— Hoje, a tua neurose não é mais com a tropa, seu verme de galinheiro. Hoje o teu desenrolo é direto comigo. Tu tá frente a frente com o próprio capeta, e eu não vim aqui buscar a tua alma podre, porque o d***o já recusou essa imundície; eu vim pessoalmente fatiar a tua carne em cubinhos. — A minha voz sai rouca, um sussurro seco, arrastado, carregado de um deboche tão pesado que chega a dar enjoo, um bagulho tenebroso que rasga o silêncio de morte do galpão, ecoando mais alto do que o relâmpago que estala lá fora.
Eu abro a mão esquerda devagar, ostentando um sorriso cínico, sádico e debochado que rasga a minha cara de orelha a orelha. Solto as três guias de aço grosso no chão de uma vez só, deixando o metal despencar. O estalo seco do aço batendo com força no cimento faz o vacilão fechar os olhos com tanta força que as pálpebras dele tremem freneticamente, num tique de pavor puro. O rato chora, soluçando num desespero tão patético que beira a demência total, tremendo igual a uma vara verde em dia de vendaval. O corpo do comédia entra em colapso, a bexiga cedeu de vez e o mijo quente escorre livre pelas pernas.
Só que a minha matilha não é bando de cachorro de patricinha. É a elite do inferno, treinada pelo próprio demônio que vos fala. Os três monstros travam no exato lugar onde estavam. Nenhum deles avança um maldito milímetro sem a minha ordem. Ficam ali parados, empinados, feito três gárgulas esculpidas na maldade pura, o corpo inteiro vibrando na adrenalina da caça, a baba grossa, espumosa e ensanguentada pingando sem parar no cimento, só esperando a minha voz dar o aval pra fazer o serviço sujo e engolir o traíra vivo. A disciplina na minha facção não é ensinada com carinho na cabecinha de ninguém; ela é forjada no terror psicológico absoluto. Eu controlo a mente do bicho e a do homem com um olhar.
Puxo a minha faca de caça da bainha de kydex amarrada firme na minha coxa esquerda. A lâmina preta, fosca, com serrilha nas costas pra moer osso, tá afiada no talo da ignorância, no grau cirúrgico pra cortar até o pensamento de trairagem antes dele nascer.
Chego bem perto, no sapatinho, flutuando na lama sem pressa nenhuma, saboreando cada segundo do pânico dele cozinhando em banho-maria. Encosto o bico sujo de lama e sangue secando do meu coturno bem no meio da poça de mijo fétido que já se forma debaixo da cadeira de ferro. O cheiro de medo, urina e bosta do Pilha é o meu perfume favorito da noite.
— Tu achou que a firma tava bagunçada, comédia? Que o Cruzeiro virou casa de tolerância, bagulho sem dono onde qualquer Zé Mané faz o que quer? — Falo bem baixinho, debochado pra c*****o, quase roçando os meus lábios na orelha imunda dele, sentindo o bafo azedo de morte. A ponta fria da faca vai deslizando devagarinho, milímetro por milímetro, pela jugular suada dele, brincando com a lâmina na garganta, sentindo o pulso do rato bater a duzentos por hora sob a pele fina. — Achou que podia sentar na minha roda, fumar da minha erva da pura, encher a p***a do bucho de carne na minha contenção, apertar minha mão pagando de cria leal, e depois abrir as perna pros alemão da pedreira em troca de pó batizado? Tu mandou seis irmãos pro ralo, seu filho de uma p**a arrombada. Seis moleques de raça que davam a vida por essa p***a de bandeira, que tavam de plantão debaixo de chuva levando tiro no peito enquanto tu tava cheirando o teu próprio caráter num beco escuro.
— Klaus, pelo amor de Deus, foi neurose, Caveira! Bagulho doido, a mente fraquejou, os cara me cercaram! Juro pela minha vida, juro pela minha coroa! — Ele berra, a voz esganiçada, falhando, cuspindo dente quebrado, catarro e sangue escuro direto no próprio colo. — Os cara me deram um bote na pista de baixo, botaram bico de fuzil na cara da minha mina! Eu não tive escolha, c*****o, eu ia ver minha mulher morrer na minha frente! Me dá um tiro na cara, Klaus! Me passa o cerol, me apaga logo de uma vez, mas não solta os cachorro em cima de mim, pelo amor de Jesus Cristo! Me mata limpo, chefe, por favor! — O verme surta de vez, uivando igual a uma criança abandonada no escuro, se debatendo feito um porco doente no abatedouro. O arame farpado que amarra os pulsos dele rasga a própria pele a cada puxão cego, cortando os tendões até esbarrar no osso branco e ensanguentado.
Eu solto uma risada seca. Curta. Sádica pra c*****o. Sem um pingo de empatia, sem vestígio de emoção humana. Eu sou completamente oco por dentro para essas fitas de pieguice. O desespero alheio não me comove, não me amolece; ele me alimenta, me dá um t***o bizarro de poder. Pra mim, choro de X-9 mijado é sinfonia, é a p***a de uma música clássica tocando no talo direto nos meus ouvidos.
— Não mete esse caô torto pra cima de mim, Pilha. — Passo a lâmina de leve na bochecha dele, dando tapinhas com o flat da faca pra humilhar o desgraçado. — Não tenta meter a mulher no meio da tua pilantragem pra pagar de herói romântico de novela das nove. A tua mina já tá sabendo perfeitamente que tu vendeu a nossa segurança pra pagar dívida de farinha com os verme do Norte. E quer saber da melhor, seu corno? A p*****a da tua mulher já arrumou as malas dela, limpou o teu barraco e tá pulando em outro p*u no morro agora mesmo, rindo da tua cara de o****o. Tu cheirou a tua moral, torrou a tua honra de homem e cavou a própria cova de cabeça pra baixo por pura ganância e vício de nóia desgraçado. E na minha lei, parceiro... na lei do Caveira, traição não tem fiança, não tem advogado de porta de galho e muito menos perdão divino. Não tem tiro de misericórdia na testa pra tu apagar de boa e ir dormir em paz. O bagulho aqui é cobrado no talo, na carne, no grito. O teu ingresso pro inferno é pago com a dor máxima.
Giro a faca num movimento rápido, cego e na pura brutalidade, sem nem olhar pra própria mão. r***o a coxa direita dele de ponta a ponta, do joelho até a virilha, afundando a lâmina com força até raspar no fêmur. O músculo grosso abre de uma vez feito um zíper estourado, fatiando a carne viva. O sangue quente, escuro e denso espirra na mesma hora, um chafariz de pressão que jorra sujando a ponta do meu coturno, manchando a minha calça tática e lavando o chão de cimento com a imundície dele.
O urro do Pilha ecoa monstruoso, abafando o barulho da tempestade que desaba lá fora. É um berro rasgado, gutural, as cordas vocais estourando no limite. É o som da alma imunda dele sendo triturada, mastigada e cuspida fora em vida.
A Luna, minha psicopata de coleira, não aguenta o cheiro metálico e enjoativo do sangue fresco jorrando na fuça dela. A cachorra dá um bote quase invisível de tão veloz e brutal, cravando a mandíbula monstruosa direto na panturrilha esquerda dele. O barulho do osso da canela quebrando, um estalo horrendo CRACK! que parece um pedaço de madeira grossa partindo no meio, arrepia o galpão inteiro. O osso estala sob os dentes de aço da pitbull e faz o Pilha engasgar no próprio grito, arregalando os olhos até quase saltarem da cara de tanta agonia. Ele joga a cabeça pra trás com uma violência absurda, urrando pro teto podre de zinco, a veia do pescoço grossa e pulsando alucinada, quase estourando pra fora de tanta pressão sanguínea.
— Segura a emoção, Luna. Puxa o freio de mão, garota. — Eu murmuro, com a voz mais fria e calma do mundo, tranquilo igual a quem tá num domingo à tarde tomando uma água gelada.
A disciplina fala mais alto que a fome de sangue. A cachorra trava a mordida na exata milésima de segundo. Ela não solta a perna dele, não arrega pra trás, mas para de rasgar e sacudir. Fica ali, estática, esticada, repuxando o tendão exposto, esmagando a carne viva na pressão desumana da mandíbula, mas sem arrancar o pedaço fora ainda. Fica cravada, os dentes afundados no músculo latejante, babando um fio de sangue vermelho e grosso, rosnando engasgada com o gosto de ferro quente enchendo a boca dela.
Eu agacho bem na frente dele, apoiando o cotovelo no meu joelho pra ficar perfeitamente da altura do rosto desfigurado dele. Encaro o fundo daquele olho covarde, esbugalhado, inundado de lágrima de dor, ranho, catarro e terror absoluto. Dou um sorriso psicopata que gela até a espinha do capeta.
— O fuzil zero bala que tu comprou no asfalto com o sangue derramado dos meus moleques não vai te salvar de mim agora, verme de bosta. O teu padrinho do Comando não vai descer aqui pra te salvar, tu é só um bucha descartável. — Bato com a lateral plana da faca fria e ensanguentada direto no nariz quebrado dele, fazendo o maluco choramingar mais alto, gemendo como um bicho acuado. — Qual é a planta do Norte? Canta a pedra inteira, me desenha o mapa todinho, sem gaguejar, seu filho de uma rapariga. De onde esses arrombado vão tentar invadir o nosso morro amanhã? Fala agora, cagueta desgraçado. Abre essa boca podre logo e desenha a fita pra mim, ou eu abro o teu estômago inteiro agora com essa faca, arranco a tua tripa na mão grande e mando os meus três cachorro comer o teu bucho inteiro com tu vivo gritando, vendo a própria tripa sair e virar janta no chão. A paciência acabou, o****o. Jogo encerrado.