O primeiro tiro foi seguido por dezenas, depois centenas. Em questão de segundos, a rua virou um campo de guerra.
— COBERTURA! — Matador gritou.
Os homens se espalharam atrás de muros, carros, portões, qualquer coisa que pudesse parar uma bala. Eu saquei minha pistola, o coração acelerado e a adrenalina correndo nas veias.
Marconi continuava parado no meio da rua, como se fosse intocável.
— Atira nele! — gritei.
Três homens dispararam ao mesmo tempo, mas uma caminhonete atravessou na frente, protegendo-o.
— Filho da p**a! — resmunguei. Era exatamente o tipo de coisa que eu faria.
Explosões ecoaram do outro lado da comunidade. Mais homens do Marconi estavam entrando por todos os lados. Aquilo não era apenas um ataque; era uma invasão planejada, calculada, e nós estávamos em desvantagem.
— Eles sabiam onde encontrar a gente — Relíquia falou.
Meu sangue gelou porque ele tinha razão. Alguém tinha vazado nossa localização. De novo.
Uma rajada atingiu a parede ao meu lado. Pedaços de concreto voaram e me abaixei imediatamente.
— Tá ferida? — Relíquia perguntou.
— Não.
— Ótimo.
— Você?
Ele sorriu.
— Ainda não.
Mais tiros, mais gritos, mais caos. O cheiro de pólvora já dominava o ar. Foi quando Matador apareceu correndo na nossa direção.
— Eles estão tentando cercar a saída dos fundos.
— Quantos? — perguntei.
— Muitos.
Péssima resposta.
Então, algo chamou minha atenção: Marconi não estava mais lá. A rua onde ele se exibia segundos atrás estava vazia. Meu coração acelerou.
— Cadê ele?
Ninguém respondeu, porque ninguém sabia.
Foi então que ouvi uma voz, bem atrás de mim.
— Procurando alguém?
Meu corpo inteiro congelou porque eu reconheci aquele tom. Devagar, muito devagar, me virei e encontrei Marconi a menos de três metros de distância, com a arma apontada diretamente para mim.
Relíquia levantou a dele imediatamente, e Matador também, mas Marconi apenas sorriu, frio.
— Eu não faria isso.
— Atira nele! — Matador rugiu.
— Faz isso e ela cai primeiro — Marconi rebateu.
O silêncio caiu, pesado e mortal. Ninguém duvidou dele, nem por um segundo.
Marconi me encarava como se estivesse me estudando, esperando por aquele momento há anos.
— Você se parece com ele.
— Vai pro inferno — retruquei.
Ele riu.
— Exatamente a mesma personalidade.
Meu dedo tencionou o gatilho, mas antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, Marconi falou algo que fez até Matador empalidecer de verdade.
— Seu pai está vivo.
O mundo parou completamente. Até os barulhos dos confrontos ao redor pareceram desaparecer em um estalo.
— O quê? — minha voz falhou.
Marconi sorriu lenta e perigosamente.
— E ele está muito mais perto do que você imagina.