Meu dedo estava no gatilho, mas eu não conseguia atirar. Não depois do que ele disse.
— O que você falou? — minha voz saiu baixa, perigosa.
Marconi continuava sorrindo, como se soubesse exatamente onde machucar.
— Você ouviu.
— Como você sabe da minha mãe?
— Porque eu sei tudo sobre você.
Meu sangue gelou. Ao meu redor, os homens começaram a apontar as armas. Relíquia apareceu atrás de mim, e Matador também, mas Marconi não parecia preocupado. Nem um pouco.
— Não escuta ele — a voz de Matador veio firme.
Marconi riu.
— Claro que não. — Então seus olhos voltaram para mim. — Afinal, ele passou anos mentindo pra você.
O silêncio caiu, pesado e perigoso. Porque aquela frase não era para Matador. Era para mim.
— Tá tentando me colocar contra ele?
— Não.
— Então o que você quer?
Pela primeira vez, o sorriso dele desapareceu.
— Que você descubra a verdade.
Meu coração acelerou.
— Que verdade?
Marconi me encarou por alguns segundos antes de disparar:
— Você acha que foi Matador quem te salvou.
O mundo pareceu ficar mais lento.
— O quê?
— Você acha que ele te encontrou por acaso.
Olhei imediatamente para Matador. E foi um erro. Porque ele desviou o olhar.
Meu sangue congelou.
— Matador...
Ninguém respondeu. Ninguém. E aquele silêncio começou a me assustar.
— Responde — minha voz saiu mais alta. — Responde!
Marconi deu um passo para trás, como alguém que já tinha plantado a bomba e agora só esperava a explosão.
— Você merece saber.
Matador fechou os olhos por um segundo. Um único segundo. Mas foi o suficiente.
— O que ele tá falando? — perguntei, e minha voz falhou pela primeira vez em anos. — Matador.
Ele respirou fundo. E quando voltou a olhar para mim, não parecia o homem que conheci. Parecia alguém carregando um peso antigo, pesado demais.
— Não foi um acaso.
Meu coração parou.
— O quê?
— O dia que eu te encontrei.
O mundo girou. Porque durante anos eu acreditei naquela história: a menina abandonada, o chefe que a acolheu, o homem que mudou sua vida.
— Então fala — minha respiração estava acelerada, meu peito doía.
— Fala agora.
Marconi sorriu. Aquele maldito sorriso. Porque ele sabia que estava destruindo tudo.
— Conta pra ela.
Matador apertou os punhos tão forte que os dedos ficaram brancos.
— Eu já conhecia você.
As palavras atingiram meu peito como uma bala.
— O quê?
— Antes de te encontrar na rua.
O silêncio foi absoluto, até Marconi completar:
— Porque você era a filha de alguém que devia muito dinheiro.
Meu coração afundou. E pela primeira vez desde o início daquela história... eu não sabia em quem acreditar.