Capitulo 6

1603 Words
⚠️ AVISO DE GATILHO Este livro contém conteúdo altamente sensível, explícito e cenas de extrema intensidade gráfica. A história aborda tráfico de drogas, violência explícita, tortura física e psicológica, execuções brutais, criminalidade crua, confrontos armados letais, sangue, mutilação e a presença agressiva de cães de grande porte (pitbulls) atuando como armas letais em situações de carnificina. Algumas cenas são narradas com crueldade detalhada e podem ser profundamente perturbadoras para leitores que possuem fobia de cães, intolerância a descrições viscerais de violência ou sensibilidade a conteúdos pesados. Aqui, a empatia não existe. O perigo não é apenas uma arma de fogo; ele rasga a carne no dente, esmaga o osso e desfaz a vida na base do ódio puro. Leia com absoluta atenção e respeite rigorosamente os seus limites psicológicos. — Caixa d'água! Os alemão vão por lá! — Ele vomita a fita no mais puro desespero, cuspindo um bolo nojento de sangue escuro, dente quebrado e catarro direto no meu peito nu. A dor insuportável e o terror psicológico derreteram o que ainda sobrava de juízo e lealdade falsa naquele crânio oco. — Eles vão subir pelo beco da caixa d'água! Tão de bico novo, fuzil pesado, carregado até o talo, vão vir varrendo a p***a toda de madrugada pra tomar a boca principal! Caveira, me mata, c*****o! Por tudo que é mais sagrado, puxa esse ferro e me mata logo! Acaba com essa desgraça! Eu não sinto um pingo de pena. Nem sequer mudo a expressão da minha cara. Enfio a minha mão grossa na raiz do cabelo suado e imundo dele, puxando a cabeça do traidor para trás com pura ignorância e força bruta, esticando e expondo aquela garganta pulsante que implorava por socorro. Com a outra mão, encosto a lateral da lâmina fria, preta e suja do sangue dele bem no meio daquele rosto choroso e desfigurado. — Tu não é cria, Pilha. Tu nunca foi p***a nenhuma. Tu é resto de lixo. E lixo a gente não enterra com dignidade, parceiro. Lixo a gente joga pro cão lamber até não sobrar nem o cheiro. Levanto devagar, limpando o sangue da faca direto na perna da minha calça tática. Dou dois passos para trás e olho fixamente para os meus três soldados de quatro patas. A adrenalina deles tá no talo absoluto, os músculos grossos e cheios de veias saltadas tremem descontrolados de ansiedade, os olhos amarelos e injetados vidrados na carne rasgada que sangra na frente deles. Eu sou o monstro que essa favela de barro e tiro criou, o demônio forjado na bala e no ódio, que não sente um pingo de remorso. A empatia morreu na primeira vez que eu tive que engatilhar um oitão velho para não virar peneira na mão de PM corrupto. Dou um passo à frente, abro os braços e estufei o peito, soltando um berro estridente, animalesco, que rasga o silêncio do galpão e abafa o barulho da tempestade lá fora: — Janta, p***a! Acaba com esse rato! Desfaz essa imundície! O inferno é liberado de vez na terra. A contenção arrebenta em uma fração de segundo. A Luna, que já tava com a boca cravada de leve na panturrilha, ouve a minha voz e enlouquece de vez. Ela dá um tranco brutal para trás com todo o peso do corpo, rasgando a carne da perna do infeliz na força bruta, arrancando um pedaço gigante e disforme de músculo que voa pelo ar e bate com um som oco na parede de zinco. O sangue jorra instantaneamente igual a uma mangueira de incêndio estourada, pintando o chão de vermelho vivo. O Zeus voa do chão com a boca escancarada num bote invisível de tão rápido e crava os dentes assassinos direto no braço direito do X-9, exatamente na articulação do cotovelo. Com um chacoalhão de pescoço violento, girando o corpo com o peso de oitenta quilos, ele estraçalha a articulação num estalo asqueroso. O barulho de osso virando farinha e cartilagem estourando é repugnante. O cachorro gigante puxa para trás com força desumana, repuxando a carne, os tendões esticados e a pele do braço inteiro, descascando o maluco pelado até o ombro, deixando o osso branco exposto na chuva de sangue. O Pilha tenta gritar por socorro, mas a dor é tão absurdamente extrema que o sistema nervoso central entra em choque absoluto e o berro simplesmente trava na garganta. O Thor, com a fúria acumulada de quem já quase foi morto pelo asfalto e pelas armadilhas da vida, pula com o peito largo direto contra a cadeira de ferro. O impacto é tão violento que tomba o Pilha e a p***a toda para trás, batendo a nuca do traidor no cimento grosso com uma pancada seca e oca. Antes que o X-9 consiga sequer piscar ou recuperar o ar, o Thor afunda a mandíbula de ferro direto na garganta do cagueta. As presas afiadas rasgam o gogó, esmagando a traqueia e as cordas vocais num estrondo macabro de cartilagem esfarelando. O Pilha não grita mais. Não tem como emitir um único som. O som que sai da boca dele agora é apenas um borbulho asqueroso, um chiado molhado de sangue grosso inundando, afogando e destruindo o pulmão. A cadeira tombada no chão de cimento e o eco do galpão viram uma sinfonia macabra, nojenta e ensurdecedora de osso quebrando, carne molhada sendo mastigada com força bruta e os rosnados ferozes de três monstros disputando a carniça. O maluco convulsiona violentamente no chão, os olhos esbugalhados saltando da órbita e perdendo o foco, as pernas espasmando enquanto o corpo vai sendo literalmente desfeito, retalhado e estripado vivo debaixo das presas implacáveis dos pitbulls. Eu fico ali parado de pé, intacto, respirando fundo o ar pesado de morte. Puxo o isqueiro do bolso com calma, acendo o meu baseado de novo, protegi a brasa com a mão e fico fumando tranquilamente, assistindo a poça de sangue grosso e escuro se espalhar rapidamente pelo chão sujo do galpão, misturando-se com o mijo e a lama. O meu olhar tá completamente vazio, o coração batendo no mesmo ritmo calmo de quem tá sentado assistindo a uma novela na TV. Não tem revolta na minha cabeça, não tem sadismo de doente mental forçado, não tem sorriso i****a no rosto. É só a pura, fria e crua lei da sobrevivência da favela: cortar a cabeça da cobra e queimar o ninho antes que ela bote ovo envenenado no teu quintal. Dez, quinze segundos no máximo, e o X-9 já não é mais p***a nenhuma neste mundo. Não tem rosto reconhecível, não tem braço inteiro, a garganta é um buraco aberto, escancarado, jorrando vermelho sem parar. É só um monte de retalho de carne ensanguentada, irreconhecível. O peito finalmente para de subir e descer. Apagou. Foi direto pro micro-ondas do capeta. Eu dou um assobio curto, agudo, cortante como uma navalha. Na mesma hora exata, os três param de morder. A fuça inteira vermelha, pingando sangue grosso, os dentes sujos de pedaços de pele e tecido. Eles ofegam pesado, soltando fumaça quente pela boca aberta por causa do vento gelado, mas recuam no mesmo instante, obedientes. Sentam no meio do açougue, no meio da poça vermelha, olhando direto para mim, com a língua de fora, esperando o próximo comando. Isso sim é disciplina de facção forjada no terror. — Bom. Muito bom, meus garotos. — Guardo a faca na bainha da coxa, bato de leve no ombro largo do Zeus e ajeito a Glock firmemente na cintura da calça tática. Puxo o radinho comunicador pendurado no cinto tático. A frequência da contenção chia alto no meio da tempestade lá fora. — Pega a visão, Davi. O lixo foi pro saco, CPF cancelado com sucesso. — Falo, a minha voz fria igual a gelo. — Qual foi a fita, Caveira? O verme cantou a boa antes de apagar? — Cantou a pedra inteira. Os alemão vão tentar o bote covarde pela caixa d'água de madrugada, achando que a gente tá dormindo na chuva e moscando. Manda a tropa inteira ficar na atividade máxima vermelha. Reforça o plantão em todas as lajes, bota os cria de bico pro alto, escopeta na mão e muito pente reserva no colete. Quem descer aquele beco hoje achando que é dono da p***a toda, a ordem é varrer sem pena. Macetar até virar pó. E manda dois menor, dos mais novo, subir aqui no abatedouro agora mesmo. Manda recolher os restos que sobrou do Pilha num saco preto de lixo e jogar no meio da praça do Norte como aviso. O recado tá dado praquela corja. — Copiado, rei! O bagulho vai ficar doido. Nós vai arregaçar os cabeça de bagre tudo! Desligo o rádio com um estalo seco. Chuto a porta de ferro enferrujada para fora, abrindo caminho, e saio de volta para a tempestade implacável. A chuva gelada bate forte no meu corpo quente, lavando o sangue alheio que espirrou em mim e limpando a minha alma fula de ódio. A comunidade lá embaixo tá quieta, apagada, todas as luzes apagadas, portas trancadas com cadeado, mas a guerra invisível, a guerra suja que tinge o asfalto de vermelho, tá fervendo nas minhas veias. A rua me ensinou do jeito mais escroto e doloroso possível que, ou tu puxa o gatilho primeiro, ou tu mesmo cava a própria cova e deita nela. E eu nasci com o dedo coçando para puxar a p***a do gatilho. O Caveira tá na pista, blindado pelo ódio, e o morro inteiro sabe que quem ousa cruzar a minha linha não volta para contar a p***a da história.
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