Aos Vinte e Sete Anos

1604 Words
Será que nossa Cacau, encontrará alguém? ?? Eu quero expor nesse momento a minha pequena e humilde felicidade, desde que me aconteceu todo os episódios negativos da minha vida, aos dezessete anos e aos vinte e três, me fechei mais, lógico que Andreia e a família de Rebeca eram as únicas que me suportavam. Na noite da premiação que o Juiz Romualdo, meu crush eterno, me fez o convite para assessorá-lo e ali eu percebi que a minha escolha para advogar não era um erro e sim a resposta de todo o holocausto que passei. Logo, após a certeza que o quarteto da lei, era ilusório e não uma equipe para trabalhar com objetivo de crescer juntos, não permaneci mais naquele local, levei a Andreia comigo e peguei minhas coisas, sem dizer uma palavra, deixei um recado para depositarem minha parte já que existiu da parte dos três, preconceito racial e difamação e que não estendesse a conversa, eles teriam vinte e quatro horas para fazer o depósito. Na verdade, o bilhete foi escrito pelo Juiz Romualdo, crido que eles iam concordar e assim se vez. Estou morando em Colatina, Espirito Santo, estado que fugir, no entanto mais confiante e mais corajosa, acredito eu. Não me envolvi sentimentalmente com ninguém, passo parte do tempo trabalhando e cuidando do meu cantinho, creio que esse negócio de sentimento não existe, nem para amigos, família ou relacionamento. Quando fiz a mudança do Rio para cá, foi uma semana de pesadelos, aquelas vozes me incomodando tudo que me fazia m*l, até que uma madrugada estava em prantos e gritando e o Juiz Romualdo, me fez contar o que estava acontecendo, não tive como não falar tudo que me assolava ainda psicologicamente. Agora, tem uns dois anos que faço terapia, por insistência de Romualdo e sem esquecer Reginaldo, marido do juiz, que é um anjo em minha vida, mesmo sabendo que não sou sociável, me dá cada abraço disse que um dia eu aprendo a amar de novo, dou um sorriso morto e me sinto péssima. E a minha pequena e humilde felicidade, está mais uma vez nas minhas pequenas conquistas, final desse ano irei fazer a prova para ser juíza, estou determinada a isso e com o apoio das pessoas que me suportam, fica mais brando, conquistei meu fusquinha 2015, vendi a outra casa, com ajuda de Andreia que se saiu muito bem como corretora e com a venda da parte da sociedade que não era muita coisa, mas ajudou muito com o que ganho e ter uma boa instabilidade sem precisar passar perrengue. Celular tocando - Advogada Criminalista Cláudia, quem gostaria? - Olá, me chamo Siliane, peguei seu número aqui no fórum seu... peraí deixar eu.... Aqui o nome que anotei, Arcúcio, falei certo? Foi que repassou... - No que posso ajuda-la? - Sou feirante honesta, trabalho todos os dias e tive meu celular roubado ou furtado que diz? Sim, e aí que tenho vários clientes, peguei na mão do Picolé, um drogado da região, um celular, só que a peste tinha roubado, ele nunca foi de roubar... - Dona Siliane, a senhora está no fórum? - Tô próxima. - Em quarenta minutos eu chego. Não demorei muito, o trânsito estava razoável, ainda passei na padaria para comprar umas guloseimas, sinto minha visita chegando e o doce me acalma, não é colocar açúcar na boca, como muitos acham, preferimos o doce. - Paty, tudo bem? - Cláudia a moça e o dono do celular estão na quarta sala. - Melhor ainda, podemos chegar a um acordo. Adentro da sala e um perfume toma conta do ambiente, fazendo meu corpo, ficar totalmente em êxtase, o que está acontecendo comigo, quando olho melhor um homem alto, branco, olhos azuis e barba por fazer, eu estou reparando demais. - Olá, sou a Cláudia! – Ambos me dão a mão, mas só assinto. - Dona Cláudia, eu estava falando para esse senhor que não sou ladra, por uma necessidade de trabalho, comprei na mão de Picolé, mas também não posso entregar o bichinho. - Dona Siliane, assim fica difícil em defendê-la. – Ele abre um sorriso, que p**a que pariu. - Ele é atrapalhadinho assim, mas é gente boa a peste, a senhora tem que ver, mais caiu no mundo das drogas, tá fazendo besteira e eu não sabia. Ele nunca roubou, sempre me ajudou, sempre depositou as coisas para mim, nunca tirou um centavo e não sei o que aconteceu com Picolé. - Com licença. – Sinto meu corpo arrepiar.- Me chamo Lincoln Soares Alcântara, sou médico e não quero expor a senhorita ao ridículo, porque vejo que é dedicada ao que faz, eu fiz um BO. – Ele abre uma pasta e me mostra a ocorrência. - Dona Siliane a senhora sabe que é crime de receptação? Como compra algo sem nota fiscal? - A repreendo. - É como eu disse, foi o Picolé e eu não pensei duas vezes. – Ela fala com os olhos marejados. - Senhor, Lincoln, o senhor pretende continuar com a queixa? – Porque meu corpo está arrepiado? - Não! Na verdade, eu pensei que fosse, um usuário de alto periculosidade, alguém bem mais vivido no mundo do crime. Mas, esse Picolé, tem muita moral com a senhorita Siliane. – Eu já disse sobre o sorriso desse homem? - Eu vou tomar vergonha na cara e comprar um celular novo, seu Lincoln agradecida, aparece lá na feira e vai comer uns quitutes feito por "manusca", o senhor não vai querer sair de lá. - Convite aceito senhorita Siliane e por favor, não compre mais nada sem nota fiscal. - Vocês dois vão fazer alguma coisa agora? – Essa moça fala pelos cotovelos. - Não. – Respondemos uníssono. - Eu peço pro Careca vir pegar a gente.... - Se não opuserem eu as levo no meu carro. – O meu corpo ainda está arrepiado. Saímos do fórum e Siliane não parava de conversar, ela é muito faladeira, não parava um segundo, sempre ressaltando o trabalho e a dificuldade de manter as coisas bem organizadas na feira, que muita gente tem nojo e não compra, insinuando falta de higiene, que a mesma fica chateada. O carro estacionou e ainda andamos uns cinco minutos, até chegar ao stand de salgados, que não decepciona a ninguém de tanta limpeza e organização - Menina, você não lembra de mim? – Uma senhora me pergunta. - Não, me recordo. – Ela fala ao meu ouvido. – A enfermeira que me deu banho e falou que minha vida iria melhorar e que eu olhasse somente para o azul do céu, pois estaria todas as minhas respostas, ela esperou um abraço, no entanto, Siliane falou algo próximo. - Que mundo pequeno, eu te disse que eu tinha uma filha com a coroa igual a sua. Ela é minha filha. – Ela aponta para Siliane. - E esse homem lindo saiu da onde Siliane? - Manuscaaaaa!!! Esse é o dono do celular. - Meu filho, pai amado, olha a minha filha não é ladra, é sem juízo nenhum, porém roubar nunca, eu teria arrancando a mão dela, pode acreditar. – Lincoln solta uma gargalhada que até me fez rir. - Vejo que ela é bem, educada e agora vejo o motivo. – Eles se abraçam. - Esse mundo é pequeno mesmo, eu intermediei entre eles, sou advogada. - Vou trazer uns quitutes para a gente comemorar, fiquei achando que essa louca iria ser presa, quem já se viu comprar as coisas sem nota fiscal? - Dona Fátima, eu já disse, foi com o Picolé e a senhora sabe que ele não é de roubar. Dona Fátima e Siliane se afastam e me deixa sozinha com o Lincoln. - A senhorita Claúdia tem um sorriso lindo.- Ele me olha fixamente. - Não tinha como não rir, você expressou uma alegria imensa. – Ele continua me olhando. Ouvimos um bip e ele olha para o bolso e faz um sinal para Siliane. - Preciso ir ao hospital, surgiu uma emergência. Grato, pelo convite, mas irei voltar aqui com a minha pequena e conversaremos melhor. Cláudia, vou deixar um Uber... - Não se preocupe, moro aqui perto e peço para alguém ir pegar meu carro no estacionamento do Fórum. – Ele aperta a mão de Siliane e manda um beijo de longe para dona Fátima e me encara e meu corpo estremece. - Posso te chamar de Cacau? – Fico uns dez segundos olhando para Siliane. - Toda Cláudia não é, Cacau? - Muitos anos que ninguém me chama assim. - Se é amiga de manusca amiga minha é. Obrigada! Eu devo quanto? Minha mãe perguntou e eu disse que nem perguntei. - Faça o deposito, nessa conta.- Abro a bolsa e passo o valor e a conta. - Só isso? - Achou que seria quanto? - O moço uma vez nos cobrou quatro mil reais somente para a gente assinar um papel. - Em um setor público? Deveria ter dado queixa. - Cacau... – Ela fala e ainda acho estranho.- Tive sorte não foi? - Com certeza, senhor Lincoln foi bastante gentil. Se fosse outro estaria presa por receptação é um ato doloso, fez sabendo o que estava fazendo. Fiquei ainda ali conversando e tirando toda a dúvida que Siliane poderia ter, saboreei vários quitutes maravilhosos e dona Fátima, por entender da vida, não comentou nada sobre aquele dia no hospital, que para mim é um alivio, já basta a minha própria consciência.  Eitaaaa!!! Agora eu senti a Cacau estremecer? ? E Siliane é uma figura. ???? Lincoln tô com minha PA altíssima. ???
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