Quando enfim voltei para o meu quarto, depois de mandar Vin e Ben lavarem a louça por umas dezesseis vezes, escovei meus dentes, vesti meu pijama favorito - short preto com minúsculas estrelinhas e uma camiseta preta com mangas raglan cinzas e um escrito "Star Wars" que brilhava no escuro sobre uma ilustração da Millenium Falcon. Dei de mão no celular, estranhamente ansiosa e enviei um "E aí, voltei" para o meu admirador antes mesmo de deitar, eu suspirei pensando no Dan dizendo "não me olha desse jeito, Anna" no estacionamento mais cedo,.mas tive meu devaneios interrompido:
- Já estava ansioso - ele respondeu.
- Ficou fazendo o quê?
- Terminando umas tarefas da escola, e você? Fazendo o que agora?
- Nada - enviei uma foto dos meus pés, usava meias adoráveis do C3PO.
- Nossa, essas meias são incríveis.
- Pois é, combinam com meu pijama favorito.
- Você é muito legal - ele enviou uma foto dos pés - eu uso xadrez tradicional.
- Uhm, sem graça
- Mas compenso nas minhas outras vestimentas.
- Não posso confirmar ou negar isso.
- Ainda, um dia vai poder admirar todo o meu estilo - eu espero.
- Certo - eu rolei na cama - o que exatamente nós estamos fazendo?
- Eu estou querendo mostrar para você que eu sou um ótimo garoto e não um dos amigos babacas do seu irmão.
- Você prestou atenção no que eu falei?
- Eu sempre presto atenção em você Anderson, mais do que você imagina e muito mais do que eu deveria.
- Nossa, isso ficou bom de ler.
- Sei usar as palavras.
- Isso já diferencia você da grande maioria dos amigos do meu irmão.
- Para mim foi um elogio e por falar em elogios, Anderson, você estava linda demais hoje, não que você não seja linda, mas hoje você estava diferente, todo mundo notou, eu quase morri quando você passou perto de mim…
- Ah, obrigada - o elogio era ótimo mas aquilo não era uma boa dica, eu passei perto de todo mundo hoje - mas está exagerando.
- Não estou, não e sabe? Para piorar ainda tive uma crise de ciúmes do Monroe… Vocês pareciam bem íntimos no carro dele depois do treino.
- Peguei você! - enviei subitamente.
- O que foi?
- Você é do futebol.
- Ah, sim, eu sou. Eu e mais dezesseis caras, e mais o Monroe.
- Verdade, mas isso já é um bom começo.
- Para que?
- Para descobrir quem é você.
- Porque você quer tanto descobrir? Está com pressa para se decepcionar?
- Ah, não se deprecia tanto… - eu só queria saber quem era o louco que um dia pensou que podia gostar de mim antes que ele me conhecesse mais e deixasse de gostar - só estou curiosa.
- Certo. E aí? E o Monroe?
- O que tem ele?
- Pareciam bem íntimos…
- Ah, estávamos conversando sobre o amigo dele que queria meu telefone.
- Verdade?
- Sim. Eu estava um pouco receosa de trocar mensagens com um total desconhecido.
- Mas eu não sou desconhecido, você só não sabe qual dos conhecidos eu sou.
- Isso é estranho, da mesma forma.
- Como foi o primeiro dia de aula?
- Ah, um maravilhoso emaranhado de pequenas humilhações diárias.
- Seu dia não pode ter sido tão r**m, ainda mais linda do jeito que você estava.
- Não, exagerei - ele tinha razão, o dia tinha sido bem bom considerando o que ela estava acostumada a aguentar no ensino médio - foi legal e o seu?
- Foi normal.
- Decepcionado com o treino?
- Nem me fala, estou bem ansioso pela temporada.
- Porquê? - joguei a pergunta bosta ver se ele entregava informações sobre a identidade.
- Porque eu amo futebol, Anderson e não vou falar mais nada hahaha.
- d***a.
- Eu sei que você gosta de futebol, sabia? E que torce para o Seattle Seahawks.
- Todo mundo sabe disso, eu andei desfilando o verão todo com a camisa nova do Seahawks.
- Claro, que você ganhou do Monroe no Natal.
- Ei como sabe disso? – achei um pouco stalker demais.
- Então é verdade… Porque abandonou os jogos do time da escola na metade da temporada passada?
- Problemas, como soube da camisa?
- Ouvi falar, assim como ouvi falar que deixou de ir aos jogos por causa daquele lance do Lincoln.
- Você não sabe nada sobre mim.
- Calma, não fica nervosa… O que eu quis dizer é que bem, ele não era o astro do time, mas correram uns boatos de que o Ben tinha quebrado o nariz dele, embora ele insista que tenha sido no treino de hóquei.
- Para a sua informação, não foi Ben que quebrou o nariz dele, fui eu quem quebrou o nariz dele - digitei sem nem pensar - ele foi um i****a.
- Mas você beijou ele. Como quebrou o nariz dele?
- Ele me beijou.
- Você gostava dele?
- Na verdade não.
- Mas beijou ele mesmo assim.
- Eu sou uma adolescente que pensou que poderia ser normal, e fazer coisas que adolescentes normais fazem, beijar é normal. E então um dia eu percebi que deveria beijar alguém e aquele baile era uma boa oportunidade…
- Mas e o nariz?
- Olha eu tive um momento em que eu achei que era uma adolescente normal e isso foi bom mas aí a noite ficou h******l, depois o dia foi lamentável, o Ben se ofereceu para me levar lá, só pra pelo menos dizer que ele era um b****a porque eu achei que não teria como encarar ele na escola. Mas quando eu fiquei frente a frente com ele no posto, aquele nariz perfeito dele chamou minha mão e eu não resisti… Prometi ao Ben não contar nada, mas aqui estou eu, pronto. Sabe do meu segredinho sujo.
- Nossa, fiquei com bastante medo de você agora.
- Pretende ser um b****a? Descobri há pouco tempo que tem umas partes que causam maiores estragos, danos e dores do que o nariz…
- Nossa, que horror mas não, eu não pretendo ser b****a. Sou um amor.
- Vamos precisar mais do que sua auto afirmação.
- Sei que sim, estou pensando em como provar isso para você.
- Preciso dormir - digitei assim que ouvi meu pai subir as escadas, devia passar da meia noite e eu precisava dormir.
- Certo, então, te vejo amanhã na escola.
- Podia falar comigo.
- Ainda não, dorme bem.
- Você também.
Assim que larguei o celular eu apaguei. Tive um sonho estranho onde eu socava o nariz do Daniel Monroe enquanto outro garoto, que eu reconheci como Noah Martell me pegava pela mão e me puxava até o meio do campo de futebol e me beijava. Acordei me sentindo muito estranha.
O Noah era um amigo não tão próximo quer dizer, era um bom amigo, só não morava na minha casa como os outros. Ele sempre vinha nos aniversários do Ben, mas tinha pais um pouco exigentes demais, então não era um cara de muitas amizades. Ele era bem tímido, na verdade, falava pouco. Tinha a pele muito clara e olhos verdes cabelos muito pretos e delicadas sardas no rosto, ele tinha uma irmã mais velha, não lembrava o nome, mas ela era muito bonita. Noah era um cara forte como o Monroe, mas eu não sabia dizer se era mais alto ou mais baixo. Na verdade, ele lembrava meu irmão, mas menos magricela, e tinha covinhas lindas quando sorria, mas sorria pouco. Perdida em meus devaneios entre aquele sorrisinho tímido de Noah e o sorriso lindo e sexy de Daniel Monroe eu simplesmente perdi a hora.
Benjamin quase derrubou a porta do meu quarto dizendo que o Dan estava na cozinha e queria saber se eu não fazia um café para ele. Aí meu Deus, m*l vou ter tempo de me arrumar! A verdade é que eu pulei tão rápido da cama que bati a perna na mesa de cabeceira, derrubei ela, o abajur e um copo que caiu e quebrou, e eu enrolei o pé no fio do abajur e cai em cima dos cacos de vidro do copo e aí, p**a m***a, e o meu grito de p**a m***a deve ter acordado a rua toda. Dan foi o primeiro a aparecer, seguro do Vin e do Ben, cada um com a sua escova de dentes enfiada na boca:
- Tudo bem pessoal, foi só um cortezinho - minha perna jorrava sangue de dois pontos diferentes.
- Eu vou limpar isso - Dan disse e saiu correndo escada abaixo.
- Vou pro banho e limpar isso, m***a…
- Olha a boca suja Anna - meu pai aparecia bocejando – ah meu Deus, mas que m***a é essa? Vou desmaiar.
Apesar de ser um homem adulto, de trabalhar com investigador de Polícia e ver todo o tipo de coisas, acidentes domésticos com sangue eram uma coisa que deixavam o pobre Andrew Anderson abalado.
- Tá tudo bem, pai - Ben puxou ele para fora do quarto - só um cortezinho, a Anna vai ficar bem.
- Vou sim, já tô limpando - mas eu nem tinha entrado no banheiro ainda.
Corri para pegar calcinha, meia e sutiã, desisti obviamente da saia, pegando uma calça do uniforme, era uma calça com corte bonito no mesmo tecido Oxford, mas não era xadrez e sim um tom grafite bem bonito. Entrei para o banho tão rápido que não ouvi Daniel subir. Quando abri a porta do banheiro vestindo calcinha e a camisete que eu usava por baixo da camisa da escola e que deixava meus p****s incríveis, ele estava sentado na minha cama:
- Aí m***a - eu disse - não sabia que você estava aqui - fechei a porta, achei um short jeans e enfiei, abri a porta - muito obrigada pela ajuda - disse assim que vi que ele tinha juntado a minha bagunça.
- Ah, tudo bem - ele sorriu sem jeito - você compensa fazendo um café?
- Claro, eu só vou dar um jeito nisso… - indiquei meus machucados.
- Os curativos? Estou aqui para isso.
- Não se incomoda…
- Estou preparado - ele apontou para a latinha de medicamentos que normalmente estava no armário da cozinha - seu pai pediu pra eu te ajudar.
Não falei mais nada. Um corte no cotovelo, e mais dois na perna direita. Dez minutos e três curativos depois, eu enfim pode terminar de me vestir para logo descer e preparar o café. Não olhei o telefone, estava mais preocupada com meu sonho delirante e em como eu caminharia pelos corredores da escola arrastando uma perna com dois curativos.
- Anna?
- Oi - eu disse distraida.
- Tudo bem? - Dan tentava conversar.
- Tudo sim e com você?
- Estou bem… Você está muito distraída hoje.
- Não, impressão sua, só estou com um pouco de dor agora…
- Meu amigo te chamou?
- Chamou sim… Aí m***a, nem olhei o celular… - dei as costas ao Dan no balcão para ler as mensagens no meu celular. Não tinha nenhuma do meu admirador.
Escondendo minha repentina decepção, preparei-me para a escola com calma enquanto dei goles no meu café. Daniel conversava com o meu Pai sobre um encontro da Associação de Caça Esportiva que aconteceria na semana seguinte e que normalmente íamos. Papai não soube ainda dizer se poderia ir, mas ficou de avisar assim que soubesse dos horários. O evento era um grande churrasco em um Bar, Restaurante, Mercado e loja de artigos de caça que ficava bem perto da Cabana do Papai, o BigBrown Bear era um lugar que servia ótimos petiscos e onde os caçadores de reuniam e os filhos deles e os adolescentes descolados como nós e alguns metidos a descolados, mas não importa… Íamos desde sempre e nos divertíamos muito. O Pai de Daniel também caçava, era cardiologista e bem amigo do nosso pai.
Quando finalmente consegui sair para a escola, arrastando minha perna, estava em cima da hora.
- Se você quiser, posso te levar até a sua sala… - Dan disse assim que eu desci com um pouco de dificuldade do carro.
- Não precisa, eu só preciso de uma mão para subir as escadas.
- Tudo bem - ele pegou minha mochila e meu fichário e segurou-me firme pela cintura.
Quando chegamos com dificuldade na metade da escada, Ben apareceu e correu para ajudar, bem, ele carregou as coisas e Dan seguiu me segurando.
- Obrigada - disse quando finalmente nós chegamos no topo, diversos curiosos estavam ali.
- Não agradece, irmãzinha - e então ele me soltou e saiu sorrindo em direção à sala de aula.
Chris já estava com meu material - Ben entregou para ele assim que o enxergou e sumiu correndo atrás de Grace McMillan, uma das cheerleaders da turma dele.
- Não vamos falar sobre isso - Chris disse apontando para minhas pernas - eu poderia dizer que está se sabotando para não usar a mini saia.
- Meu Deus, eu super queria estar toda escalavrada.
- Mas chegar pendurada no Daniel Monroe foi certamente triunfante.
- O pior é que foi - sorri satisfeita antes de começar a contar rapidamente a história do admirador para Chris.
As aulas daquele dia arrastaram-se lentas. Eu tinha uma sensação muito estranha, afinal, eu esperava que o meu admirador conversasse comigo, o que não aconteceu. Chris também pensou em Noah Martell, mas achou estranho, porque segundo ele, nunca havia reparado em Noah olhando para mim, mas pensou ter reparado em Henry Covey encarando algumas vezes, ele era amigo dos garotos, não tão íntimo, assim como Noah...
Voltei para casa com Benjamin naquela tarde e ele me deixou antes de buscar o Vincent porque eles iam para a academia. Eu estava sozinha em casa, com meus costumeiros shorts velhos de malha, camiseta e meias depois de um banho demorado aproveitando a paz e o silêncio antes dos garotos voltarem quando a campainha tocou. Corri para atender e deparar-me com ninguém menos do que Noah Martell.
- Oi Noah - disse confusa.
- Oi Anna, tudo bem? – ele perguntou.
- Tudo sim e com você? - eu estava nervosa, bem nervosa, minhas pernas tremiam e minhas mãos suavam.
- Tudo bem, o Ben por acaso tá em casa? –
- Ah, não, ele foi na academia com o Vin e o Monroe, eu acho…
- Ah, legal, eu - ele parecia um tanto desconcertado - acabei esquecendo um livro com ele hoje.
- Ah, me dá um minuto - eu disse pegando o celular - vou ligar para ele e resolvemos isso.
Não demorou muito para ouvir Ben:
- Oi Anna, o que aconteceu? – meu irmão perguntou nervoso.
- Oi Ben, é… O Noah está aqui e falou que esqueceu um livro…
- Ah, claro, olha, tá em cima da minha escrivaninha, entrega para ele, por favor?
- Claro. Até depois.
Desliguei e voltei-me para Noah, que m*l olhava para mim:
- Vou subir para pegar… Quer entrar e esperar ou esperar aqui?
- Ah, obrigada, eu vou entrar então.
Deixei ele entrar na minha frente, murmurei um "fica a vontade" e subi em direção ao quarto do Benjamin. Avistei o livro assim que eu entrei, peguei e voltei para sala, Noah estava sentado imóvel no sofá.
- Aqui está - anunciei assim que cheguei perto do sofá.
- Ah, muito obrigada - Noah levantou-se - salvou minha lição - ele sorriu e logo abaixou a cabeça, encarando meus curativos - nossa o que houve?
- Sofri um acidente hoje de manhã - eu ri sem jeito - atropelei a mesa de cabeceira, quebrei um copo, tropecei, caí e me cortei…
- Meu Deus - ele disse - parece um pouco desastrado, mas eu te entendo - ele levantou o braço e havia uma longa cicatriz em seu antebraço direito - atropelei uma cerca de arames farpados com a bicicleta e - ele já estava com a mão da camisa, como quem a levantaria quando desistiu, visivelmente envergonhado dizendo - e tenho uma cicatriz queimadura da última tentativa de fazer meu próprio café da manhã.
- Me conforta saber que eu não sou o único perigo iminente - eu ri.
- Ah, com certeza não é – ele riu - então, vou nessa - ele disse sorrindo - obrigada novamente e desculpa por te incomodar…
- Não foi nenhum incômodo - eu não estava fazendo nada mesmo, tinha sido uma visita interessante, eu acompanhei ele até a porta.
- Então a gente se vê na escola - ele disse e saiu andando, mas antes que eu respondesse ele virou para trás e disse - ou a gente pode sei lá, tomar uma café uma hora dessas, se você quiser.
- Ah, eu - respirei fundo para não parecer muito empolgada - adoraria.
- Ótimo, então, a gente vai qualquer hora - e logo ele estava entrando em uma pick up preta.
Corri para o meu quarto: Noah Martell estava me convidando para tomar um café, mas não parecia ser ele o meu admirador secreto, ele parecia bem envergonhado, mas em nenhum momento pareceu inseguro. Telefonei para o Chris, e ainda estava falando com ele quando o meu grupo favorito de rapazes chegou em casa: meus irmãos e Dan. Chegaram fazendo o barulho e algazarra de sempre, porém, percebi rapidamente que estavam brigando.
Desci as escadas novamente, Dan estava em silêncio enquanto Vin e Ben gritavam um com o outro, o que era normal, mas aparentemente o motivo disso era alguma coisa que Vin tinha contado para Ben. Encarei Dan que apenas me olhou tão espantado quanto eu.
- O que é isso? - gritei parada entre os dois.
- Não se mete nisso, Anna - gritou Benjamin.
- Ah, eu me meto sim, que m***a é essa?
- Eu mandei não se meter - Ben me empurrou para o lado fazendo eu me desequilibrar e cair pela segunda vez no dia, dessa vez, bati a cabeça na quina do aparador.
Daniel correu e me ajudou a levantar, a sala ficou em silêncio e eu senti o sangue escorrendo no meu rosto - dessa vez eles tinham passado dos limites.
- Eu me meto onde eu quiser - gritei - vocês dois agem como dois bárbaros o tempo todo e eu sou a irmã de vocês - toquei meu rosto - tá feliz, Benjamin? Que m***a vocês dois tem na cabeça?
- Anna, foi sem querer - Ben aproximou-se.
- Fica longe de mim, seu i****a - gritei - perguntei o que estava acontecendo e sigo querendo saber.
- O Vincent está dizendo que o papai tem uma namorada – Benjamin disse furioso.
- Aí m***a - Vin disse - não é isso, Anna, eu disse que eu acho que ele tem…
- E qual é o problema nisso? - perguntei.
- Mentira, Anna, o pirralho tá mentindo, o papai nunca…
- Pára - gritei - você estava surtando com o Vin porque acha que o papai não pode ter uma namorada?
- Ele não faria isso! - Ben gritou - Não sem falar comigo.
- E porque não? - Vin questionou.
- Ele não faria sem falar comigo…
- Claro, porque é super fácil conversar com você, um cara tão calmo, paciente e compreensivo - debochei - vai pro seu quarto, Benjamin Anderson.
- Eu não - ele riu - você não manda em mim…
- Cala a sua boca, Benjamin e vai pra p***a do seu quarto agora - berrei.
Ele não disse mais nada, apenas abaixou a cabeça e subiu. Dan ainda estava ao meu lado e agora tinha um guardanapo de papel na mão para secar as insistentes gotas de sangue que saiam de um pequeno corte na minha testa. Respirei fundo e encarei Vincent.
- Agora me conta o que você sabe disse muito séria.
- Quando eu sai para o treino ontem, com os Murray, da escola pro campo, eu posso ter visto o papai, estava com uma mulher no TeaTree Coffee.
- Uhm, uma colega de trabalho? – questionei.
- Definitivamente não. Parecia advogada, corretora de imóveis, pela roupa né – meu irmão parecia nervoso.
- Tudo bem - respirei fundo - ele te viu?
- Não, ele tava bem ocupado beijando ela – ele fez cara de nojo.
- Certo - tentei não imaginar a cena - e você tem certeza?
- Sim, a pick up dele estava estacionada na rua lateral, era ele.
- E porque o Ben…- Vincent me interrompeu.
- Olha, comentei com ele, fiquei incomodado de não sabermos nada… E aí ele surtou, gritou, me deu um soco no estacionamento, veio gritando comigo… Você conhece o Ben, agora acho que você olha o seu rosto e eu vou tomar um banho.
- Certo - respirei fundo - vou dar um jeito nisso.
Vincent subiu as escadas e eu desabei num choro silencioso, Daniel me abraçou apertado, um dos "abraços que salvam o dia" que ele costumava dar desde quando éramos crianças e eu caia da bicicleta ou coisas do tipo, nos separamos para que eu resolvesse o meu rosto.
- Quer falar sobre isso? - Dan perguntou enquanto limpava o meu rosto.
- Não sei - suspirei - vou falar com o papai primeiro.
- Seu irmão surtou mesmo, Anna, acho que você não pode interferir nessa hora, ele vai acabar machucando você.
- Eu sei - revirei os olhos - foi mesmo bem i****a eu me meter…