Capítulo 2

1037 Words
Chicago, 2013 - Você sempre foi um anjinho querida. - Erin Davis se abaixa, hoje é o aniversário de vida e morte de sua irmãzinha. Ela estaria completando 18 anos e a 11 ela deixou esse mundo. Muita coisa aconteceu, mas sua família se recuperou depois de um tempo, não totalmente, isso nunca iria acontecer, mas agora eles estavam melhor do que antes. - Você sempre será minha anjinha. - Lindsay diz colocando mais um buquê de flores no túmulo da irmã. Eram violetas, as flores favoritas de Nadia, ela amava roxo porque era a cor favorita de Erin também. - Sabe, você não vai acreditar, a mamãe e o papai voltaram a ser amigos, eu sei que você os viu ontem aqui, mas não sei se você sabia que esse ano eles voltaram a se falar. E eu sinto tanta falta de você e do Jake que dói, mas sei que a decisão que ele tomou foi melhor para ele. Feliz aniversário, meu anjinho. ... Chicago, 2007 - Você é um i****a por abandonar nossa família, você sabe disso! - Patrick grita. - Patrick vá com calma. - Kit pede. - Vocês vão ficar bem, eu preciso ir... Mamãe? - Jay Hawkins olha com os olhos cheios para a mãe. - Vá meu filho e volte quando quiser sempre, vamos te esperar. - A mãe de Jay se aproxima dele e o beija suavemente na bochecha. - Se você for Jay, você não precisa voltar. - O Hawkins mais velho diz com raiva e dor. Jay se despede dos pais com lágrimas escorrendo no rosto, ele precisava ir. Ele precisava sair dessa cidade para tentar se livrar do pesadelo. Cory Hawkins era seu irmão, ele tinha 8 anos quando foi brutalmente estuprado e assassinado.. Fazia um ano e então Jay decidiu se alistar no exército para esquecer seus traumas. ... Chicago, 2013 - Cara, quanto tempo... Me desculpa esses últimos anos... Bem eu acho que estive perdido por um tempo, talvez desde que você se foi, mas agora eu estou lutando, por você. - Ele tira a neve que se acumulou no canto do túmulo.- Prometo vir aqui sempre que puder, afinal eu perdi seus aniversários. Você estaria tirando carteira, isso seria incrível, eu iria... é... eu te ajudaria... - A voz treme e falha enquanto as lágrimas escorrem. Jay apenas da um gole na sua cerveja e fica parado em frente ao túmulo de Cory. Após um minuto repasando o passado em sua mente Jay se levanta para ir embora quando esbarra sem querer em alguém. - Oh, meu Deus, me desculpa. Me desculpa. - Ele diz se virando para pessoa e encontra uma mulher, pequena, cabelos castanhos loiros, seus olhos são brilhantes, mas ele não consegue perceber a cor devido a escuridão, já era noite e apenas as luzes dos postes iluminava o cemitério, ela tinha um rosto triste, mas é óbvio, quem não teria estando em um cemitério? Ele pensa consigo mesmo. - Está tudo bem... - Erin poderia até ter brigado ou gritado com o homem, mas viu que foi sem querer visto que ele se levantou repentinamente e outra, ela estava muito triste para brigar. Ao olhar para ele pode perceber seus olhos verdes, eles estavam em direção a luz do poste e só assim conseguiu ver, ele brilhava, mas era de tristeza, ela não tinha certeza, mas provavelmente ele estava chorando. - Está tudo bem mesmo. - Ela diz quando ele insiste nas desculpas, eles realmente não estavam em clima para discussão. Erin olha brevemente para o túmulo. - Eu tava tão distraído que não percebi... - Ele diz e ela assente. - Ei, eu entendo. Não foi nada demais ok? - Ela força um sorriso visto a preocupação dele e espera até que ele diga um "ok" e acene. - Meu nome é Erin... - Ela gagueja pois não se imagina cumprimentando um estranho em um cemitério, mas essa foi a maneira dela fazer com que ele parasse com as desculpas. - É Hawkins... Jay Hawkins... - O aperto dele é firme e ela percebe que leu um Hawkins no túmulo. Seus olhos se viram rapidamente para lá, o suficiente para ela ver a data e uma frase. "Filho, irmão e amigo, querido e amado, descanse em paz" Foi um momento rápido que passou pela cabeça dela sobre ele ser o pai do garoto, aliás ela não estava realmente fazendo uma conta mental e a luz não dava muito para ver. - Bom, prazer, Jay... Eu estou indo. - Ela se mexe e começa a andar e ele vai atrás. - Bom, eu também estou indo, posso te acompanhar? - Ela assente e eles começam a andar juntos. O primeiro momento é silencioso. - Eh... Veio visitar quem? - Veio visitar quem? Ambos dizem juntos, eles demoraram a fazer a pergunta, pois não queriam ser intrusivos, mas então soltaram uma pequena risada de alívio por terem feito a pergunta juntos. - Você primeiro. - Ele diz sem jeito. - Minha irmã. - Ela responde de cabeça baixa enquanto caminham. - Meu irmão. - Ele diz fraco e sem jeito. Erin olha para ele com a coincidência de serem irmãos. - Desculpa, não precisa responder se não quiser... mas como que ela morreu? - hmm.... foi câncer... - Ela responde rápido e sem jeito. - Seu irmão? - Ela pergunta. - Hmmm... eh... ele foi... ele foi assassinado. - Ele finalmente responde sabendo que ela já iria falar algo. O coração de Erin dói ao ouvir a confissão. Ela lida com assassinato diariamente quase e não é fácil, ter seu irmão vítima de um, ela não queria nem pensar. Ela revela a ele seus sinceros sentimentos e ele faz o mesmo antes que ela pare no carro dela. - É ... esse é o meu carro. - Ela diz parando frente a um civic prata, estacionado em frente ao cemitério. - Esse é o meu. - Ele aponta para um suv preto bem na frente do dela. Eles sorriem e se despedem rapidamente entrando em seus carros. Eles sentiram algo que não podiam explicar, talvez fossem os seus sentimentos pelas perdas. Bem, claro que era isso. Só podia ser.
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