O estrondo da madeira quebrando sob nós ainda ecoava nas minhas costelas quando o primeiro soco na porta quase a tirou das dobradiças.
Se eles vissem o que acontecia ali, as alegações de terem atrapalhado minhas “orações” e me visto nua não salvariam nenhum de nós.
— Parem! Parem imediatamente, eu estou indo abrir! — Gritei, forçando a minha voz a sair firme por cima do caos e do pânico absoluto que me atingiu.
Levantar daquela cama destruída foi uma agonia divina. Meus músculos tremeram, as pernas bambas pelo impacto de ter tido o meu corpo invadido daquela forma inédita e brutal.
As minhas duas entradas latejavam, deliciosamente maltratadas.
Era uma dor tão profunda e inebriante que, por um segundo insano enquanto eu lutava para ficar de pé, me perguntei por que diabos eu nunca havia tentado reproduzir aquilo antes no meu quarto, usando o cabo de duas escovas de cabelo.
Daria um trabalho, talvez tenha sido melhor ser explorada pelo assassino de Palermo, descobrindo prazeres que só ele poderia causar em mim.
Em questão de segundos, o instinto de sobrevivência tomou conta de nós.
Mattia recolheu as roupas dele e a bolsa de couro em um movimento veloz e silencioso, enfiando-se nas sombras do guarda-roupa vazio encostado na parede.
Enquanto o Sottocapo desaparecia na escuridão, eu agarrei os brinquedos espalhados, joguei tudo dentro da gaveta da cômoda e puxei o meu vestido de algodão pelo pescoço, vestindo-o de qualquer jeito com as mãos tremendo de adrenalina.
Girei a chave e puxei a maçaneta.
Carmine e Salvatore estavam na soleira, as submetralhadoras destravadas e prontas para disparar, os olhos varrendo o meu rosto à procura de sangue.
— O que está acontecendo aqui? — Perguntei, engrossando a voz com uma indignação ensaiada.
— O barulho, Signorina... achamos que alguém a tinha atacado — Carmine ofegou, esticando o pescoço para tentar enxergar por cima do meu ombro, o dedo perigosamente perto do gatilho.
Forcei um suspiro exasperado, ajeitando o colarinho do vestido com altivez.
— Ninguém me atacou, Carmine. Eu estava exausta das minhas orações e resolvi deitar para descansar por alguns minutos. Fui testar a cama e o estrado podre dessa espelunca simplesmente cedeu e quebrou no meio. Foi só um susto.
Os dois guardas piscaram, absorvendo a visão da cama afundada no centro do quarto. A vergonha substituiu o pânico no rosto de ambos.
— Perdono, Signorina. Nós... nós não queríamos interromper o seu isolamento. Apenas tememos pela sua vida.
— Estou bem. Voltem para a rua. Eu quero terminar a minha noite em paz.
Fechei a porta na cara deles e passei a tranca. Encostei a testa na madeira fria, fechando os olhos enquanto o meu coração ameaçava rasgar o meu peito.
Que última noite estávamos tendo, cheia de emoções.
A dobradiça do guarda-roupa rangeu. Mattia saiu do esconderijo, os olhos verdes varrendo o perímetro com precisão assassina, certificando-se de que os passos pesados dos guardas haviam retornado para a calçada de terra.
Sem dizer uma única palavra, ele caminhou até a cama estilhaçada, puxou o colchão encardido para fora do buraco e o jogou no chão de madeira.
Tudo mudou naquele instante. A brutalidade animalesca e a pressa deram lugar a algo muito mais profundo.
Tirei o vestido novamente, deixando-o cair aos meus pés. Mattia pegou um frasco de óleo na bolsa e despejou o líquido nas mãos. Ele se ajoelhou no colchão e espalhou o óleo quente pela minha pele com movimentos lentos, firmes e reverentes.
Eu brilhava sob a luz fraca da lua que entrava pela fresta da janela, sentindo-me a mulher mais intocável do mundo. Uma estrela radiante sendo adorada por um assassino horroroso de tão lindo, dono dos olhos mais verdes que qualquer mar da Sicília.
Como não sou boba nem nada, fui para cima dele.
Montei no colo de Mattia enquanto ele se deitava de costas no colchão. Seu p*u encaixou com perfeição na minha b****a.
Comecei a rebolar devagar. O atrito era tudo de bom, as nossas cinturas se conectando em um ritmo hipnótico.
Era exatamente o movimento circular que eu fazia no escuro do meu quarto na Villa Marino, esfregando-me contra os meus travesseiros empilhados, imaginando o pecado.
Mas agora, a fantasia tinha ganhado forma. Não era tecido. Era a espessura do p*u de um homem de verdade me preenchendo inteira.
Nossos olhares se cravaram um no outro. Ele ergueu as mãos, grandes e marcadas, e tocou os meus s***s, os polegares contornando a minha pele escorregadia.
Eu me sentia indescritivelmente poderosa. Sentia-me uma deusa por estar recebendo tudo aquilo dentro de mim, dominando, ditando o ritmo, cavalgando e subjugando o homem mais perigoso de Palermo.
Tudo devagar. Tudo sem fazer um único ruído, apenas o roçar de dois corpos quentes, macios e perfeitamente lubrificados para o prazer mútuo.
O meu orgasmo... eu já nem sabia em qual número estávamos. Ele não veio como um choque elétrico dessa vez, mas como um tsunami lento e devastador, inundando os meus sentidos até eu perder o ar.
Quando Mattia sentiu as minhas paredes contraírem ao redor dele, ele me agarrou com força pelos quadris, prensando os nossos corpos.
Ele assumiu o controle, metendo em mim de baixo para cima com firmeza por mais um minuto ininterrupto. Afundei o rosto na curva do pescoço dele e mordi o seu ombro esquerdo com toda a minha força, ancorando-me na carne dele para não gritar.
Então, ele parou. O corpo dele enrijeceu. Senti as pulsações profundas do g**o dele me inundando de calor, e senti cada fibra dos músculos dele tremendo com o esforço sobre-humano que Mattia fez para não urrar alto.
Quando a tempestade passou, deitamo-nos de lado no colchão no chão. Estávamos frente a frente, as respirações ofegantes se misturando no escuro.
Ninguém disse mais nada. Ao olhar para o rosto dele, para a possessão quieta e absoluta naqueles olhos verdes, a ficha caiu com um peso que não dava para descrever.
Aquilo não era mais apenas uma transa carnal. Não era só uma rebelião mesquinha contra o meu pai. E eu tive a certeza de que ele sentia exatamente o mesmo.
Era uma conexão de alma. Um laço forjado na escuridão, mas que seria impossível de se quebrar.