Aceitação e Rejeições Dolorosas

1564 Words
"Não se esqueça de mandar uma mensagem para Clint sobre a sua tarefa de escrita." Eu digo a ela com diversão enquanto entramos no prédio do apartamento.  Sua expressão cai imediatamente.  "Vá trocar de roupa e venha para a minha casa. Teremos linguini de camarão caseiro com margaritas virgens e vou te ajudar a mandar a mensagem para ele." "Combinado." Ela sai em direção ao segundo andar e eu continuo subindo as escadas até o terceiro. Vinte minutos depois, ouço a batida de Sheldon seguida por "Sofie. Sofie. Sofie." Eu balanço a cabeça rindo. Nós assistimos religiosamente cada episódio de The Big Bang Theory provavelmente umas dez vezes.  "O que você quer Sheldon?" pergunto ao abrir a porta com um floreio. "Onde está o seu celular?" pergunto e ela o coloca no balcão com um suspiro.  Ela abre as informações de contato dele e começa a escrever uma mensagem. "Você vai ler antes de eu enviar, certo?" Reviro os olhos "não, eu quero te ajudar a se humilhar." Depois de cinco minutos em que tenho tempo para servir a comida e preparar as margaritas, ela me entrega o celular. “Clint, desculpe se fui rude hoje. Sof disse que eu precisava de açúcar e isso me fez voltar a ser uma pessoa funcional novamente. Me avise como e quando você quer se encontrar para o nosso ensaio. Eu sei que você tem treino todas as tardes, mas geralmente termino por volta das quatro. Delaney Burke.” "Troque 'Eu sei' para 'Tenho certeza que você tem treino na maioria dos dias'. Parece um pouco menos obsessivo." Ela faz isso e eu assinto quando vejo. "Envie." Eu falo em tom neutro e ela me lança um olhar de desprezo antes de fazer isso. Soprando um suspiro enorme, eu digo "agora, não foi fácil? Você não vai ter problemas em mandar mensagens para ele pelo menos uma vez por semana." Ela resmunga.  “Vamos ver. A comida está pronta? Estou faminta." O celular dela chia e eu vejo ela engolir em seco. Ela respira fundo e abre a mensagem. Vejo um pequeno sorriso se formar e a vejo tomar um gole da minha margarita virgem. Gostaria que tivesse álcool dessa vez. Quando ela começa a digitar de volta e envia, fico boquiaberta. "Uhhh oi, você acabou de responder sozinha?!" Ela se vira para mim com um sorriso orgulhoso. "Eu respondi." "Tudo bem, o que ele disse? Eu cozinhei o jantar para você. Agora conta os detalhes." Ela abre a mensagem "aqui, você pode ler." “Bem, tenho que admitir que foi a primeira vez que vi um caso pessoalmente de deixar alguém sem palavras. Fico feliz que esteja melhor. Eu treino todos os dias. Começa às 4 e termina às 6. Eu sempre posso trabalhar durante o jantar desde que você também goste de comer. Que tal domingo à noite, às 6 horas? Estou ansioso para trabalhar com você, Delaney Burke.” Sua resposta: Domingo parece ótimo. Me diga onde nos encontrarmos. "Não consigo dizer se ele está flertando levemente ou sendo sarcástico. Quero dizer, o cara não sabe que eu tenho uma paixão por ele há dois anos." Delaney pensa em voz alta. Engulo um grande gole da minha bebida sabendo que Manny ouviu cada palavra da sua confissão mais cedo no corredor. Sabendo como os atletas se tagarelam, com certeza ele contou para Clint sobre a paixão dela. Se recusando a abalar sua nova confiança com constrangimento, dou de ombros. "Você vai descobrir no domingo. Ele vai gostar de você. Quem não gostaria?!" Cutuco seu ombro. Ela apenas balança a cabeça. "Você já ouviu algo do seu parceiro?" Eu respiro rindo alto "haha! Tenho certeza de que ele está suplicando para Mafferty. Ser parceiro de uma garota feia e impopular provavelmente está corroendo ele. Nem vou me preocupar até sexta-feira, talvez segunda-feira, para ver com quem fui realocada." "Talvez Webb mude de ideia.” Olho para ela pensando se o cérebro dela não resetou corretamente mais cedo hoje.  "Poucas chances disso acontecer." murmuro. Na sexta-feira, entro na aula de escrita para me sentar no meu lugar de sempre, mas vejo que ele está ocupado por Baylor, Grady e Dave. Além disso, o grupo de amigas dele com quem flerta se aproximou também. Giro ao redor, percebendo que posso esperar fora pela Delaney. Mas quando faço isso, colido com uma árvore sólida. Exceto que essa tem braços que me seguram para me estabilizar "cuidado aí." Sua voz profunda diz suavemente.  Olho para cima nos olhos verdes de Webb e peço desculpas. "Droga, me desculpe. Sou tão desajeitada. Com licença, estou indo para fora." Ele franze a testa antes de murmurar "por quê? A aula... está prestes a começar." Reviro os olhos na direção de Baylor e vejo ele olhar disfarçadamente para cima. "Entendi." Ele sussurra. Ele pigarreia e diz alto o suficiente para Baylor ouvir "que tal você sentar aqui e a gente pode juntar as informações para a nossa tarefa de escrita?" Ele parece extremamente desconfortável enquanto solta lentamente as palavras como uma criança aprendendo a falar. Que diabos?! Nossa tarefa. Ele aponta para uma cadeira na frente da fileira em que ele está sentado. Delaney entra fazendo uma careta quando vê nossos lugares usuais e se senta ao meu lado. Mafferty começa a falar sobre outro estilo de escrita que devemos considerar incorporar em nossa tarefa atual. "Vocês podem usar os últimos cinco ou dez minutos para conversar com o seu parceiro." Eu me enrijeço e viro para encarar Webb. Falando em tom baixo, começo "olha, tenho certeza de que você está tentando convencer Mafferty a te dar outro parceiro..." Ele dá de ombros "você está errada." Mas ele não consegue me encarar. Eu o encaro enquanto minha testa se franze "espera, o quê?" "Não estou tentando trocar de parceiros", ele diz simplesmente. "Oh!" É tudo o que consigo dizer. Lhe dou um sorriso rápido.  Estou prestes a dizer mais quando ele diz secamente, "Quero dizer, você ouviu o Professor, sem trocas, então não há outra escolha. Bem sem sentido implorar para não ficarmos juntos". Ele franze a testa profundamente. Ainda não olhou para mim. Meu sorriso se desfaz e mordo meu lábio. Isso dói. "Sim, eu deveria ter pensado dessa maneira", respondo sem emoção. "Se você me contar suas ideias para isso, eu escrevo a minha parte e podemos trocá-las aqui na sala antes de combiná-las. Não precisa ser forçado a ficar na minha companhia detestável", Eu declaro de forma despreocupada. O alarme soa assim que termino minha frase. Sem arrumar meu caderno, coloco minha mochila e saio segurando o caderno e o lápis em meu peito. Não espero por Delaney. Ouço alguém chamando meu nome, mas sigo em frente, ignorando. Não faço ideia se é Colby. Duvido que seja Webb. Marcho para a aula de fotografia e coloco minhas coisas na mesa com um baque distinto. Olho para cima e vejo Colby colocando suas coisas na mesa e me observando com cautela. "Você está bem, hortelã?" "hortelã?" Franzo a testa. "Sim, é meu apelido para você, já que sua mochila está cheia deles." Não consigo evitar rir quando pego três deles e os lanço para ele antes de pegar um para mim. "Há uma história por trás de sua obsessão por menta?", ele pergunta e eu dou de ombros. Delaney se senta, me olhando. "Você saiu com pressa", ela murmura. Colby "Acabei de pedir para a hortelã aqui me contar a história de sua obsessão pelo açúcar em espiral vermelha." Delaney me olha preocupada e eu dou de ombros para ela. Respiro fundo. "Meu irmão e eu adorávamos bala de menta macia. Nosso avô paterno sempre as carregava no bolso e nós as roubávamos. Ele fingia que não sabia quem as pegava e fazia um grande alvoroço sobre esquilos ou pássaros ladrões de doces. Minha mãe nunca nos deixava tê-las de bom grado. Nenhum doce ou guloseima. Minha mãe se foi desde que eu tinha sete anos. Depois que ela foi embora, Benny comprava um pacote para mim toda semana e dividíamos. Exceto agora, que ele é adulto, ele me dá uma caixa de cinquenta libras delas uma vez por ano." Sorrio pensando no meu irmão grandalhão. Ele e Colby se dariam bem. Ele franze a testa "mas você está celebrando com algo que ela odiava? Eu não..." "Minha mãe nos abandonou, Colby. Saiu e deixou meu pai nos criar sozinho. Não sentimos falta dela." Conto a ele sem rodeios. Delaney aperta minha mão gentilmente. O abandono de minha mãe não é mais um assunto sensível, mas também não é divertido discuti-lo. Seus olhos encontram a mesa antes dele murmurar "desculpe, hortelã." "Você não tem nada pelo que se desculpar. Ela tem. Mas, seja como for. Olhe para mim, Colby, o Urso Bárbaro." Seus olhos encontram os meus "você fez uma pergunta. Só porque a resposta não é agradável não significa que não possamos encontrar um lado positivo. Meu irmão me ama e faz algo para me fazer feliz todos os anos. Isso é o que eu celebro. Está tudo bem. Não fique chateado." "Colby, o Urso Bárbaro, huh?" Um lado de sua boca se curva em um sorriso sarcástico. "Sim, ouvi dizer que você pode ser muito feroz, mas ainda sinto que metade do tempo você é um ursinho gelatina balançante." Sorrio para ele. Ele ri antes de a aula começar.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD