Capítulo 8: Mattia

1335 Words
O calor de julho em Palermo era sufocante, o tipo de temperatura que fazia o asfalto derreter e a moralidade evaporar. O ar dentro do galpão da Rossi Logistics, próximo às docas, cheirava a sal, diesel e medo. O homem engravatado de joelhos no chão úmido chorava copiosamente. Ele havia cometido o erro gravíssimo de apresentar uma proposta para a construção do novo hospital público da cidade. Uma licitação que já tinha dono. Segurei a mão trêmula do executivo contra um caixote de madeira e, com um movimento seco e sem esforço, quebrei o dedo indicador dele. O estalo do osso partindo ecoou pelo galpão vazio, seguido por um grito agudo. — O senhor vai retirar a sua empresa da disputa amanhã de manhã — eu disse, a voz monótona, soltando a mão dele enquanto ele se contorcia no chão. — A Rossi Costruzioni agradece a sua cooperação. Limpei o suor da testa com as costas da mão, observando o homem implorar por misericórdia. — Romeo Rossi... O Amministratore Delegato... Ele parece um homem tão razoável nos jornais — o executivo gaguejou entre lágrimas, segurando a mão quebrada. Dei um sorriso sem humor. — Romeo é o magnata. Ele vai sorrir para as câmeras de terno claro, apertar a mão do prefeito e cortar a fita de inauguração. Ele constrói a cidade. Eu sou o Sottocapo. Eu sou o homem que garante que ele não terá concorrência e enterra os idiotas no cimento da fundação. Considere-se com sorte por perder apenas um dedo. Suma daqui. Fiz um sinal para os meus soldados arrastarem o homem para fora. Eu deveria estar focado. Deveria revisar o manifesto de carga dos contêineres que chegariam da Turquia naquela noite. Romeo já tinha notado a minha distração nos últimos dias. “Você está com a cabeça nas nuvens, Mattia. Cuidado”, ele havia avisado naquela mesma manhã, no escritório do Palazzo Rossi. Mas a verdade era que Palermo, a máfia, as licitações e os portos... nada disso importava mais. Eu olhei para o relógio de pulso. Passava das quatro da tarde. O pacote já devia ter chegado. Deixei as docas, entrei no carro e dirigi de forma imprudente pelas ruas congestionadas até a viela da Libreria San Pietro. As últimas semanas haviam se transformado em um jogo perverso de gato e rato. A troca de livros entre Palermo e Messina virou o centro da minha existência. Para cada livro que eu mandava, Aurora devolvia com palavras cada vez mais sujas. O fanatismo do pai dela era a nossa cobertura perfeita. Alguns dias atrás, eu havia perdido o pouco de sanidade que me restava. Trancado no meu escritório, exausto e duro de tanto pensar nela, eu peguei uma câmera Polaroid. Abri as calças, coloquei meu p*u para fora e bati uma foto da minha própria ereção contra a mesa de nogueira. Escondi a foto dentro de um exemplar do livro de Gênesis e despachei para a fortaleza do Capo de Messina. Uma blasfêmia visual. Eu sabia que ela enlouqueceria. O sino da livraria tocou quando empurrei a porta. O velho dono já me esperava no balcão, pálido, com um pacote pardo nas mãos trêmulas. — Chegou de Messina há uma hora, Signore — ele sussurrou. Peguei o pacote sem dizer uma palavra, joguei algumas notas sobre o vidro e saí. Dirigi até o meu apartamento. Tranquei a porta, joguei o paletó no sofá e fui direto para o escritório, rasgando o papel pardo com o canivete. O livro que ela enviou de volta era pesado. Cântico dos Cânticos. Uma escolha poética e perigosa. Fui direto para a contracapa, deslizando o dedo pelo forro falso de couro que eu mesmo havia criado. Havia um papel dobrado ali dentro. Mas era diferente. Mais grosso. Um papel de alta gramatura, quase como um cartão. Sentei-me na poltrona de couro e o desdobrei. Todo o oxigênio abandonou os meus pulmões. O fôlego foi arrancado de mim de uma vez só. Não havia texto. Não havia letras cursivas me provocando ou descrevendo o que ela fazia sozinha no escuro do quarto. Aurora não tinha uma câmera para me mandar uma foto de volta, então ela improvisou. No centro do papel branco, havia uma marca em batom vermelho escuro. O cosmético proibido por Alessio. Mas não era um beijo. Ela havia pintado a própria i********e. Os lábios maiores, a f***a exata da v***a dela e o ponto sensível do c******s estavam perfeitamente carimbados e desenhados em vermelho sobre o papel. Ela se sentou sobre a folha. As bordas do desenho estavam levemente borradas onde a umidade natural dela havia se misturado com o batom. O cheiro dela exalou do papel, atingindo meu cérebro como uma droga intravenosa. — Figlia di puttana — rasguei a palavra entre os dentes, um rosnado animal escapando da minha garganta. Meu p*u respondeu instantaneamente, esticando o tecido da calça social com uma dor aguda. A visão da marca íntima dela, tão crua, tão real, me destruiu por completo. Eu conseguia ver a anatomia perfeita da mulher que eu tinha fodido no altar. Conseguia imaginar a rebeldia dela, erguendo a saia do vestido recatado, passando o batom vermelho na carne quente e molhada e pressionando a folha contra a própria b****a. A imagem me enlouqueceu. Não havia mais espaço para o autocontrole. Abri o cinto com as mãos trêmulas, puxei o zíper e liberei minha ereção pesada e latejante. Minha mão agarrou meu próprio p*u com força. Apoiei o papel marcado na mesa, bem na minha frente. Eu não conseguia desviar o olhar do batom vermelho. — La mia Santuzza — murmurei, a respiração curta e pesada no escritório silencioso. Fechei os olhos por um segundo e pude sentir o aperto úmido dela ao meu redor, a forma como ela choramingou e cravou as unhas nas minhas costas. Comecei a me masturbar, os movimentos rápidos e desesperados. A fricção bruta da minha mão calosa não chegava nem perto da maciez que eu sabia que existia nela, mas a imagem no papel era combustível suficiente para incendiar minhas veias. Fodi o ar enquanto olhava para o carimbo da i********e dela, minha mente completamente sequestrada pela filha do inimigo. A cada puxada, o desejo se transformava em uma necessidade possessiva e violenta. Meu corpo tensionou ao limite. Joguei a cabeça para trás no encosto da poltrona, rangendo os dentes, e gozei forte. O alívio me atingiu como um tiro, meu peito subindo e descendo freneticamente na solidão do apartamento. Fiquei ali por vários minutos, o coração martelando nos ouvidos, encarando a mancha de batom. As cartas não eram mais suficientes. As fotos e os carimbos não passavam de migalhas que apenas aumentavam a minha fome. A obsessão tinha chegado a um ponto sem volta, e estava afetando meu trabalho, minha mente e meu corpo. Eu precisava do real. Precisava do gosto daquele batom na minha boca. Peguei o celular no bolso. Disquei o número do Palazzo Rossi. — Romeo? — Falei assim que ele atendeu, minha voz firme e decidida, abotoando a calça de volta. — As contas do porto de Messina do mês passado apresentam discrepâncias. Parece que Alessio Marino está desviando uma porcentagem das taxas que pertencem à Famiglia. — Tem certeza disso, Mattia? — Romeo soou mortalmente sério. Roubar a Cosa Nostra era uma sentença de morte. — Alessio pode ser um fanático, mas nunca o tive como ladrão. — Eu vi os números. Preciso voltar lá e fazer uma auditoria nos registros dele pessoalmente. Quero pegá-lo de surpresa amanhã à noite. Houve um breve silêncio do outro lado da linha, antes de o Capo dar a ordem que selaria meu destino. — Vá. E se ele estiver roubando, você sabe o que fazer. Desliguei o telefone. Dobrei a carta com a marca vermelha e guardei no bolso do paletó junto ao meu peito. Eu estava voltando para Messina, e nem todo o exército sagrado de Alessio Marino seria capaz de me impedir de encontrar aquela mulher.
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