de sempre, ela falou que estaria lá.
Fiquei na praia um tempo pensando no quanto minha vida tinha mudado nessas últimas semanas, eu tinha músicas escritas, estava lutando contra meu vício, tinha me afastado do ambiente tóxico que eu estava vivendo e ainda tinha uma garota que eu não sabia bem o que era pra mim mas ela era alguma coisa boa.
Meu celular vibrou no meu bolso, olhei o nome escrito Lucy, o que ela quer de mim?
- Oi - atendi o celular.
- Lauren, como você está? Eu estou morrendo de saudades meu amor - Ela falou, suspirei.
- Eu estou bem e você? - perguntei.
- Agora estou melhor - disse e pude ouvir sua risada através do celular - Como vai a intervenção? Já tomou quantos remédios? - perguntou, revirei os olhos.
- Apenas dois, mas já voltei ao tratamento - falei.
- Tenho que fazer alguns shows mas em breve vou ir te visitar - falou Lucy. Eu não queria que ela aparecesse aqui, junto com ela vem um pacote de confusão e loucura.
- Está tudo bem Lucy não precisa larga sua vida para vir aqui, você não vai gostar daqui - falei.
- Estou com saudades de você - falou, revirei os olhos, sério que ela iria vir aqui só pra ter sexo?
- Sexo né - falei, ouvi sua risada.
- Uma das coisas principais mas não é só isso, eu também quero te ver - falou, suspirei.
- Faz o seu trabalho aí, depois a gente vê isso - falei tentando deixar ela lá.
- Eu te vejo em breve amor - falou e desligou o telefone.
Suspirei e olhei pro mar agitado, o céu estava com nuvens escuras e o vento estava forte, eu não queria Lucy aqui mas eu sabia que cedo ou tarde ela iria aparecer aqui e junto com ela tudo o que a cerca.
Fiquei olhando por tanto tempo o mar, acabei fumando 2 cigarros e já estava com o terceiro na mão, estava tão distraída que tomei um susto quando Camila se sentou ao meu lado, ela tinha um pequeno sorriso no rosto.
- Desculpa, você estava tão distraída - falou, soltei a fumaça pela nariz.
- Pensamentos - falei dando uma longa tragada, Camila fez uma careta.
- Você tem que parar de fumar - falou, suspirei.
- Me trás calma - falei, ela me encarou.
- E porque você está nervosa? - perguntou estiquei minha mão trêmula, ela suspirou e pra minha surpresa deu um pequeno sorriso.
- Isso é bom no final das contas - falou, assenti.
- Pode ser - falei dando uma última tragada e apaguei o cigarro no chão - Eu segui seu concelho, pedi pra Normani falar com meu médico e ele receitou um remédio pra ajudar com a ansiedade e abstinência - falei e novamente ela sorriu.
- Fico feliz em saber disso - falou - E no que você está pensando? - perguntou.
- Não sei bem, são tantas coisas - falei, ela sorriu de lado.
- Me conte uma delas - falou, sorri e olhei pro mar.
- Eu estou aqui a uma semana e estou sentindo coisas que a muito tempo não sentia - falei.
- E o que você está sentindo? - perguntou tentando me desvendar, sorri e a encarei.
- Euforia, paz, dor e medo - falei, ela ergueu uma sobrancelha.
- Euforia julgo por poder escrever, paz por poder ter espaço pra você, dor pelo sofrimento da abstinência, o medo... Do que tem medo? - perguntou, ela é boa.
- Nossa você me leu como a palma da sua mão - falei, ela sorriu - Como? - perguntei.
- Não sei, só segui minha intuição - falou - Meus ouvidos estão sempre prontos pra ouvir o que você quiser falar - disse me encarando.
- Eu tenho medo de falhar com todos, com minha família, minhas amigas, meus fãs... Você - falei, ela me olhava surpresa - Medo de não conseguir vencer meus demônios, eu luto contra eles todos os dias, por enquanto hoje eu venci mas não sei amanhã - falei, sentindo as lágrimas virem aos meus olhos.
Camila me deu um pequeno sorriso e segurou minha mão, ela encarou meus olhos.
- Não pense no amanhã, ele não chegou ainda. Pense no agora, você está conseguindo hoje, o amanhã fica pro amanhã. Não faz sentindo se você não sentir, então sinta, sinta tudo. - falou, toquei seu rosto, sua bochecha macia e quente.
- Onde você estava esse tempo todo? - perguntei ela sorriu.
- Bem aqui em Sitka - disse me fazendo rir.
Passei minha mão por sua bochecha novamente e ela fechou os olhos, Camila é tão perfeita, linda e doce. Ela abriu os olhos e vi ela encarar meus lábios mordendo os dela, p***a não dava pra resistir, e eu não queria resistir. Eu queria sentir.
Colei nossos lábios, senti as mãos da Camila no meus cabelos me puxando mais pra ela, abri minha boca deixando a língua da Camila encontrar com a minha.
Beijar a boca da Camila era arte, eu sentia meu coração disparado, as borboletas no meu estômago, nossas bocas se encaixavam com perfeição, eu tinha a sensação de que eu podia beijar Camila pra sempre, o que move o teu coração á beira da destruição?