Capítulo 30

449 Words
O primeiro tiro foi seguido por dezenas, depois centenas. Em questão de segundos, a rua virou um campo de guerra. — COBERTURA! — Matador gritou. Os homens se espalharam atrás de muros, carros, portões, qualquer coisa que pudesse parar uma bala. Eu saquei minha pistola, o coração acelerado e a adrenalina correndo nas veias. Marconi continuava parado no meio da rua, como se fosse intocável. — Atira nele! — gritei. Três homens dispararam ao mesmo tempo, mas uma caminhonete atravessou na frente, protegendo-o. — Filho da p**a! — resmunguei. Era exatamente o tipo de coisa que eu faria. Explosões ecoaram do outro lado da comunidade. Mais homens do Marconi estavam entrando por todos os lados. Aquilo não era apenas um ataque; era uma invasão planejada, calculada, e nós estávamos em desvantagem. — Eles sabiam onde encontrar a gente — Relíquia falou. Meu sangue gelou porque ele tinha razão. Alguém tinha vazado nossa localização. De novo. Uma rajada atingiu a parede ao meu lado. Pedaços de concreto voaram e me abaixei imediatamente. — Tá ferida? — Relíquia perguntou. — Não. — Ótimo. — Você? Ele sorriu. — Ainda não. Mais tiros, mais gritos, mais caos. O cheiro de pólvora já dominava o ar. Foi quando Matador apareceu correndo na nossa direção. — Eles estão tentando cercar a saída dos fundos. — Quantos? — perguntei. — Muitos. Péssima resposta. Então, algo chamou minha atenção: Marconi não estava mais lá. A rua onde ele se exibia segundos atrás estava vazia. Meu coração acelerou. — Cadê ele? Ninguém respondeu, porque ninguém sabia. Foi então que ouvi uma voz, bem atrás de mim. — Procurando alguém? Meu corpo inteiro congelou porque eu reconheci aquele tom. Devagar, muito devagar, me virei e encontrei Marconi a menos de três metros de distância, com a arma apontada diretamente para mim. Relíquia levantou a dele imediatamente, e Matador também, mas Marconi apenas sorriu, frio. — Eu não faria isso. — Atira nele! — Matador rugiu. — Faz isso e ela cai primeiro — Marconi rebateu. O silêncio caiu, pesado e mortal. Ninguém duvidou dele, nem por um segundo. Marconi me encarava como se estivesse me estudando, esperando por aquele momento há anos. — Você se parece com ele. — Vai pro inferno — retruquei. Ele riu. — Exatamente a mesma personalidade. Meu dedo tencionou o gatilho, mas antes que eu pudesse esboçar qualquer reação, Marconi falou algo que fez até Matador empalidecer de verdade. — Seu pai está vivo. O mundo parou completamente. Até os barulhos dos confrontos ao redor pareceram desaparecer em um estalo. — O quê? — minha voz falhou. Marconi sorriu lenta e perigosamente. — E ele está muito mais perto do que você imagina.
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