Capítulo Sete - Hospital.

2018 Words
Felícia Até que não foi tão difícil a hora do banho como eu imaginei, Safira foi muito gentil e delicada comigo. Como imaginei, amei todos os vestidos que ela escolheu, sem falar nas peças íntimas que vestiram como uma luva, até parecia que ela sabia o meu tamanho. Peguei um vestido de alças finas azul marinho, ficou na altura do meu joelho e tinha um tecido leve e macio, sem falar no cheiro que estava ótimo. Ela me ajudou com meus cabelos também, fazendo uma trança lateral. Me senti mais leve ao sair do banheiro, parecia que eu estava há dias sem tomar banho. — Que cheirinho bom. — Carter falou ao entrar no quarto, me senti envergonhada, afinal, indiretamente ele estava dizendo que eu estava cheirosa. — Esse cheiro é o hidratante que eu escolhi, frutas vermelhas. — Pietro se gabou. — Até parece que o vestido foi feito para você, coube certinho. — Carter olhou seu assistente de forma estranha. — Sim, ela ficou linda. — Safira concordou. — Na verdade, ela ficou mais linda ainda. — Concluiu. Carter me olhou com uma expressão indecifrável, às vezes ele parecia um enigma. — Vocês estão me deixando tímida, não estou acostumada a receber elogios assim. — Abaixei a cabeça e tentei não manter contato com eles, principalmente com os homens presentes ali. — Só falamos a verdade, Felícia. — Pietro disse arrumando os óculos nos olhos. Ele era um homem muito bonito, me senti satisfeita em receber um elogio de um homem bonito. — Eu agradeço a vocês, nem sei como vou pagar tudo isso que fizeram e estão fazendo por mim. — Confessei, dividindo o meu olhar entre os três. — Ninguém aqui está te cobrando nada, dona Felícia. Se cuida e fica bem logo, isso é o que importa. Se continuar falando em pagamento aqui, eu vou puxar suas orelhas. — Carter ameaçou, colocando as mãos dentro dos bolsos da calça. — Está bem, por enquanto vou tentar não falar nisso. — Murmurei e ele assentiu. — Está ficando tarde, nós já vamos, ainda vou deixar a Safira em casa. Até breve, Felícia. — Despediu-se o barbudo bonitão. — Até logo, se cuida. E nada de sofrer pensando nos escrotos que fizeram isso com você. — Eu contei por alto o que tinha acontecido comigo para Safira enquanto estávamos no banheiro e como Carter havia se envolvido nessa confusão que era minha vida. — Adorei conhecer vocês, nos veremos em breve. — disse sorridente. — Mais uma vez, obrigada. — Agradeci. Em seguida os dois saíram do quarto, me deixando a sós com o Carter. Carter estava organizando o que ele tinha comprado na mesinha que tinha próximo a janela do quarto, que mostrava a cidade, estava chovendo, mas era uma chuva calma, eu gostava de chuvas calmas. Eu estava na cadeira de rodas, não queria ficar naquela cama e muito menos comer ali, era constrangedor para mim. — É impressão minha ou o Pietro gosta da Safira? — perguntei e Carter sorriu. — Isso é tão óbvio e só ela que não vê isso. — Carter riu me respondendo. — Ela vê sim. — Afirmei. — Ela tem os mesmos sentimentos por ele, mas talvez esteja com medo de expressar seus sentimentos pelo colega de trabalho. — Continuei. — Ela falou alguma coisa para você? — franziu o cenho curioso. — Não. — Respondi. — O jeito que ela olha para ele, é da mesma forma que ele olha para ela. Eles sorriem e abaixam a cabeça sempre que seus olhares se encontram, não conseguem se encarar por muito tempo e ela fica com o corpo rígido perto dele. — Expliquei como eu sabia dos sentimentos de Safira pelo Pietro. — Observou tudo isso nesse pouco tempo que estiveram aqui? — Carter arregalou os olhos enquanto perguntava, parecia não acreditar na minha capacidade de observação. Devia ter observado os Sinai do Peter dessa mesma forma. — Sim, também observei você. — me encarou. — Eu? — assenti. — Quando você está nervoso acaricia a nuca constantemente, duas linhas se formam bem no meio da sua testa quando está curioso. — sorri. — Eu não faço isso. — tocou a orelha direita. — E quando fica tímido, toca a orelha direita. — Disse e ele percebeu que havia acabado de fazer. — Vamos comer. — disse mudando de assunto. Resolvi deixá-lo quieto. Os hambúrgueres que Carter trouxe estavam divinamente deliciosos, não lembrava quando eu havia comido um lanche assim tão gostoso. — Eu não sou muito de comer esse tipo de comida, mas tenho que confessar, isso está muito gostoso. — Ele disse mordendo o último pedaço do hambúrguer e logo tomando todo seu suco. — É muito gostoso mesmo. — Concordei ainda na metade do meu lanche. Terminamos nossa refeição em silêncio, permaneci ali observando os pingos da chuva deslizarem sobre a janela de vidro. Assim como a chuva lava o solo e traz vida aos campos secos, eu espero que ela leve com ela toda essa dor que eu estou sentindo e traga uma vida nova melhor do que a que eu tinha vivido até aquele momento. Carter limpou a mesinha, jogando as sacolas e os copos que vieram com suco no lixo, ele era organizado e isso é algo bem difícil nos homens. Uma enfermeira veio aplicar mais alguns medicamentos para a dor. Ela não demorou muito, saiu poucos minutos depois, e ele sentou-se onde estava antes. — Pedi a Rose que limpasse e deixasse o quarto de hóspedes em ordem para você. — Avisou me deixando pensativa. — Tem certeza que não vou atrapalhar você? Sua privacidade? — Fiquei preocupada em ser uma inconveniente e ele está agindo assim por se achar culpado por eu estar machucada. — Certeza absoluta. — Começou. — Pode ficar o tempo que quiser, quero que sinta-se em casa. Às vezes, nos finais de semana eu recebo visitas de uma garota e pode ser que ela fique um pouco enciumada por ter mais uma mulher na minha casa. — Finalizou me dando uma piscadela. — Olha aí, eu vou atrapalhar sua vida. Mas você não me disse que era solteiro? É sua ficante? — Ele sorriu, balançou a cabeça e me encarou com um sorriso divertido no rosto. — Sou solteiro sim e não, não é minha ficante. Fica tranquila, você não vai precisar se explicar para uma mulher que eu esteja em algum tipo de relacionamento. — ele me deixou mais confusa do que eu já estava. — Essa garota tem cinco anos, é a Sophie, filha do Noah e minha sobrinha. — riu. — ela ama passar os finais de semana comigo. —Eu adoro crianças, talvez eu goste dela também, se não for uma criança mimada e chata. — Você me fez pensar que eu ia ter que enfrentar uma namorada furiosa, pronta pra me descabelar. — Brinquei. — Mas com essa aí, pode ficar despreocupado, eu adoro crianças e todas que conheço gostam de mim. — Afirmei animada. — Convencida! Eu estava brincando, a Sophie é uma criança muito fácil de conquistar e muito educada. Nem parece ser uma garotinha de cinco anos. — O que ele me falou sobre a garota já me deixou mais tranquila. — Você só tem o Noah de irmão?— Perguntei dando continuação a nossa conversa. — Sim, e eu sou o mais velho. Mamãe sempre quis ter uma menina, mas depois que ela teve o Noah, ela teve que retirar o útero, devido a um problema que não lembro qual foi agora e o sonho de ter uma menina acabou ali. — explicou. — Mas ela teve dois filhos incríveis. — disse, sorrindo para ele. — Obrigada, mas eu sou mais que o Noah. — Se gabou. — Muito modesto você. — Sorrimos juntos. — Seu rosto não está mais inchado quanto mais cedo, acho que amanhã não terá mais inchaço nenhum. O corte na sua boca não está incomodando? — Procurou preocupado. — Não muito, só um pouco dolorido. Na verdade, todo meu rosto está dolorido, o peso da mão dele não foi leve, muito menos o da mamãe, que não só doeu noeu rosto. — toquei minha bochecha sentindo toda a região dolorida. — Você foi golpeada duas vezes no mesmo lugar, e num lugar sensível, é normal ficar dolorido. Me desculpe, Felícia, mas sua mãe é mais baixa que aquele d***o loiro que é o Peter. Quando era pra te defender ela se juntou a ele para te fazer m*l. Não acredito que ele saiu ileso por isso. Não vou sossegar quando ele pagar por tudo isso. — Passou a mão nos cabelos, nervoso. — Nem eu acredito que minha mãe foi capaz de fazer isso comigo e que ele saiu vitorioso daquela delegacia. A justiça não funciona para todos, infelizmente. — conclui com os olhos já marejados. — Vamos mudar de assunto e esquecer tudo isso. Já passou, daqui pra frente é vida nova e pode contar comigo para tudo. — Segurou minhas mãos fazendo um carinho gostoso. — Acho que seremos bons amigos. — Revelei o que pensava. — Amanhã quando sairmos daqui podemos pegar minhas coisas, antes que elas coloque-as no lixo? — Pedi mais um favor a ele. — Sim, mas você não vai falar com aquelas duas, você já se machucou demais, eu não vou deixar. — Avisou e sobre aquilo eu só podia concordar. — Tudo bem. Não quero vê-las também, acredito que minhas coisas já estejam com o porteiro, assim não preciso me preocupar em cruzar com aquelas duas. — Melhor ainda, evitamos encontros indesejados e que só te fazem m*l. — Falou. Ficamos conversando e nem nos demos conta da hora, já era bastante tarde. — Você deveria estar descansando, mas ao invés disso eu estou aqui puxando assunto com você e te impedindo de dormir e descansar. — Falou sorrindo olhando as horas. — Não estou com sono e a conversa está tão boa. Mas acredito que você esteja muito cansado. Hoje foram tantas emoções. — Conversar com ele me fazia esquecer todos os meus problemas. — Também não estou com sono, sua companhia é muito boa. — Confessou sem largar o sorriso que mantinha nos lábios. Ainda ficamos algum tempo conversando, um assunto puxava o outro e nenhum dos dois estava com vontade de encerrar aquela conversa. Mas precisamos muito descansar ou o Noah me deixaria mais um dia no hospital e eu não queria que isso acontecesse. Odeio hospitais, não tenho medo de injeção ou ser submetida a qualquer procedimento cirúrgico, desde que seja para o bem da minha saúde, mas ficar internada, ter que dormir em hospital, era uma das coisas que eu mais tinha raiva. Precisei ir ao banheiro e ele me ajudou, me acompanhou até a porta e eu entrei sozinha, não foi difícil usar o banheiro daquela forma. Após fazer minhas necessidades ele me ajudou a deitar, colocando um travesseiro embaixo da minha perna. Não ia ser nada fácil para mim dormir com aquilo na minha perna. Sou espaçosa e inquieta enquanto durmo, os primeiros dias vão ser difíceis para mim. Só esperava não cair da cama, isso seria muito constrangedor. — Boa noite, eu vou ficar naquele sofá, se precisar de algo é só me chamar, não tenha vergonha. — Carter só podia ser um anjo disfarçado. — Certo, boa noite! — disse e olhei para o sofá. Não era muito grande, mas parecia bem confortável, espero que ele não tenha uma noite r**m por minha causa. Ele apagou as luzes, deixando apenas um abajur acesso. Observei ele pegar no sono, o que não demorou muito, ele estava exausto. Passei meus olhos pelo seu corpo, ele era incrivelmente lindo. Cada detalhe dele era perfeito. Carter era sem dúvida a personificação de um deus. Minhas bochechas ruborizaram pelo jeito que eu estava o olhando, eu toda ferrada, tanto fisica como emocionalmente e me encontrava babando o homem que me ajudou desde a hora que me conheceu. Adormeci admirando aquela imagem única e perfeita: Carter em sono profundo.
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