Corri como nunca tinha corrido na minha vida. Mais rápido do que quando minha mãe me perseguia pela casa. Mais rápido do que eu achava ser possível para minhas pernas pequenas e cansadas. Ouvi imediatamente eles vindo atrás. As risadas se transformaram em gritos e uivos de caça. O som de seus passos pesados batendo no chão, cada vez mais perto. — Corre, correeee! — um deles gritou, rindo como se fosse uma brincadeira. As lágrimas escorriam pelo meu rosto, quentes e descontroladas, mas eu não parei. Não podia parar. Se eu parasse, eu sabia o que aconteceria. Virei uma esquina. Depois outra. O ar faltava nos meus pulmões, queimando. Meus pés doíam, mas eu continuei. Até que meus pés se enroscaram no próprio cansaço. Tropecei em algo, talvez uma pedra ou uma raiz, e caí com força no chã

