A tarde de junho estava abafada, e o tédio era a minha penitência diária. Sentada à escrivaninha do meu quarto, eu encarava as páginas amareladas de um compêndio de História. O responsável pelos meus estudos, um velho tutor escolhido a dedo pelo meu pai, havia me passado três capítulos sobre a ascensão da Igreja no Império Romano.
Nenhuma de nós, as filhas de Alessio Marino, faria faculdade. Para o Capo de Messina, o ambiente universitário era um antro de perdição, imoralidade e ideias liberais.
Nosso currículo era estritamente moldado pelo que ele considerava adequado: história focada na religião, literatura clássica censurada, economia doméstica e submissão. Estudar o passado de uma religião que só servia para me acorrentar parecia inútil, mas era isso ou enfrentar o cinto de couro dele por desobediência.
Eu estava quase cochilando em um parágrafo sobre o Concílio de Niceia quando duas batidas secas na porta me fizeram pular.
— Signorina Aurora? — A voz fina de uma das criadas soou do corredor. — Seu pai a aguarda no escritório. Imediatamente.
Meu estômago despencou. O sangue fugiu do meu rosto.
Alessio quase nunca nos chamava no escritório à tarde, a menos que houvesse uma infração a ser punida. Minha mente disparou, refazendo cada passo da noite antes de ontem.
Eu tinha deixado alguma pista do que fizemos na capela? Sangue no meu pijama? Um fio de cabelo no altar?
Naquela noite, após Mattia desaparecer nas sombras, eu retornei para o meu quarto em silêncio absoluto, esgueirando-me pelos corredores escuros. Eu sabia que todos achavam que as filhas do Capo já estavam dormindo.
O dia de ontem passou tranquilo, ninguém me perguntou nada. Meu pai não me olhou diferente. Mas e se ele tivesse descoberto algo agora?
Engoli em seco, alisei a saia longa do meu vestido modesto e desci as escadas. Minhas pernas ainda doíam do atrito brutal e inexperiente contra o corpo de Mattia. Cada passo era um lembrete físico do meu pecado.
Quando cheguei ao escritório, a porta estava entreaberta. Alessio estava de pé atrás de sua mesa, segurando um pacote pardo recém-aberto. Seu rosto, geralmente esculpido em desaprovação, exibia algo próximo a um sorriso orgulhoso.
— Entre, Aurora — ele ordenou, a voz grave.
Eu entrei, mantendo as mãos cruzadas na frente do corpo, a imagem perfeita da obediência.
— Sim, papai. Ocorreu algo?
Ele estendeu um livro grosso, de capa escura e pesada, com letras douradas gravadas na lombada.
— Fiquei surpreso quando os guardas me trouxeram esta entrega dos correios. Summa Theologica. Um pedido direto de uma livraria especializada no centro de Palermo — ele me olhou, os olhos escuros brilhando com um fervor doentio. — Eu não sabia que sua fome espiritual havia se tornado tão profunda a ponto de buscar textos em latim diretamente da capital. Isso mostra um amadurecimento que me agrada muito, minha filha.
Peguei o livro. Era incrivelmente pesado.
— Eu... eu senti que as obras da nossa biblioteca já não respondiam a todas as minhas dúvidas, papai — menti com uma facilidade assustadora, abaixando os olhos em falsa modéstia. — Queria ir direto à fonte.
— Fez muito bem. O conhecimento sagrado é a melhor armadura contra as tentações do mundo moderno. Leve-o. Quero que me faça um resumo do primeiro tomo até o fim da semana.
— Sim, senhor.
Saí do escritório com o coração batendo na garganta. Caminhei pelos corredores com o livro pesando nas mãos, a confusão nublando minha mente. O que aquilo significava? Seria um truque do meu pai para me forçar a ler um texto entediante sem precisar me ameaçar de verdade?
Mas a conta não fechava. Não fazia sentido vir de Palermo. Se Alessio quisesse me forçar a ler, ele simplesmente tiraria um livro da biblioteca, como fez tantas vezes, ou mandaria um dos soldados comprar algo no centro de Messina.
Eu não tinha contatos em Palermo. Não tinha como fazer encomendas.
Espera.
Parei no meio do corredor. Minha respiração falhou. Eu entrei em contato com alguém de Palermo, sim.
O homem que me tomou no altar. O Sottocapo. O homem cujas mãos grandes e quentes deixaram um vazio no meu corpo que ainda latejava.
Apertei o livro contra o peito e corri para o quarto.
Fechei a porta atrás de mim. Como regra da casa, chaves e trancas eram proibidas nos nossos quartos — Alessio dizia que a privacidade era o esconderijo do d***o —, então peguei a pesada cadeira de madeira da escrivaninha e a encostei debaixo da maçaneta. Se alguém tentasse entrar, o barulho me daria três segundos de vantagem.
Joguei o livro sobre a cama e comecei a folheá-lo freneticamente. Páginas e mais páginas de teologia densa, texto em latim, margens impecáveis. Sacudi o livro pelos ares. Nada caiu. Frustrada, passei os dedos pelas bordas da capa de couro grossa. Foi então que senti. Um pequeno relevo. Um corte fino no forro interno da contracapa.
Enfiei a unha no r***o e puxei um pedaço de papel dobrado.
Minhas mãos tremiam quando desdobrei a folha. A caligrafia era de um homem bruto, letras angulosas e fortes pressionadas contra o papel, o texto de alguém que queria me possuir com um t***o absurdo e implacável.
Li as palavras dele. Li sobre a cabeça do p@u dele queimando pela nossa f0da na capela, sobre a vontade incontrolável de afundar o rosto entre as minhas pernas e sobre como ele queria bater com o seu cajado no meu rosto até me marcar inteira.
A excitação bateu em mim como uma onda de calor insuportável. Levei o papel até o rosto, fechando os olhos, e inspirei fundo. Estava lá. Escondido no cheiro de papel velho da livraria, estava o perfume amadeirado e masculino dele.
O cheiro de Mattia.
Minhas pernas cederam, e eu me sentei na beira da cama. Sem pensar, joguei o livro sagrado para o lado, levantei a saia do meu vestido de algodão e deslizei a mão livre para dentro da calcinha de renda. Estava encharcada.
O simples pensamento daquele mafioso arrogante, a quilômetros de distância, pensando na minha i********e enquanto eu tocava o meu próprio c******s, era o maior e melhor pecado que eu já havia cometido.
Aguardo sua resposta.
Eu ofegava no quarto silencioso, meus dedos se movendo rapidamente, imaginando o toque áspero dele enquanto lia a carta pela terceira vez. Ele queria que eu me confessasse. Ele queria detalhes.
Quando cheguei a um orgasmo rápido e silencioso, mordendo o próprio braço para não gemer alto, meu corpo inteiro parecia eletrificado. Eu nunca me senti tão viva, tão perigosa, enganando meu pai bem debaixo do seu teto.
Levantei-me, ainda ofegante, as pernas bambas. Peguei meu caderno de anotações e uma caneta esferográfica preta. Apoiei o papel sobre a escrivaninha. Se ele queria sujeira escrita nas páginas da pureza, ele teria.
Meu safado maldito,
Você foi rápido, pensei que me deixaria sozinha para sempre aqui, sem receber mais nenhuma palavra ou olhar seu. Se escreveu sua carta de p@u duro, saiba que eu escrevo a minha com um dedo na boc3ta, está ardendo, estou dolorida e quero você me invadindo novamente.
Quase não consegui andar direito depois do seu cajado me preencher, mas eu consegui, ninguém desconfia de nada. O i****a do meu pai me entregou ele mesmo o livro que você mandou em mãos. Seu gênio do m*l, estou toda molhada por sua causa agora.
Se você voltar para me ver, terá acesso a todo o meu corpo. Meta onde você quiser. Eu trocarei este livro por outro volume em breve para te enviar isso. — La tua Santuzza.
Dobrei o papel. O vício havia começado de verdade, e eu m*l podia esperar para ver o mundo de Alessio queimar enquanto o d***o de Palermo me f0dia.