NARRADO KLAUS O sol do meio-dia já tava queimando o miolo do Cruzeiro, estorricando a lama seca que sobrou da tempestade de madrugada. O cheiro de pólvora queimada e sangue lavado ainda impregnava o ar da boca principal, a biqueira central onde a contabilidade do morro girava a mil por hora. Eu tava sentado num caixote de madeira reforçado, com o peito nu suado, o fuzil M4A1 atravessado no colo, tragando um cigarro forte enquanto o Davi e mais três vapores contavam as notas de cem e de cinquenta dentro dos sacos plásticos. O Zeus, o Thor e a Luna tavam deitados no piso de cimento gelado da laje, resfolegando pesados, com as barrigas cheias de carne fresca, rosnando baixinho a cada movimento suspeito no beco. Foi aí que a contenção da entrada da rua esticou o pescoço. O som de chinelo de

