Capítulo 26

462 Words
Meu dedo estava no gatilho, mas eu não conseguia atirar. Não depois do que ele disse. — O que você falou? — minha voz saiu baixa, perigosa. Marconi continuava sorrindo, como se soubesse exatamente onde machucar. — Você ouviu. — Como você sabe da minha mãe? — Porque eu sei tudo sobre você. Meu sangue gelou. Ao meu redor, os homens começaram a apontar as armas. Relíquia apareceu atrás de mim, e Matador também, mas Marconi não parecia preocupado. Nem um pouco. — Não escuta ele — a voz de Matador veio firme. Marconi riu. — Claro que não. — Então seus olhos voltaram para mim. — Afinal, ele passou anos mentindo pra você. O silêncio caiu, pesado e perigoso. Porque aquela frase não era para Matador. Era para mim. — Tá tentando me colocar contra ele? — Não. — Então o que você quer? Pela primeira vez, o sorriso dele desapareceu. — Que você descubra a verdade. Meu coração acelerou. — Que verdade? Marconi me encarou por alguns segundos antes de disparar: — Você acha que foi Matador quem te salvou. O mundo pareceu ficar mais lento. — O quê? — Você acha que ele te encontrou por acaso. Olhei imediatamente para Matador. E foi um erro. Porque ele desviou o olhar. Meu sangue congelou. — Matador... Ninguém respondeu. Ninguém. E aquele silêncio começou a me assustar. — Responde — minha voz saiu mais alta. — Responde! Marconi deu um passo para trás, como alguém que já tinha plantado a bomba e agora só esperava a explosão. — Você merece saber. Matador fechou os olhos por um segundo. Um único segundo. Mas foi o suficiente. — O que ele tá falando? — perguntei, e minha voz falhou pela primeira vez em anos. — Matador. Ele respirou fundo. E quando voltou a olhar para mim, não parecia o homem que conheci. Parecia alguém carregando um peso antigo, pesado demais. — Não foi um acaso. Meu coração parou. — O quê? — O dia que eu te encontrei. O mundo girou. Porque durante anos eu acreditei naquela história: a menina abandonada, o chefe que a acolheu, o homem que mudou sua vida. — Então fala — minha respiração estava acelerada, meu peito doía. — Fala agora. Marconi sorriu. Aquele maldito sorriso. Porque ele sabia que estava destruindo tudo. — Conta pra ela. Matador apertou os punhos tão forte que os dedos ficaram brancos. — Eu já conhecia você. As palavras atingiram meu peito como uma bala. — O quê? — Antes de te encontrar na rua. O silêncio foi absoluto, até Marconi completar: — Porque você era a filha de alguém que devia muito dinheiro. Meu coração afundou. E pela primeira vez desde o início daquela história... eu não sabia em quem acreditar.
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